terça-feira, maio 31, 2011

UMA COBRA NA CIDADE GRANDE

Lá pelos primeiros anos de sítio, nos anos 70, tínhamos muitas cobras pelas proximidades da casa. Posteriormente, com muita limpeza no entorno, conseguimos, praticamente, acabar com os ratos. E, com o fim dos ratos, as cobras foram sumindo. Hoje em dia, ainda aparecem, mas são raras.


Mas, naqueles tempos, imbuído de muito espírito cívico, em costumava capturar cobras e entregá-las ao Instituto Butantã, em São Paulo, para a utilização na produção de soro anti-ofídico. Também capturava aranhas para entrega ao Instituto Butantã. E, para mim, arrastou-se pelo chão era cobra perigosa. Escondeu-se atrás de algum tijolo ou pedaço de madeira, era aranha venenosa. E, nessas condições, o destino de cobras e aranhas capturadas era sempre o Instituto Butantã. Capturava a bicharada no final de semana e, segunda feira, lá estava eu entregando as caixas no Instituto.

Naquela época, eles tinham por norma (devem ter, ainda) enviar um cartão agradecendo a remessa e identificando o animal enviado. Muita gentileza, embora o agradecimento demorasse vários meses para chegar. E, quando chegava o cartão, às vezes havia alguma surpresa, como por exemplo: a cobra era uma inofensiva “limpa-campo”. Ou, então, a cobra era nada mais nada menos que uma “cobra cega”. Que, na verdade, não é cobra e, sim, um lagarto. Mas, como é que eu iria saber? A cobra aparecia e eu já saia correndo com uma caixa de papelão que jogava sobre ela. Depois, era uma tremenda ginástica para fechar a caixa, sem que a cobra fugisse. Lógico que, depois, eu fazia uns furinhos na caixa para que a coitada respirasse. Afinal, e se ela fosse asmática? Precisaria de muito ar.

Quando eu levava a bicharada em horário de expediente, em geral, eles abriam e davam a classificação na hora. Mas, quando era horário de almoço, entregava para alguém que estava por ali, pessoa não autorizada a abrir, deixava nome e endereço, e aguardava.

Certa vez, capturei uma tremenda cobra. Bem, não muito grande. Estava mais para média. Mas de estatura pequena... Tá bem! Era uma cobrinha. Talvez uns 60 ou 70 centímetros de comprimento. Ao entregar a caixa, o funcionário balançou e comentou:

“Nossa! Esta deve ser enoooormeee!!”

Saí de lá com raiva do sujeito. “Vai gozar da cara da mãe”, pensei comigo mesmo.

Nessa época, como eu tinha uma família de dois filhos e uma esposa que, ao viajarem por dois dias, faziam questão de levar bagagem suficiente para dois meses (é hoje que a Nina me bate!), eu tinha uma Variant que, além daquele baita espaço traseiro para malas e outras bagunças da família, tinha, também, um porta-malas na frente, que era onde eu carregava minhas tralhas (também tinha meus direitos, né?), inclusive caixas com cobras e vidros com aranhas.

Lembro até hoje. Foram dois meses depois de o engraçadinho brincar com o tamanho da cobra que eu levara. Mandei fazer uma lavagem total do carro. Quando o lavador foi tirar o estepe de dentro do porta-malas dianteiro, ao levantar o pneu, deu de cara com a cara de uma cobra descarada. O susto foi tão grande que ele mudou de cor, na hora. Ficou mais verde que camisa de palmeirense, depois ficou mais azul que o céu de anil brasileiro, aí ficou mais vermelho que telhado de casinha desenhada por criança de pré-primário... Enfim, passou por todas as cores do arco-íris em questão de fração de segundos. Vocês já pensaram num cara todo distraído, assobiando o hino de Corínthians, e, de repente, encontrar uma cobra habitando o porta-malas dianteiro de um VW-Variant? Não é brincadeira! É de assustar qualquer marmanjo.

Todo mundo que estava num raio de uns 238 metros de distância do carro veio apreciar a cobra. Já estavam a ponto de chamarem bombeiros, polícia, fuzileiros navais, quando alguém olhou melhor e disse: “Mas ela está morta!” Não só morta, como seca. Devia estar ali havia muito tempo.

Só sei que fiquei bastante tempo tentando imaginar como é que uma cobra iria escalar meu carro para ir instalar-se atrás do pneu de reserva. Ainda bem que, por aqueles tempos, não furou nenhum dos pneus titulares. Até que, uns meses depois, ali por 03 de setembro de 1976, recebi, do Instituto Butantã, o costumeiro cartão, com as anotações datilografadas: “RECEBEMOS E AGRADECEMOS sua remessa de 19/4/76 – serpente nenhuma: caixa VAZIA”.

Gentes, desculpem-me! Pela humanidade sou até capaz de fazer outras benemerências. Mas, carregar cobras, no meu carro, nunca mais! Não me peçam!


          -          -          -          -          -          -          -
VOTEM NA MAZÉ!


Pessoal, minha amiga Mazé, do blogue http://umpensamentovirtual.blogspot.com/ está participandode um confronto e está precisando dos nossos votos. É só entrar no endereço http://dado.pag.zip.net/ . Aparecerá um quadro central. Nesse quadro, rolem até o Confronto 6 e cliquem no nome da Mazé.

E não deixem de ver a postagem da Mazé. Excelente! E nos ensina a identificar os loucos à nossa volta.

- - - - - -

EDDIE WOOD ESTÁ DE VOLTA!

Gentes, esse Ed é de morte, mesmo! Eita beagle metido! Foi só eu falar, na minha postagem anterior, que ia contar como é que a Nina faz para explodir panelas de pressão que ele correu na frente e postou lá no blogue dele. Pode uma coisa destas? Verifiquem com os seus próprios olhos! É no http://edbeagle.blogspot.com/

- - - - - -

É isso aí, gentas e gentos.

Abração e até à próxima.

domingo, maio 15, 2011

"PICATA À LOMBARDA"

Meus amigos casados! Por acaso algum de vocês já foi vítima de experiências culinárias da esposa? Eu já fui! É o seguinte.


A Lu (...eeepa!) e o Adriano ainda eram pequenos. Num domingo, fomos a uma cantina almoçar. Como sempre, na hora da escolha do prato as preferências eram as mais variadas possíveis: “eu não gosto de legumes...”, “eu quero chocolate”, “quero a minha coca-cola, agora”, e por aí a fora. Pois nesse dia, a escolha geral, minha e da Nina, com a concordância forçada das crianças, foi um prato chamado “Picata à Lombarda”. Trata-se de um filé ao molho madeira, acompanhado de um arroz especial, com muito cogumelo, queijo, vinho, molho branco, e sei lá mais o quê, muito bom.

Domingo seguinte, a Nina sentenciou que iria preparar a tal de “Picata à Lombarda”. Eu ainda ponderei: ”Será que não é mais fácil irmos ao restaurante? Assim, não haverá panela prá ser lavada!”

Vocês não conhecem a Nina. Quando ela cisma... E tem que ser na hora! Munida de todos os ingredientes, ao menos ela pensava que sabia todos, começou a “operação Picata à Lombarda 1”.

Gentes, preparar a carne foi fácil. Mas, e o arroz? Ficou uma papa parecida com argamassa de areia e cimento usada por pedreiros para levantar uma parede de tijolos. Verdade! (Espero que ela não leia isto aqui!)

Resultado? Domingo seguinte, lá estávamos nós no restaurante comendo “Picata à Lombarda”, pois ela precisava entender o que era colocado no arroz.

Obviamente, final de semana seguinte, desencadeou-se a “operação Picata à Lombarda 2”. Mais uma vez, o arroz ficou aquela gororoba. Se a gente jogasse arroz para o alto, ele grudaria no teto. Juro!

Preciso contar o que aconteceu no final de semana seguinte? Adivinharam, né? Pois foi isso mesmo! Fomos à cantina comer “Picata à Lombarda”, pois ela precisava descobrir o que é que entrava naquele arroz misterioso. Arroz, ela sabia que levava. Também os cogumelos. Mas, qual era o tipo de queijo? Que tipo de vinho? E o que mais levava?

Resumindo: foi um ano comendo “Picata à Lombarda”. Semana sim, na cantina. Semana não, a gororoba lá em casa. Na verdade, depois do primeiro mês, ninguém mais agüentava falar daquele prato. Nessas alturas, já se aceitaria qualquer outra coisa, jiló, abóbora, rapadura... Mas, não! Tinha que ser a “Picata à Lombarda”, pois ela tinha que descobrir o segredo. E quem era suficientemente besta para contrariá-la?

Um dia, quando estávamos completando nosso primeiro aniversário de “Picata à Lombarda”, finalmente, ela resolveu dar uma de “esperta”. Quando o garçon se aproximou para anotar as bebidas (Sim! Nessa altura, ele já nem perguntava mais o que iríamos comer, pois já era do conhecimento geral da casa.), a Nina perguntou:

“O que é essa “Picata à Lombarda”?”

O garçon deixou o bloquinho de notas e a BIC caírem no chão e ficou olhando para ela, sem fala. Sem fala, propriamente, não. Pois ele ainda conseguiu balbuciar:

“Co... co... como?”

Bom, ele forneceu a receita, tintim por tintim, para ela. Precisei amarrá-la à cadeira, pois não queria mais almoçar na cantina. Queria voar para casa e desencadear a malfadada “operação Picata à Lombarda 27”. Com muita paciência e carinho consegui convencê-la a ficar e que deixasse a “Picata” caseira para o domingo seguinte.

E assim foi. Deixamos de ir à cantina e, por muitos anos, aos domingos, almoçávamos a famosa “Picata à Lombarda”, a da Nina.

Hoje em dia esse prato já ficou raro, aqui em casa. Mas, como ia contar a história, aqui no blogue, pedi a receita à Nina, pois acredito que muita amiga gostaria de preparar. A resposta dela:

“Sei lá! Eu já mudei tanto essa receita. Depende do que eu tiver disponível, na hora!”

            -             -             -             -             -

Pessoal, nesta segunda feira, 16, Nina e eu estaremos completando 42 anos de casamento. Se eu me arrependo? SIIIMMMMM!!! Me arrependo de não ter começado a namorar com ela mais cedo (apesar de ela quase me intoxicar com a “Picata à Lombarda”). É verdade que ela tinha só dezesseis aninhos! Se começasse a namorar antes disso, talvez dissessem que era pedofilia... Não! Tá bom como foi, como é e como continuará sendo.

            -             -             -             -             -

Vocês acharam que eu exagerei quando falei das experiências culinárias da Nina? Perguntem para minha filha, a Lu, lá do blogue “...eeepa!” Certamente ela lerá a história e confirmará tudinho. Mas, esperem até eu contar prá vocês sobre a explosão da panela de pressão, com uma lata de leite condensado dentro, provocada pela Nina. Vocês nunca mais irão duvidar dos meus relatos. Enquanto isso, façam uma visitinha à Lu, no HTTP://eeepa.blogspot.com .

Abração e até à próxima.
JF

segunda-feira, maio 02, 2011

HENRIQUE, HENRIQUE! ONDE ESTÁS?

Você, minha senhora, que passa diante de portas de WCs masculinos, em restaurantes de beira de estrada, certamente já deve ter-se perguntado “como será um banheiro masculino”?

Não tem muito segredo, não. Tem os cubículos fechados para aqueles que, digamos assim, necessitam ficar mais tempo e não podem fazer em pé. Também têm as pias para lavar as mãos, ao menos para aqueles mais asseados. Papel? Bem, em alguns banheiros masculinos tem. Mas, nem sempre. Às vezes, fica por conta do usuário. Que se vire!

Porém, WC masculino tem uma parte que WC feminino não deve ter (Acho que não tem, afinal, nunca entrei em um WC feminino prá saber!). É a parte em que os homens ficam em pé, lado a lado, para... hummm... digamos assim... satisfazer às necessidades líquidas da natureza. Embora pareça simples, esta é a parte perigosa, onde perdemos nossa privacidade. Alguns WC masculinos ainda têm uma espécie de biombo, com um metro de altura e uns trinta centímetros de largura, preso à parede, para evitar que um homem encoste no outro. Sabem como é?

Mulher é muito cuidadosa com WCs de restaurantes em beira de estrada. Com a Nina, por exemplo, às vezes passamos em frente a inúmeros restaurantes de beira de estrada até que ela entenda que um é “entrável”. Já para os homens é diferente. Segundo a Nina, “prá vocês até barranco, em beira de estrada, ou árvore, serve”. É verdade, porém muito relativo. É que, na beira de estrada, não tem ninguém olhando diretamente para o nosso... vocês me entendem!

Já, no WC masculino de restaurante de beira de estrada a realidade é outra. Cada homem ocupa o seu espaço intra-biombal e ali satisfaz às necessidades mais rápidas que a natureza lhe impõe, se é que me entendem. Mas, aí vem uma outra questão. O que faz o homem, nesse micro espaço que lhe é reservado, enquanto despeja aqueles restos de cerveja tomada na véspera?

Olhem... quero dizer: entendam, é uma situação constrangedora, pois o biombo mal chega à altura do ombro. Com isso, se olhar para o lado, o homem irá ver seu companheiro de satisfação de necessidades. E isso não é nada agradável. Se o homem olha, uma leve preocupação já se instala na mente do outro. Se diz “bom dia”, a dúvida já se instala na mente do companheiro. Se sorri... não existem mais dúvidas: “esse cretino está querendo me cantar!” Portanto a única coisa que nos resta, nesses momentos íntimos, é olhar para a frente. Para a parede. Alguns restaurantes de beira de estrada facilitam as coisas e costumam afixar páginas de algum jornal diário, em geral daquele jornal que você não gosta. Mas, numa situação dessas, você vai ligar para o jornal exposto? O jeito é aproveitar e se atualizar com alguma notícia. Para mim, que só tenho problemas de visão para distãncias, é um pouco chato, pois, para ler, não necessito dos óculos. Mas, vale o sacrifício de tirá-los. Entretanto, nem sempre os donos de restaurantes são benevolentes a ponto de nos facilitarem esses momentos de estada em seus estabelecimentos e não colocam jornal nenhum. Nestes casos, devemos utilizar nossa imaginação e encontrar alguma coisa para fazer, como por exemplo, contar, na vertical (na horizontal vamos encontrar o olhar do vizinho), quantas carreiras de azulejos existem até o teto. Outras vezes, dependendo do grau de limpeza do local, e sempre olhando verticalmente, de baixo para cima, procuramos mosquitos, pernilongos, baratas, lagartixas, e outros bichos. É que, eventualmente, um deles pode ser uma dessas micromicromicro câmeras espiãs e a nossa foto, com o... seguro em uma das mãos pode ir parar na internet. Nunca se sabe!

Mas, toda essa explicação, minha senhora, é apenas para que você entenda a situação de constrangimento a que se submete um homem, em WC de restaurante de beira de estrada, pois o intuito desta postagem é outro. Vamos aos fatos.

Dia desses, estava eu me dirigindo a São Paulo e precisei parar em um restaurante de beira de estrada para ir ao WC. Estava eu, lá, entretido em contar a quantidade de carreiras de azulejos da parede, quando escuto, na porta, a alguns metros de mim, uma voz feminina:

“Henrique! Ohhh, Henrique!”

Ninguém respondeu. Novamente:

“Henriqueeee! Henrique!”

Nada! Parece que o Henrique não estava ali. Ou então, morto de vergonha, ficou quietinho trancado em um dos cubículos fechados.

É lógico que a curiosidade bateu. Será que ela chamou o Henrique na porta, mas do lado de fora, ou teria entrado dentro do WC masculino, logo após à porta, para chamar pelo Henrique? Era só virar a cabeça e olhar, não é mesmo? Pois não é tão fácil assim. Se eu olhasse de lado, para ver a cara dela, provavelmente o que veria seria a cara do meu companheiro da baia ao lado. Ele iria, logo, desconfiar de minhas intenções e poderia não gostar. Ou poderia gostar, sei lá! Percebem como é difícil? Assim, permaneci contando azulejos até o término da operação, quando lavei minhas mãos, asseado que sou, e sai do WC masculino do restaurante de beira de estrada. Do lado de fora já não havia mais ninguém e segui minha viagem com a curiosidade não apenas insatisfeita como aumentada. O que levaria uma mulher a chegar na entrada de um WC masculino de restaurante de beira de entrada e chamar por um tal de Henrique? Muitas hipóteses me passaram pela cabeça:

- Henrique seria o filho da mulher e tinha sumido num momento de distração dela;

-Henrique seria um genro cansado da sogra rabugenta e que fugiu de fininho, sem que ela percebesse, abandonando-a num restaurante de beira de estrada;

-Henrique seria um marido de uma dessas mulheres que não param de dar palpites enquanto ele dirige “você está correndo demais”, “acho que você errou a estrada”, “que barulho (o ronco do motor funcionando) é esse que o carro está fazendo?”, e que, como no caso da sogra, saiu “de fininho”, sem que ela percebesse;

-Henrique não existiria. Foi apenas um pretexto utilizado pela mulher para entrar no WC masculino do restaurante de beira de estrada e olhar para ver como era lá dentro. Ou, pior, uma tentativa de ver o que os homens estavam segurando, na hora da satisfação das necessidades impostas pela natureza . Vocês me entendem, não é?

Enfim, essas foram as hipóteses que levantei, mas não fiquei satisfeito. Assim, peço a vocês, gentis leitoras e leitores, que me esclareçam com novas hipóteses: o que faria uma mulher chamar pelo Henrique, na porta do WC masculino de um restaurante de beira de estrada?
            _            _            _            _            _            _

PLAYGROUND DOS DINOSSAUROS

Gentes, juntei-me à Jack, ao Itiro, ao Marco Santos e ao Paulo e, agora, também estou postando no blogue "Playground dos Dinossauros"   http://www.flintstones.blogger.com.br/  Minha primeira postagem foi sobre os telefones da época em que pedíamos a ligação diretamente à telefonista. Meu nome, lá no blogue? JFlintstone. Aguardo a visita de vocês.

E, para completar a informação sobre meus blogues, também participo do blogue do Ed Wood, meu cão beagle chantagista. Como ele não consegue digitar (tem dedinhos a menos, em suas patas), ele dita (verdade!) e eu digito. O Ed (eu, também) aguarda a visita de vocês lá no blogue onde ele conta suas aventuras:
http://edbeagle.blogspot.com/
            _            _            _            _            _            _

Abração e até à próxima,
JF

domingo, abril 24, 2011

A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO

Meu primo Aparício tem lá suas lógicas próprias. E é feliz!

Dia desses, fui visitá-lo em seu sítio.

“Primo, o que é esse baita buraco que você cavou?”

“Isso daí vai ser minha independência econômica. Vou ficar muito rico.”

“Verdade, primo? E como vai ser isso?”

E primo Aparício veio com sua explicação:

“Primo, você sabia que os dinossauros e antigas florestas ficaram enterrados por  2 milhões de anos até se transformarem em petróleo?”
Eu gelei. Aonde iria dar essa conversa?

“Pois é, primo! Estou jogando nesse buraco tudo que é bicho morto que aparece por aqui, mais tudo quanto é resto de poda de grama, de plantas, de árvores, restos de frutas, de verduras, ossos de galinhas que a gente come, até cascas de ovos. Em dois milhões de anos tudo isso se transforma  em petróleo. Já pensou, primo? Um poço de petróleo bem no meu quintal? Vou ficar rico!”

“Mas, primo, dois milhões de anos é muito tempo!”

“Não faz mal! Eu sou muito paciente e espero!”

Gente, fiquei desconcertado com a força do pensamento positivo dele. E se ele tiver razão? Por via das dúvidas, já vou fazer um buraco no fundo do quintal e começar a enterrar os restos de almoço. Eu também sou paciente!
            -            -            -            -            -

A EXPOSIÇÃO DE ORQUÍDEAS DE VINHEDO/SP


Pessoal, fim de semana passado, realizamos a exposição de orquídeas do nosso Clube Amigos da Orquídea, de Vinhedo/SP, coordenada pela CAOB-Coordenadoria das Associações Orquidófilas do Brasil, e com o apoio da Prefeitura do Município de Vinhedo (nossa exposição já faz parte do calendário turístico do município). Foram quase mil plantas expostas, de 25 cidades. Menos que no ano passado. Entretanto, a exposição destacou-se pela grande variedade de espécies, o que a enriqueceu bastante. Estimativa de público: dez mil visitantes. De ressaltar, ainda, a presença de juíza do American Orchid Society, vinda especialmente para estudar a razão do sucesso de nossas exposições, tendo saído muito bem impressionada.


DOCE DE ESTRELAS


Na última postagem, coloquei o texto “Por que gosto de ser criança”, de minha amiga Lana Velasco. No texto, ela fala de um “doce de estrelinhas”, feito com carambolas. Para quem quiser, aí vai a receita da Lana:

“Oi JF,


Obrigada, por colocar em seu blog esse texto.


Doce de estrela é bem simples: ponha na panela um quilo de açucar e meio litro de água e uns cravos da índia. Deixe no fogo até ficar uma calda grossa. Corte as carambola em fatias, parecem estrelinhas, e coloque pra cozinhar na calda. Deixe que fiquem macias e brilhantes. Pronto. aí está um doce de estrelas. Toda criança gosta.


Lana”


- - - - -


PLAYGROUND DOS DINOSSAUROS


Pessoal, já está no ar minha primeira postagem do "Playground dos Dinossauros", blogue da Jack, do Itiro, do Marco. Aceitamos visitas! O endereço: http://www.flintstones.blogger.com.br/


E não deixem, também, de ver o blogue do Eddie Wood, meu cão beagle:

http://edbeagle.blogspot.com



Abração,


JF

segunda-feira, abril 11, 2011

POR QUE GOSTO DE SER CRIANÇA


Oi, pessoal!

Nós, do Clube Amigos da Orquídea ViVa, de Vinhedo/SP, sob coordenação da CAOB-Coordenadoria das Associações Orquidófilas do Brasil, e apôio da Prefeitura do Município de Vinhedo/SP, estaremos promovendo nossa 12ª Exposição Nacional de Orquídeas, com visitação pública nos próximos dias 16 e 17 de abril. No dia 15, teremos o recebimento das plantas (a partir das 7 horas) e o julgamento (a partir das 14 horas).

Local: Parque Municipal Jayme Ferragut, na entrada da cidade, para quem vem pela Via Anhanguera.

Visitação pública: sábado, das 9 às 20 horas, e domingo, das 9 às 17 horas. Serão ministradas palestras sobre cultivo. Também haverá um setor de vendas de orquídeas (foram convidados 6 produtores, o que garantirá uma enorme variedade de plantas - centenas de espécies diferentes e híbridos).

Entrada e palestras gratuitas.

Estarei no local durante os três dias. Aliás, hoje já estive supervisionando a montagem das bancadas. Está ficando bonito!
            -            -            -            -            -            -
Pessoal, gosto muito de ler textos bonitos. E se esses textos se referem a netos... Nooosssaaa!!! Vou transcrever, com a devida autorização da escritora, um lindo texto veiculado na lista de discussão NESO, no dia 25/03/11, escrito pela minha amiga Lana Velasco. Diga-se, de passagem, já é a terceira vez que reproduzo texto da Lana, pois ela sempre coloca delicadeza e sensibilidade no que escreve. Vejam, é poesia pura:

"POR QUE GOSTO DE SER CRIANÇA

Meu neto acaba de chegar aqui em casa, e entra já fazendo um pedido: Vóóo, faz um doce de estrela!!!!!


Pra quem não sabe, doce de estrela é meu doce de carambola.

Já tinha feito e fomos comer as estrelinhas lá no jardim.

Adoro ser criança!!!!!!!!!! Porque sem precisar de mágica me torno navegador dos Cosmos, piloto de corrida, comandante de navio ou simplesmente um monstro inter galático!!!!!!!!!!!!!!!

Como me divirto! se fico cansada deito-me num pedaço de nuvem e flutuo!...

Quando acordo, monto no meu cavalo alado e viajo pelas estrelas, no céu dos meus sonhos!....

Gosto de ser criança porque é como se eu tivesse nove anos e vivo neste mundo gostoso do faz de conta.

No meu mundo os objetos falam, os bichos são meus amigos, o SHEREK é de verdade e passando a minha mão pela vastidão do céu, cato estrelas para minha coleção.

Assim eu e meu neto vivemos , ele uma linda criança de 7 anos, e eu uma criança simples, alegre, e feliz de 60.

PS. sabe eu não preciso me esforçar pra essa criança aparecer. Preciso me esforçar pra que ela durma um pouco.............."
 
            -            -            -            -            -            -
 
Bom, com o envolvimento na preparação da exposição de orquídeas, estou um tanto afastado do blog e não escrevi nenhuma historinha (meu primo Aparício, que manda lembranças a todos, está lá em seu sítio, no interiorzão, e não me veio com nenhuma de suas dúvidas ou histórias. Mas, sei que ele está ruminando uma grande jogada!).

Dessa forma, apenas vou satisfazer uma curiosidade de minha nova amiga Maria Edméia, do simpático blogue  http://caderninhodamemeia.blogspot.com/  sobre minha foto com a camiseta com inscrição "Eu venci a anorexia".

Maria Edméia, pode-se dizer que, ao engordar cada vez mais, eu me afastei de qualquer perigo de ter a doença, não é mesmo? É por isso que "eu venci a anorexia". Aliás, depois que me casei, passei a engordar à razão de um quilo ao ano. Assim, eu dizia "há vinte quilos atrás..." como sinônimo de "há vinte anos atrás, quando casei..." O problema é que, sem que eu percebesse quando começou a acontecer, passei a engordar a uma razão superior a um kilograma/ano. Aí, complicou! Perdi a referência em relação ao casamento! Como minha mulher ameaçou queixar-se de assédio, na Delegacia da Mulher, pois ela já não me reconhecia de tão gordo, resolvi entrar em um regimezinho maneiro e já venho perdendo peso. De tal forma que, hoje, já não dá mais para usar como sinônimos os meus quilinhos a mais e o número de anos de casamento. Agora, já são os anos de casamento que estão disparando à frente dos meus kilogramas obtidos, desde aquele dia em que ela ficou, na porta da igreja, por mais de meia hora aguardando que eu me dignasse aparecer para casar. Mas, ela não assustou. Já estava acostumada. hehehehehehehehehe

Em tempo: a foto que ilustra o cartaz da Expo/Vinhedo é da floração de uma Cattleya labiata 'Goliath' AM/AOS, da coleção de minha amiga Edzilda 'Dê' Kawasaki, de Rolândia/PR.
Abração, pessoal.
Até à próxima.

sexta-feira, março 25, 2011

NEM TANTO AO MAR, NEM TANTO AO RIBEIRÃO!

Pessoal,

Vejam só! Na última postagem, falei sobre as dúvidas existenciais de meu primo Aparício. Pois não é que ele ficou mais famoso que eu? Os leitores do meu blogue é que começaram com o entusiasmo. Agora, com a fama, primo Aparício já decidiu: será candidato a prefeito em sua cidade lá do interiorzão. Além disso, quer fazer um filme de sua vida, contracenando com a Anne Hathaway.

“É isso, primo. Garanto que depois ela vai me presentear com um monte de bonequinhos do tio Oscar dela, como aqueles que ela distribuiu prum monte de gente.”

“Primo, ela está no Rio de Janeiro.”

“Rio de Janeiro? Diz prá ela vir me visitar no sítio que eu preparo um leitãozinho pururuca prá ela.”

Bom, eu não queria contar aqui, mas vou ter que contar. A fama dele me obriga.

Primo Aparício é pescador. Verdade! E dos bons, segundo ele. Outro dia ele me contou uma pescaria no ribeirão que passa no fundo do sítio.

“Prá começar, pesquei uma tainha de dois quilos...”

“Primo, uma tainha no seu ribeirão?” Ele não me escutou e continuou a história.

“Mas era uma tainha pequena e eu a coloquei inteirinha no anzol, prá servir de isca prá peixe maior. De repente, senti uma fisgada brava. Esperei um pouquinho e comecei a puxar. O peixe era enorme e não queria vir. Eu puxava ele pro meu lado, ele me puxava pro lado dele. Eu puxava ele pro meu lado, ele me puxava pro lado dele. E assim foi até que ele cansou e eu consegui puxá-lo prá fora da água. Era um tubarão enorme!”

“Um tubarão, primo? No seu ribeirão?”

“Você nem imagina o que tem de peixe bom lá no ribeirão! Mas o bom é que o tubarão não veio sozinho. Dentro do buxo dele, tinha dois dourados e três pintados de 20 quilos cada um, inteirinhos. À medida em que eu ia puxando ele ia engolindo tudo quanto era peixe que passava pela frente dele. E foi assim que eu pesquei seis peixes em uma fisgada só.”

“Espera, primo. E a tainha que você usou como isca, também não estava inteira? Com ela são sete peixes de uma só vez.”

“A tainha estava inteira, mas ela eu não conto.”

“Por que, primo?”

“É que com ela vai dar sete peixes e sete é conta de mentiroso. E eu não sou mentiroso!”

É verdade! Tenho que admitir. Se fossem sete peixes em uma única fisgada, eu iria duvidar do Primo Aparício.

            -            -            -            -            -            -
Gentes, essa historinha, embora em versão um pouco diferente, já me havia sido contada por meu compadre pescador Antonio Prenholato, de Brasília e foi utilizada como "causo" contado em várias apresentações do grupo Família Jacaré. Para quem não sabe, o Família Jacaré era (eventualmente ainda é) formado por um avô, uma avó e duas netas, dois pais, duas mães e três filhas, dois maridos e suas duas esposas (uma cada um!), duas irmãs, um sogro, uma sogra e um genro. Enfim, somos um sexteto composto por vinte parentes. hehehehehe


            -            -            -            -            -            -
A dúvida que fica: quem seria o pescador mentiroso: primo Aparício ou compadre Antonio Prenholato? Ou será que os dois falaram a verdade e eu, que estou duvidando, é que sou o trouxa? Sei lá!

Abração,
JF

sexta-feira, março 18, 2011

DÚVIDAS EXISTENCIAIS

Primo Aparício é uma pessoa estranha. Nasceu e cresceu em cidade bem pequena e veio para a metrópole já adulto. Até que ele tem um certo grau de estudo, mas não acredita em tudo que dizem a ele. Vocês sabem que ele não acredita que um homem pisou na Lua? Pois é isso. Não acredita e pronto. Não adianta querer explicar a ele.

O recente terremoto no Japão deixou-o desolado. Mas, ao mesmo tempo em que se preocupou  e se solidarizou com as pessoas, outras preocupações tomaram conta de sua mente.

“Primo Jota! Tão dizendo que o eixo do planeta foi alterado. A Terra inclinou mais um bocadinho! Desse jeito, nós que estamos mais ao sul, quando a terra girar meia volta, nós estaremos mais ao norte, mais perto da linha do equador, que aliás eu nunca vi, e mais perto do sol. Vai aumentar o calor prá nós!”

“Primo, não é bem assim...”

Ele não me deixou terminar. Quando primo Aparício engata uma marcha, só ele fala.

“E a hora? Tão dizendo que a Terra começou a girar mais rápida e o dia dura um milionésimo de segundo a menos. Além de ter de acordar mais cedo, não sei como acertar meu relógio, já que as vinte e quatro horas do dia não duram mais vinte e quatro horas e meu relógio é dos antigos.”

“Mas, primo...”

“O pior de tudo, primo Jota, é que o terremoto deslocou o Japão dois metros e meio em direção à América. Dois metros e meio! Desse jeito, logo eles nos alcançam!”

E aí Primo Aparício parou de falar e se encerrou em si mesmo. Não adiantava falar nada. Ele não ouviria e...

Gentes, Primo Aparício me deixou preocupado. Será que ele está com a razão? Por via das dúvidas, já vou me inscrever em um curso de japonês. Vai que amanhã ou depois, ao acordar, eu descubro que Tóquio encostou em Itatiba e eu passei a ter uma porção de japoneses sorridentes como vizinhos?
            -            -            -            -            -            -
Pessoas, o http://eeepa.blogspot.com/ mudou de aparência. A Lu (minha filha, hehehe!) fez um desenho novo para a abertura do blogue e postou mais uma de suas histórias. Vale uma conferida.
            -            -            -            -            -            -

Sayonará!
JF

quarta-feira, março 02, 2011

AINDA O VELHO COLÉGIO

Nestes últimos dias, com a proximidade do jantar de confraternização pelos 50 anos da formatura no curso clássico do Colégio São Luiz, tenho lembrado de algumas histórias daqueles tempos de passado tão longínquo e, ao mesmo tempo, um passado sempre presente na memória.

Outro dia contei a história da contusão que me "tirou" da seleção brasileira do mundial de 62. Hoje vou contar duas histórias do Miguel.

O prédio ainda era o antigo casarão da avenida Paulista, 2324, cuja fachada pegava quase toda a quadra, entre as ruas Bela Cintra e a Haddock Lobo, apenas limitado pela igreja, na esquina da Bela Cintra. Evidentemente, isso foi em uma época em que o casarão, do final do século 19 ou início do século 20, não estou certo, ainda não tinha sido derrubado na calada de uma noite, para evitar protestos de saudosistas.

Durante uma aula de física, do Padre Fortuna, velhinho amigo da turma e que tinha uma prótese de madeira em uma das mãos, por tê-la perdido em uma experiência de laboratório, o Miguel pediu licença para ir ao banheiro.

Enquanto ele estava "lá fora", uma tremenda explosão sacudiu o velho prédio.

Gentes, minutos depois surge o Miguel, mais branco que papel branco lavado com um bom alvejante e, inclusive, com um tremendo zumbido noo ouvidos. Enquanto êle estava "lá", pensando na vida em um dos reservados, se é que vocês me entendem, alguém entrou e colocou uma tremenda bomba em outro dos reservados do banheiro. Precisamente como previa e pretendia o autor, a bomba explodiu. E que explosão! Derrubou todos os azulejos do reservado, além de destruir a bacia. Isso com o pobre do Miguel devidamente acomodado dentro de outro reservado.

Mas, o que marcou mesmo o momento, foi o comentário do Padre Fortuna ao ouvir o estouro:

"Puxa! O Miguel estava mal, mesmo!"

Mas, o Miguel gostava de aprontar. Lembram que eu falei no Luiz "O Forte", halterofilista fanático, grande amigo de todos, e que fazia parte da inexpugnável zaga da seleção de futebol da classe? Aquela zaga que deixava passar todas as bolas, mas nenhum jogador adversário? Pois o Miguel desafiou o Luiz para uma luta de "Braço de Ferro". É assim: Os participantes ficam um de frente para o outro, com os cotovelos apoiados em uma superfície plana, em geral uma mesa, um pega a mão do outro e procura, sem tirar o cotovelo da superfície em que se apóia, puxar o braço do outro para a esquerda. Vence aquele que fizer o braço do outro, em sua totalidade, tocar na superfície. Evidentemente, o Miguel não teria a mínima condição de vencer o Luiz. O rapaz era forte, mesmo! A notícia do desafio correu o colégio. Na hora do recreio, veio todo mundo assistir à derrota massacrante do Miguel. Lógico que, por folia, a imensa maioria dos assistentes torcia pelo Miguel, enquanto uns pouquíssimos faziam as vezes de torcida do Luiz. Começado o jogo, ao contrário do que se poderia imaginar, o Miguel, firme e inamovível, conseguia sustentar o braço do Luiz e não caia. E o Luiz, cada vez mais ia ficando vermelho pela força cada vez maior que ia empregando. E o Miguel, só sustentando posição, com um leve sorriso trocista na boca, o que deixava o outro ainda mais furioso. E O Luiz fazia força! E o Miguel, firme como o rochedo de Gibraltar. E o povaréu já chegava ao delírio!

Bom, o Miguel lutava vestido com uma camisa de mangas compridas, abotoada nos punhos, e, ainda por cima, vestia um paletó, embora eu não lembre se era um dia frio. Escondido pelo punho abotoado, o Miguel tinha uma ponta de cinto presa ao redor do pulso. O cinto avançava por dentro da manga da camisa, atravessava por dentro dela e saia por baixo do paletó, para trás, onde três outros "sócios" seguravam o cinto e faziam uma força dos diabos para conter a força do Luiz. O qual, evidentemente, com tanta gente junta ao redor de ambos, não percebia o que estava acontecendo. Mas, aquela gente toda, que via o que estava acontecendo, estava era se divertindo às custas do pobre halterofilista desavisado que, acho, nunca fez tanta força na vida.

E, assim, heroicamente, o Miguel ia resistindo ao Golias Luiz. Até que o inesperado aconteceu. Um baita de um estalo e o cinto partiu-se em dois, arremessando os três asséclas do Miguel, agora desequilibrados com o repentino movimento, para longe. Logicamente, o Luiz em uma fração de seguno dobrou o braço do Miguel e venceu a luta. Mas vocês precisavam ver a cara dele quando percebeu o que havia acontecido. Era raiva e ao mesmo tempo satisfação por ter vencido daquela forma.

Grandes tempos! Grandes amigos!
            -            -            -            -            -
Pessoal, minha filha a Lu Farias, desenhista, ilustradora, voltou a postar seus desenhos no seu blogue específico, o  http://lucianadesenhista.blogspot.com/   Vale a pena dar uma conferida.
 
Igualmente, meu cão beagle, o Eddie Wood, aquele que me obriga a digitar seus textos doidos em seu blogue, está com postagem nova. Deve estar entrando neste momento ou em minutos. Desta vez, ele deixou de lado a sua proverbial (e falsa) modéstia, para falar da Carol, uma menina que tem prazer em recolher cães  abandonados, aqueles que não sabem nem procurar água e comida, e arrumar um novo lar para eles. Uma mensagem bem bonita.  http://edbeagle.blogspot.com/
            -            -            -            -            -
Pessoal, este adendo estou colocando após a publicação do post. Não deu para esperar a próxima blogagem, pois refere-se a uma postagem que acabo de ler em excelente blogue.

O Marcos Dhotta edita um blogue muito bom de suas lembranças e, muitas delas, lembranças de todos nós. É o blogue CARÍSSIMAS CATREVAGENS. Gosto muito desse blogue e até tenho o link para ele, aí na relação dos blogies amigos. Vale a pena ser lido e estar na relação de Favoritos. Postagens muito interessantes! A última postagem é uma crônica que precisa ser lida. Nem vou dizer o assunto. Apenas o título: DESMANTELO SÓ PRESTA GRANDE! Confiram! O endereço: http://carissimascatrevagens.blogspot.com/
 
Abração e até à próxima.
JF

terça-feira, fevereiro 22, 2011

RAZÕES QUE O FUTEBOL DESCONHECE


Gentes, em matéria de jogar futebol, eu fui um perfeito perna de pau. Mesmo assim, até que tive meus momentos de glória, convocado para o “escrete” da minha turma, na época do curso colegial, no Colégio São Luiz, em São Paulo.

Nossa turma de terceiro ano clássico era bem pequena, 21 alunos. Assim, as possibilidades de formar um time não eram das melhores. Mas, tínhamos de participar do campeonato entre as diversas séries do curso colegial: três turmas do curso clássico e mais três turmas do curso científico. Porém, se éramos poucos, éramos aguerridos. Assim, tirados os onze que compunham a seleção, os demais dez formavam uma torcida que, hoje em dia, rivalizaria com qualquer grande torcida organizada. Os dez botavam os pulmões pela goela a fora. E, na hora de xingar juiz... Os padres que ficassem longe para não aprenderem palavrões novos!

Mas, vamos ao time propriamente dito. Nós tínhamos em nosso time titular alguns excelentes jogadores, goleadores mesmo! Mas, para completar, também tínhamos algumas figuras exóticas com lugar garantido entre os onze. A começar do goleiro, o Carneiro.

O Carneiro tinha uma boa estatura para goleiro: um metro e oitenta e tantos e magro. O problema é que ele era míope e, na hora de jogar, tirava os óculos e não via mais nada. Assim, quando ele pressentia que a bola vinha na sua direção, começava a agitar os braços e a saltitar de um lado pro outro, feito uma aranha. Se desse sorte, a bola acabava batendo nele e não entrava. Se desse azar... Bem, era gol do adversário.

Mas, para garantir o Carneiro, tínhamos uma linha de zagueiros intransponível. Nenhum deles era, propriamente, um bom jogador. Mas eram eficientes. E como! A bola passava por eles, mas o adversário morria por ali mesmo. Era uma linha composta por três zagueiros. O Cirão, alcunhado “Porta de Garagem”, com mais de metro e noventa de altura e dois metros de largura. Quando ele caía em cima de alguém, a pessoa desaparecia enterrada no gramado sem grama do campo. Sorte que isso não ocorria sempre. Era só quando a bola e o jogador vinham pelo lado dele. O outro era o Cássio, super míope que jogava sem óculos. Quando percebia algum movimento do seu lado, chutava. Lógico que ele chutava sempre o que mais lhe chamava a atenção, coincidentemente o jogador adversário. Que já caia sentado direto no banquinho do lado de fora da enfermaria. O terceiro era o “Luiz, o Forte”, halterofilista com sessenta e dois centímetros de circunferência de cintura e metro e trinta da ponta de um ombro até a ponta do outro ombro, sendo que, nesse metro e trinta, repousavam quilos e mais quilos de puro músculo. Quando o movimento era prá cima dele, o Luiz dava uma ombrada no adversário que ia cair a quinze metros de distância.

E era assim que jogador nenhum chegava junto ao nosso gol. O perigo eram as bolas que passavam sozinhas por entre as pernas dos zagueiros e que eram muitas. Para estas, tínhamos um jogador que ficava fixo, atrás dos zagueiros, com a função de rebatê-las para frente, pois não dava para apenas confiar no Carneiro. E, algumas vezes, quando um dos onze titulares faltava, costumavam me escalar nessa posição. É verdade que eu também tirava meus óculos de míope, mas, como nunca fui tão míope assim, até que dava para desempenhar a função com um certo grau de acertos. Acho que uns sete a oito por cento de acertos.

Uma ocasião, como era costumeiro e ocorria muitas vezes dentro de um único jogo, o juiz marcou uma falta contra nós pelo simples fato de o jogador adversário ter ficado estatelado no chão, na frente de nossa zaga, quase que com fratura exposta da coluna. Apesar da intervenção de nossa torcida indignada, que dirigia impropérios à senhora mãe do juiz, inclusive ameaçando invadir o campo, a falta foi batida. No centro do gol, agitando os braços, lá estava o Carneiro, na tentativa de “fechar” o gol. Mas, como ele não era inteiramente confiável, como já disse, e o gol fosse enorme, sempre tinha um jogador de cada lado dele, embaixo da trave, para qualquer eventualidade. E, assim, dessa vez, lá estava eu cobrindo o primeiro terço de espaço do gol, do lado esquerdo. E a bola veio na minha direção, bem na altura de minha testa e eu me preparei para cabecear. Só que, naquele time, ninguém tinha confiança em ninguém. E o Cirão “Porta de Garagem” resolveu entrar na disputa e tirar a bola da direção do gol dando uma “bicicleta”.

Gentes, vocês não imaginam o que é receber uma bolada bem no meio da testa, mas suficiente para desviá-la para bem longe do gol, e, ao mesmo tempo, no resto da cara, levar um coice de um sapato masculino tamanho 54, bico largo, sendo que o sapato estava recheado com o respectivo pé que, sozinho, sem o tornozelo, pesava 50 quilos. Só sei que fui carregado para a enfermaria, para fazer companhia aos adversários que lá se encontravam. Ainda bem que minha cara estava tão irreconhecível que eles não perceberam quem era, caso contrário seria massacrado..

E, a partir desse fato, encerrei minha carreira futebolística. Nunca mais toquei em uma bola de futebol. Ruim? Nem tanto, pois livrei o técnico Aymoré Moreira de um problemão, quando ele relacionou os 22 jogadores para a Copa do Mundo de 62, no Chile. Afinal, para me convocar, ele teria de deixar alguém de fora. Ou seja, o Djalma Santos teria ficado fora da seleção. Ou, talvez, o Nilton Santos. Particularmente, em preferiria ficar com a posição do Mauro Ramos, que havia acabado de trocar o meu São Paulo FC pelo Santos. De qualquer forma, sei que o goleiro Gilmar ficaria muito mais tranquilo comigo por ali, vigiando o gol.  Mas, como às vezes a sorte acaba intervindo,  mesmo eu não estando lá, os meninos do Brasil conseguiram trazer para o Brasil o sonhado caneco do Bi-Mundial e tudo acabou dando certo. Felizmente!
        -          -           -           -           -
Neste ano em que minha turma de curso Clássico está comemorndo os 50 anos de formatura, quero render minhas homenagens ao grande amigo Ciro Penna Cesar Dias, o Cirão, que já nos deixou e hoje está alegrando o ambiente lá no Céu. Até um dia, Cirão!
        -           -           -           -           -
Gentes, 
Não está dando para aguentar esse cão beagle, o Ed Wood. Só porque ganhou um "Selo de Qualidade", lá no blogue dele, fica olhando para minha cara e dando essa rizadinha irônica, como se dissesse: "Eu ganhei! Eu ganhei! Você não ganhou! rárárárárárárá!!!"

Vão lá dar uma olhada e depois me digam se não tenho razão para dizer que ele não passa de um beagle encardido, metido e besta! O endereço do blogue dele é 
  
Abração é até à próxima.
JF

terça-feira, fevereiro 15, 2011

FLAGRA NO MOTEL?

Gentes, nestes quarenta anos de orquidofilia fiz muitos amigos. Uma boa parte deles já está lá no céu ajudando a cuidar do orquidário de Deus.


Um desses amigos foi o Ary Marcondes do Amaral, casado com a Lili, prefeito de Casa Branca-SP, lá pelos idos dos anos 70. Tentei ver, através dos mapas Google, se havia alguma rua, praça, avenida, em Casa Branca, com o nome desse meu amigo e nada encontrei. Lamentável, pois o Ary era um homem absolutamente íntegro, responsável, e muito fez pelo seu município. Acredito que, se todo político brasileiro fosse como o Ary, o panorama político brasileiro, hoje, seria muito diferente. Nunca vi o Ary, nas inúmeras vezes em que nos encontramos, com carro oficial.

Mas, o que eu quero, nesta blogagem, é contar uma história engraçada do Ary.

Muitas vezes o Ary precisava ir à capital para tratar de assuntos de sua cidade junto às secretarias estaduais ou autarquias. Costumava viajar de véspera, no final da tarde, pois gostava de ser atendido bem cedo, a tempo de voltar à sua cidade. A Lili sempre viajava com ele.

Quando chegavam em São Paulo, já à noite, hospedavam-se num motel, próximo à entrada da cidade.

De manhã, ali pelas cinco da madrugada, o Ary acordava e já se preparava para a entrevista que teria logo mais, enquanto a Lili continuava dormindo.

Pronto, o Ary precisava “fazer hora”, aguardando que a Lili acordasse, se preparasse, e eles saíssem para seu destino. Como, não tinha o que fazer, o Ary saia do chalé e ia para a portaria do motel, ver o movimento.

Agora, vocês imaginem o susto de cada casalzinho, ao encontrarem aquele homenzinho de terno escuro, óculos, em pé, de braços cruzados, um Hercule Poirot tupiniquim, olhando fixamente a todos os que saiam. Quanta gente deve ter pensado:

“Mamma mia!!! Esse detetive me pegou no flagra! Tô perdido!”
              _            _            _            _            _

Pessoal, dois lembretes:


Não deixem de ler a nova aventura do Eddie Wood, no blogue http://edbeagle.blogspot.com/  Eita cão endiabrado!

Nos próximos dias 15 a 17 de abril, em Vinhedo/SP, teremos a realização da XI Exposição Nacional de Orquídeas organizada pela CAO-ViVa – Clube Amigos da Orquídia ViVa, de Vinhedo/SP e pela Prefeitura do Município de Vinhedo. Não percam. Será grandiosa.

Abração e até à próxima.
JF

quinta-feira, janeiro 27, 2011

A FARRA DAS APOSENTADORIAS MILIONÁRIAS

Gentes,

No meu blogue, sempre optei por não entrar em assuntos políticos ou que envolvam políticos. Não que eu não tenha posições. Tenho! Mas prefiro deixá-las fora daqui. Entretanto, hoje, vou abrir uma exceção para comentar assunto do momento.

Este é um pais destinado a privilegiados? Parece que sim! Vergonhosas as recentes notícias sobre aposentadorias de ex-governadores. Quer dizer que o sujeito, na ausência do titular, governa o estado por uma semana, sem fazer nada além de aguardar o retorno do outro, e passa a ter direito a uma aposentadoria pelo resto da vida, de valor integral, sem ter contribuído para o respectivo instituto? E que existem dezenas e dezenas de casos, se não chegarem às centenas, com uma verificação mais rigorosa?

Já acho absurda a aposentadoria a que tem direito todo ex-presidente da república, por ter exercido o cargo, independentemente do tempo. Ora, acho que, como todo mundo, teria que ter direito à aposentadoria após 35 anos de trabalhos, como todo mundo. Afinal, o fato de ser presidente da república não torna o cidadão melhor que os demais. Igualmente, por que deputado passa a ter direito de aposentadoria após oito anos de mandato? Um comerciário, um bancário, um industriário, e até os empresários, só passam a ter direito de se aposentarem após contribuírem por 35 anos (30, se for mulher).

Eu trabalhei quarenta e sete anos, antes de me aposentar. Se eu vier a falecer, minha mulher passará a receber uma pensão equivalente à metade da minha aposentadoria. Quando ela falecer, nossos filhos não receberão nada e ainda ficarão com a obrigação de comunicar o fato ao INSS, pois se vierem a receber eventuais créditos nas contas bancárias dos falecidos, incorrerão em crime de apropriação indébita. Isso vale para todo mundo? Não!!! Em muitos casos desses privilegiados, a aposentadoria vai se transmitindo a herdeiros. E é desta forma que uma ilustre senhora do estado de Santa Catarina recebe, segundo relatos da imprensa, uma pensão de R$ 17 mil mensais, por ser neta do governador Hercílio Luz, que governou o estado no século 19. E, ainda segundo a imprensa, essa senhora de seus mais de oitenta anos, era dona de Cartório e, certamente, deve receber outra aposentadoria por este fato. Pessoalmente, nada tenho contra ela ou contra qualquer outro que receba esses valores. Eles apenas exerceram seus direitos previstos em leis odiosas e destinadas a beneficiar uns poucos e determinados, mas lei existente.

Vai daí, vem a notícia de que os descendentes do Tiradentes (eu nem sabia que ele havia se casado. Será que o “enforcado” é apenas figurativo? Significa apenas que ele se casou?), que também ganharam o direito de uma pensão compensatória à sua morte, vão pedir revisão dos valores de suas pensões correspondentes a meio salário mínimo. Será que isso é piada?

E enquanto tudo isso se passa (e se paga!!!), fica aí a discussão sobre o novo valor do salário mínimo: R$540,00 pelo governo (mas aceita R$545,00), R$560,00 pela Câmara de Deputados, interessada em peitar (que verbo feio, neste caso!) a presidente, R$580,00 pelas centrais sindicais. O governo federal pede o nível mais baixo e alega que qualquer outro valor será uma enorme sangria para os já deficitários cofres da previdência social.

É tudo muito absurdo! Eu só pergunto o seguinte: por que eu não recebo altos valores de aposentadoria, como aqueles que governaram um estado por apenas uma semana ou dez dias? E trabalhei por 47 anos, antes de me aposentar. E sou obrigado a continuar trabalhando, já que o valor que recebo me é insuficiente. Afinal, a Constituição Federal não diz que somos todos iguais perante a lei? Ou existe alguns mais iguais que outros?

A OAB está dizendo que irá entrar na Justiça pedindo a declaração de inconstitucionalidade dessas aposentadorias absurdas. Só espero que não seja apenas “palanque” prá torcida e que o órgão vá a fundo nisso tudo.

Gentes, sabem de uma coisa? Minha mulher, por parte da mãe dela, é descendente direta de Salvador Correa de Sá e Benevides, três vezes governador do Rio de Janeiro, no século 17. Vou dar uma olhada na legislação para ver se ela, neta em enésima geração, não teria direito de pleitear uma pensão tripla do falecido. Já pensaram? E será que ela tem direito a uma pensão também em Angola, por ele ter sido governador de lá por um período? E mais: os avós maternos dela eram primos irmãos, donde se pode concluir que ela pode requerer essas pensões pelos dois lados. Ou, oito pensões multiplicadas por 17 mil reais. Uauuuuu!!! Já não preciso mais ficar com esperança da Megasena!!!

           -            -            -            -            -

Gentes, como vocês já sabem, eu tenho um cão beagle, o Eddie Wood (Ed, para os íuntimos), que tem seu próprio blogue. Pois o Ed, por sugestão da Luma Rosa   http://luzdeluma.blogspot.com/ , está apoiando a campanha de socorro aos animaizinhos atingidos pela catástrofe que se abateu sobre as cidades fluminenses de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e demais. São cães, gatos, e outros bichinhos, perdidos, abandonados, machucados, famintos, precisando de ajuda, conforme se têm visto em reportagens de TV. Vejam as diretrizes no blogue dele  http://edbeagle.blogspot.com/ e, quem tiver oportunidade, não deixe de ajudar.

Abração,
JF

sexta-feira, janeiro 14, 2011

LOBO MAU - UMA HISTÓRIA QUASE ERÓTICA

Era uma vez uma menininha que usava um gorrinho vermelho e foi passear na floresta.

Aí, chegou o Lobo Mau e falou:

“E aí, mina? Vam ficá?”

“Vam ficá? Cê é louco? Você tem que ir lá comer minha avó! Além disso, comigo é só de carrão. Se manda!”

Lobo Mau viu que dali não saia coelho e mudou de tática.

“Escuta, mina. Tua vó tá velha e a carne tá muito dura. Tenho um plano melhor. Conheço três porquinhos otários que fizeram suas casinhas na floresta. Vamos lá acabar com a paciência deles.”

Assim, os dois foram procurar os três porquinhos. Chegando lá, os porquinhos estavam cantando:

“Quem tem medo do Lobo Mau? Lobo Mau! Lobo Mau!”

Lobo Mau se apresentou:

“Que é que vocês estão cantando? Vocês têm licença para cantar essa música? Pagaram os direitos às sociedades arrecadadoras? Estão inscritos na Ordem dos Músicos?”

Os porquinhos ficaram apavorados e correram todos para a casa do porquinho Prático, um lindo chalésinho de alvenaria.

Foi aí que Chapeusinho entrou em cena:

“Vocês foram autorizados pelo IBAMA para desmatar e construir esse palácio em uma zona de preservação de mananciais? Vocês contrataram um engenheiro civil responsável? Vocês pagaram as taxas municipais de licença para construção?”

Os porquinhos cada vez mais amedrontados, responderam em coro:

“Não, senhora.”

Lobo Mau contra atacou :

“E os bombeiros? Vocês pegaram o alvará dos bombeiros? E essa baita construção? Vou acusá-los à Receita Federal por indícios de riqueza com rendimentos não declarados”

Os porquinhos, apavorados, pediam:

“Perdão, seu Lobo Mau. Perdão, dona Chapeusinho Vermelho. Faremos qualquer coisa para consertar essa situação. Nós não queremos ser presos.”

E foi assim que Chapeuzinho Vermelho e Lobo Mau pegaram os três porquinhos, montaram um frigorífico e passaram a vender presunto pelo triplo do preço, para merenda escolar. Casaram-se e o Lobo Mau candidatou-se a deputado. Não sei se foi eleito, mas a união entre eles durou pouco. Hoje, Chapeusinho é lobbysta com livre trânsito pelos ministérios e grande influência na Comissão do Orçamento. Vive em Brasília e o seu “namorado do momento”, em geral algum funcionário de segundo escalão ou pessoa bem situada em algum Tribunal, é que paga suas contas de hotel. E, se estiver sem “namorado”, sempre haverá alguma empreitera precisando de favores especiais.

            -            -            -            -            -            -
Gentes, o Eddie Wood, meu beagle maluco, fez uma postagem, lá no seu blogue http://edbeagle.blogspot.com.br/ , incentivando a adoção de animais abandonados. Quem se interessar, não deixe de visitar esse blogue.

Abração,
JF

sexta-feira, dezembro 31, 2010

PÓ DE GIZ

Àqueles que disseram, na blogagem anterior, que não gostariam de terem sido meus alunos, devo informar que, modéstia à parte, eu era um professor muito querido por eles. Mesmo bem depois de ter encerrado meu período de magistério, várias vezes recebi manifestações de carinho de antigos alunos. Mas, não era disso que eu queria falar e deixo isso para outra ocasião. Queria mesmo contar outra historinha.

Em uma das escolas onde lecionei, havia um curso pós segundo grau, sem ser nível universitário, onde eu dava aulas em um curso de secretárias trilíngues (português, alemão, inglês). Sempre fui muito paciente, mas, certa ocasião, nem lembro mais o porquê, as meninas me tiraram do sério e eu explodi. Foi uma bronca daquelas de ninguém botar defeito. O silêncio da classe era tão grande que seria possível ouvir um mosquito respirar. No auge da bronca, para dar maior ênfase, resolvi dar uma tremenda pancada na mesa. Lógico que não foi com a mão que eu não era besta! Eu tinha uma caixa de giz enorme, cuja tampa era o apagador. Era uma caixa bem grande, onde eu tinha um monte de giz branco, e mais giz de diversas cores, já que eu usava demais o quadro-negro.

Bom, quando dei a pancada com a caixa de giz na mesa, ela explodiu com estrondo. A caixa, não a mesa! Foi giz voando pela classe toda, acertando nas alunas, caindo pelo chão, deixando minha mesa com uma grossa camada de pó branco.

Nessa altura, a ira se transformou em espanto e o espanto em vontade de dar risada. Cair na gargalhada, mesmo! Porém, um sorrisinho que fosse e minha autoridade perante a classe iria para o brejo. As alunas, por sua vez, continuavam absolutamente em silêncio, uma ou outra até um tanto suja de giz, ou com pedaços de giz sobre seus cadernos e livros. Mas, o leve tremor dos cantos de suas bocas e olhos as denunciavam. Estavam doidas para cair na gargalhada, mas quem era suficientemente doida de rir do professor, numa situação dessas?

E foi assim que, sem nenhum sorrisinho que fosse, embora professor e alunas quisessem todos cair na gargalhada, terminou a bronca e a aula continuou normalmente.

Aquela turma se formou – curso de dois anos – e nunca o assunto foi comentado. Passados muitos anos, certa vez encontrei uma das meninas, agora já casada, com filhos, e recordamos a história. Agora, sim! A aluna sem medo do professor, o professor sem medo de perder a autoridade perante a classe, os dois rimos muito da comicidade ridícula daquele momento.
            _            _            _            _            _

Pessoal,

Não deixem de ler as aventuras de meu cão beagle, caçador de coelhos, no blogue dele, o http://www.edbeagle.blogspot.com/  Como voces já devem saber, o Ed Wood (o cão) vai ditando as aventuras e eu vou digitando.

Abração e um feliz 2011 para todos.
JF

segunda-feira, dezembro 20, 2010

HOMENAGEM AO PROFESSOR - E FELIZ NATAL!

Na última postagem, contei que, por vinte e dois anos, fui professor de cursos técnicos. Muita historinha restou para ser contada. AÍ vai uma.


Eu dava aulas à noite em uma escola em Santana, do outro lado da cidade. Era um sufoco ir até lá após o trabalho, enfrentando um trânsito horrível. Nas chamadas “pontes”, aqueles dias entre feriados e finais de semana, os alunos, muitas vezes, cabulavam as aulas. E aí o diretor dispensava o professor, que ia para casa mais cedo.

Pois bem, uma ocasião, dia “ponte”, fui para a escola certo de que iria mais cedo para casa, já esperando pela cabulação geral. Pois não é que, surpreendentemente, quando entro na classe, encontro três alunos? Quarenta e dois faltaram!

Aí veio a explicação:

“Professor, nós viemos à aula porque achamos que a ausência coletiva é falta de respeito com o senhor.”

Pode uma coisa dessas? A “consciência” desses alunos me deixou deveras “comovido”. Assim, ainda “emocionado”, respondi:

“Fico muito agradecido a vocês. Mas, como não há condições de dar matéria nova, pois isso iria atrapalhar o andamento das aulas, e nem de ficarmos uns olhando para a cara dos outros sem fazer nada, vamos de “prova surpresa”.

E lasquei uma provinha, daquelas de aluno nenhum conseguir acertar. E assim cumprimos com o horário das aulas, ocupados até às onze da noite.

O interessante é que, depois disso, nunca mais os alunos me prestaram esse tipo de homenagem. Estranho!

                   -         -         -         -         -         -
 
CÃO NO LAGO
 
Gentes, meu cão beagle, o Ed, postou uma blogagemem linguagem canina, embora ele tenha um secretário-digitador, contando de suas experiência de cair dento do lago e não saber como sair. Não deixem de ler. O endereço http://edbeagle.blogspot.com/
 
                  -         -         -         -         -         -
 
FELIZ NATAL
 
Quero desejar a todos um feliz Natal, repleto de boas surpresas, na companhia das pessoas queridas.
 




Como em matéria de desenho eu mal sei desenhar o "zero", os artistas desenhistas da família são minha filha Lu Farias - http://eeepa.blogspot.com/  e  http://lucianadesenhista.blogspot.com/ - e o meu genro Vagner, tomo a liberdade de copiar e enviar a todos o bonito cartão de Natal feito pela minha amiga internauta, a Luma Rosa, publicado no seu blog  http://luzdeluma.blogspot.com/  O que está expresso no cartão da Luma eu desejo a todos. E, dando continuidade ao movimento no qual ela entrou, enviem um cartão de Natal aos seus amigos blogueiros.
 
Aliás, convido todos para conhecerem o blog "Luz de Luma, Yes Party!". Um blog muito bem cuidado e feito com muita sensibilidade. O link está aí ao lado, na relação dos blogs amigos, mas, se tiverem dificuldade de encontrar, repito o endereço:  http://luzdeluma.blogspot.com/
 
                    -         -         -         -         -         -         -
Abração a todos e até breve.
JF
 

segunda-feira, setembro 06, 2010

JUVENTUDE TRANSVIADA

Fui professor durante 22 anos em cursos técnicos, nível de segundo grau.
O ensino mudou e os cursos técnicos de contabilidade desapareceram. Segundo grau, o antigo colegial, nem sei mais como se chama.
Feriados no meio da semana eram terríveis. Eu tinha que ir à escola, do outro lado da cidade, depois de um dia inteiro no escritório, mesmo sabendo que os alunos não compareceriam. Chegava lá, o diretor, pesaroso, me comunicava que os alunos haviam “enforcado” as aulas e, portanto, ele lamentava que eu tivesse perdido meu tempo e a viagem para nada. Pedia desculpas e... me dispensava.
Certa vez, por qualquer razão que não lembro mais, fui para a escola sem o carro, de metrô. Chegando lá, o diretor me dispensou, já que os alunos não haviam comparecido. Mais uma vez, embarquei no metrô, lá em Santana, com destino ao Centro. Porém, era uma quarta feira, véspera de feriado, e resolvi aproveitar e fazer um “programa” diferente: fui rever os amigos na reunião semanal do Círculo Paulista de Orquidófilos, associação que eu frequentara por bastante tempo e da qual me afastei quando comecei com as aulas noturnas.
No final da reunião, quase onze da noite, um desses amigos, o Augusto ..., se prontificou a me levar até minha casa. E lá fomos nós.
Nessa época, a Avenida Brigadeiro Luis Antonio ainda “dava mão” para os automóveis, no sentido Centro/bairros. O Augusto, grande amigo, hoje já na casa dos oitenta anos mas muito bem de saúde, graças a Deus, gostava muito de falar. E sua fala entusiasmada era acompanhada de muita movimentação dos braços. E lá fomos nós, subindo a Brigadeiro, o Augusto falando, e falando, e falando, os braços parecendo hélices de avião, mal controlando a direção do carro, mas com o entusiasmo a mil. Fomos chegando ao cruzamento da Rua São Carlos do Pinhal, e meu amigo Augusto falando, e falando, e gesticulando. A Avenida Paulista já bem próxima, eu de olho lá na frente, no semáforo que já entrava para o amarelo. Será que ele percebeu? Eu torcia pelo sim, mas não tinha certeza e nem como interromper sua fala. Estava tão entusiasmado que não me ouviria. As luzes se transformaram em vermelho. Vermelho cor de sangue! E o Augusto falando. E gesticulando! E o cruzamento se aproximando! O vermelhão do semáforo cada vez mais perto! E o carro sem diminuir a velocidade! E o Augusto falando! Mas, ainda dava tempo para uma boa freada... que não veio. Eu só tive tempo de me afundar no meu banco, com os olhos mais fechados que cofre de banco. Não vi mais nada. Apenas ouvia o Augusto que falava, que falava, que falava... sem parar. O tempo foi passando, não sei se muito rápido ou se lentamente, mas houve tempo para que minha vida inteira passasse pela minha mente... E o Augusto continuava falando, e falando...
Resolvi dar uma checada. Levantei um pouco a cabeça, abri só um olho, e espiei para fora. Já estávamos cruzando a Alameda Santos, um quarteirão depois do cruzamento da Brigadeiro com a Paulista. Respirei aliviado e me endireitei no banco. E fiquei ouvindo o Augusto falar até minha casa. Falar e gesticular.
Hoje, já posso contar para minhas netas:
“Pois é! O vovô era muito doido! Quando mais jovem, fazia “roleta russa” na Avenida Paulista.”
               _               _              _                _               _

Abração e até mais,
JF