sexta-feira, novembro 23, 2007

O "Forró de Bodocó" e o chapéu infernal.

Gentes,

Lá no mercado de artesanatos de Fortaleza, entre outras coisas, comprei um chapéu para mim. Aliás, dois. Um para mim e outro pro Vagner, para usarmos nas apresentações do Família Jacaré, quando cantamos a música "Forró de Bodocó".

Os chapéus são simples. Daqueles usados pelos vaqueiros da caatinga, feitos de couro cru.

Pessoal, como eles fedem! Até parece cheiro de suvaco de carregador do porto, de antes de inventarem o desodorante! Minha nossa!

Não deu para guardar nas malas, pois não queríamos que amassassem. Além de não ter mais espaço nas malas... além de não querermos que as roupas ficassem impregnadas com aquele cheiro incrível. Assim, vieram dentro de uma sacola plástica.

No "checkin" do aeroporto, depois que eu disse à atendente da Gol o conteúdo da sacola, ela até colocou uma etiqueta da companhia. Devia ser para que todos soubessem que a sacola havia sido revisada mas se constituía em um grande perigo.

Quando a Nina e eu entramos no avião, tive a nítida impressão que as duas aeromoças me olharam com desconfiança. Chegando às nossas poltronas, tratei de colocar a sacola no bagageiro e fechar, para que os demais passageiros não soubessem de onde vinha o cheiro e nem imaginassem que aquilo me pertencia. Meu medo era que o cheiro provocasse uma rebelião entre os passageiros e eu não queria ser acusado como o causador do tumulto. Mas, não deu outra. O cheiro tomou conta do avião.

Depois de levantarmos vôo, o comandante, desconfiado, abandonou o comando nas mãos do piloto automático, saiu da cabine, e veio revisar as solas dos sapatos de todos os passageiros, para ver se algum havia pisado na... Não tenho muita certeza, mas me pareceu que um passageiro comentava com outro sobre a necessidade de evacuação da aeronave. Inclusive, parece que o comandante já havia autorizado a abertura da porta para que os mais desesperados saltassem de paraquedas. Cheguei mesmo a ver uma velhinha bem velhinha brandindo sua bengala e berrando "os idosos têm preferência!".

O comandante, nordestino, diante da situação inusitada, quis voltar para Fortaleza. Vejam o diálogo dele com a torre de controle.

“Alô, torre. Alô, torre... “Airbus” da Gol arrétornando! Tem algum cabra safado a bordo qui tá cum xulé arrétado. O pessoal tá todo apérreado, bichinho! Peço autorização prá descê e deixá o cabra puraí! Ele qui vá pra Sumpaulo di jegue.”

E o controlador:

“Autorizo, não, meu rei! Se desce aqui eu risco ele tudinho com minha péxeira! Arre, égua! Coitado du jégue!”

Num determinado momento, o avião estremeceu e ficou dando uns pinotes. O comandante avisou que estávamos passando por uma zona de turbulência e mandou todo mundo colocar os cintos de segurança. Para mim, eram os chapéus de couro fermentando e provocando "pressão interna" na aeronave. Uma outra velhinha berrava, lá no fundo: "Rezem que o mundo vai explodir! Já estou sentindo o cheiro de enxofre do inferno!" Felizmente, um outro passageiro, mais calmo e que já tinha puxado e respirava através de uma máscara de oxigênio, pegou a velhinha e jogou-a pela janela. Isso fez com que todos se acalmassem e ficassem bem quietos em seus lugares, obviamente após todos puxarem suas máscaras e passarem a respirar o oxigênio puro.

Gentes, a situação era tão dramática que, de repente, começamos a ouvir um barulho estranho. Imaginem que o piloto automático estava tão incomodado com o cheiro que resolveu pisar fundo no acelerador. O avião ultrapassou a velocidade do som! Verdade! O bom é que, com isso, acabamos chegando mais rapidamente ao destino.

Com esses probleminhas, descemos em Cumbica. Foi dada prioridade absoluta de aterrisagem ao nosso avião, com direito a recepção pelos bombeiros e ambulâncias, que nos esperavam no início da pista, juntamente com a Defesa Civil, o Esquadrão Anti-Bombas, a imprensa, etc.

Quando a porta do avião se abriu, disfarçadamente, peguei a sacola fatídica e tratei de cair fora. Ao descer do avião, as aeromoças, que normalmente nos desejam um bom dia e um até breve, para mim disseram "Adeus! Até nunca mais!".

Eu sai correndo e consegui trazer os chapéus até aqui em casa. Espero que consigamos, o Família Jacaré, obter um estrondoso sucesso com a música "Forró do Bodocó", do compositor, nosso amigo, Tim Max.

"Eu sou do norte, eu sou lá de Bodocó.
Eu sou do norte, eu sou lá de Bodocó.
Eu sou do norte, vim aqui tentar a sorte,
Quem sabe um dia eu vorte
Quando a vida miorá."

JF

terça-feira, novembro 13, 2007

Notícias

Alô, pessoal.

Agora, fiquei assustado. Um mês sem postar nenhuma mensagem. Que vergonha, Zeca!!!

É a correria. Uma série de coisas acontecendo ao mesmo tempo.

Finalmente, depois de um ano, vendi o apartamento. Vendi, mas não entreguei! Hehehehehehe! Brincadeira! É que o negócio ainda não foi concluído. Assinamos o Instrumento Particular de Compra e Venda. Recebi o valor do sinal e... saí correndo para pagar um monte de dívidas. Sim! Como bom brasileiro, eu também vivo "pendurado". No início de janeiro, a negociação se encerra e... vida nova!

Antes disso, entretanto, ou seja: na primeira quinzena de dezembro, já estaremos nos mudando de São Paulo para o sítio, em Itatiba-SP. Vamos fazer companhia para meu pai, o "Seu" Amélio, de 92 anos.

Na próxima quinta feira, dia 15, a Nina e eu estaremos voando para Fortaleza. Fui convidado para fazer parte da comissão julgadora da exposição de orquídeas organizada pela Assoociação Cearense de Orquidófilos. Na 6ª feira é o julgamento. No domingo de manhã, será a minha palestra "Julgamentos de orquídeas, segundo os critérios do American Orchid Society". A exposição vai de 6ª feira até o domingo. A partir daí, ficaremos hospedados no apartamento de nossa querida amiga Vera Coelho, até a 5ª feira, quando retornamos a São Paulo.

Por incrível que pareça, em 38 anos de casados, é a segunda vez que a Nina e eu viajamos sem ser a trabalho. A primeira vez foi na lua-de-mel. Segunda vez? Já não é mais a segunda.

Hoje pela manhã, comentei com uma cliente a ida a Fortaleza. Essa cliente possui alguns imóveis naquela cidade. Coincidentemente, também estará viajando para lá no dia 15. Pois não é que acabamos marcando uma reunião para a 2ª feira, em Fortaleza, ela, dois filhos e eu? Pronto! Já posso dizer que a única vez em que a Nina e eu viajamos sem preocupação de trabalho, nos 38 anos de casados, foi na lua-de-mel. Só uma vez! Uma única viajenzinha! Pode?

Outra notícia.

Como a maioria dos leitores do blog já devem ter percebido, minha esposa Nina e eu, mais minha filha Lu Farias (do blog Eeeeeeeeepa - opa! acho que coloquei alguns "e"s a mais!) e o marido Vagner, mais nossas duas netas Juliana e Vanessa (as duas também são blogueiras - vejam lá na minha lista de links para outros blogs) formamos o grupo vocal Família Jacaré. E, interessante!, gostamos de nos apresentar. E onde somos convidados, lá vamos nós. No dia 11 de outubro fizemos uma apresentação de 40 minutos na E. E. Profª Carmosina Monteiro Vianna, lá na Vila Medeiros, um bairro daqui de São Paulo. Sabem onde é? Nós, também não! Só sabemos que conseguimos chegar lá. Mas, não perguntem como. A apresentação foi um tanto improvisada, sem equipamentos de amplificação de som e sem a nossa percussão. Só as vozes e um violão. Foi na Biblioteca da escola, um local pequeno mas com bastante gente assistindo. Deixando a modéstia de lado, sentimos que agradamos bastante, com nosso estilo de músicas bem alegres, engraçadas, algumas até teatralizadas. Ontem, recebemos da Direção da escola o e-mail abaixo:



From: E. E. profª Carmosina Monteiro Vianna <e001296a@see.sp.gov.br >
Date: 08/11/2007 16:14
Subject: Agradecimento
To: coraldojacare@gmail.com

Nós da E.E. Profª Carmosina Monteiro Vianna , vimos por meio deste agradecer pela apresentação realizada nesta escola no dia 11 de outubro .
Eu achei muito bom, e interesante, prinsipalmente a cação da da Maria das dores.muiobrigado por te vindo a nossa escola.
( ricardo ,14 anos 7°c )
Eu achei um trabalho diferente, legal e interesante.E gostei muito das cantigas prinsipalmente do mistereco e Maria das dores.
Agradeso a sua por sua cultura antiga que quisseram passar para nos. MUITO OBRIGADO
( thiago ,13 anos 7°c )
A apresentação foi belíssima, muito entusiasmante e esperamos poder assistí-los novamente...
(Cristina Aparecida Sanches, Diretora da escola .)


Gentes, viram que coisa mais linda? Jovens de 13 e 14 anos se encantando com músicas de Alvarenga e Ranchinho, que foram sucesso nas décadas de 40 e 50, lá no século passado.

Não poderia deixar de agradecer à manifestação. Enviei à escola o e-mail seguinte:



Sra. Cristina Aparecida Sanches,
Diretora da
E. E. Profª Carmosina Monteiro Vianna

Professora,

O grupo todo ficou muito feliz com estas opiniões. Para nós, cantar em grupo é uma manifestação íntima de carinho familiar. Poder levar esta nossa forma de amor a outras pessoas nos é muito gratificante. E vermos as opiniões favoráveis de jovens, só nos entusiasma e nos anima a cada vez mais desenvolver esta nossa forma de alegria familiar.

Quero, em nome de todo o grupo, agradecer a acolhida muito gentil que tivemos em sua Escola e nos colocar à disposição para outras apresentações. Para isto, basta um contato telefônico ou por e-mail, com uma boa antecedência, como foi feito pela Profª Sueli.

Gostaria de pedir um favor. Na nossa apresentação, estava presente um professor de português. Infelizmente, não lembro o nome, mas a Profª Sueli deve lembrar quem era. Ficou sentado na frente, próximo da porta. Esse professor nos solicitou a letra da música "Linda Meu Bem", pois esse texto lhe seria útil nas aulas. Fiquei de lhe enviar por e-mail, mas perdi a anotação do endereço e do próprio nome do professor. Dessa forma, estou enviando, em anexo, a gravação original, com o cantor Ary Toledo, e a letra da música. Peço que tente identificar o professor e encaminhar esses anexos a ele.

Um grande abraço do grupo Família Jacaré a todas as pessoas ligadas à E. E. Profª Carmosina Monteiro Vianna.

José Francisco Vannucchi



Tanto o e-mail da diretora da escola quanto meu e-mail de resposta, transcrevi nas listas de discussão NESO e TatoFischer.

Nosso querido Tato Fischer, Diretor Artístico do nosso grupo, compositor, cantor, instrumentista, mágico, professor de canto, diretor teatral e diretor musical, que participou do grupo Secos e Molhados, entre outras qualidades, nos mandou a mensagem abaixo:



PARABÉNS, FAMÍLIA JACARÉ!
SUCESSO, SEMPRE!
Beijo e Luz
TAto


Obrigado, Tato! Você, que acreditou em nós antes mesmo que nós acreditássemos, tem um lugar especial no coração de todos nós.



Na lista NESO, minha amiga Lana Silveira, que vocês já conhecem através de um texto muito lindo escrito por ela, sobre a Mãe, e que eu transcrevi aqui no Blog, umas duas ou três postagens atrás, pois a Lana, que é dotada de uma sensibilidade enorme, postou lá na NESO a sequinte mensagem:



Oi JF,
é muito gratificante ter amigos como voces! Desejo de coração que voces tenham muito sucesso como Família Jacaré. Que sempre tenham esse carinho com todos.
dona Amélia deve estar toda orgulhosa da família que deixou muito bem formada, equilibrada, amada por muitos, e transmitindo sempre muito amor.
No plano invisível onde se encontra junto a Deus, muitas vezes está presente em suas apresentações, pra matar as saudades......
Aprendi com voce JF, a amar dona Amélia. Criatura divina que amava tanto os seus e os animais. Lembro sempre da arara vermelha que ela na sua bondade punha ovos de galinha para a arara chocar. Só um espírito evoluido como dona Amélia poderia sentir o desejo materno de uma arara.
O céu anda mais calmo,prestem atenção, dona Amélia cuida com desvelo das aves de Deus.
Parabéns JF, sucesso, pra voces todos.
beijos
Lana



Lana, amiga querida. Você conseguiu me arrancar algumas lágrimas. Mostrei sua mensagem à Nina e ela ficou igualmente emocionada. Minha mãe foi mesmo uma criatura excepcional. Que bom ver esse seu carinho para com ela, mesmo sem conhecê-la pessoalmente. Obrigado. Que Deus proteja você e os seus.

Hoje, o Blog está meio jornalístico. Outra notícia. Agora sobre a Maith.

A Maith é uma blogueira sensacional. É a bisavó mais jovem da Internet. Não estou falando em cronologia, pois não sei a idade da Maith. Mas, acho que, mesmo cronologicamente, ela é jovem. Mas, quanto ao espírito, a Maith está na juventude.

Como minha filhota Ma (ela adotou a Nina e eu como pais e nós a adotamos como filha querida também - adoção mútua), lá de Sorocaba, ela é torcedora do glorioso e insuperável São Paulo Futebol Clube e do São Bento.

Pois é! A Maith me deixou uma mensagem estranha. Imaginem que ela enviou uma mensagem e ... sumiu! Sumiu a mensagem, não a Maith!

Maith, amiga. Sumir uma mensagem sua é uma coisa lamentável! Nem imagino como isso pode ter acontecido. Você tem toda a razão de ficar triste, pois isso me deixa triste, também. Mensagem sua é algo que não dispenso. Infelizmente, essa eu também não entendi. Acho que vou reclamar com o titio Bill Gates!

Pessoal, os blogs da Maith são bem fáceis de serem encontrados e valem a pena serem vistos. A originalidade e a alegria já começa nos nomes. Vão lá ver e depois me contem. E deixem, lá mesmo, nos dois blogs, mensagens para ela. Na minha página de entrada, na coluna dos links para blogs amigos, vocês encontrarão o caminho. Basta clicarem sobre os nomes dos blogs da Maith: "Cuidado, Estão te Espiando" e "A Bisavó Blogueira". Depois que entrarem nos blogs, não esqueçam de colocá-los entre os seus "Favoritos". Assim, será mais fácil retornarem sempre.

Bem, pessoal. Por hoje, foram essas notícias. Prometo trazer, brevemente, novos "causos", ainda antes da mudança para Itatiba, mas depois da quase segunda lua-de-mel com a Nina (esses clientes!).

Abração,
JF




quinta-feira, outubro 11, 2007

TATU É TRETA!


Oi, pessoal.


Recuperei esta crônica na lista de discussão NESO. Na época, dezembro de 2005, meus pais, Amélio e Amélia, estavam com 90 e 88. Infelizmente, em fevereiro último, faleceu minha mãe. Esta historinha é uma homenagem à sua dedicação à natureza.


TATU É TRETA!

"Ai Tatu! Tatuzinho,
Me abre a garrafa
e me dá um poquinhonhonhonho!!!"

Gentes,

Vocês lembram desse antigo comercial de pinga?

Meus pais já moram no sítio há muitos anos. Nascidos no interior de São Paulo, depois de construírem sua vida na capital, retornaram à vida do interior. Se bem que, agora, essa vida já não tem mais nada a ver com a vida de antes dos anos "vinte", quando eles nasceram.

Mas, estão lá em Itatiba, firmes!

Uma das coisas que meu pai mais gosta é ver a terra produzindo. Só que, com 90 anos e praticamente sem visão, e num sítio com relevo bem acidentado, o "seu" Amélio já tem dificuldades para se locomover por lá. Ao lado da casa, temos um antigo e pequeno terreiro de secar café. Não é muito grande. Talvez uns quinze metros de comprimento por quatro ou cinco metros de largura. O chão é revestido de antigos tijolos e é levemente caído para um dos lados, para evitar acúmulo de água. E, para alegria de meu pai, resolvemos transformar essa área em horta. Foram construídos murinhos de 30 cm de altura, dividindo a área em duas enormes floreiras. Ou “verdureiras”, se preferirem.

Um empregado muito caprichoso colocou uns pilares de madeira e cobriu tudo com "sombrite". Foram colocados portões e, em um dos lados, mais "perigoso", foi colocado telado de galinheiro. Assim, o Heros, o Scooby, o Haroldo, e os demais cachorros ficaram impedidos de entrar no local.

"Seu" Amélio, com grande entusiasmo, trouxe da "agro-pecuária" bandejas e mais bandejas com mudinhas de 4.538 (ou quase isso! rsrsrsrs) variedades de alfaces, couves, rúculas, almeirão, e tudo o mais de verduras a que tinha e não tinha direito. Logicamente, sem esquecer das sementes de cenoura, erva-doce, pepino, etc.

A horta ficou uma lindeza. Todo mundo gostou. Principalmente o empregado que já não precisava mais ir cuidar da horta lá em baixo da barragem do último lago, em baixo de um solzão terrível. Uma grande "poupança" de pernas. Meu pai, herbívoro contumás, ficou feliz de ter suas verduras bem ao lado da casa, onde, apesar de sua dificuldade, pode, não digo vê-las, mas vislumbrar-las. Os filhos também ficamos contentes. Antes, dava preguiça de andar aquelas 200 léguas, até lá embaixo, na horta, para garantir as verduras da semana! Agora, não! As verduras estão bem ali, ao alcance da mão, para felicidade do nosso dinheirinho e desespero dos donos do super-mercados!

Sábado fui ao sítio. Lá, tomei conhecimento do desastre.

O empregado, logo cedo, entrou na horta para os seus afazeres. Ao passar pelo portão, viu pés de alface esparramados por todos os lados, misturados aos pés de rúcula, de couve, de almeirão, de acelga, e todos os demais verdes. A terra dos canteiros totalmente revirada, deixando à mostra um bando de cenouras desenterradas. Seria suicídio coletivo? Os legumes teriam se revoltado contra as verduras? Seria a sublevação dos vegetais? Era preciso apurar. E ele deu início ao inquérito!

O culpado? Lá estava ele, todo formoso, em um canto, olhando pela ponta de seu focinho gozador, para o atônito Cícero, que, nessa hora, esquecendo-se da eloqüência com que o seu homônimo, o ilustre Cícero romano, convencia seus opositores, passou a mão em uma enxada e partiu para cima do enorme e fortemente encarapuçado tatu, disposto, também a convencê-lo de seus erros, mas de uma forma mais contundente.

Para sorte do tatu, nesse momento chegou a Dona Amélia, que, apesar de seus 88 anos, e depois que operou da catarata, tem a visão mais firme que lince, mais forte que consciência vigilante, viu tudo, e é, acima de todas as coisas, ecologista fanática, ferina, firme, foribunda e furiosa. Sob o olhar severo de Dona Amélia, o Cícero teve de engolir toda a sua "eloqüência" e apenas espantar o bichinho de quase um metro para fora da horta. E, assim, a farra do tatu, que ele pretendia que fosse a festa do tatu, acabou em fiasco do tatu, expulso à força. E acabando-se, assim, o fuzuê do tatu.

Esta semana eu não trouxe verduras do sítio, mas ficou uma lição: tatu não sabe abrir portão, mas sabe muito bem passar por baixo de alambrado de galinheiro! hehehehehehe!

Abração
JF
São Paulo e Itatiba-SP

Publicado, originalmente, na lista de discussão NESO, aos 07/12/2005.


terça-feira, setembro 25, 2007

Uma homenagem ao seu aniversário

O texto escrito hoje não é meu. É de minha querida amiga Lana Silveira, das listas de discussão Orquídeas-Mundo Orquidófilo e NESO. É um texto muito lindo e que só alguém com muita sensibilidade pode escrever. Me emocionou e pedi à Lana para reproduzi-lo aqui.
Obrigado, Lana, por este momento de tanta ternura.

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Mamãe
Não sei se adiantaria dizer o seu nome completo: Maria Nazareth Azevedo Toledo Alves, ou, simplesmente seu singelo apelido: Ná!.....
Ah!...sim ela está aí em Itajubá onde foi menina, moça, e se casou!...
Em Itajubá, fui à sua procura, e a encontro em todos os lugares!...E fico sentada em seu canto predileto, recordando esse tempo que passou e que vivi ao seu lado.
A cidade, hoje tão estranha às minhas recordações, não se lembra mais da sua fisionomia e nem sabe o quanto ela amou essa terra!... Também não importa! É tão natural esquecer e ser esquecida ao longo dos anos! E os anos foram tantos, que também a cidade mudou sua face, cresceu e se esqueceu de nós!..
Assim se hoje venho a Itajubá procura-la nas saudades que acumulam em meu coração, deixa que eu o faça livremente! Porem agora invisível aos olhos humanos, já integrada no silêncio dos que estão junto de Deus.
Começo a procura-la na igreja justamente na capela das filhas de Maria.
Ajoelhada diante do altar, só de olhos fechados posso ver a igreja e sentir a sombra da minha mãe debruçada sobre minha cabeça ensinando-me a rezar!..
Sinto vibrações que permanecem no local!
Escuto os canticos sacros que marcaram minha fé! As lembranças se avivam, tomam forma e entro em contato com o passado que está ali nas paredes da igreja, nas colunas que sustentam o teto, nos bancos da nave e no silêncio que me envolve, recuo despertando em mim, a criança que dorme em meu íntimo!...
Volto a procura-la, lá fora no chão que ela pisou, no ar que respirou,nas ruas por onde andou,no horizonte que ela fitou talvez sonhando coisas que se desgastaram com o tempo!....
Em todas as minhas buscas, encontro uma resposta afetuosa que me enternece!...
Aqui viveram meus avós, minha mãe, tios, primos, o que justifica este clima de aconchego e amor que é todo meu!...
Neste silêncio da cidade pequena encontro mamãe!...juntas percorremos todos os recantos onde a vida escreveu a sua história, a nossa vivência!...
Lugares onde foram guardadas as alegrias mais ternas, as esperanças mais acalentadas, os afetos mais puros, as tristezas sofridas, as lágrimas derramadas!...
Ponho o ouvido no chão e escuto seus passos através do tempo!... Adivinho suas angustias, seus medos, suas esperanças e alegrias, neste pedaço de vida que ficou por aqui!...
Seu coração pulsa no agitar das arvores, no vôo dos pássaros, na beleza das flores, no repicar dos sinos, no marulhar das águas do rio que passa lá em baixo!...
Se chove, nesta cidade, escuto seu choro nas águas que rolam... nas noites estreladas seu vulto passa conduzindo um bando de crianças que foram sua vida e ainda são o seu amor!...
Algumas vezes ela segura a minha mão e me leva aos passeios da minha infância. De novo me sinto menina correndo atrás das borboletas, brincando nas águas limpidas dos córregos, voltando cansada pra casa...
Minha mãe foi MARAVILHOSA!
Lutou como heroina junto ao meu pai, e nos deu segurança, devotamento e muito amor! Ela foi a mulher forte que nos fala a Bíblia! Foi nossa estrela guia, nosso anjo, nossa luz!...
Tinha um porte altivo, um andar elegante, um olhar firme, um gênio autoritário e independente!....
Era rigorosa em seus métodos de educação! Suas convicções religiosas foram inabaláveis!...
Amava a família com intensidade!
Morreu idosa, lúcida, brava como sempre! Em seu olhar havia paz imensa e doçura infinita!
..................................................................................................................
Volto a cidade, procurando por ela junto as lembranças doces da vida!...
Que importa seu nome completo ou seu singelo apelido?
Mamãe é mamãe e eu sou a sua Eliana, que tão docemente me chamava de
Lana


Lana-SP


(Transcrito da lista de discussão NESO (Yahoo), 25/09/2007)

segunda-feira, setembro 24, 2007

O primeiro "virus" a gente nunca esquece!

Gentes,

Vocês lembram daquela propaganda do “primeiro soutien”, o inesquecível? Pois é. Como o soutien, também o primeiro vírus de computador a gente nunca esquece.

Isso foi em 88, quase vinte anos atrás. Nosso – meu e da Nina - computador era novinho em folha... na nossa mão, marinheiros de primeira viagem. Na verdade, era um computador de terceira ou quarta mão, sei lá. Mas, isto é história para outro dia. Sim, existe a história do primeiro computador. E que história!

Na escola onde eu dava aulas, ganhei dos alunos alguns joguinhos, num daqueles disquetões antigos.

Instalados os jogos, a Nina e eu passamos a nos divertir com eles.

Certa noite, no meio de um trabalho, surgiu uma bolinha que ficava pulando na tela. Batia numa lateral, vinha para a parte inferior, ia para o outro lado, voltava para baixo... Uma movimentação ininterrupta. Eu, que não imaginava o que era aquilo, fiquei ali apreciando. E a bolinha pulando, pulando, cada vez mais forte, sobre o texto digitado..

De repente... puffffff!!! Apagou todo o texto. Horrorizado, desliguei o microcomputador e fui dormir, todo preocupado. O que teria acontecido?

No dia seguinte, logo cedo, liguei para um amigo que tinha um microcomputador em seu escritório e lhe contei o fato.

“É o ping-pong! É vírus! Isso acaba com o computador. Você deve ter contaminado todos os disquetes...”

Um escândalo.

Dois ou três dias depois, era dia de eu dar aulas. Na escola, procurei pelo professor de informática e lhe contei o que havia acontecido.

“É o vírus ping-pong! Os alunos conseguiram contaminar todos os microcomputadores da sala de informática. Estamos aguardando a chegada de um anti-virus.”

Gente, que horror. O ping-pong! E eu que sempre imaginei que pingue-pongue era apenas aquele jogo com uma bolinha branca e uma rede sobre uma mesa!!!

Os microcomputadores da escola ficaram um bom tempo desligados, até que chegasse o tal de anti-virus. Obviamente, o meu também ficou desligado, à espera. Resolvido o problema na escola, o professor de informática esteve em casa e acabou com o “ping-pong” do meu micro e dos disquetes. Que sufoco! E, de quebra, ganhei uma cópia do anti-virus.

Depois disso, fiquei calejado. Cada vez que trazia algum disquete de fora, de forma preventiva, aplicava-lhe uma carga de anti-virus.

Passado algum tempo, em uma noite em que eu preparava umas petições, deu um xabu qualquer e no texto apareceram, no lugar de algumas letras, umas carinhas risonhas, outras tristes... VIRUUUSSSSSSSSSSSSSSS!!!!!

Peguei o disquete anti-virus e dá-lhe uma carga no velho CCE. Não acusou nada. Quando volto ao arquivo em que estava trabalhando, lá estavam as carinhas rindo da minha cara apalermada! O VIRUS CONTINUA INSTALADOOOOO!!!!! Desliguei a máquina e fui dormir.

No dia seguinte, procurei pelo meu amigo.

“O anti-virus não resolveu? Então é grave! É algum vírus novo e o seu anti-virus está desatualizado. Vou mandar para você um anti-virus novo.”

E assim fez. Passei o anti-virus, que não encontrou nada, mas as carinhas lá continuavam.

Minha nossa... O que poderia ser? O pior é que a escola já estava em período de férias e o professor de informática, meu amigo, só poderia ser contatado na volta às aulas, em um mês. Assim, durante um mês, ninguém mexeu no microcomputador, para evitar-se que o vírus se espalhasse pelos demais arquivos.

Finalmente, as intermináveis férias chegaram ao fim. E lá vem o professor de informática – como é bom ter amigos! – ver o meu equipamento.

Ligou e já colocou um disco com anti-virus no drive. Nada! Olhou o arquivo em que eu estava trabalhando. Lá continuavam as mesmas carinhas risonhas e as carinhas tristes. Não haviam aumentado. Mas, também, não haviam diminuído. Olhou outros arquivos e nada de carinhas. Nem alegres e nem tristes.

Gente, que loucura! Já estávamos para procurar o endereço da Agatha Christie quando me lembrei de um detalhe.

Na noite em que eu estava trabalhando, pouco antes de aparecerem as risonhas tristes, houve uma brusca queda de voltagem. É lógico que, na minha improvisada entrada para o mundo da informática eu não providenciara um regulador de voltagem. Foi o erro fatal. Fora a queda de voltagem que dera uma ligeira pane no computador e no arquivo em que eu trabalhava. Ufaaa... Nada sério. Apenas um arquivo que precisou ser re-digitado.

Tempos heróicos e saudosos! Quantas aventuras provocadas pela inexperiência. Quando eu vejo minhas netas, nos dias de hoje, mexendo nos micros e lembro dos sustos que nós levamos, a Nina e eu, no começo!...

Mas, a experiência se ganha com o dia a dia. E nós viramos veteranos. Todo o cuidado com vírus eram poucos.

Um dia, no meio da papelada, a Nina achou um disquete. E agora? Seria de antes ou de depois do ping-pong? Na dúvida... anti-virus nele.

Positivo! Ping-pong.

Gente, vocês não imaginam a cena. Eu me lembro como se tivesse ocorrido ontem.

A Nina ficou branca de susto. Com as pontas das unhas retirou o disquete contaminado por vírus do drive e o atirou no lixo. Em seguida, foi lavar as mãos muito bem lavadinhas. Para não correr risco de contágio. Juro!

JF

quinta-feira, setembro 20, 2007

A "vingança" de Santo Antonio, o santo casamenteiro

No começo de minha carreira de advogado, todo caso que aparecia eu “pegava”. E, no meio do que aparecia, começaram a surgir os casos de separação matrimonial.

Fiquei um bom tempo cuidando disso, mas precisei parar pois não tive sucesso financeiro.

Alguns colegas têm em sua mente uma poderosa máquina de calcular. Naquela época, a coisa funcionava mais ou menos assim, para esses colegas matemáticos.

“Doutor, quero me separar!”, O advogado abria a última gaveta de sua escrivaninha e pegava o bloco de “Procuração”.

“Assina aqui.”

“Mas, o senhor não quer ouvir a história?”

“Depois! Assina aqui!”

Assinada a procuração, o “doutor” começava com as perguntas:

“Existem bens a serem divididos? Qual o valor deles?”

“Mas, o senhor não quer ouvir a história?”

“Depois! Por enquanto, vamos cuidar dos bens a partilhar.”

À medida em que esses bens iam sendo relatados, o advogado, mentalmente, ia calculando a proporção do que seriam seus honorários. Logicamente, nem todos os advogados agiam assim. Mas que existiam alguns, existiam.

Em função de um caso que vou narrar a seguir, minha primeira preocupação, quando era procurado para cuidar de uma separação, era ver se a separação era irremediável. Se eu vislumbrasse, na história, alguma possibilidade remota de reconciliação, era por esse caminho que eu ia. E, graças a isso, passados tantos anos, existem alguns casais que permanecem unidos até hoje.

Mas, essa postura me trazia um problema. Eu cobrava para separar casais. Quando não havia separação, eu não cobrava nada. Uma ocasião, uma ex-futura descasada que conseguiu reconciliar-se com o marido (que eu saiba, eles continuam juntos até hoje), sabendo que eu era (e sou ainda) orquidófilo, agradecida e emocionada, me deu de presente um enorme vaso de orquídeas, dessas que, entre nós – orquidófilos de olhos críticos - costumamos chamar de “repolhão”. Um gesto muito bonito e tocante, mas que não me ajudava no meu problema principal: prover o sustento de minha família. E foi assim que eu acabei abandonando o Direito de Família e enveredando para os campos do Direito Comercial (sociedades) e do Direito Tributário, muito mais rentáveis.

Mas, vamos ao caso que se passou com um colega que dividia o escritório comigo. O casal, digamos assim, eram o João e a Maria, amigos comuns nossos. O José que aparece na história, evidentemente, sou eu mesmo, que continuo casado com a Nina há 38 anos.

Uma segunda-feira, ele chegou ao escritório logo cedo:

“José. Ontem, João e Maria estiveram em casa e querem separar-se. Querem, não! O João até chora. Mas, a Maria está irredutível e com tanta raiva que faz questão cerrada que a audiência da separação seja no dia 13 de junho (Dia de Santo Antonio). Diz ela que quer vingar-se do santo.”

Realmente, era pouco tempo para preparar tudo. Mas, bom advogado, ele conseguiu. Assim, no dia 13 de junho, para fazer desfeita a Santo Antonio, o santo casamenteiro, foi homologada a separação.

E Santo Antonio? Concordou? Não!

Uma segunda feira, início de agosto, a novidade.

“José. Ontem, João e Maria estiveram em casa. Querem que eu desfaça a separação o mais rápido possível, porque eles são marido e mulher, novamente.”

Dava para entender. Eles tinham apenas o apartamento. Com a separação, João não tinha para onde ir e a Maria, compreensiva que era, concordou que ele dormisse no sofá da sala, enquanto não conseguisse outro local. Daí, sabem como é, assistiam à novela juntos... Comentavam... "Você quer que eu prepare pipocas para nós?"... Era inverno e estava frio... João, gentilmente, se ofereceu para esquentar os pés da Maria... E daí para... Vocês sabem... Enfim, sejamos claros, já estavam dormindo na mesma cama e com direito a tudo o que marido e mulher fazem sob os lençóis. Ou mesmo o que fazem quando não existem lençóis, que eles não são necessários para isso. Vocês entenderam... E muito bem entendido, seus maliciosos!

Lá, comigo mesmo, pensei: “foi a vingança de Santo Antonio”. Vingança no bom sentido, lógico, pois santo não quer o mal às pessoas. Ou vocês acham que o santo casamenteiro iria concordar com uma separação de casal?

Foi esse fato que me levou, a partir daí, a sempre verificar se era possível uma reconciliação. Vocês não imaginam quantas separações poderiam ter sido evitadas se os advogados pensassem, inicialmente, nessa possibilidade, ao invés de se preocuparem com cálculos mentais do valor dos honorários a cobrar.

Eu sei! Cuidar de manter marido e mulher unidos não sustenta a própria família! Ora, passe a dar consultoria de impostos para empresas.

José Francisco
Ou Zeca, em alguns casos, ou JF, em outros


terça-feira, setembro 11, 2007

A porta da discórdia

A Jack aposentou-se e passou a narrar “causos” muito bons, de seus tempos de bancária. São crônicas escritas com bastante leveza e humor em seu excelente blog “Jack não tá Fazendo Nada” (link na coluna ao lado – vale a pena ler). A leitura me fez lembrar “causos” de minha vida profissional, como contador, advogado e professor.

Este é um causo de advocacia e só vou contar porque não chegou a correr processo. Evidentemente, conto o milagre mas não os santos. Os nomes não são verdadeiros.

Giovanni procurou-me. Queria separar-se de Anunciata. Não a suportava mais. Mal se falavam e ela fazia de tudo para irritá-lo.

“A separação será consensual?” perguntei.

“Sim. Ela passa procuração e o senhor será advogado dos dois.”

Pedi que ele passasse um recado para Anunciata me procurar. E ela veio.

“Doutor, eu concordo com a separação. Mas, só assino se ele devolver a porta do quarto!”

“Devolver a porta do quarto?”

“É! A porta do quarto que ele tirou e jogou fora.”

“Mas que história é essa? Você trancava a porta para ele não dormir no quarto?”

“Não! Ele já dormia na sala há muito tempo. Não precisava tirar a porta do quarto.”

Mandei vir o Giovanni.

“Giovanni, a Anunciata não concorda com a separação enquanto você não devolver a porta do quarto.”

“Danou-se! Dei a porta a um desses catadores de bagulhos que passam pela rua.”

E, assim, como Anunciata queria “a” porta, não servia nenhuma outra, não pode ser formalizada a separação consensual. Giovanni desapareceu no mundo. Parece-me que se mudou para alguma cidadezinha de Minas Gerais. Nunca mais tive notícias dele.

Passaram-se alguns anos. Um dia, Anunciata me procurou. Queria separar-se de Giovanni e eu deveria cuidar de tudo.

“E a porta?”

“Não quero mais saber daquela porta!”

Acontece que Anunciata tinha arrumado um namorado e queria casar-se, novamente, independentemente de seu quarto ter ou não ter porta.

Mandei procurar outro advogado. Ora!

Mas, o que nunca consegui entender é o que leva um marido, que não suporta mais a mulher, que se irrita com tudo o que ela faz ou fala, que dorme na sala, a arrancar e sumir com a porta do quarto dela.

JF

quinta-feira, setembro 06, 2007

Transporte aéreo de 5º mundo em país de 3º mundo

Gentes,

A Lu está até agora em Cumbica, aguardando embarque para Brasília. O Prenholato está de plantão, para pegá-la no aeroporto.

O vôo estava previsto para 8,50Hs, reserva feita na BRA e enviada à Lu pela editora.

Na ida para o aeroporto, já pegamos congestionamento na Via Dutra. Era de se esperar.

Chegamos ao aeroporto às 8,06hs. Para começar, não se consegue saber onde é o setor de EMBARQUE. Só existem indicações DESEMBARQUE. É uma coisa inacreditável. Para saber-se do EMBARQUE, é necessário que se vá perguntando, quase que de pessoa em pessoa!

A última indicação (ORAL) sobre o EMBARQUE é que o mesmo se faz no primeiro andar. Muito lógico, não é mesmo? Ao menos eu pensei nessa lógica para não soltar um palavrão! E o balcão da BRA era ao lado do balcão da GOL, no 1º andar. Perfeito!

Passando pela GOL, diversas filas. Mas, na BRA, não havia filas. VIVAAAA!!!!!!!

Na entrada do setor da BRA, havia duas meninas uniformizadas. Pensei: Devem ser porteiras! Mostramos o fax que a Lu recebeu, referente à reserva. Elas leram o fax inteirinho.

"Mas não é aqui! É na Ocean Air!" Já ia perguntando o que era isso, quando uma vaga lembrança me fez recordar que existe uma empresa aérea com esse nome. Indicaram-nos onde era o balcão da Ocean Air e lá fomos nós.

Quando nos afastamos, vi que as duas porteiras tinham, nos uniformes, emblemas da CVC. Ué! CVC não é uma empresa operadora de turismo? O que elas estavam fazendo lá na entrada das baias da BRA? Deixa prá lá.

Achamos o setor da Ocean Air. Bem pequenininho, com quatro pessoas atendendo. Nessa altura, já eram 8,20hs! A fila... Ahh, a fila! Enooooorrrme! Os funcionários, por sua vez, atendendo na maior lerdeza e... batendo papo entre si. Falei para a Lu:

"Lu, pela fila e pela vontade de trabalhar, esse vôo está atrasado."

Dali a pouco, um dos funcionários saiu de tras do balcão e veio correr a fila.

"Qual é o destino?"

"Brasília!"

"É nessa fila, mesmo!" Só havia uma fila. Não dava para escolher outra.

"Tem bagagem para despachar?"

"Não! Só a maleta de mão."

"Tem algum objeto metálico dentro?"

A Lu lembrou:

"Eu tenho um estilete."

Era o que faltava! Seriam capazes de achar que ela ia colocar o estilete no pescoço do piloto e dar uma ordem:

"Isto é um sequestro! Leve este avião diretamente para o aeroporto de... Bom... Pode ser Guarujá!"

Ela me entregou o estilete e eu perguntei ao "coisinho" se o avião estava no horário.

"Está!" E foi se afastando. Já passava ligeiramente das 8,30hs, mas já ouvíamos alguns comentários, na fila, de que o avião estava atrasado. Mas, aos poucos íamos nos aproximando do balcão. A velocidade devia ser, nessa altura, de quatro passageiros por hora. Mas, já estávamos
quase lá! Umas oito ou dez pessoas na frente.

O coisinho já estava, novamente, atrás do balcão. Dali a pouco, uma coisinha saiu de trás do balcão e veio percorrer a fila. Por uma imensa sorte, veio direto em nossa direção.

"Qual o destino?"

Dessa vez, a Lu foi mais esperta e não deixou a coisinha "se mandar".

"Brasília. Só que estou sem a passagem, só com este fax que me foi enviado por quem fez a reserva, em Brasília".

Coisinha leu o fax inteirinho. Até as indicações de onde o Prenholato deveria encontrar a Lu.

"Pode sair dessa fila e fique direto no balcão, que será a próxima a
ser atendida." Que felicidade!

No balcão, em frente ao atendente que nos daria prioridade, estavam duas pessoas. Que também tinham um papel indicando a reserva. Só que o atendente não conseguia localizar em sua relação e em nenhuma outra relação, no mundo inteiro! Acho que ele gastou, com telefonemas, mais que o valor das passagens! Nesse meio tempo, coisinha foi descobrindo
outras pessoas que também iam para Brasília e os foi tirando da fila. Dali a pouco, atrás de nós a fila para Brasília já estava quase chegando ao aeroporto de Congonhas!

"Pode me dar uma licença?"

Eram as pessoas que estavam por ali e que precisavam passar para o outro lado. O aeroporto, na realidade, a partir desse momento, dividiu-se em dois setores: a leste da fila para Brasília da Ocean Air e a oeste da fila para Brasília da Ocean Air. Mas, a fila não andava, pois o atendente não conseguia perceber onde foram parar as reservas das duas pessoas.

Enquanto isso, a fila original ia andando. Se tivéssemos permanecido nela, já estaríamos sendo atendidos. Lógico que isso provocou um início de tumulto, o que fez com que coisinha, que, nessa hora, já havia voltado para trás do balcão, pedisse ao outro atendente para dar prioridade ao pessoal que ia para Brasília.

Chegou nossa vez. Nossa, não! Da Lu. Eu estava ali apenas como acompanhante carregador de uma maleta pesando umas dez arrobas (mas, sem estiletes!)...

A Lu entregou a identidade e o fax ao coisinho nº 2. Ele leu atentamente.

"Mas, não é aqui. É na BRA!"

Eu já estava dando impulso no corpo para pular na garganta dele, quando coisinha interveio.

"Não! Pode fazer!".

Gentes! Será que está havendo roubo de passageiros dentro do aeroporto? A concorrência chegou a esse ponto?

Emitida a passagem, a informação:

"O voo sai às 10,50hs!" Óbvio! 8,50hs já tinha ficado para trás e nem havia tido avião, nesse horário.

A Lu e eu fomos tomar um café. Tirei as fichas e fomos ao balcão.

Gente, sem exagero! Acho que o balcão tinha uns 20 a 30 quilômetros de extensão! E duas menininhas atendendo. E Cumbica inteiro querendo tomar café! Já estava para pedir meu dinheiro de volta, quando, finalmente, fomos atendidos.

A Lu foi para a sala de embarque e eu fui embora. Quando passava pelo térreo, antes de sair da estação de DESEMBARQUE, vi um cubículo onde se deveria pagar o estacionamento.

Gente, se o acaso não tivesse colocado aquele cubículo bem na minha frente, eu iria até o estacionamento e teria de voltar para dentro da estação de DESEMBARQUE para pagar!

Quando cheguei ao estacionamento, vi que, realmente, havia um pequenino aviso de que se devia pagar lá dentro. Mas, só vi esse aviso, na volta. E por acaso! Isso é o que se chama de comunicação moderna.

Peguei o carro e dirigi-me à saida do estacionamento de veículos, junto ao Aeroporto de DESEMBARQUE de Cumbica. Gente, onde é a saída do estacionamento? Aquilo é enorme, existem inúmeras setas indicativas de direção às vagas. Mas, indicação de saída, que é bom, nada!

Como é triste morar num país terceiromundista!

Perto das onze horas, a Lu telefonou. O avião sairá ao meio dia!

Passava de uma da tarde, a Lu ligou mais uma vez!

Agora, a saída está prevista para as 15 horas. De qualquer forma, ela liga quando houver certeza. No momento, ela juntou-se a um grupo que vai protestar. Mas, protestar com quem? Com coisinha? Com coisinho? Como coisinho nº 2?

Já são 2 e meia da tarde e nada de notícias da Lu.

Será que a Ocean Air tem avião ou essa é mais uma picaretagem engendrada por políticos lotados em Brasília, para enganar o povo trouxa?

Abração
JF

terça-feira, setembro 04, 2007

Acomodando as bagagens no carro!

Gentes, vocês não sabem o que significa ir passar a noite de sábado para domingo no sítio, em Itatiba, a 80 Km de São Paulo. Digo isso em relação à colocação da bagagem no carro.

O drama começa na sexta feira.

“Então sairemos às 9 hs para chegarmos lá às 10 e meia”, eu já vou ponderando. “Assim, tenho bastante tempo para cuidar de minhas coisas, lá”. Para quem não sabe, cuidar de minhas coisas significa dar um trato nas orquídeas, pescar no lago, dar uma boa volta no pomar, pescar no lago, dar uma geral nos meus cactos, pescar no lago, coisinhas assim.

Ultimamente, ando meio preocupado com minhas plantas. Imaginem que saiu um caseiro e, sem que eu percebesse, ele resolveu tirar umas mudas de minhas plantas. A concepção de tirar mudas é engraçada. O sujeito chega no vaso e separa um quarto da planta. Um quarto!!! Que ele deixa para mim e leva os outros três quartos. Pode, uma coisa assim?

Mas, nós estamos falando da saída para o sítio. São os assuntos “pré”. Deixemos os assuntos “durante” e “pós” para outra hora.

Enfim, tentei marcar um horário de saída. A resposta é imediata e “na lata”:

“Nove horas? Rááááá! Nesse horário você ainda vai estar dormindo!”

Dá para agüentar? Ainda me acusa. E continua:

“Quero assistir à missa do meio-dia, assim não preciso ir à missa no domingo. Saindo da missa, vou ao supermercado fazer as compras para o almoço no sítio”.

“Não precisa comprar. Lá tem tudo!”

“É o que você pensa. Você não é dona-de-casa!”

Tem lógica. Não sou mesmo. Mas, como em casa a última palavra é sempre a minha, sentencio:

“Sim, senhora!”

Dia seguinte, ida à missa, volta do supermercado, estamos almoçando.

“A mala já está pronta?”, pergunto, embora já saiba a resposta.

“Ainda não. Mas, é muito rápido. É só pegar o básico e está pronto. E não esqueça de me lembrar de por as coisas da geladeira no isopor...”

“Não esqueça de por as coisas da geladeira no...”

“Agora, não! É um pouco antes de sairmos!”

É lógico que eu não ia deixar escapar a oportunidade de fazer uma brincadeirinha, né? Hehehehe!

“Eu só falei porque posso esquecer, na hora de lembrar você para que não se esqueça! E, como não quero esquecer, estou lembrando-a agora...”

Ela pareceu não ouvir. Pelo menos, não se dignou responder.

Terminado o almoço, com minha meia dúzia de coisinhas já na porta da cozinha, prontas para serem embarcadas, fico presenciando a arrumação da mala.

“Para que essas malhas? Está um calor de rachar”.

“Ouvi, na previsão do tempo, que tem uma frente fria estacionada no sul da Argentina.”

“Mas isso, se chegar até o Brasil, leva um mês”.

“Nunca se sabe! Pode estar estacionada, lá no sul da Argentina, há um mês, e só agora se deram conta”.

Não percebi a lógica! Mas, lógica feminina não se discute! E lá fico eu olhando a separação, sobre nossa cama, de malhas abertas e fechadas, malhas mais finas e malhas mais grossas, cachecóis (será esse, o plural de cachecol? Ajudem-me!), tudo, enfim, para prevenir qualquer variação de temperatura possível ou imaginária, em qualquer época do ano. Obviamente, tem também a sessão de roupas para todos os possíveis casos de chuvas, de garoa a maremoto. Com diversos guarda-chuvas. Só não coloca mais minhas galochas por não saber onde comprar nu novo par, depois que minha últimas galochas foram perdidas num aguaceiro daqueles que arrasta tudo, até ônibus, para dentro dos túneis do Anhangabaú. Falando nisso, será que ainda fabricam e vendem galochas?

A separação das roupas a serem levadas continua. Agora são separados cobertores e “edredons”. Meu espanto é imenso.

“Pra quê tudo isso? Tem tudo isso daí no sítio!”

“Tem, mas está tudo dentro do armário. Provavelmente vai estar tudo com cheiro de bolor e você vai ter ataque de bronquite! É melhor levarmos daqui.”

Dá para entender lógica feminina?

Vem a separação dos remédios. Felizmente, ninguém é hipocondríaco e somos absolutamente contrários à auto-medicação. A não ser, obviamente, nos tratamentos de casos corriqueiros. Assim, para os casos corriqueiros, a maleta de remédios leva todo o tipo de remédio possível e imaginário para as emergências. Assim: aspirina, anti-alérgico, Cremefenergan, anti-gripais mil, Bromil, Merthiolate, algodão, Band-Aid, todos os meus remédios de bronquite, alopurinol, xaropes disto e daquilo, Nebacetim, ataduras, talas (desconfio que ela leve alguns quilos de gesso em pó, mas ainda não tive coragem de olhar na maleta de remédios), Polaramine, Vick Vaporube, enfim, centenas de remédios para todo e qualquer tipo de doença, ferimento, emergência farmacêutica... ops, estava me esquecendo do Lavolho!. Acredito que ela carregue, ainda, remédios para a queda de cabelos, topadas com o dedão, amidalite, hepatite, traqueite, afrodite, meningite no pulmão, etc. Tem tudo! Sem falar que ela tem todos os possíveis remédios para todos os possíveis males do “filhinho”, que estará em seu próprio apartamento, há quase cem quilômetros de distância.

“Nunca se sabe a hora de sairmos correndo para atender um filho!” Aqui já é a lógica materna falando. A gente não entende, mas deve ter uma lógica nessa lógica. Enfim!

Não vou descrever a coleta das roupas dela. Mas, para mim, ela pega os básicos seguintes: pijamas de calças curtas, para o caso de estar muito quente, pijamas leves de calças comprida, para o caso de o tempo estar ameno (bonito!), pijamas bem grossos, para o caso de frio, camisas, camisetas, cuecas, meias, lenços, vários “jeans”, bermudas... Só não leva ceroulas porque me recuso a usar.

“Pra quê essas bermudas? Tem várias, lá no sítio!”

“Vieram para lavar.” Ahhhh! Tem lógica! Feminina, mas lógica.

Sapatos, chinelos, tênis, sandálias...

E o capítulo de sabonetes, creme dental, escovas de dentes novas, pois as dosítio já estão muito velhas e deformadas (???), desodorantes, shampoos...Deixa pra lá!

Nem vou descrever as coisas que saem da geladeira para dentro da enorme caixa de isopor! Nem as latarias e demais pacotes de alimentos. Isto viraria uma ode mais comprida que “Os Lusíadas”.

E a escolha das caixinhas de chá? O chá é necessário, porque, sendo uma coisa bem quente, faz bem para a minha bronquite. Na dúvida, vão os chás de hortelã, boldo, mate, cidreira, erva-doce, frutas vermelhas.. e amarelas, azuis, roxas, multicoloridas, etc. Tem lógica! Algum deverá me fazer bem, mesmo que eu passe a noite toda no banheiro, fazendo xixi, de tanto chá que eu precisei tomar.

Aí, vem o capítulo de ajeitar tudo dentro do carro.

Chamo o elevador para uma primeira viagem com as coisas. Obviamente, as coisas dela têm prioridade. Mesmo porque, minhas coisinhas cabem em qualquer espacinho eventualmente sobrante.

Lógico que, no sub-solo, não tem ninguém para me ajudar. Calço a porta do elevador com uma das malas e descarrego o resto, enquanto, em outro andar, alguém esmurra a porta do elevador que não sobe. Em diversas idas e vindas, levo tudo até o carro.

Abro todas as portas e o porta-malas. E vou ajeitando, com toda a imensa paciência com que se monta um quebra-cabeças chinês. A malona no porta malas... A mala média vai no banco traseiro... O resto do porta-malas é tomado pelos cobertores e “edredons”... A mala pequena vai no chão, atrás do banco do motorista... A mala de sapatos vai no chão, atrás do banco do passageiro... A maleta de remédios... Minha intenção é esquece-la, no chão da garagem... Mas, eu a coloco no espaço que sobrou, no banco traseiro. E subo para o apartamento para a segunda viagem de transporte das bagagens.

Quando abro a porta da cozinha e vejo o que ainda falta colocar no carro, me dá um ataque de desespero. Quase que chilique, mesmo! Mas, sou forte! E lá vou eu, para o elevador e a garagem, com a enorme caixa de isopor, mais uma caixa média de isopor, pois as coisas da geladeira não couberam em uma única caixa, mais milhares de sacolas de super-mercado carregadas com os mantimentos que não precisam ser conservados frios, mais pacotes com uma série de coisas que nem identifico. O mesmo drama para descarregar o elevador, enquanto um cretino, em outro andar, esmurra a porta do elevador que está demorando.

Chegando à garagem, as tralhas da “segunda carga” no chão esperando acomodação, fico lá, eu, imaginando como colocar tudo aquilo dentro do “Golzinho”. Tiro tudo que já estava dentro do carro e começo uma nova acomodação das coisas. Depois de trinta minutos de muita paciência e muito trabalho, tudo devidamente acomodado e ajustado, volto para o apartamento. Evidentemente, nessa altura já desisti de levar minhas “coisinhas”. Óbvio, não há lugar para mais nada!

No apartamento, ela está pensativa:

“Que será que estou esquecendo?”

Minha resposta é rápida:

“Nada! Basta olhar em volta. Só sobraram os móveis vazios!” Ela ignora a ironia, mas ainda tem algumas sacolinhas de supermercado nas mãos.

“Onde você vai por isso? Não cabe mais nada.”

“Não se preocupe! Vão no chão, junto aos meus pés!” Me acalmo, afinal, lógica feminina tem, lá, a sua lógica.

Sete horas da noite, pouco mais de uma hora depois de sairmos do apartamento, chegamos ao sítio. Já está escuro e não dá para fazer mais nada, lá fora.

No sítio, as roupas estavam todas em ordem, sem qualquer cheiro de bolor. A caseira, diariamente, abre as janelas e deixa o quarto “ventilando”. Dessa forma, não tive nenhum ataque de bronquite.

Depois de desfeitas as malas, com todas as roupas e mantimentos em seus devidos lugares, aparece minha irmã:

“Amanhã, o almoço será lá em casa! Não precisam se preocupar com comida.” Olho para a Nina e rosno, ao lembrar de minhas coisas que ficaram em São Paulo por falta de espaço no carro.

Lanchamos. Aos curiosos de saberem que tipo de chá eu tomei... Tomei chá de erva-cidreira. Não a erva-cidreira da caixinha, mas erva-cidreira verdadeira, tradicional, verdinha, cheirosinha, que a caseira havia colhido, na horta, no final da tarde...

De tanto cansaço, fui dormir logo. Levantei quase meio-dia. Tomei um café rápido, dei uma olhada nas plantas, e subi para a casa do meu cunhado: batidinhas, petiscos, bate-papo até a hora do almoço. No almoço, vinho...

Terminado o almoço, fui tirar uma soneca, que não sou de ferro. Acordei apenas com tempo de molhar, rapidamente, minhas plantas, enquanto a Nina fazia as malas para voltarmos a São Paulo. Toda a roupa inútil precisa retornar, o frio argentino não veio. Assim como todas as coisas de geladeira e os mantimentos “não de geladeira” também voltam. Ou seja: voltou tudo para São Paulo! Sem uso!

“Você me vê um comprimido de Pepsamar? Estou com um gosto meio ácido na boca.”

“Esse não tem. Estava com a validade vencida e eu não trouxe. Segunda feira compro mais!”

Gentes, para terminar este relato, que não tem nada de exagero, ela pode confirmar tudinho, só duas perguntas:

1-Divertimento de mulher é fazer e desfazer malas e pacotes?

2-Em caso de uxoricídio, será que o juiz aceita essas condições como “atenuantes” e determina uma pena menor?

JF

domingo, agosto 26, 2007

Família Jacaré é "show"


Alô, amigos.

Esta é uma mensagem diferente. Não é uma historinha. É um convite para um "show".

O quê?
Show "Nós, os Jacarés". Aproximadamente uma hora e quinze minutos de muita alegria, música brasileira tradicional e "causos".

Quem?
O grupo Família Jácaré, claro! É um grupo de vinte parentes que compõem um... Um quê? Um sexteto: Vô Zeca Jacaré, Vó Nina Jacaroa, Lu Farias Jacaroa, Vagner "Rodapé" Jacaré, Juliana Jacarete e Vanessa Jacarete. Como pode? Venha ver o "show" para saber como é isso. Três gerações de uma mesma família cantando juntos.

A Direção artística?
Ahhh! Tato Fisher! Pianista, cantor, compositor, mágico, professor dessas artes todas, regente do grupo coral "Amídalas Cantantes", radialista, diretor teatral, diretor musical... Pensam que é só? Não! Participou do grupo inicial dos "Secos e Molhados".

Que mais?
A "abertura" do "show" será o quadro "O malandro e suas encrencas", com os cantores Frederico Santiago, Flavia Greco e Tânia Clemente. No teclado, Tato Fisher.

Quando?
No dia 29 de setembro (sábado), às 21 horas.

Onde?
No "Espaço Vila Teodoro", Rua Teodoro Sampaio, 1229, quase esquina da Av. Henrique Schauman, pegado ao Banco Itaú. Existem dois estacionamentos para deixar os automóveis, um em cada lado da rua, no quarteirão anterior. Não haverá problema, pois "os astros" me garantiram que, nesse dia, não choverá (se chover, eles terão que me devolver o dinheiro das velas que eu já acendi!!!...).

É isso, gente! Venham saber como pescar um tubarão, ou uma traira, no interior de Minas Gerais. Venham, também, saber por qual motivo "trabaiá é pecado!"... Ou, ainda, "u qui é qui minha muié teim, que as ôtra num teim!". E... "pru que qui a muié mi deixou"? Tudo isso será contado e cantado no "show".

Aguardamos vocês.

JF
(conhecido, nos meios musicais, por Vô Zeca Jacaré! EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE)

quarta-feira, agosto 22, 2007

Eu não consigo entender "arte" sem compartilhamento.
O pintor e o escultor fazem suas pinturas e esculturas para expô-las a outras pessoas. O poeta escreve poemas para serem lidos por outras pessoas. O compositor compõe músicas para serem ouvidas por outras pessoas.

Beethoven, o gênio que compõs suas principais sinfonias já em estado de surdês, também media sua obra pela recepção que o público dava à mesma. Seus biógrafos contam que, quando da estréia de sua monumental nona sinfonia, ao terminar a apresentação, Beethoven, que fizera a regência da orquestra executante, começou a recolher suas partituras sem ouvir, atrás de si, o público que o aplaudia entusiasticamente. Foi preciso que os músicos da orquestra, também totalmente entusiamados com aquela que, até hoje, é considerada como uma das principais obras primas da humanidade, em todos os tempos, o virassem para que ele visse a reação do público, em pé, aplaudindo-o. E foi assim que o grande compositor, totalmente emocionado, compreendeu a grandeza do que acabara de apresentar.

Evidentemente, o Família Jacaré não é composto de gênios como Beethoven, Michelangelo, Shakespeare, Camões, Caruso, e outros tantos artistas geniais. Mas, fazemos a nossa "artezinha". Isso fazemos! E, como tal, gostamos de apresentá-la às pessoas. E, quando percebemos que estamos agradando, isso nos dá prazer e serve de incentivo para melhorarmos sempre.

Ontem, às duas da tarde (terça feira), fizemos nossa apresentação em um programa na Radio Pax, emissora que transmite via Internet e é mantida por uma entidade de cunho esotérico, aqui em São Paulo.

A primeira coisa que chama a atenção, no nosso grupo musical, é o fato de sermos seis pessoas de três gerações diferentes, de uma mesma família. A noção "família", para o brasileiro, é uma coisa muito forte, admirada, e que chama muito a atenção. Outra coisa que chama a atenção sobre o grupo é o fato de serem músicas brasileiras antigas, alegres, daquelas que remetem as pessoas a boas lembranças de seus passados. Finalmente, chama a atenção o fato de três gerações estarem se apresentando de forma totalmente descontraída, igual, sem preocupações de vedetismo de uns ou outros, cantando com muito prazer. Divertindo-se, mesmo. É uma alegre festa familiar.

Para a apresentação na Rádio Pax, fôramos convidados pelo Tato Fischer, para sermos entrevistados em seu programa semanal e para cantarmos três músicas de nosso repertório. A entrevista acabou se estendendo e foram apresentadas umas dez músicas. Com isso, a apresentação se estendeu por por uma hora e quinze minutos, tendo, inclusive, sob olhares aprovadores da sua apresentadora, avançado em quinze minutos do tempo do programa seguinte.

Coincidentemente (ou não!), o locutor Tato Fischer, que foi integrante do grupo musical "Secos e Molhados", um amigo muito querido, além de cantor, compositor, instrumentista, mágico, professor de canto, diretor musical, diretor teatral, e outras qualidades, é o nosso Diretor Artístico e fã entusiasmado.

O programa começou muito bem, com nossa música de abertura "Jacaré", do compositor gaucho Paixão Cortes. Em seguida, relatei a composição dos "vinte parentescos" que unem os componentes do grupo. O Tato, brincando, desafiou os ouvintes a advinharem qual era o número exato de componentes do grupo. Não demorou muito para chegar um e-mail com a primeira resposta: OITO! Mais que a resposta errada, o que chamou a atenção foi o nome do remetente, Antonio Prenholato, nosso amigo orquidófilo de Brasília. Ao percebermos que os amigos estavam atentos ao programa, o "astral" do grupo, que já estava alto, subiu para mil!

Certa vez, o Prenholato postou, na lista NESO, uma crônica de sua autoria com uma história de uma pescaria. Essa história, de um humor muito fino, nós a adaptamos e a incorporamos ao repertório do Família Jacaré, sob a forma de um "causo" representado por mim e pela neta Vanessa (o "cumpadi Antonho"). Não estava prevista a sua apresentação na Rádio, mesmo porque, como é "representação", muito de sua graça estaria perdida. Porém, até hoje o Prenholato só ouve falar da história e ainda não a assistiu. Não podíamos deixar passar a oportunidade. Assim, na hora, de improviso, apresentamos uma versão "para rádio", especialmente dedicada ao ouvinte Antonio Prenholato! hehehehehe!

E, dessa forma, improvisado e informal, o programa foi se desenrolando.

Para uma das músicas, bem ao estilo das antigas emissoras de rádio do interior - "Fulano dedica a música tal para ciclana" - nós apresentamos o "Rede de Varanda", de João Bá e Gereba, e a dedicamos à Maria Rita, nossa querida amiga do Rio de Janeiro. É que a música retrata um cenário do vale do Rio Paraiba fluminense, na região em que a Rita tem sua casa de campo. O detalhe da dedicatória foi notado pela querida amiga Ariane, também carioca e que "assistiu" o programa, e comentado por ela na lista NESO. Pena que a Rita, no momento da apresentação, estivesse "brigando" com o técnico do computador e tivesse ficado impossibilitada de ouvir. Rita, ainda apresentaremos essa música a você, "ao vivo".

Outro momento muito significativo para nós foi quando recebemos da técnica do programa a comunicação de que chegara um e-mail do nosso amigo Júlio Betti, daqui de São Paulo, inclusive tendo anexado uma foto de uma apresentação nossa em sua casa.

O Júlio, grande violonista, juntamente com sua esposa Doris e a filha Juliana, ambas cantoras com vozes muito bonitas, uma família muito linda, costumava promover em sua casa saraus musicais. Esses saraus, interrompidos por motivo de doença em família, deverão ser retomados em breve. Foi frequentando essas reuniões na casa do Júlio que nos sentimos incentivados a dar prosseguimento ao grupo musical Coral do Jacaré, surgido um ano antes e praticamente paralizado, após duas únicas apresentações, de duas músicas, numa sala de música via-Internet.

Assim podemos dizer que o Júlio, mais a Doris e a Juliana, são padrinhos do Família Jacaré, nosso nome atual. E foi gratificante saber que ele estava atento à nossa audição.

Aliás, por falar em padrinhos do grupo, nosso primeiro padrinho é nosso amigo de Brasília, o Bernardino Damião. Durante todo ano em que estivemos "em recesso", de nossa segunda audição, na Internet, ouvida pelo Damião, até o ressurgimento, na casa do Júlio, ele nos ficou cobrando "a volta" e a gravação do CD. Grande Damião! Obrigado, amigo! Você é um dos responsáveis, aliás o primeiro responsável incentivador, do grupo.

Outro momento importante e de emoção, durante o programa, foi a chegada do e-mail da Dulce Valverde, compositora com algumas letras musicadas pela Lu. A Dulce estava acompanhando o programa nos Estados Unidos e fez questão de nos felicitar durante a audição.

Sabemos que outros e-mails chegaram à produção do programa, durante nossa apresentação. Mas, somente estes três nos foram repassados. De qualquer forma, agradecemos a todos os que se manifestaram. E, logicamente, a todos os que ouviram, mesmo não tendo se manifestado. Sabemos que muitos amigos não puderam ouvir por estarem sem disponibilidade de equipamento, no momento da audição, ou por qualquer outro motivo. Mas, só de sabermos que, ouvindo ou só em pensamento, eles estavam conosco, para nós é uma satisfação muito grande.

E, assim, tivemos mais uma apresentação. Mais uma etapa! Outras já vem vindo por aí, já com várias audições programadas até o final do ano, nesse caminho que adotamos para levar alegria às pessoas, para ficarmos satisfeitos conosco mesmos, e para, dentro de nossas pequenas possibilidades, mantermos viva a memória de antigas músicas que fazem parte da cultura brasileira.

É assim que compartilhamos com vocês nossas cantorias, nossa forma, ainda que pequenina, de fazer arte. E também compartilhamos nossa amizade e amor.

Abração

JF
ou Zeca Jacaré
dependendo da lista (hehehehehehehe)
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Postado, no dia 22/08/07, também nas listas NESO e TatoFischer

quinta-feira, agosto 09, 2007

Romance de uma arara e de um ororo

Gentas e gentos.

Qual é o masculino de arara? Vocês sabem, aquele bicho voador com um empenamento todo colorido. Acho que dizer "ororo" é um tanto forçado, né mesmo? Bem, vamos supor que seja "araro". Ao menos é como definíamos o Jô.

Esta história começa ali pelo final dos anos setenta, início dos oitenta.

A casa de meus pais, no Itaim-Bibi, aqui em São Paulo, estava no meio de um enorme terreno de 1.200 metros quadrados. Meus pais, vocês estão já cansados, de saber, eram do interior. Minha mãe, sãocarlense, a terra do Zé Roberto. Meu pai era de Dourado, bem no centro do estado, mais precisamente do distrito de Itaju. - Um dia ele quis mostrar aos filhos sua cidade. Foi tanta gozação, tanta risada, que não voltou mais lá! Mas, isto é outra história. Voltemos a falar de araras.

Naquela época, o Itaim-Bibi ainda estava começando a crescer verticalmente. Ainda existiam casas com enormes quintais. O nosso, particularmente, era um enorme pomar. Tinha três jabuticabeiras, bananeiras, uma nespereira, mamoeiro. E outras coisas. Tinha até um famoso chuchuzeiro que foi "morrido" misteriosamente, como eu (me parece!) já contei aqui.

Com essa semi-floresta, era natural a vinda ao quintal de muitos pássaros.

Um dia, apareceu por lá uma enorme arara vermelha. Provavelmente fugitiva de alguma gaiola, a coitada estava em mísero estado, demonstrando muita falta de cuidados dos donos com o animal.

Ora, dizem por aí que o que cai na rede é peixe. Óbvio que não saimos pela rua perguntando quem perdera uma arara. Embora, se aparecesse alguém que provasse que era o dono do animal, certamente o levaria embora. Mas, apesar de toda a gritaria que a arara estava acostumada a fazer, ninguém apareceu. Sorte nossa! E da arara!

Bem tratada, logo ela recuperava a beleza de suas penas e a sua natural alegria. Solta no quintal, com água, comida e uma boa "cama", ia de árvore em árvore e por lá foi ficando. Considerou-se em uma nova casa.

Um dia, passados vários anos, a casa foi vendida para que fosse levantado, no local, um edifício de 17 andares. Soubemos, depois, que as três jabuticabeiras foram tiradas com o máximo cuidado e transportadas para o sítio de um dos donos da construtora, onde elas devem estar vivendo muito bem, até hoje. Quanto à arara, mudou-se lá para Itatiba, no sítio de meus pais, onde se encontra até hoje.

Existem muitas histórias engraçadas da arara, mas que deixo para contar em outra ocasião para não me alongar. Afinal, o que quero, mesmo, é contar sobre o Jô.

Entretanto, antes de falar nele, ainda devo dizer que, de vez em quando, a arara botava ovos e cismava de chocá-los. Fazia um ninho embaixo de um armário da cozinha e lá ficava. Lógico que, os ovos não sendo "galados", não nasciam ararinhas ou ararinhos. De vez em quando, minha mãe, com pena do instinto maternal da arara, colocava no meio dos ovos dela algum ovo de garnizé. Estes eclodiam. E a arara os tratava como se seus próprios filhos fossem. O pior é que esses garnizés acabavam por adquirir costumes ararísticos. Quase esqueciam que, de verdade, eram galináceos. Só não aprendiam a falar.

Foi então que meu pai resolveu atuar na criação e transformar-se em agente da natureza.

Diz a Bíblia que Deus, depois de criar o homem, disse: "Não é bom que o homem fique sozinho!". E criou a mulher. E daí, vocês sabem no que deu: namoro, casamento, filhos.

E meu pai disse: "Não é bom que a arara fique sozinha!"

Pergunta daqui, pergunta dali, conseguiu comprar um araro (vocês têm certeza que não é ororo, não é mesmo?), ao qual foi dado o carinhoso nome de Jô.

O Jô vivia empoleirado pelas árvores. Descia para comer e dormir em seu canto. Incrível era a sua capacidade de imitar as vozes das pessoas.

Meus pais, já com a idade avançando, logicamente foram incorporando hábitos próprios da velhice, tais como a ranzinzice e a teimosia. E, às vezes, discutiam entre si, cada um querendo ter mais razão que o outro. Isso, evidentemente, era um bom motivo de "gozação" de filhos e netos, pois, dalí a pouco, lá estavam os dois de mãos dadas assistindo a algum programa de televisão.

Certa manhã, alí pelas seis da madrugada, depois de já ter sido acordada às três pelos galos que vinham cantar sob a janela de nosso quarto, a Nina acorda com o barulho de uma discussão meio inteligível de meus pais.

" Amélio! Vo..." E não dava para entender o que minha mãe falava. Mas, a resposta era imediata:

"Amélia! Vo..." E também não dava para entender o que meu pai respondia.

"Começaram cedo..." pensou ela bem baixinho, para não me acordar.

Naturalmente, essas formas de acordar no meio da noite fazem com que os instintos naturais se manifestem e as pessoas sintam vontade de ir ao banheiro. A Nina, moça normal e saudável, logicamente, levantou-se para ir... "lá". Ao passar em frente ao quarto de meus pais, percebeu que os dois dormiam a sono solto, apesar de, fora da casa, a discussão continuar correndo solta. Isso merecia uma investigação cuidadosa. Pois não é que o Jô, no alto de uma árvore, ao lado da casa, era o protagonista único da discussão? O bandidinho sabia imitar a forma de falar de meu pai e de minha mãe. E lá ficava ele, no alvorecer do dia, se divertindo na representação teatral de uma "briga" dos Amélios.

Mas, voltemos ao principal, que a história já está longa: o namoro, o casamento, os ararinhos e as ararinhas tão ansiosamente aguardados.

Bem, o desfecho foi outro, bem diferente do esperado.

Nada de namoro! Nem chegavam perto um do outro.

Depois de muito pesquisar e perguntar, soubemos da verdade: as araras, quando formam um casal, ficam fiéis entre si até à morte dos dois. Mesmo que um dos dois venha a morer, o outro nunca mais buscará um companheiro. Não é bonitinho? Que coisa mais lindinha! Podia ser isso! Vai que um dos dois já fora casado, anteriormente? Não seria mesmo possível a união entre eles. Teriam, talvez, os dois sido casados em tempos anteriores? Afinal, os dois eram adultos quando chegaram ao nosso convívio. Não dava para saber. A única coisa que se sabia é que nenhum dos dois procurava aproximar-se do outro. Ignonoravam-se, mesmo.

Mas, as dúvidas sempre ficam. Pergunta daqui, pergunta dali, e, um dia, nova explicação. Eram araras de espécies diferentes. Realmente, a arara era vermelha e o Jô era azul. Mas eles têm preconceito disso? Bem, era como se se quisesse casar um cão pastor alemão com uma gata siamesa. Ou quase isso. Enfim... Vocês entenderam. Era impossível o casamento. Especies diferentes!

Agora já tínhamos duas boas razões para crer na impossibilidade de romance.

O Jô, infelizmente, depois de anos e anos de vida boêmia pelas árvores do sítio, inclusive praticando um esporte radical que ele adorava: ficar sob a chuva, tanto fazia se fosse um simples chuvisco ou uma tremenda tempestade de verão, adoeceu e morreu. Disse a veterinária que foi de pneumonia, em razão do excesso de chuvas que ele tomava. A arara, como já disse, está por lá, passeando, dando suas voltinhas nas árvores, ensaiando vôos. É uma verdadeira viuva alegre.

Mas, para terminar de falar sobre o Jô. Um dia, tivemos a terceira razão pela qual nunca daria certo o casamento entre eles. O Jô botou um ovo! O Jô não era Jô. Era Já!

Abração
JF

A propósito de Galos e Galinhas

Gentas e gentos.

Se existe um bicho burro, mas burro mesmo, o nome dele é galinha!

Tenho trauma de galinhas. Falo sério!

Talvez isso venha da infância. Imaginem ser filho de pais vindos do interior do estado, numa época que São Paulo, apesar de grande, era uma cidade... vamos dizer assim: um tanto provinciana. Isso lá pelos idos da década de 40. Não no início, lógico, que eu ainda não havia nascido, mas já para os anos 40 finais. É óbvio que no quintal de minha casa tinha um galinheiro. Aliás, naquela época, a maioria das casas tinha um galinheiro no fundo do quintal. Não se compravam ovos no supermercado. Nem existiam supermercados, ainda era a época dos "armazéns de secos e molhados". Os ovos vinham do fundo do quintal. E, de vez em quando, meu pai ia ao galinheiro, pegava uma galinha, torcia o pescoço dela e a deixava pendurada de cabeça para baixo, terminando de estrebuchar.

Nem sei o que significa estrebuchar, mas era como deixavam a galinha. Depois que terminava o estrebuchamento, davam um banho de água fervendo na galinha e retiravam suas penas (que eram guardadas para encher travesseiros). Depois disso, a galinha acabava aparecendo na mesa, já pronta para ir para o prato.

Hoje em dia é tudo mais simples. Vai-se ao supermercado e compra-se a galinha, que agora é chamada de frango, já prontinha para a panela. Não imagino como eu faria para estrangular uma galinha, pô-la para estrebuchar, dar-lhe banho de água fervendo e, ainda por cima, arrancar-lhe todas as penas.

Um dia, isso eu não lembro, apenas conto porque é história que corre na família, eu com uns três anos de idade, aprontei alguma coisa e minha mãe ameaçou de me fazer dormir com as galinhas.

Não sei se foi o complexo de culpa ou o quê. O fato é que, lá pelas tantas, deram por falta de mim.

"Onde foi parar o Zé?"

Quando foram olhar no quintal, lá estava eu no galinheiro, me preparando para dormir com as galinhas.

O fato é que, com tudo isso, agora, galinha, ao menos para mim, é só aquela vinda do supermercado. Digo isso, mas, lá no fundo, bem que tenho a idéia, de quando for morar no sítio, reativar o galinheiro. Com poucas galinhas, lógico, mas, isso é outra história.

Quando meus pais compraram o sítio, em 1970, as galinhas, lá, eram mais comuns que tico-tico. Como elas não ficavam presas, tinha galinha por tudo quanto era lado. Galinhas comuns, galinhas caipiras, garnizés. Chego quase a imaginar que era a totalidade da fauna itatibense, de tanto que tinha galinha. E elas botavam ovos prá tudo quanto era lado, para alegria geral dos gambás e outros animais, aí incluidos, evidentemente, os empregados do sítio. E era um tal de galinha aparecer com uma ninhada de dez, doze e até mais pintos. Era um verdadeiro escândalo! O drama é que minha mãe, depois de ter passado dezenas de anos com apenas um pequeno galinheiro no quintal, agora se via como a protetora universal das galinhas soltas e liberadas. Dizia que era ótimo para acabar com bichinhos. Até podia ser, pois em qualquer lado do sítio que a gente ia tinha multidões de galinhas ciscando pelo chão.

E os galos? De monte! Começavam a cantoria às três da madrugada. Debaixo da janela do nosso quarto. É por isso, inclusive, que a Nina odeia galinhas e galos (ainda não contei para ela que eu pretendo reativar o galinheiro, hehehehehe!, se bem que em quantidades educadas.).

Uma ocasião, levamos o Rackan ao sítio.

Antes de continuar, deixem-me falar quem era o Rackan.

Rackan era um cachorro pastor alemão. Ganhei de uma aluna. O filhote tinha sido desmamado aos vinte dias e trazido de uma fazenda de Bauru para São Paulo. Chegou mirrado, carregado de carrapatos e vermes. A Nina trabalhou muito bem para que ele pudesse sobreviver e se transformar num lindo pastor alemão "capa preta". A intenção era de levá-lo para o sítio. Mas, ele foi se criando no apartamento e nós não quisemos mais ficar longe dele. Dessa forma, Rackan foi um lindo cão pastor alemão "capa preta" de apartamento.

Agora, vocês imaginem um "partorzão" entrar num carro, saido de um apartamento na 9 de Julho, aqui em São Paulo, e descer em um sítio em Itatiba. Ele nem imaginava que pudesse existir tanto espaço!

Pois foi o Rackan descer do automovel e o que aparece bem na frente dele? Um galo! Lógico que ele não sabia que aquilo era um galo. Nem sabia que existiam galos. O máximo que ele conhecia, e corria atrás, eram alguns pardais que cismavam de aterrizar no terraço do apartamento. Um "pardal" daquele tamanho? Não! Isso tinha que ser investigado. E lá foi o Rackan, em desabalada carreira, atráz do "pardalzão" colorido. Obviamente, a curiosidade, se é que podemos chamar assim, era muito mais forte que nossos chamamentos imperiosos para que voltasse. Alguns minutos depois, o Rackan apareceu com o "pardalzão" pendurado, preso em sua boca pelo pescoço, já prontinho para receber o banho de água fervente e passar pela rotina do "despenamento".

Nem preciso dizer que minha mãe ficou uma "fera". hehehehehehehe! Mas, perdoou logo. A paixão dela por animais era imensa. Inclusive por cães pastores alemães curiosos.

Naquela época, em que os caminhos do sítio não tinham todo o calçamento que têm hoje, chovia demais (até o tempo mudou e já não é mais o mesmo!). Ao redor da casa ficava um tremendo lamaçal. Quando vinha o sol, a lama secava e formava enormes torrões de terra.

Num dos lados da casa, havia um barranco com diversas jabuticabeiras e algumas outras árvores que, naquela época, ainda eram relativamente baixas. Pois era nessas jabuticabeiras e árvores que as hordas de galinhas se empoleiravam, no final da tarde, protegidas pela ramagem espessa, para passar a noite. E era nessa hora que entrava em ação o Super X, o "terror das galinhas".

Super X, que a Luciana e o Adriano juram que era eu, garanto que não me lembro ao certo, chegava sorrateiramente, escolhia um grande torrão de terra no chão, e o atirava, com muita força, bem no meio da copa de uma das árvores. O torrão batia na árvore e como quê explodia, espalhando aquele monte de terra por entre as galinhas.

Gentas e gentos. Era engraçadíssimo ver aquele bando de galinhas assustadas, apavoradas e cacarejantes sairem esvoaçando por tudo que era lado da árvore. A Lu, o Adriano e eu caíamos na gargalhada... Eu não! O Super X, que eu seria incapaz de fazer uma maldade dessas.

A reação imediata à barulheira das galinhas era o aparecimento, em cena, de Dona Amélia.

"Que foi que aconteceu?"

"Sei não! Isso, na certa, é gambá querendo pegar as galinhas na árvore.

Realmente, galinha é um bicho muito burro! Mas eu ainda vou criar umas galinhas lá no sítio (não contem para a Nina que ela é capaz de querer cortar meu barato). Só que ficarão trancafiadas no galinheiro. E, se começarem a gritar e a voar esbaforidas, que ninguém me venha com a história de gambá. Vou querer saber, direitinho, quem é que está atirando bolotões de terra nas galinhas!

JF

quinta-feira, agosto 02, 2007

Cia. Estradas de Ferro Glória do JF

Gentas e gentos.

Depois de muito meditar, resolvi partilhar com vocês a possibilidade de participarem de um empreendimento de um alto grau de lucratividade. Pelos meus cálculos, de 40 a 50% de rendimentos AO MÊS! Não é venda de avestruz! Trata-se de um negócio com garantias de lucros, para ninguém botar defeito. É por o dinheiro agora e aguardar o início das atividades da empresa, que já lancei. Estou recebendo as importâncias que serão todas contabilizadas como "adiantamento para aquisição de Ações Preferenciais Nominativas" da Cia. Estradas de Ferro Glória do JF. O JF no nome da empresa se justifica: EU tive a idéia e EU serei o Presidente da Companhia. Naturalmente, deverá haver um pouco de paciência relativamente ao retorno do capital investido, sob a forma de dividendos mensais. Por enquanto, estou na fase de desenvolvimento do projeto e lançamento da Cia. E venda das ações (com o correspondente recebimento do dinheiro dos investidores). Depois disso, quando ocorrerem as condições favoráveis, será construída a ferrovia. Com o início das operações, haverá muito transporte de cargas e pessoas, o que, em "investimentês", significa: $$$$$$$$$$. Ou seja: lucros certos.

Vocês sabem que, no início, no planeta havia um único continente: Gondwana, ou algo assim. Com o passar dos tempos, os continentes se separaram e os mares foram invadindo os espaços abertos entre eles, formando os oceanos. A América do Sul destacou-se da costa africana e foi se afastando cada vez mais, até chegar à enorme distância que, hoje, separa esses continentes. Uma parte dos Oeceoclades maculata (*) ficou do lado de lá, já que eles não sabem nadar. Isso os impede de voltar.
Entretanto, fidedignas fontes, me garantiram que esse movimento de "afastamento" dos continentes não parou. NÃÃÃÕOOO!!! A América do Sul continua nesse processo de afastamento da África. A cada ano, alguns centímetros são acrescidos a essa distância que separa os continentes.
Entretanto, sabemos que nosso planeta é uma bola (ou, melhor dizendo, uma pêra, pois é mais achatado no pólo norte e mais pontudo no pólo sul). Se fosse simplesmente uma placa, como pensavam os antigos, haveria um momento em que a América chegaria à beira do precipício e cairia. Mas, como é redondo (ou pêrico), o que vai acontecer? Num determinado momento, lá no futuro, depois de cruzar o Oceano Pacífico, a América irá bater do outro lado de Gondwana. Ou seja: a América do Norte irá trombar com o Japão, Filipinas, China. A América do Sul irá bater na Austrália. Certo???? Certíssimo!!!!! Como 2 e 2 são 22!

E foi aí que me chegou a brilhante idéia. Vocês já imaginaram uma estrada de ferro ligando Rio de Janeiro a Sidney? Não???? Pois eu já imaginei! Sensacional!!! E foi assim que pensei na construção dessa estrada de ferro intercontinental. O custo não será muito alto, já que, nessa ocasião, o mar terá desaparecido, encurtando a distância em muitos milhares de quilômetros. E resolvi colocar todos vocês como meus sócios nesse empreendimento maravilhoso, de grande envergadura, e, sobretudo, de lucro certo! Tão logo os continentes se encontrem, começaremos as obras da construção. Mas, as ações preferenciais nominativas, sem direito de voto mas com garantia de recebimento de dividendos, já estão sendo lançadas, para que possamos pagar as despesas com registros, patentes, projetos, etc.

Assim, estou lançando no mercado lotes de ações da nova empresa:

1.000.000 de ações PN, a R$1,00 por ação, no lançamento, com deságio, estão sendo ofertadas por RR$100.000,00. Um grande negócio. Ninguém pode perder! Deságio de 90%! Quando a estrada de ferro entrar em funcionamento, valerão, nas Bolsas de Valores do mundo todo, pelo menosR$2.000.000,00;

É barato! Mas, vocês estão descapitalizados? Não tem problema. A satisfação dos sócios está em primeiro lugar. Não esqueçam que esta é, autenticamente, uma ação entre amigos:

1.000.000 de ações PN, a R$1,00, cada uma, por R$ 10.000,00. Não existe negócio com melhores perspectivas. Pensem bem!

Não dá? Ainda está pesado? Tá legal! Tá legal! Faço o mesmo lote de ações PN por R$ 1.000,00.

Mesmo assim, vocês ainda não têm disponibilidades? Que tal R$ 100,00? R$ 10,00?

Cês são duros, mesmo, hein? Tá bom! R$ 1,00 pelo lote de 1.000.000 de ações PN da Cia. Estradas de Ferro Glória do JF.

Nããããããooooo??????? Por isso que odeio pobre! Ceis nunca têm dinheiro!

Azar de vocês. Vou lucrar sozinho

JF

Em tempo: gentes, eu aceito o pagamento em vale transporte, vale-refeição, vale do fome-zero...

(*) Oeceoclades maculata – espécie de orquídea terrestre encontrada no continente americano, desde a Argentina até o sul dos Estados Unidos, e, também, na África.

Publicado, originalmente, na lista NESO de discussão (Yahoo), 01/12/2005.