Pessoal,
É mundialmente conhecida a proverbial “mania” que os ingleses têm por pontualidade.
Um amigo meu contou-me um caso interessante. Vamos chamá-lo hipoteticamente, o meu amigo, de Sérgio.
Pois o Sérgio, economista laureado e reconhecido no Brasil e no exterior, estando em Londres, foi convidado a participar de um jantar acadêmico, em casa de importante professor universitário. O horário estava marcado para as oito horas da noite.
Uns quinze minutos antes, Sérgio chegou ao endereço indicado. Porém, como não conhecia, pessoalmente, os anfitriões, resolveu ficar na rua “fazendo hora”, para não sentir-se "deslocado". Logo percebeu que havia outras pessoas por ali, aparentemente esperando acontecer alguma coisa.
Quando seu relógio marcou a hora certa, ele se dirigiu à porta para tocar a campainha. Para sua surpresa, todas aquelas pessoas que por ali estavam também se dirigiram à porta. Estavam todos aguardando as oito horas da noite para entrarem no local do jantar.
E foi assim que Sérgio aprendeu que, para um inglês, oito horas da noite não são quinze minutos antes ou quinze minutos depois. São, precisamente, oito horas da noite. E é falta de respeito e de educação não observar esse princípio.
E esse respeito aos horários é observado em tudo o que diga respeito a determinação de horas. Que bom se assim também fosse no Brasil, não é mesmo?
Mas, isso pode ser um problema para os ingleses: afinal, eles não contavam exatamente com os brasileiros!
Há alguns anos, Adriano, meu filho, fez uma viagem à Inglaterra. A empresa aérea? Nada mais e nada menos que a British Airways, para ninguém botar defeito! Com saída em uma terça feira, se não me engano, às 16 horas, do Aeroporto de Cumbica-Guarulhos/SP.
O Adriano é o tipo clássico do brasileiro: horário? O que é para que serve isso?
Havia vários dias que ele precisava preparar um texto e enviá-lo pela Internet. Lógico que, como bom brasileiro capaz de dar nó em pingo d’água, o Adriano deixou para a última hora.
Duas da tarde, pensando em possível congestionamento na Marginal, na Via Dutra, etc, eu já estava desesperado com a tranqüilidade dele, terminando seu texto no computador. E, obviamente, brigando com ele, com a Nina, com o Eddie Wood (meu cão beagle - http://www.edbeagle.blogspot.com/ ), com o piano, com o telefone, com o.., com tudo!
Pouco depois das três horas (eu já havia colocado toda a “tralha” dele no carro, antecipadamente), finalmente saímos de casa.
Milagrosamente, o trânsito estava livre, os semáforos iam abrindo à medida em que eu ia chegando (talvez, um ou outro estivesse fechando, mas não era momento para pensar nesses detalhes!), a Marginal com trânsito bem livre, assim como, também, a Via Dutra. Nenhum representante do CET, Detran, Polícia Rodoviária pela frente.
Chegamos ao balcão da British às dezeseis horas, quando todos os passageiros, menos o Adriano, já estavam dentro do avião. O desespero do pessoal da companhia era evidente! Como um brasileiro ousava fazer um avião britânico atrasar? Mas, o drama ainda não estava terminado. O Adriano fica sabendo que precisava declarar seus eletrônicos (filmadora e máquina fotográfica) à Polícia Federal, para poder trazê-los de volta, depois, sem nenhum problema de entrada. Enquanto a Nina despachava a mala, sob evidente desaprovação dos súditos de Sua Magestade, lá fomos os dois à procura do balcão da PF. Os atendentes da British, nessa altura, estavam absolutamente perplexos, não querendo acreditar no que estava acontecendo.
O Adriano e eu chegamos ao balcão da PF. Explicamos ao agente o problema: o avião já estava com a saída atrasada e precisávamos, urgentemente, declarar os objetos. O agente não teve dúvidas: pegou um telefone e, na nossa frente, determinou a alguém que o avião da British devia esperar pelo passageiro Adriano, que estava “retido” na Polícia Federal. Brasileiro é sempre solidário!
Aí, toca preencher e assinar aquela papelada toda. Terminada essa fase, os dois voltamos, literalmente correndo, para o pessoal da British que aguardava, sei lá se pacientemente. Quando aparecemos, ao longe, uma apoplética comissária de bordo britânica veio ao nosso encontro, correndo, tomou o Adriano (um homem de metro e oitenta) pela mão e, tal professora e aluninho, os dois, sempre correndo, sairam do saguão, rumo ao avião.
Eu fiquei uns tempos lá parado, no meio do saguão de embarque, esperando que minha adrenalina caísse a níveis razoáveis. Foi preciso que a Nina me acordasse de meu transe.
Bom, ele conseguiu embarcar. A Nina e eu voltamos para casa. Emocionalmente, a aventura toda havia me deixado um “caco”. O Adriano haveria de se ver comigo, quando voltasse, dali a um mês.
Dois dias depois, começaram as comunicações, via Internet, e o Adriano pode contar o final da história, ou o seu “castigo” por haver alterado um horário britânico.
Ele e a aeromoça, bonita por sinal, foram correndo de mãos dadas até o avião. Nessa altura, a única porta do avião ainda aberta era perto da cabine de comando. Os dois subiram, correndo, todos os degraus. A porta foi fechada para que o avião pudesse dar imediato início aos procedimentos de levantar vôo. Mas, naquele enorme avião, a aeromoça não quis nem saber de procurar o lugar do Adriano, lá entre os passageiros da classe “turista”. Ajeitou-o no primeiro lugar disponível, cuidando para que ele já se munisse de seu cinto de segurança. E foi assim que o Adriano fez sua viagem São Paulo-Londres em uma super poltrona (que só faltava falar!) da primeira classe, com direito a todas as mordomias inerentes ao lugar, inclusive jantar regado a champanhe e caviar! _ _ _ _ _ _ _
As fotos que ilustram esta postagem foram retiradas da página do site

da própria British Ayrways - http://www.bamuseum.com/museumhistory.html
Na primeira foto, aviões Boeing 747 utilizados pela empresa;
Na segunda foto, o elegante traje da comissária de bordo, década de 90;
Na terceira foto, cabine de passageiros, por volta dos anos 1920/1930.
Essa página citada, com a história da companhia, é ilustrada por dezenas de fotos que mostram a evolução tecnológida dessa modelar empresa de aviação e merece ser vista por todos aqueles que gostam de aviões e do que lhes diga respeito. Um exemplo de divulgação histórica que deveria ser seguido por outras empresas.
Esse "incidente" engraçado é apenas isso: uma referência engraçada. Na verdade, com esta postagem, quero prestar uma homenagem a essa empresa que prima pelo bom atendimento e pelo conforto de seus passageiros, em aviões de tecnologia avançada.
De se lembrar, ainda, que, juntamente com Air France, a British foi uma das duas empresas que, dos anos 70 até os primeiros anos do século 21, operou o avião Concorde, notável aeronave que tinha sua velocidade de cruzeiro, a uma altitude de 90.000 pés, de duas vezes a velocidade so som - mais de 2.160 Km/hora. O único avião comercial, no mundo, a atingir essa velocidade.

É isso, meus amigos. Um grande abraço a todos e até à próxima postagem.
JF (direto de Itatiba/SP)