domingo, agosto 26, 2007

Família Jacaré é "show"


Alô, amigos.

Esta é uma mensagem diferente. Não é uma historinha. É um convite para um "show".

O quê?
Show "Nós, os Jacarés". Aproximadamente uma hora e quinze minutos de muita alegria, música brasileira tradicional e "causos".

Quem?
O grupo Família Jácaré, claro! É um grupo de vinte parentes que compõem um... Um quê? Um sexteto: Vô Zeca Jacaré, Vó Nina Jacaroa, Lu Farias Jacaroa, Vagner "Rodapé" Jacaré, Juliana Jacarete e Vanessa Jacarete. Como pode? Venha ver o "show" para saber como é isso. Três gerações de uma mesma família cantando juntos.

A Direção artística?
Ahhh! Tato Fisher! Pianista, cantor, compositor, mágico, professor dessas artes todas, regente do grupo coral "Amídalas Cantantes", radialista, diretor teatral, diretor musical... Pensam que é só? Não! Participou do grupo inicial dos "Secos e Molhados".

Que mais?
A "abertura" do "show" será o quadro "O malandro e suas encrencas", com os cantores Frederico Santiago, Flavia Greco e Tânia Clemente. No teclado, Tato Fisher.

Quando?
No dia 29 de setembro (sábado), às 21 horas.

Onde?
No "Espaço Vila Teodoro", Rua Teodoro Sampaio, 1229, quase esquina da Av. Henrique Schauman, pegado ao Banco Itaú. Existem dois estacionamentos para deixar os automóveis, um em cada lado da rua, no quarteirão anterior. Não haverá problema, pois "os astros" me garantiram que, nesse dia, não choverá (se chover, eles terão que me devolver o dinheiro das velas que eu já acendi!!!...).

É isso, gente! Venham saber como pescar um tubarão, ou uma traira, no interior de Minas Gerais. Venham, também, saber por qual motivo "trabaiá é pecado!"... Ou, ainda, "u qui é qui minha muié teim, que as ôtra num teim!". E... "pru que qui a muié mi deixou"? Tudo isso será contado e cantado no "show".

Aguardamos vocês.

JF
(conhecido, nos meios musicais, por Vô Zeca Jacaré! EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE)

quarta-feira, agosto 22, 2007

Eu não consigo entender "arte" sem compartilhamento.
O pintor e o escultor fazem suas pinturas e esculturas para expô-las a outras pessoas. O poeta escreve poemas para serem lidos por outras pessoas. O compositor compõe músicas para serem ouvidas por outras pessoas.

Beethoven, o gênio que compõs suas principais sinfonias já em estado de surdês, também media sua obra pela recepção que o público dava à mesma. Seus biógrafos contam que, quando da estréia de sua monumental nona sinfonia, ao terminar a apresentação, Beethoven, que fizera a regência da orquestra executante, começou a recolher suas partituras sem ouvir, atrás de si, o público que o aplaudia entusiasticamente. Foi preciso que os músicos da orquestra, também totalmente entusiamados com aquela que, até hoje, é considerada como uma das principais obras primas da humanidade, em todos os tempos, o virassem para que ele visse a reação do público, em pé, aplaudindo-o. E foi assim que o grande compositor, totalmente emocionado, compreendeu a grandeza do que acabara de apresentar.

Evidentemente, o Família Jacaré não é composto de gênios como Beethoven, Michelangelo, Shakespeare, Camões, Caruso, e outros tantos artistas geniais. Mas, fazemos a nossa "artezinha". Isso fazemos! E, como tal, gostamos de apresentá-la às pessoas. E, quando percebemos que estamos agradando, isso nos dá prazer e serve de incentivo para melhorarmos sempre.

Ontem, às duas da tarde (terça feira), fizemos nossa apresentação em um programa na Radio Pax, emissora que transmite via Internet e é mantida por uma entidade de cunho esotérico, aqui em São Paulo.

A primeira coisa que chama a atenção, no nosso grupo musical, é o fato de sermos seis pessoas de três gerações diferentes, de uma mesma família. A noção "família", para o brasileiro, é uma coisa muito forte, admirada, e que chama muito a atenção. Outra coisa que chama a atenção sobre o grupo é o fato de serem músicas brasileiras antigas, alegres, daquelas que remetem as pessoas a boas lembranças de seus passados. Finalmente, chama a atenção o fato de três gerações estarem se apresentando de forma totalmente descontraída, igual, sem preocupações de vedetismo de uns ou outros, cantando com muito prazer. Divertindo-se, mesmo. É uma alegre festa familiar.

Para a apresentação na Rádio Pax, fôramos convidados pelo Tato Fischer, para sermos entrevistados em seu programa semanal e para cantarmos três músicas de nosso repertório. A entrevista acabou se estendendo e foram apresentadas umas dez músicas. Com isso, a apresentação se estendeu por por uma hora e quinze minutos, tendo, inclusive, sob olhares aprovadores da sua apresentadora, avançado em quinze minutos do tempo do programa seguinte.

Coincidentemente (ou não!), o locutor Tato Fischer, que foi integrante do grupo musical "Secos e Molhados", um amigo muito querido, além de cantor, compositor, instrumentista, mágico, professor de canto, diretor musical, diretor teatral, e outras qualidades, é o nosso Diretor Artístico e fã entusiasmado.

O programa começou muito bem, com nossa música de abertura "Jacaré", do compositor gaucho Paixão Cortes. Em seguida, relatei a composição dos "vinte parentescos" que unem os componentes do grupo. O Tato, brincando, desafiou os ouvintes a advinharem qual era o número exato de componentes do grupo. Não demorou muito para chegar um e-mail com a primeira resposta: OITO! Mais que a resposta errada, o que chamou a atenção foi o nome do remetente, Antonio Prenholato, nosso amigo orquidófilo de Brasília. Ao percebermos que os amigos estavam atentos ao programa, o "astral" do grupo, que já estava alto, subiu para mil!

Certa vez, o Prenholato postou, na lista NESO, uma crônica de sua autoria com uma história de uma pescaria. Essa história, de um humor muito fino, nós a adaptamos e a incorporamos ao repertório do Família Jacaré, sob a forma de um "causo" representado por mim e pela neta Vanessa (o "cumpadi Antonho"). Não estava prevista a sua apresentação na Rádio, mesmo porque, como é "representação", muito de sua graça estaria perdida. Porém, até hoje o Prenholato só ouve falar da história e ainda não a assistiu. Não podíamos deixar passar a oportunidade. Assim, na hora, de improviso, apresentamos uma versão "para rádio", especialmente dedicada ao ouvinte Antonio Prenholato! hehehehehe!

E, dessa forma, improvisado e informal, o programa foi se desenrolando.

Para uma das músicas, bem ao estilo das antigas emissoras de rádio do interior - "Fulano dedica a música tal para ciclana" - nós apresentamos o "Rede de Varanda", de João Bá e Gereba, e a dedicamos à Maria Rita, nossa querida amiga do Rio de Janeiro. É que a música retrata um cenário do vale do Rio Paraiba fluminense, na região em que a Rita tem sua casa de campo. O detalhe da dedicatória foi notado pela querida amiga Ariane, também carioca e que "assistiu" o programa, e comentado por ela na lista NESO. Pena que a Rita, no momento da apresentação, estivesse "brigando" com o técnico do computador e tivesse ficado impossibilitada de ouvir. Rita, ainda apresentaremos essa música a você, "ao vivo".

Outro momento muito significativo para nós foi quando recebemos da técnica do programa a comunicação de que chegara um e-mail do nosso amigo Júlio Betti, daqui de São Paulo, inclusive tendo anexado uma foto de uma apresentação nossa em sua casa.

O Júlio, grande violonista, juntamente com sua esposa Doris e a filha Juliana, ambas cantoras com vozes muito bonitas, uma família muito linda, costumava promover em sua casa saraus musicais. Esses saraus, interrompidos por motivo de doença em família, deverão ser retomados em breve. Foi frequentando essas reuniões na casa do Júlio que nos sentimos incentivados a dar prosseguimento ao grupo musical Coral do Jacaré, surgido um ano antes e praticamente paralizado, após duas únicas apresentações, de duas músicas, numa sala de música via-Internet.

Assim podemos dizer que o Júlio, mais a Doris e a Juliana, são padrinhos do Família Jacaré, nosso nome atual. E foi gratificante saber que ele estava atento à nossa audição.

Aliás, por falar em padrinhos do grupo, nosso primeiro padrinho é nosso amigo de Brasília, o Bernardino Damião. Durante todo ano em que estivemos "em recesso", de nossa segunda audição, na Internet, ouvida pelo Damião, até o ressurgimento, na casa do Júlio, ele nos ficou cobrando "a volta" e a gravação do CD. Grande Damião! Obrigado, amigo! Você é um dos responsáveis, aliás o primeiro responsável incentivador, do grupo.

Outro momento importante e de emoção, durante o programa, foi a chegada do e-mail da Dulce Valverde, compositora com algumas letras musicadas pela Lu. A Dulce estava acompanhando o programa nos Estados Unidos e fez questão de nos felicitar durante a audição.

Sabemos que outros e-mails chegaram à produção do programa, durante nossa apresentação. Mas, somente estes três nos foram repassados. De qualquer forma, agradecemos a todos os que se manifestaram. E, logicamente, a todos os que ouviram, mesmo não tendo se manifestado. Sabemos que muitos amigos não puderam ouvir por estarem sem disponibilidade de equipamento, no momento da audição, ou por qualquer outro motivo. Mas, só de sabermos que, ouvindo ou só em pensamento, eles estavam conosco, para nós é uma satisfação muito grande.

E, assim, tivemos mais uma apresentação. Mais uma etapa! Outras já vem vindo por aí, já com várias audições programadas até o final do ano, nesse caminho que adotamos para levar alegria às pessoas, para ficarmos satisfeitos conosco mesmos, e para, dentro de nossas pequenas possibilidades, mantermos viva a memória de antigas músicas que fazem parte da cultura brasileira.

É assim que compartilhamos com vocês nossas cantorias, nossa forma, ainda que pequenina, de fazer arte. E também compartilhamos nossa amizade e amor.

Abração

JF
ou Zeca Jacaré
dependendo da lista (hehehehehehehe)
Mais notícias, diretamente no Blog:
www.blogdojf.blogspot.com

Postado, no dia 22/08/07, também nas listas NESO e TatoFischer

quinta-feira, agosto 09, 2007

Romance de uma arara e de um ororo

Gentas e gentos.

Qual é o masculino de arara? Vocês sabem, aquele bicho voador com um empenamento todo colorido. Acho que dizer "ororo" é um tanto forçado, né mesmo? Bem, vamos supor que seja "araro". Ao menos é como definíamos o Jô.

Esta história começa ali pelo final dos anos setenta, início dos oitenta.

A casa de meus pais, no Itaim-Bibi, aqui em São Paulo, estava no meio de um enorme terreno de 1.200 metros quadrados. Meus pais, vocês estão já cansados, de saber, eram do interior. Minha mãe, sãocarlense, a terra do Zé Roberto. Meu pai era de Dourado, bem no centro do estado, mais precisamente do distrito de Itaju. - Um dia ele quis mostrar aos filhos sua cidade. Foi tanta gozação, tanta risada, que não voltou mais lá! Mas, isto é outra história. Voltemos a falar de araras.

Naquela época, o Itaim-Bibi ainda estava começando a crescer verticalmente. Ainda existiam casas com enormes quintais. O nosso, particularmente, era um enorme pomar. Tinha três jabuticabeiras, bananeiras, uma nespereira, mamoeiro. E outras coisas. Tinha até um famoso chuchuzeiro que foi "morrido" misteriosamente, como eu (me parece!) já contei aqui.

Com essa semi-floresta, era natural a vinda ao quintal de muitos pássaros.

Um dia, apareceu por lá uma enorme arara vermelha. Provavelmente fugitiva de alguma gaiola, a coitada estava em mísero estado, demonstrando muita falta de cuidados dos donos com o animal.

Ora, dizem por aí que o que cai na rede é peixe. Óbvio que não saimos pela rua perguntando quem perdera uma arara. Embora, se aparecesse alguém que provasse que era o dono do animal, certamente o levaria embora. Mas, apesar de toda a gritaria que a arara estava acostumada a fazer, ninguém apareceu. Sorte nossa! E da arara!

Bem tratada, logo ela recuperava a beleza de suas penas e a sua natural alegria. Solta no quintal, com água, comida e uma boa "cama", ia de árvore em árvore e por lá foi ficando. Considerou-se em uma nova casa.

Um dia, passados vários anos, a casa foi vendida para que fosse levantado, no local, um edifício de 17 andares. Soubemos, depois, que as três jabuticabeiras foram tiradas com o máximo cuidado e transportadas para o sítio de um dos donos da construtora, onde elas devem estar vivendo muito bem, até hoje. Quanto à arara, mudou-se lá para Itatiba, no sítio de meus pais, onde se encontra até hoje.

Existem muitas histórias engraçadas da arara, mas que deixo para contar em outra ocasião para não me alongar. Afinal, o que quero, mesmo, é contar sobre o Jô.

Entretanto, antes de falar nele, ainda devo dizer que, de vez em quando, a arara botava ovos e cismava de chocá-los. Fazia um ninho embaixo de um armário da cozinha e lá ficava. Lógico que, os ovos não sendo "galados", não nasciam ararinhas ou ararinhos. De vez em quando, minha mãe, com pena do instinto maternal da arara, colocava no meio dos ovos dela algum ovo de garnizé. Estes eclodiam. E a arara os tratava como se seus próprios filhos fossem. O pior é que esses garnizés acabavam por adquirir costumes ararísticos. Quase esqueciam que, de verdade, eram galináceos. Só não aprendiam a falar.

Foi então que meu pai resolveu atuar na criação e transformar-se em agente da natureza.

Diz a Bíblia que Deus, depois de criar o homem, disse: "Não é bom que o homem fique sozinho!". E criou a mulher. E daí, vocês sabem no que deu: namoro, casamento, filhos.

E meu pai disse: "Não é bom que a arara fique sozinha!"

Pergunta daqui, pergunta dali, conseguiu comprar um araro (vocês têm certeza que não é ororo, não é mesmo?), ao qual foi dado o carinhoso nome de Jô.

O Jô vivia empoleirado pelas árvores. Descia para comer e dormir em seu canto. Incrível era a sua capacidade de imitar as vozes das pessoas.

Meus pais, já com a idade avançando, logicamente foram incorporando hábitos próprios da velhice, tais como a ranzinzice e a teimosia. E, às vezes, discutiam entre si, cada um querendo ter mais razão que o outro. Isso, evidentemente, era um bom motivo de "gozação" de filhos e netos, pois, dalí a pouco, lá estavam os dois de mãos dadas assistindo a algum programa de televisão.

Certa manhã, alí pelas seis da madrugada, depois de já ter sido acordada às três pelos galos que vinham cantar sob a janela de nosso quarto, a Nina acorda com o barulho de uma discussão meio inteligível de meus pais.

" Amélio! Vo..." E não dava para entender o que minha mãe falava. Mas, a resposta era imediata:

"Amélia! Vo..." E também não dava para entender o que meu pai respondia.

"Começaram cedo..." pensou ela bem baixinho, para não me acordar.

Naturalmente, essas formas de acordar no meio da noite fazem com que os instintos naturais se manifestem e as pessoas sintam vontade de ir ao banheiro. A Nina, moça normal e saudável, logicamente, levantou-se para ir... "lá". Ao passar em frente ao quarto de meus pais, percebeu que os dois dormiam a sono solto, apesar de, fora da casa, a discussão continuar correndo solta. Isso merecia uma investigação cuidadosa. Pois não é que o Jô, no alto de uma árvore, ao lado da casa, era o protagonista único da discussão? O bandidinho sabia imitar a forma de falar de meu pai e de minha mãe. E lá ficava ele, no alvorecer do dia, se divertindo na representação teatral de uma "briga" dos Amélios.

Mas, voltemos ao principal, que a história já está longa: o namoro, o casamento, os ararinhos e as ararinhas tão ansiosamente aguardados.

Bem, o desfecho foi outro, bem diferente do esperado.

Nada de namoro! Nem chegavam perto um do outro.

Depois de muito pesquisar e perguntar, soubemos da verdade: as araras, quando formam um casal, ficam fiéis entre si até à morte dos dois. Mesmo que um dos dois venha a morer, o outro nunca mais buscará um companheiro. Não é bonitinho? Que coisa mais lindinha! Podia ser isso! Vai que um dos dois já fora casado, anteriormente? Não seria mesmo possível a união entre eles. Teriam, talvez, os dois sido casados em tempos anteriores? Afinal, os dois eram adultos quando chegaram ao nosso convívio. Não dava para saber. A única coisa que se sabia é que nenhum dos dois procurava aproximar-se do outro. Ignonoravam-se, mesmo.

Mas, as dúvidas sempre ficam. Pergunta daqui, pergunta dali, e, um dia, nova explicação. Eram araras de espécies diferentes. Realmente, a arara era vermelha e o Jô era azul. Mas eles têm preconceito disso? Bem, era como se se quisesse casar um cão pastor alemão com uma gata siamesa. Ou quase isso. Enfim... Vocês entenderam. Era impossível o casamento. Especies diferentes!

Agora já tínhamos duas boas razões para crer na impossibilidade de romance.

O Jô, infelizmente, depois de anos e anos de vida boêmia pelas árvores do sítio, inclusive praticando um esporte radical que ele adorava: ficar sob a chuva, tanto fazia se fosse um simples chuvisco ou uma tremenda tempestade de verão, adoeceu e morreu. Disse a veterinária que foi de pneumonia, em razão do excesso de chuvas que ele tomava. A arara, como já disse, está por lá, passeando, dando suas voltinhas nas árvores, ensaiando vôos. É uma verdadeira viuva alegre.

Mas, para terminar de falar sobre o Jô. Um dia, tivemos a terceira razão pela qual nunca daria certo o casamento entre eles. O Jô botou um ovo! O Jô não era Jô. Era Já!

Abração
JF

A propósito de Galos e Galinhas

Gentas e gentos.

Se existe um bicho burro, mas burro mesmo, o nome dele é galinha!

Tenho trauma de galinhas. Falo sério!

Talvez isso venha da infância. Imaginem ser filho de pais vindos do interior do estado, numa época que São Paulo, apesar de grande, era uma cidade... vamos dizer assim: um tanto provinciana. Isso lá pelos idos da década de 40. Não no início, lógico, que eu ainda não havia nascido, mas já para os anos 40 finais. É óbvio que no quintal de minha casa tinha um galinheiro. Aliás, naquela época, a maioria das casas tinha um galinheiro no fundo do quintal. Não se compravam ovos no supermercado. Nem existiam supermercados, ainda era a época dos "armazéns de secos e molhados". Os ovos vinham do fundo do quintal. E, de vez em quando, meu pai ia ao galinheiro, pegava uma galinha, torcia o pescoço dela e a deixava pendurada de cabeça para baixo, terminando de estrebuchar.

Nem sei o que significa estrebuchar, mas era como deixavam a galinha. Depois que terminava o estrebuchamento, davam um banho de água fervendo na galinha e retiravam suas penas (que eram guardadas para encher travesseiros). Depois disso, a galinha acabava aparecendo na mesa, já pronta para ir para o prato.

Hoje em dia é tudo mais simples. Vai-se ao supermercado e compra-se a galinha, que agora é chamada de frango, já prontinha para a panela. Não imagino como eu faria para estrangular uma galinha, pô-la para estrebuchar, dar-lhe banho de água fervendo e, ainda por cima, arrancar-lhe todas as penas.

Um dia, isso eu não lembro, apenas conto porque é história que corre na família, eu com uns três anos de idade, aprontei alguma coisa e minha mãe ameaçou de me fazer dormir com as galinhas.

Não sei se foi o complexo de culpa ou o quê. O fato é que, lá pelas tantas, deram por falta de mim.

"Onde foi parar o Zé?"

Quando foram olhar no quintal, lá estava eu no galinheiro, me preparando para dormir com as galinhas.

O fato é que, com tudo isso, agora, galinha, ao menos para mim, é só aquela vinda do supermercado. Digo isso, mas, lá no fundo, bem que tenho a idéia, de quando for morar no sítio, reativar o galinheiro. Com poucas galinhas, lógico, mas, isso é outra história.

Quando meus pais compraram o sítio, em 1970, as galinhas, lá, eram mais comuns que tico-tico. Como elas não ficavam presas, tinha galinha por tudo quanto era lado. Galinhas comuns, galinhas caipiras, garnizés. Chego quase a imaginar que era a totalidade da fauna itatibense, de tanto que tinha galinha. E elas botavam ovos prá tudo quanto era lado, para alegria geral dos gambás e outros animais, aí incluidos, evidentemente, os empregados do sítio. E era um tal de galinha aparecer com uma ninhada de dez, doze e até mais pintos. Era um verdadeiro escândalo! O drama é que minha mãe, depois de ter passado dezenas de anos com apenas um pequeno galinheiro no quintal, agora se via como a protetora universal das galinhas soltas e liberadas. Dizia que era ótimo para acabar com bichinhos. Até podia ser, pois em qualquer lado do sítio que a gente ia tinha multidões de galinhas ciscando pelo chão.

E os galos? De monte! Começavam a cantoria às três da madrugada. Debaixo da janela do nosso quarto. É por isso, inclusive, que a Nina odeia galinhas e galos (ainda não contei para ela que eu pretendo reativar o galinheiro, hehehehehe!, se bem que em quantidades educadas.).

Uma ocasião, levamos o Rackan ao sítio.

Antes de continuar, deixem-me falar quem era o Rackan.

Rackan era um cachorro pastor alemão. Ganhei de uma aluna. O filhote tinha sido desmamado aos vinte dias e trazido de uma fazenda de Bauru para São Paulo. Chegou mirrado, carregado de carrapatos e vermes. A Nina trabalhou muito bem para que ele pudesse sobreviver e se transformar num lindo pastor alemão "capa preta". A intenção era de levá-lo para o sítio. Mas, ele foi se criando no apartamento e nós não quisemos mais ficar longe dele. Dessa forma, Rackan foi um lindo cão pastor alemão "capa preta" de apartamento.

Agora, vocês imaginem um "partorzão" entrar num carro, saido de um apartamento na 9 de Julho, aqui em São Paulo, e descer em um sítio em Itatiba. Ele nem imaginava que pudesse existir tanto espaço!

Pois foi o Rackan descer do automovel e o que aparece bem na frente dele? Um galo! Lógico que ele não sabia que aquilo era um galo. Nem sabia que existiam galos. O máximo que ele conhecia, e corria atrás, eram alguns pardais que cismavam de aterrizar no terraço do apartamento. Um "pardal" daquele tamanho? Não! Isso tinha que ser investigado. E lá foi o Rackan, em desabalada carreira, atráz do "pardalzão" colorido. Obviamente, a curiosidade, se é que podemos chamar assim, era muito mais forte que nossos chamamentos imperiosos para que voltasse. Alguns minutos depois, o Rackan apareceu com o "pardalzão" pendurado, preso em sua boca pelo pescoço, já prontinho para receber o banho de água fervente e passar pela rotina do "despenamento".

Nem preciso dizer que minha mãe ficou uma "fera". hehehehehehehe! Mas, perdoou logo. A paixão dela por animais era imensa. Inclusive por cães pastores alemães curiosos.

Naquela época, em que os caminhos do sítio não tinham todo o calçamento que têm hoje, chovia demais (até o tempo mudou e já não é mais o mesmo!). Ao redor da casa ficava um tremendo lamaçal. Quando vinha o sol, a lama secava e formava enormes torrões de terra.

Num dos lados da casa, havia um barranco com diversas jabuticabeiras e algumas outras árvores que, naquela época, ainda eram relativamente baixas. Pois era nessas jabuticabeiras e árvores que as hordas de galinhas se empoleiravam, no final da tarde, protegidas pela ramagem espessa, para passar a noite. E era nessa hora que entrava em ação o Super X, o "terror das galinhas".

Super X, que a Luciana e o Adriano juram que era eu, garanto que não me lembro ao certo, chegava sorrateiramente, escolhia um grande torrão de terra no chão, e o atirava, com muita força, bem no meio da copa de uma das árvores. O torrão batia na árvore e como quê explodia, espalhando aquele monte de terra por entre as galinhas.

Gentas e gentos. Era engraçadíssimo ver aquele bando de galinhas assustadas, apavoradas e cacarejantes sairem esvoaçando por tudo que era lado da árvore. A Lu, o Adriano e eu caíamos na gargalhada... Eu não! O Super X, que eu seria incapaz de fazer uma maldade dessas.

A reação imediata à barulheira das galinhas era o aparecimento, em cena, de Dona Amélia.

"Que foi que aconteceu?"

"Sei não! Isso, na certa, é gambá querendo pegar as galinhas na árvore.

Realmente, galinha é um bicho muito burro! Mas eu ainda vou criar umas galinhas lá no sítio (não contem para a Nina que ela é capaz de querer cortar meu barato). Só que ficarão trancafiadas no galinheiro. E, se começarem a gritar e a voar esbaforidas, que ninguém me venha com a história de gambá. Vou querer saber, direitinho, quem é que está atirando bolotões de terra nas galinhas!

JF

quinta-feira, agosto 02, 2007

Cia. Estradas de Ferro Glória do JF

Gentas e gentos.

Depois de muito meditar, resolvi partilhar com vocês a possibilidade de participarem de um empreendimento de um alto grau de lucratividade. Pelos meus cálculos, de 40 a 50% de rendimentos AO MÊS! Não é venda de avestruz! Trata-se de um negócio com garantias de lucros, para ninguém botar defeito. É por o dinheiro agora e aguardar o início das atividades da empresa, que já lancei. Estou recebendo as importâncias que serão todas contabilizadas como "adiantamento para aquisição de Ações Preferenciais Nominativas" da Cia. Estradas de Ferro Glória do JF. O JF no nome da empresa se justifica: EU tive a idéia e EU serei o Presidente da Companhia. Naturalmente, deverá haver um pouco de paciência relativamente ao retorno do capital investido, sob a forma de dividendos mensais. Por enquanto, estou na fase de desenvolvimento do projeto e lançamento da Cia. E venda das ações (com o correspondente recebimento do dinheiro dos investidores). Depois disso, quando ocorrerem as condições favoráveis, será construída a ferrovia. Com o início das operações, haverá muito transporte de cargas e pessoas, o que, em "investimentês", significa: $$$$$$$$$$. Ou seja: lucros certos.

Vocês sabem que, no início, no planeta havia um único continente: Gondwana, ou algo assim. Com o passar dos tempos, os continentes se separaram e os mares foram invadindo os espaços abertos entre eles, formando os oceanos. A América do Sul destacou-se da costa africana e foi se afastando cada vez mais, até chegar à enorme distância que, hoje, separa esses continentes. Uma parte dos Oeceoclades maculata (*) ficou do lado de lá, já que eles não sabem nadar. Isso os impede de voltar.
Entretanto, fidedignas fontes, me garantiram que esse movimento de "afastamento" dos continentes não parou. NÃÃÃÕOOO!!! A América do Sul continua nesse processo de afastamento da África. A cada ano, alguns centímetros são acrescidos a essa distância que separa os continentes.
Entretanto, sabemos que nosso planeta é uma bola (ou, melhor dizendo, uma pêra, pois é mais achatado no pólo norte e mais pontudo no pólo sul). Se fosse simplesmente uma placa, como pensavam os antigos, haveria um momento em que a América chegaria à beira do precipício e cairia. Mas, como é redondo (ou pêrico), o que vai acontecer? Num determinado momento, lá no futuro, depois de cruzar o Oceano Pacífico, a América irá bater do outro lado de Gondwana. Ou seja: a América do Norte irá trombar com o Japão, Filipinas, China. A América do Sul irá bater na Austrália. Certo???? Certíssimo!!!!! Como 2 e 2 são 22!

E foi aí que me chegou a brilhante idéia. Vocês já imaginaram uma estrada de ferro ligando Rio de Janeiro a Sidney? Não???? Pois eu já imaginei! Sensacional!!! E foi assim que pensei na construção dessa estrada de ferro intercontinental. O custo não será muito alto, já que, nessa ocasião, o mar terá desaparecido, encurtando a distância em muitos milhares de quilômetros. E resolvi colocar todos vocês como meus sócios nesse empreendimento maravilhoso, de grande envergadura, e, sobretudo, de lucro certo! Tão logo os continentes se encontrem, começaremos as obras da construção. Mas, as ações preferenciais nominativas, sem direito de voto mas com garantia de recebimento de dividendos, já estão sendo lançadas, para que possamos pagar as despesas com registros, patentes, projetos, etc.

Assim, estou lançando no mercado lotes de ações da nova empresa:

1.000.000 de ações PN, a R$1,00 por ação, no lançamento, com deságio, estão sendo ofertadas por RR$100.000,00. Um grande negócio. Ninguém pode perder! Deságio de 90%! Quando a estrada de ferro entrar em funcionamento, valerão, nas Bolsas de Valores do mundo todo, pelo menosR$2.000.000,00;

É barato! Mas, vocês estão descapitalizados? Não tem problema. A satisfação dos sócios está em primeiro lugar. Não esqueçam que esta é, autenticamente, uma ação entre amigos:

1.000.000 de ações PN, a R$1,00, cada uma, por R$ 10.000,00. Não existe negócio com melhores perspectivas. Pensem bem!

Não dá? Ainda está pesado? Tá legal! Tá legal! Faço o mesmo lote de ações PN por R$ 1.000,00.

Mesmo assim, vocês ainda não têm disponibilidades? Que tal R$ 100,00? R$ 10,00?

Cês são duros, mesmo, hein? Tá bom! R$ 1,00 pelo lote de 1.000.000 de ações PN da Cia. Estradas de Ferro Glória do JF.

Nããããããooooo??????? Por isso que odeio pobre! Ceis nunca têm dinheiro!

Azar de vocês. Vou lucrar sozinho

JF

Em tempo: gentes, eu aceito o pagamento em vale transporte, vale-refeição, vale do fome-zero...

(*) Oeceoclades maculata – espécie de orquídea terrestre encontrada no continente americano, desde a Argentina até o sul dos Estados Unidos, e, também, na África.

Publicado, originalmente, na lista NESO de discussão (Yahoo), 01/12/2005.

sexta-feira, julho 13, 2007

Família Jacaré

O que é a Família Jacaré? Somos nós! Uma tradição familiar de cantar juntos. Os mais novos: Nina e eu, Zeca. A geração do meio: Luciana (Lu) e o marido Vagner (Rodapé). E, a geração mais velha: nossas netas Juliana e Vanessa. Ou será que essa questão de mais ou menos velho é ao contrário? Bem, detalhes sem muita importância.

No início, nosso nome era Coral do Jacaré

Esse Jacaré surgiu do nada, sem que soubéssemos por quê. Se alguém descobrir, por favor, nos conte. E coral? Coral presume bastante gente, e nosso grupo conta com vinte parentes:

Um avô e uma avó e duas netas. Dois pais e duas mães e três filhas. Dois maridos e duas esposas e mais duas irmãs.Um sogro e uma sogra e mais um genro. VINTE parentes.

Vinte parentes compondo um sexteto.

É isso aí!

Por uma questão puramente numerológica, resolvemos alterar de Coral do Jacaré para Família Jacaré. É que as pessoas que olhavam não viam VINTE componentes. Viam apenas SEIS. E chamar SEIS componentes de Coral é um tanto “muito”, não é mesmo?

Além da questão numerológica houve a questão “pesquisológica”. Numa pesquisa junto ao INPI, descobrimos que já existiam uma Banda Jacaré e um Grupo Jacaré. E a gente acreditando que os jacarés eram abundantes só no Pantanal! Que nada! Também na música, os jacarés abundam!

Que fazer? Nós já éramos identificados como “os jacarés”. Não podíamos perder a identidade. O jeito era mudar... sem mudar.

A primeira lembrança foi a de “americanizar” o nome: “Coral do Aligator”. Mas, isto tinha um inconveniente: nós não cantamos música norte-americana. Só música brasileira.

Não bastasse isso, a Nina apontou para um sério problema fonético, para o caso de nos apresentarmos em Paris. Seria muito lógico que os franceses afrancesassem a pronúncia para“Coral do Aligateux” (leia-se Coral do Aligatô). E isso, ela, ciumenta, não iria aceitar. Um bando de francesinhas olhando para mim e gritando : “Ali!!! Gatô!!!” Sem essa! Segundo ela, o gatô é só dela e ninguém tasca! Essas mulheres!!!...

Por outro lado, tentei convencê-la de que nos seria muito útil, por ocasião da excursão ao Japão, pois a cada pouco estaríamos falando o nome do grupo, o que ajudaria muito a fixação do nosso nome no cenário musical nipônico. Como todos sabem, o japonês é um povo muito simpático e educado. Em cada aparição nossa estariam sorrindo e nos aplaudindo. E nós, brasileiros muito vivos e que não perdem oportunidade para aparecer, a cada vez (até ficarmos com dor na espinha), faríamos a clássica mesura oriental e agradeceríamos, sorrindo, com a clássica palavra japonesa “arigatô”. Porém, como dizem que os orientais trocam o “R” pelo “L”, nós agradeceríamos assim: “Aligatô! Aligatô!”. Gente! Isso marcaria demais o nosso nome. Ficaríamos conhecidos como o “grupo do jacaré agradecido”...

Aí, a Nina me deu um beliscão e disse para que eu “caísse na real!” Cantar no Japão? Só se fosse em algum karaokê do bairro da Liberdade, aqui em Sampa.

Por isso, resolvemos alterar o nome para Família Jacaré, mesmo.

Nestes quase três anos, contando sempre com a ajuda e orientação do Tato Fischer, temos nos apresentado em diversos eventos. No próximo dia 14 de setembro, a partir das 21,30 hs. o Família Jacaré estará apresentando o “Nós, Jacarés” no Vila Teodoro, ali na Rua Teodoro Sampaio, 1229, quase esquina da Av. Henrique Schauman, Pinheiros.

Antes disso, no dia 4 de agosto, no Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal, na Praça da Sé, aqui em São Paulo, participaremos do espetáculo Mosaico-Brasil. No dia 10 de agosto, possível apresentação no evento Metrópole Poesia, do Grupo Bastidores, no bairro da Lapa.

Apareçam!

JF

Uma receita muito legal

Gentes,


Existem textos meus espalhados por diversas listas de discussão. Desde a antiga Amantes das Orquídeas até à recente Orquídeas-Mundo Orquidófilos, passando pela intermediária Mundo Orquidófilo. Também na lista Amantes da Jardinagem. A lista que tem mais textos, entretanto, é a lista NESO (Não É Sobre Orquídeas). O grande drama, entretanto, é localizar esses meus textos. Devem ser umas vinte ou trinta mensagens perdidas entre várias centenas de milhares de outras mensagens enviadas por outras pessoas. Mas, a gente chega lá. Tenho algumas idéias na cabeça, para novos textos, mas, a preguiça tem sido mais forte que a vontade de escrever. Prometo que vou me curar disso.

O texto abaixo foi recuperado na lista NESO e é a prova de meus dotes culinários. Ou, melhor dizendo: do meu dote culinário. É que, até hoje, só criei uma receita.

Lá vai ela:



Uma receita muito legal

Gentes: Está todo mundo demonstrando suas aptidões culinárias.
Também sou um grande cozinheiro. Estavam pensando que eu só sabia
falar de Dendrobium e de Paphiopedilum, né mesmo? Nananinanão!!! Tá
certo que eu sou um "cheff" de uma só receita, mas ela é ótima.
Vamos lá!

Pipoca de micro-ondas

1-Dirija-se ao super-mercado e compre um pacote de milho de pipoca
para micro-ondas. Existem diversos sabores. Não compre sabor de
sorvete de morango. É horrível! Aconselho a comprar daquelas que já
vem com sal. É muito mais prático, afinal a gente nunca sabe onde
está guardado o saleiro!
2-Importantíssimo: Não se esqueça de voltar para casa, mas, antes
disso, passe pelo caixa e pague, seu sem-vergonha!
3-Já em casa, retire a embalagem externa (para que o pacote
possa "estuuUUUUFFAAAARRRR", enquanto as sementes de milho explodem dentro da embalagem interna!)
4-Regule o micro-ondas para 4 minutos e ligue (antes disso, repare
se há eletricidade. Esta é uma condição importantíssima para o
sucesso de preparação para tão requintado e refinado prato).
5-Pela porta envidraçada do micro-ondas, fique assistindo, com
muuuuita atenção, ao pacote de milho ficar girando, girando,
girando... e estufando, estuFANDO, ESTUFANDO. É um programa
emocionante! Principalmente se levarmos em conta que não tem
intervalos para os comerciais.
6-Desligando-se o aparelho, abra, retire o pacote, procure pela
cozinha inteira uma vasilha em que você possa colocar a pipoca. Após
achar, é só abrir o pacote (cuidado com o ar quente que vai escapar
e que com toda certeza virá prá sua cara!), despejar a pipoca na
vasilha e... desfrutar! Acompanhamento indicado: uma Brahma bem
gelada!

Gentes, é muito bom! E eu precisava compartilhar essa receita com
vocês!

JF
Mestre cozinheiro autodidata

NESO 29/07/2004

domingo, julho 08, 2007

E por falar em nomes...

O texto abaixo foi publicado em uma lista de discussão da Internet. Eu havia perdido esse texto. Mas, graças a uma amiga muito querida, a Vera Coelho, de Fortaleza-CE, que o salvou e guardou, eis o texto. Obrigado, Vera.

Por enquanto, segue o texto. Fico devendo uma foto de 1935, meus pais namorando em uma das praças de São Carlos-SP. Como vocês já devem ter percebido, o Bill Gates e eu não nos entendemos a contento. Assim, esperarei a primeira vinda de minha filha, aqui em casa, para anexar a foto. Tomara que, desta vez, que deverá ser a enésima vez que ela tenta me explicar, eu consiga aprender.

Só a comentar que, em 2005, por ocasião dessa publicação, minha mãe ainda era viva. O falecimento ocorreu neste ano de 2007, na madrugada da terça-feira de carnaval para a quarta-feira de cinzas. Minha mãe simplesmente “apagou”, sem nenhum sofrimento físico, um mês antes de completar 90 anos de idade.

==================================
Isto eu já contei, aqui. Mas, como tenho um amor muito grande pelos meus pais (graças a Deus), vou contar de novo, agora para os que chegaram há pouco na lista. Os velhos de lista, se acharem que estou muito repetitivo, estão autorizados a pular esta mensagem e ir para a seguinte.

OS AMELIOS

De tardezinha, a Amelia, mocinha ainda muito novinha, ia depositar o dinheiro da féria do armazém de meu avô lá no Banco de São Paulo S/A, na Avenida São Carlos. Se o italiano soubesse o que se passava no banco... Mamma mia!!!...

No banco, tinha um caixa, novinho, mas bem jeitosinho, que logo botou os olhos na Amélia. E a Amélia, lógico, bem que gostou da história. E a paquera muda continuou por muito tempo. Naquela época não era como hoje. Hoje, na hora, o rapaz chega na garota, nem pergunta o nome, e já vai dizendo: "E aí, mina! Van'ficá?" Isso, se "mina" já não for gíria de passado muito remoto. Eu não consigo mais acompanhar o
desenvolvimento da juventude. Agora, logo ao primeiro olhar, se o rapaz não fala nada, é a própria garota que o convida para "ficar". E, ela, também, se esquece de perguntar o nome dele. Mas, parece, esse detalhe, hoje em dia, não é muito importante.

Mas, naquela época diferente, a troca de olhares lânguidos durava meses! Um dia, ele se encheu de coragem e foi falar com ela. Mas a coragem só dava para isso: falar com ela! Para começar a namorar precisava de muita, muita coragem a mais! Mas a coisa toda estava bem encaminhada. E eu sou uma das provas de que tudo deu certo! Mas, quando os dois se apresentaram, ela entendeu o nome dele errado: Américo. A partir disso, era Amélia e Américo. Até o dia em que ele se armou de coragem, mais uma vez, e disse a ela que não era Américo. O nome dele era Amélio! Aí, ela se espantou: "Mas eu achava que eu era a única pessoa com esse nome!" Não deu outra: casaram-se, em 1939, depois de vários anos de namoro e noivado, também costume, na época.

O primeiro filho, eu, demorou um pouco. Eu nasci na virada do ano, em 1º de janeiro de 1942. Existem algumas tentativas de explicação para essa data. Alguns dizem que minha mãe tomou um susto com o estouro de fogos de artifício que comemoravam o novo ano, e... eu nasci.

Outros já tem uma versão diferente, minha preferida. Naquela época, começando às 23,45 horas, nós tínhamos, aqui em São Paulo, a famosa Corrida Internacional de São Silvestre. Vinham atletas do mundo todo disputar a prova, que se prolongava até os primeiros minutos do novo ano. Era uma coisa tradicional (que a Rede Globo sepultou, transferindo a corrida para o dia 31, à tarde, em benefício de seus programas de finais de ano, com suas Xuxas e Faustões da vida!). Todos comemoravam a entrada do ano novo, acompanhando, pelo rádio, a corrida de São Silvestre. Lógico que todos torciam pelos atletas brasileiros, mas estes... só foram ganhar, pela primeira vez, já nos anos setenta. E, na virada de ano 1941/1942, mais uma vez, o Brasil perdeu a prova. Aí, para compensar, dando uma imensa alegria a todo o povo brasileiro, depois da corrida, eu nasci!

Naquela época (quanta diferença!), só se sabia se era menino ou menina quando a criança nascia. Quando muito, faziam a tal simpatia da agulha para tentar saber o sexo. Mas, a agulha também não entendia muito do assunto. E eu nasci menino! Não tenho nada contra as mulheres! Muito pelo contrário! Mas, não me arrependo de ter nascido menino. A Nina também é favorável ao fato de eu ter nascido menino.

Depois do nascimento, começavam os palpites: "Vai chamar-se Antonio", "Eu prefiro Artaxerxes!", "Vocês estão doidos? O nome é AMÉLIO! AMÉLIO Junior!". Eu, lá no meu bercinho, vendo toda aquela discussão entre tios, tias, avós, comadres... E já imaginando horrorizado: "Vou ficar conhecido como Amelinho!!! Essa não!" Me dava um desespero, que logo começava a chorar. Aí, minha mãe terminava com a discussão: "Todo mundo prá fora! Ele está com fome e precisa mamar!" E, para sorte minha, meus pais decidiram que eu teria um nome diferente.

Eu escapei. Minha irmã, não! Ela pegou o nome Amélia. Só que, como era costume na época, acrescido de um Maria: Maria Amélia! Até que ficou bonito. Eu acho!

Mas, a história nada tem a ver com minha irmã. Voltemos, pois, a dois anos e alguns meses antes. O meu nome! E meus pais resolveram, para o primeiro filho, homenagear meus avós paternos: Francesco e Giuseppina Catharina. Porém, de forma aportuguesada: Francisco, Catarina. Novamente, fiquei apavorado com aquela conversa de nomes: "Como irão me chamar?" E, na minha imaginação muito nova, pós-parto, pensei em uma combinação de nomes que me apavorou. Só não fiquei de cabelos em pé, porque nasci careca (acho!). No meu raciocínio, eu não percebia como iriam homenagear minha avó, que só tinha nomes femininos: Josefina Catarina. Eles não seriam tão doidos de darem a mim, um legítimo homenzinho, o nome de Catarina! Ou Josefina! Pensando bem, meu nome nem poderia terminar com a letra "a". O que meus coleguinhas iriam comentar de mim, na escola, embora isso ainda fosse um problema longínquo? E continuei matutando: Francisco Josefina? Nem pensar! Francisco Catarina? Nem sei qual o pior! Aí, no meu raciocínio, pensei: e se eles pegam uma parte do nome do meu avo e outra parte do nome de minha avó e formam um nome novo? Poderia dar certo. Mas, para
isso, seria necessário que a parte do nome de minha avó viesse primeiro, para evitar a terminação em "a" do nome novo. E eu pensei: pega-se uma parte do nome de minha avó: Cata, de Catarina. E, uma parte do nome de meu avô: Cisco, de Francisco. Juntando-se as duas partes, deve ficar original e bonito: Catacisco! Catacisco??? Não!!! Pode esquecer. Nessa altura, virei para o outro lado e adormeci. Enquanto dormia, sem minha participação, meus pais resolveram meu nome: masculinizaram o nome de minha avó e acrescentaram o nome de meu avô. E foi assim que eu fiquei José Francisco. Muito prazer!

JF

(publicado na lista NESO de discussão pelo Yahoo, aos 04/06/2005)

domingo, julho 01, 2007

Família Jacaré na "Festa de São Pedro, o Porteiro do Céu"

Gentes, mais uma apresentação do Família Jacaré.

No passado, há mais de trinta anos, aqui em São Paulo-SP, eram comuns as festas juninas, comemorativas de Sto. Antonio, São João e São Pedro. Com o decorrer do tempo, isso praticamente desapareceu. Possivelmente, nas cidades do entorno, na chamada Grande São Paulo, como Cotia, Embu, Pirapora do Bom Jesus, Itapecirica da Serra e outras, cidades com boa parcela de população originária do Nordeste, esses festejos ainda devem ser comuns.

A tradição das festas juininas não poderia cair no esquecimento, como vem ocorrendo. Daí a importância da divulgação feita pelo Itamar Souto, na lista de discussão NESO (Não É Sobre Orquídeas), desses festejos ainda hoje realizados no NE. Obrigado, Itamar.

Ontem à noite, participamos de uma festa dessas. Maravilhoso proporcionar às nossas netas a oportunidade de assistir, ao vivo, manifestações do nossa folclore, da nossa tradição popular.

Na Vila Mazzei, na região Norte da cidade, uma festa de rua organizada pela Tania Clemente e pelo Marcos Silva, do grupo do Tato Fischer, e pelo pessoal da Rua Purus, o Eli Clemente e demais pessoas (desculpem não citar os nomes, mas fiquei sem saber).

Na ocasião, manifestações culturais muito interessantes proporcionadas pelos grupos

-Congada São Benedito, de Cotia-SP,
-Samba de Roda, de Pirapora do Bom Jesus-SP,
-Companhia de Reis Estrela do Oriente, de Vila Nhocuné, bairro da zona leste da Capital,
-Trança Fitas - Grupo "Ô de Casa", Vila Sabrina, daqui da Capital, com a participação ativa da Tania, "puxadora" da música.

E, entre as apresentações desses grupos, a apresentação do Família Jacaré.

No final, duas duplas caipiras, formadas de cantadores, violeiros e sanfoneiro. Um pessoal muito bom que, além da cantoria, ainda animou a enorme dança da quadrilha. Como as duas meninas já estavam totalmente "pregadas", saimos da festa às duas da manhã. Mas a animação desses cantadores e do pessoal da festa era, ainda, muito grande. Nem imagino até que horas foi.

Quanto à apresentação dos Jacarés, foi muito boa (ao menos, nós achamos! Modéstia à parte!). Nesses nossos três anos de caminhada, e contando com a experiência que nos é passada pelo Tato Fischer, aprendemos a, na hora, mudar nossa programação, de acordo com o que sentimos da assistência. E, mais uma vez, na hora, deixamos de cantar algumas músicas programadas, substituindo-as por outras que dariam resultado melhor às circunstâncias. O resultado foi o por nós esperado: muita gente cantando junto, inclusive as músicas que julgávamos menos conhecidas. O "ponto alto" da participação do público, cantando junto, talvez tenha sido o divertido "Mister Eco", de Alvarenga e Ranchinho. Como costuma afirmar o Tato, essa é uma das músicas do nosso repertório que não pode faltar nas apresentações. Grande e sábio Tato Fischer!

Destaque, ainda, para a enorme quantidade de "comes e bebes", com doces típicos espetaculares: pé-de-moleque, paçoca, etc.

Curiosidade: depois de nossa apresentação, uma das pessoas presentes veio nos dizer que foi casada com um dos integrantes do grupo "Raizes", que gravou a "Moda da Traira", ainda nos anos 70. E que ouviu, emocionada, a nossa interpretação dessa música, que nos foi passada, justamente, por um dos antigos integrantes do grupo, o Valdir da Fonseca. Gentes, como é importante citarmos os "créditos" das músicas que cantamos. Já é a segunda vez que isso nos acontece. E, nas duas vezes, tínhamos citado, tim-tim por tim-tim, todos os créditos de direito. A moça ficou tão feliz que prometeu enviar-nos um "vinil" do grupo "Raizes". Ebaaaaaaaa!!!

Quero, de público, agradecer à Tania, ao Marcos, ao Eli e aos demais organizadores da festa pela oportunidade de vermos que ainda existem dessas manifestações culturais em nossa cidade, bem como agradecer pela oportunidade de mais essa apresentação do Família Jacaré.

Abração

Zeca (JF) Jacaré

domingo, agosto 20, 2006

A pesca (primeiro, de três episódios)

Gentes,

Existem algumas características pessoais que são antagônicas. Como a modéstia e a soberba.

O pescador soberbo costuma afirmar: “Peguei um lambari de 18 Kg!”. Por sua vez, o pescador modesto afirma: “Sou tão ruim em pesca que nem sei onde fica a peixaria!”

Eu não sou nem soberbo e nem modesto.Apenas, gosto de pescar. Mas, uma “pescazinha bem simplesinha”, caipira, de vara feita de bambu, lá no lago principal do sítio, em Itatiba. Não tem dourado, pintado, nem tucunaré. Muito menos atum ou bacalhau, que o lago não tem, assim, o tamanho do Oceano Atlântico! Não! O lago é bem modesto, bem como modesta é sua população aquática. Tem tilápias, lambaris, traíras, patos, marrecos, garças... Jacaré não tem. Uma ocasião, pesquei um bagre. Não um baaAAAAAAAgreee!. Apenas, um bagrinho. Se tem um, presume-se que tenha mais. Outra ocasião, peguei um caranguejo. Ou melhor: foi ele que pegou minha isca, com uma de suas pinças. Tanto que, quando levantei o anzol para fora d’água, ele o soltou e caiu no chão. Fiquei espantado. Nunca iria imaginar de pegar um bicho daqueles, naquele lago. Com o pé, calçado com uma excelente e grossa bota, que eu não sou besta, empurrei-o de volta para a água.

Os empregados me confirmaram a existência de bagres e caranguejos. Isso foi muito significativo. Significava que, durante a semana, enquanto os patrões Amélios estavam em São Paulo, eles pescavam à vontade!

Mas, vamos deixar de lero-lero e passemos aos fatos. Ou, episódios.

1º EPISÓDIO, no qual a Nina fica pendurada, como o bondinho do Pão de Açúcar, e desiste das pescarias para o resto da vida.

Isto foi no primeiro ano da compra do sítio.

A Luciana tinha pouquíssimo tempo. A Nina começou a dar a mamada da meia-noite. E eu com uma pressa doida para ir pescar. Mas, tinha que esperar por ela. A Luciana não tinha pressa nenhuma! Leite havia à vontade. Tanto que minha mãe chamava a Nina de “vaquinha”. No bom sentido!!! Finalmente, uma da madrugada, Luciana já tendo arrotado e pego no sono, lá fomos os dois para o lago.

Lógico que eu não ficaria contente com uma pesca feita da margem. Não! Tinha que ser em alto-mar. Ou, em alto-lago. E, assim, fomos para o cais.

O cais, na verdade, era um pequeno estrado de madeira, de pouco mais de metro quadrado, fixado em quatro estacas de madeira fincadas em terra e no início da água. Na beirada principal, que dava para a água, uma grade de ferro, dessas de janelas, destinadas a nos dar falsa impressão de segurança, já que os ladrões as arrancam com muita facilidade, fazia as vezes de escada metálica que conduzia à embarcação aí aportada. A embarcação, que não passava de um bote de madeira de, quando muito, uns dois metros de comprimento, ficava amarrada nessa escada.

Mas, a função do cais, não era apenas o embarque dos passageiros na nau... na embarcação... no bote! Não, havia outra utilidade. Era sobre o cais que, nas noites enluaradas, como aquela, dormiam os patos. E era pato que não acabava mais! Dezenas, centenas, milhares de patos, sei lá! O que sei é que eles tomavam todo o espaço do cais! Centímetro por centímetro. E tem outra coisa. Gente, como pato é porcalhão! O tablado do cais era, além de dormitório, o seu banheiro. E o banheiro... bem, usado milímetro por milímetro.

Mas, eu queria pescar! Estava doido para pescar! Chegando ao cais, fui abrir caminho por entre os patos. A maioria, assustada, atirava-se, voando, na água. Outros, fugiam para trás, por terra. Me senti o próprio lobo mau invadindo um galinheiro.

Entramos no barco e fomos para o meio do lago, onde lancei a âncora (quatro tijolos amarrados). Coloquei um pedaço de minhoca no anzol e... pliffff. Comecei a pescar. A Nina ficou olhando para a minha cara (tinha luar, não esqueçam!).

-Você não vai preparar o anzol para mim?

-Tá preparado, amarradinho aí na ponta da linha.

-E a isca?

-Dentro dessa lata. É só pegar uma minhoca, cortar um pedacinho com a unha e enfiar no anzol.

-E você acha que eu vou pegar minhoca com a mão? Além disso, eu não vou conseguir espetá-la no anzol. Eu vou é espetar o meu dedo.

Haja paciência! Suspendi o anzol, prendi a vara para que ela não caísse na água, e, com muita paciência, preparei o anzol para a Nina. Passei a vara para ela e fiquei olhando. Eu tinha certeza de que ela iria jogar a vara na água e segurar o anzol. Pliffff... Jogou o anzol e ficou segurando a vara de pescar. Ufaaa!!!

Pliffff... Voltei a pescar.

-Tem pernilongo.

-Lógico! Você cheira a leite. Tá atraindo todos os pernilongos, daqui até o Japão. Fica quietinha que você está espantando os peixes.

E tinha os patos.

Gentes. Pato acordado de madrugada, vai nadar na lagoa. Podem acreditar. E pato, além de porcalhão, é curioso. E eles vinham nadar pertinho do barco para ver o que estava acontecendo. Sim! Acredito que era mera curiosidade. Nunca ouvi falar que pato fosse atraído pelo cheiro de leite.

Pliffff... pliffff... plifff... e nada de peixe.

Urruuuu... urrruuuu...

-Que foi isso!!!!

-Nada. É só uma coruja.

-E não é perigoso?

-Se você ficar quietinha ela não te enxerga e não vem te pegar.

Silêncio.

Meia hora depois, com muitos pios de coruja, patos nadando em volta do barco, pliffffs e mais plifffs, reclamações sobre pernilongos,além de dúvidas do tipo “Será que a Luciana acordou?”, que provocavam respostas do tipo “Se isso acontece, até o presidente da república vai ouvir. Fica quieta que você está espantando os peixes!”, resolvi encerrar a pescaria, para alegria da Nina.

Recolhidas as varas, recolhida a “âncora”, remei para o cais. Não sem, antes, atirar as minhocas restantes nos patos, que gritaram alegremente:

-Obaaaaa!!! Presunto!!!

Chegamos ao porto. Com toda a paciência do mundo, disse à Nina:

-Pega essa corda e prende no ancoradouro.

-Mas está tudo sujo. Onde vou prender a corda?

-Amarrrraaaaaaaaa!!!!

Gentes, ceis já viram alguém sem jeito? Mas, bem sem jeito? A Nina é mais sem jeito, ainda.

Na hora em que ela ia amarrar a corda na grade de ferro, ela conseguiu dar um impulso no barco e ele foi para trás. Em direção ao meio do lago. Acontece que ela já estava com quase meio corpo para fora do barco.

Gentes, o instinto humano de conservação é uma coisa impressionante. Para não cair na água, ela soltou a corda e se agarrou na primeira coisa que estava à mão: a grade de ferro do ancoradouro. Toda cheia de cocô de pato! Em uma fração de segundo, ela ficou completamente no ar, esticadinha na horizontal, os pés segurando a borda do barco, as mãos enterradas no cocô da grade ferro, e. alguns centímetros abaixo, a água. Não sei por que, mas, naquele momento, lembrei-me do bondinho aéreo parado, no meio do caminho, entre os morros da Urca e do Pão de Açúcar.

O momento era de emergência total e eu reagi da melhor forma que eu podia: cai na gargalhada! A sorte é que ela estava com as mão ocupadas, agarrada ao cocô. Caso contrário, ela me agrediria com um remo.

Depois de um certo tempo, quando me acabou o estoque de gargalhadas, eu consegui acudi-la, prender o barco, e voltar para terra.

Em casa, a Luciana dormia tranqüilamente.

Por enquanto é isso. Depois, vem o segundo episódio.

Abração

JF


(Publicado, originalmente, na lista de discussão NESO, 19/08/2006)

A verdadeira história do Teorema de Pitágoras

Gentas e gentos,

Vocês sabem que sou dotado de duas grandes virtudes: cultura e modéstia. Em matéria de cultura, não há quem me sobrepuje. Em modéstia, também não.

Isto posto, vamos à história do Pitágoras e seu famoso teorema. Na verdade, a história não é invenção minha. Alguém me contou. Apenas os detalhes (onde, quando, como) é que são o resultado de profundas pesquisas por mim realizadas.

Vocês lembram do Teorema de Pitágoras? Era o terror que nossos professores de matemática nos enfiavam na cabeça, quer quiséssemos, ou não, na época em que cursávamos o ensino básico. Mas, por que o Pitágoras ficou tão famoso com essa história toda? Eu explico.

Pitágoras era um professor de matemática. Isto é evidente! Mas, onde ele exercia seu ofício? Em Portugal, a terra dos nossos queridos José Andrade, Florinda e Teresa Silva. Mais precisamente, ele era professor de matemática em uma academia militar.

Acontece, entretanto, que, matemática enche o... E o Pitágoras, solteiro, passou a frequentar a alta sociedade de uma aldeia próxima, a ver se conseguia alguma rapariga jeitosa, para casar. E não é que encontrou?

Muito bom. Casou-se. E, como quem casa quer casa, Pitágoras, e sua esposa, logicamente, montaram sua própria casa.

Mas, o Pitágoras, professor de matemática, não tinha uma conversa muito atraente, digamos assim: uma conversa redonda como uma boa cerveja. Não! Era só: a mais b ao quadrado, c ao quadrado, etc. E a esposa foi ficando de ... cheio de tudo aquilo. E, aos poucos, não correspondia mais às conversas do Pitágoras.

O Pitágoras começou a desconfiar de que havia alguma coisa errada e comprou um revolver.

Um dia, um professor de português, um tal de Prof. Luiz K. Mãos, faltou, e o Pitágoras pode antecipar o horário de suas aulas. Muito conveniente, pois assim, iria mais cedo para casa.

Conveniente? Não. Foi isso que causou a tragédia.

O Pitágoras chegou em casa mais cedo. Abriu a porta e não viu a esposa. Devia estar no andar de cima. Resolveu surpreendê-la, subindo a escada sem nenhum ruído. Pois surpreso ficou ele, ao encontrar a esposa na cama, nua, na companhia de dois cadetes da academia. Não teve dúvidas. Sacou a arma e, com três tiros certeiros, matou os três.

O Pitágoras, como bom professor de matemática, era um sujeito muito meticuloso e deu ordens para que os três fossem enterrados no cemitério local: os dois cadetes à esquerda e, à direita, a esposa. Mais meticuloso ainda, ordenou que as covas fossem tapadas com grandes lápides quadradas de mármore. Quadrados perfeitos, não esqueçam que o Pitágoras era matemático. Mas, a lápide da esposa seria bem maior que a lápide dos infelizes estudantes da academia militar. Mais precisamente, teria uma superfície de tamanho equivalente à soma das lápides dos dois felizes infelizes. E, assim foi feito.

No dia seguinte, o mundo todo tomou conhecimento do ocorrido, através das manchetes dos jornais sensacionalistas:

"A SOMA DOS QUADRADOS DOS CADETES É IGUAL AO QUADRADO DA HIPÓCRITA LUSA"

E, assim, através dessa frase tão simples, mas, tão significativa, o Pitágoras passou à categoria dos matemáticos conhecidos mundialmente.

JF

(Publicado, originalmente, na lista de discussão NESO, aos 19/08/2006)

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

de pássaros, cobras e orquídeas

Oi, gente.

Estou procurando antigos "causos", para reuní-los no meu... como é mesmo o nome, Lu? Blog? Blug? Blogger? Bom! Isso daí.

Localizei este em 09/05/2003, na antiga lista de discussão Mundo Orquidófilo-BR. A
resposta foi motivada por uma questão levantada por minha amiga Jane, de Macaé-RJ, pedindo uma orientação ao grupo de orquidófilos.

Abração
JF


Passarinhos (MO 09/05/2003)

"--- Em mundoorquidofilo@yahoogrupos.com.br, "Jane..." escreveu
> Oi Ilka
>
> Desculpe entrar na conversa, mas é que você falou em árvores com passarinhos... e eu estou tendo um probleminha com eles. Não tenho orquídeas em árvore, pois no meu quintal não tem árvore, mas como moro em um condomínio com muitas árvores está acontecendo o seguinte: os passarinhos estão invadindo o meu orquidário e "roubando" o xaxim dos vasos para fazer ninho. Tem um que está tentando fazer ninho em um cachepô de madeira onde tenho uma C. granulosa.
> O que os amigos me aconselham? Só não vale dizer para não usar o xaxim, pois teria que reenvasar tudo (perto de 200 vasos).
>
> Abraços a todos
>
> Jane - Macaé - RJ"


Jane

A solução para esse problema é muito simples: vai pondo mais xaxim!!! Completa o que eles tiram!!!

Uma parte das minhas plantas fica em SPaulo, no terraço do meu apartamento (13º andar). Uns 80 vasos. Costumo receber a visita, diversas vezes ao dia, de passarinhos: corruiras, tico-ticos e até beija-flor. É incrível, mas é SÃO PAULO mesmo!!! Não reparei se eles carregam xaxim. Apenas que tomam água (quando as plantas ainda estão molhadas, depois de regas) e que devem procurar por bichinhos, pois
não tenho problemas com pulgões, cochonilhas, lesmas, ou lá o que for. Mas, acima da utilidade que acho que eles tem, está a beleza de tê-los em meu terraço. Isso não tem preço!

No sítio, também não tenho notado esse tipo de problema, embora eu tenha voltado às plantas cultivadas em vasos (e com xaxim) há relativamente pouco tempo: ano e meio. Mas nas árvores... Não vejo nenhum prejuízo. Já aconteceu de eu precisar remover uma enorme touceira de Oncidium flexuosum e encontrar um ninho com ovos escondido no meio dela. Pois a touceira ficou no mesmo lugar até que os filhotes nascessem e tomassem seu rumo. Levou meses. Mas a prioridade era deles.

Mudando de passarinho prá cobra: na minha primeira fase de orquidofilia, anos 70, tinha meu orquidário, no sítio, encostado em um barranco. Sei lá por que, tinha uma cobra que vinha quase diariamente "admirar" minhas orquídeas. Ela vinha por cima, pelo barranco, e ficava passeando pelo meio dos vasos pendurados. Como eu tinha o costume de pegar cobras e aranhas e doar ao Instituto Butantã (mania que terminou no dia em que uma cobra escapou dentro do porta-malas do meu carro!!), eu já tinha um certo conhecimento sobre elas. Assim, quando da primeira vez em que vi aquela cobra
esverdeada, com o rabo que ia se afinando aos poucos, bem comprido, percebi que não era venenosa e a deixava à vontade dentro do orquidário (se bem que, quando nós dois estávamos lá dentro ao mesmo tempo, com o canto do olho eu ficava vigiando. Venenosa ou não, eu não sou besta!!!). E esse convívio durou meses. Um dia, porém, eu me
distrai e esqueci dela. Me abaixei para pegar qualquer coisa no chão. Quando levantei, ela estava na bancada e ficamos os dois assim: um olhando pro outro, cara a cara, olho no olho. Aí já foi demais!! Ter uma cobra te encarando, a 50 cm. do seu nariz, venenosa ou não, não é das coisas mais agradáveis. Principalmente sendo uma
cobra de mais de um metro de comprimento. Tomei o maior susto. Pulei prá tráz e peguei a mangueira de água. A coitada da cobra levou um banho que ela deve estar se secando até hoje! Com uma agilidade impressionante, alcançou os vasos pendurados e fugiu para o barranco. NUNCA MAIS voltou! Ficou magoada!!

Coisa engraçada. Eu me assustei e reagi. Ela ficou olhando para mim, esticada, a uma distância em que eu poderia pegá-la com a mão (isto é mera hipótese, naturalmente!), sem tomar qualquer atitude de defesa, de agressão ou mesmo de fuga. Teria se acostumado de tal forma comigo, que não via nenhum perigo? Não sei e nem perguntei.
Talvez a psicóloga da lista, a Gabriela (que diz que costuma rir das minhas histórias), possa explicar tudo isso. Afinal, tinha um ministro que dizia que cachorro também é gente. Essa cobra quase que se podia dizer que tinha atitudes humanas.

Jane: deixa o passarinho fazer seu ninho!!!

Grande abraço
José Francisco
SP/Itatiba/Vinhedo

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

O Pó da TV Gazeta

Era ali por 1976, mais ou menos, mês de novembro, época de exposição do Círculo Paulista de Orquidófilos. Qualquer publicidade era desejável e bem vinda.

Alguém conseguiu que fôssemos entrevistados no programa da Clarice Amaral, na TV Gazeta, sem pagamento algum à sua produção! Apesar de ter uma audiência minúscula, essas coisas aconteciam. Mesmo porque, eles tinham de viver, não é mesmo? E lá fomos nós, o João Vaz da Rocha e eu, numa sexta feira à tarde, para a entrevista com a Clarice Amaral.

A Clarice tinha um programa assim como o da Hebe Camargo. Eu não diria que a Clarice fosse uma precursora jurássica da Hebe Camargo. Nessa época, a Hebe já era velha.

A TV Gazeta estava instalada no mesmo prédio que o Cursinho Objetivo, na Avenida Paulista.

Agora, imaginem o Vazinho, com seu metro e meio de altura e eu, cada um com meia dúzia de vasos de orquídeas floridas pendurados por seus suspensórios metálicos em nossos dedos das mãos, indo do estacionamento onde ficara o carro até o edifício, subindo aquelas escadarias no meio da estudantada espantada ("De onde será que vieram esses dois doidos enternados e engravatados carregando essas plantas?") e, pior de tudo, entrando com toda essa tralha em elevadores lotados!

Chegamos ao estúdio. Pessoal, nunca vi tanto cabo elétrico correndo pelo chão, para todos os lados. Um lugar muito bom para a atuação da dupla alemã Kurtz e Circuitz. Então era por isso que tanta emissora de televisão pegava fogo, naquela época!

Um produtor veio nos receber e sua primeira pergunta foi sobre as plantas: se eram presente para a equipe de produção. Toca explicar que não podia ser. Eram plantas de expositores, especialmente levadas para enfeitar o programa da Clarice Amaral. Aí, pediram-me que redigisse as perguntas que a Clarice iria fazer para mim (o Vaz da Rocha não apareceria. Não havia condições de duas pessoas serem apresentadas ao mesmo tempo. Falta de espaço). Redigi as perguntas.

Estava sendo preparado o "palco" para o programa. Palco era uma forma de falar, afinal, não tinha público. Era um salão, com um cortinado no fundo, fazendo "papel" de cenário. Um sofá para duas pessoas e meia (acho que a Clarice não queria ficar encostada em mim. Eu, pelo menos, não queria ficar encostado nela! Mesmo porque, a Nina estava em casa assistindo o programa. E, a um metro do sofá, uma mesa, sobre a qual estenderam uma toalha e nós acomodamos as orquídeas. Vocês já perceberam que o programa era "ao vivo", não é mesmo? Não lembro se nessa época já existia o video-tape, mas era querer demais da TV Gazeta. As câmeras... Melhor dizendo: a câmera era daquelas antigonas, maior que uma caixa de papelão de embalagem de computador! Eu disse "A" câmera porque era uma só. Parece que as demais estavam quebradas. Ao menos me explicaram assim.

Começa o programa. A Clarice faz suas saudações aos telespectadores paulistanos (a Nina, minha sogra, meus filhos, e mais uma meia dúzia de orquidófilos previamente avisados), e anuncia a primeira entrevista da tarde: o presidente do Círculo Paulista de Orquidófilos. O câmera-man desviou a câmera da cara dela para a minha, que vinha entrando no "palco". Sentei-me, e o câmera-man desviou a objetiva para ela. E começou a entrevista.

Aqui, interrompo um pouco, para descrever melhor o ambiente. Quase dezembro, calor de rachar. Um salão fechado sem qualquer refrigeração. A única coisa que amenizava ligeiramente o calor era um ventilador, no chão, na nossa frente, em local onde o câmera-man não o derrubasse. O ventilador era desses tipo "prá onde eu olho?". Sabem como é? Ele vai ventilando (vrrrrrrrruuuuuuuuummmmm) e deslocando suas hélices para direita, para a esquerda, para a direita, para a esquerda, incessantemente, enquanto não enguiça. E aquele não enguiçou. O câmera-man fazia milagres. Focalizava a Clarice, me focalizava, voltava na Clarice, ia até a mesa de orquídeas, voltava na Clarice...

E a Clarice? Bom, ela ainda não havia terminado de se compor, quando o programa precisou ir para "o ar". Acredito que não havia maquiadores, pois ela mesma estava se colocando os cílios postiços. Então, a coisa funcionava assim: o câmera-man fixava-se nela. Ela, brilhantemente, me fazia uma pergunta bem inteligente (que eu mesmo havia redigido previamente). O câmera-man vinha com o foco na minha direção e eu começava a responder. Nesse meio tempo, a Clarice jogava a ficha que havia acabado de ler para longe da visão, pegava um espelho de mão e ficava tentando ajeitar seus cílios (postiços). E eu lá respondendo. O câmera-man se enchia (desculpem o termo) da minha cara, voltava a câmera na direção dela, mas passando por cima, mostrando detalhes do cortinado (vocês não imaginam que ele fosse mostrar a Clarice grudando cílios postiços nos olhos, né?) e descendo para as orquídeas. Como eram poucas, logo ele voltava, passando sobre a cabeça dela, novamente, e me fixando. Quando eu terminava de falar, ela percebia que eu já havia respondido e punha seu espelho de lado e pegava mais uma ficha, para poder me fazer outra inteligente pergunta.

Mas, gente, tudo ali era de uma precariedade total. O chão, acho que não via uma vassoura desde a época do descobrimento do Brasil (se é que os índios varriam chão. Se não varriam, então nunca fora varrido!).

E foi aí que aconteceu o desastre. Lembram do ventilador vrrrrrrruuuuummmmmrando de um lado para outro? Pois é. Numa das idas e vindas do ventilador, ele resolve jogar um cisco bem dentro de um olho da Clarice Amaral. Gente, já vi mulher ficar brava! Mas, como aquela, não! Ela se contorcia tentando enxergar o cisco com seu espelho, bem seguro em uma das mãos. Com a outra mão, ela coçava o olho. Mais a outra mão também coçando o olho, e com cuidado para não derrubar de vez os cílios. A outra mão, gesticulava contra tudo e contra todos. E mais a outra mão... Numa hora dessas, as mãos se multiplicam.

E eu lá, respondendo à pergunta. O câmera-man não mais me tirou do foco. E ele era louco? A resposta chegou ao fim. Só que ela não se preparou com outra ficha (ela nem sabia mais onde estava!), a fim de me dirigir outra inteligente pergunta. Agora, era eu sozinho contra o mundo. Continuei falando. Eu mesmo me fiz a pergunta seguinte e respondi. E, assim, fui até o final da entrevista, afinal, ela não tinha mais condições de me perguntar nada. Quando ela, finalmente, conseguiu se recompor um pouco, ela agradeceu minha presença (nessa hora, timidamente, o câmera-man voltara a focalizá-la) e encerrou a entrevista. E a TV Gazeta jogou "os comerciais". A mulher saltou do sofá, como se trinta e oito molas tivessem se soltado, ao mesmo tempo, bem em baixo do... você sabem!... dela. O Vaz da Rocha e eu percebemos que, ali, naquela hora, provavelmente ocorressem agressões físicas. Tratamos de pegar as orquídeas e sair correndo...

Abração

JF

(extraído de lista NESO, publicado em 09/01/2006)

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Essas crianças!...

Pessoal,

A Nina e eu fomos passar o fim de semana no sítio e levamos as netas, Juliana e Vanessa. Na volta, como de costume, viemos cantando. E, em rodízio, cada um ia sugerindo uma nova música.

Lá pelas tantas, a Vanessa sugere nada mais e nada menos que o Hino Nacional! Já pensaram?Lógico que quisemos saber como ela lembrara de cantar o HinoNacional.

"-É que eu preciso treinar para a formatura!" Sábado próximo, ela tem a sua formatura no curso "Jardim de Infância". Já vai para a primeira série. E aí, todos cantamos o Hino Nacional INTEIRINHO. Inclusive, para nossa surpresa, a Vanessa, aos 6 anos de idade, e a Juliana, com 10. E quisemos saber da Juliana, como ela sabia o Hino Nacional inteiro.

"-Ué! Aprendi com o CD de hinos que vocês me deram!" Já pensaram numa coisa dessas? Realmente, eu dei o CD para as duas e nem me lembrava mais. Pois as duas aprenderam e decoraram ouvindo o CD! Nessa altura, parti para os testes: os Hinos à Bandeira, da Independência, da República. A Juliana conhecia todos, embora não inteiramente decorados. Mas aí já seria querer demais de uma criança. Nisso, a Vanessa disse que sabia o Hino de São Paulo. A surpresa foi grande, afinal, nem a Nina e nem eu conhecemos esse hino. E a Juliana também demonstrou não conhecer. E pedimos que ela cantasse. Não é que ela sabia inteiro, mesmo?

"Salve o tricolor paulista, Amado clube brasileiro..."

E por aí a fora, o Hino do São Paulo Futebol Clube.

Eita, inocência! RSRSRSRSRSAbraçãoJF

(In: lista NESO, 05/12/2005)

quarta-feira, outubro 12, 2005

Testando 1...2...3...

Batatinha quando nasce
Esparrama pelo chão
Papaizinho J.F.
Eu te amo de montão!

Paiê, abri este espaço para você poder colocar os seus textos, ou o que quiser.

Espero que você goste!!!

Beijão, Lu.