Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

UM SAPATO NA ENXURRADA...

Dia desses, lá em Sampa, meu filho e eu saímos de seu apartamento e fomos até uma pizzaria. Sete e meia da noite, ainda claro, a chuva nos pegou no meio do caminho e nos abrigamos sob a marquise de um prédio.


Gentes, vocês já tiveram oportunidade de ficar contemplando a enxurrada passar? Pois foi o que ficamos fazendo. Vocês não imaginam como isso é útil e como ajuda a “matar” o tempo! Carregados pela água, em direção aos bueiros mais próximos, passam muitas e inusitadas coisas. Tocos de cigarros, papéis, papeizinhos, papelões, caixas de papelão se desfazendo com a chuva, latinhas de refrigerantes e de cervejas, plásticos de todos os tipos e tamanhos, inclusive as famosas pets de 2 litros, sacos de lixo (com lixo dentro), um sapato, mais latinh... Opa...Um sapato? Sozinho? E o outro pé? Muito mais coisa passou pela nossa frente, principalmente sacos de lixo com lixo dentro, sacos de lixo sem lixo dentro, lixo desacompanhado do respectivo saco de lixo... Mas o outro pé de sapato não veio.


Daí, fica-se pensando: por que, na enxurrada, passaria um pé de sapato rumo ao mais próximo bueiro? As hipóteses são muitas: um mendigo que o perdeu, alguém que, correndo da chuva, se desequilibrou e o sapato (era sapato de homem) voou longe, para o meio da enxurrada, a enxurrada teria invadido uma sapataria e arrastou um pé de sapato sem que ninguém percebesse, o sapato era a casa de liliputianos e estava ancorado em local de risco, o sapato era uma astronave de um planeta longínquo... Enfim, muitas hipóteses. Eu optei pela hipótese do Gerobaldo, como a mais plausível. Vocês não sabem quem é o Gerobaldo? Eu conto. Mas, a história é muito triste.


Gerobaldo era um rapaz que morava com a madrasta viúva, mulher impiedosa e que maltratava demais o pobre Gerobaldo. Ao contrário, para os dois filhos dela eram só carinhos, elogios, mimos, etc. Eles, verdadeiramente imprestáveis, não faziam nada o dia interinho. Gerobaldo, entretanto, era o encarregado de todos os serviços chatos e pesados da casa (a viúva não gostava de fazer trabalhos caseiros), como trocar lâmpadas, levar o cachorro para fazer necessidades na rua, varrer todo o chão, fazer as camas, lavar os pratos, etc. etc. Até enxugar o banheiro, depois que seus inúteis irmãos de criação tinham tomado seus banhos, era Gerobaldo que fazia. Coisa de louco!


Um dia, porém, Arquimedes Ourosilva, um rico banqueiro do jogo de bicho que morava lá pros lados do Morumbi, resolveu fazer uma festa para a linda filhinha que ele tinha e que ele queria que ela se casasse e parasse de reclamar dos presentes e tudo o mais que ele comprava para ela. O convite chegou à cidade toda. Todos os mancebos se entusiasmaram. E quem não se entusiasmaria de casar-se com a linda Anamaria Ourosilva e mais a rica mesada que papai lhe daria todos os meses? Sem contar que, qualquer hora, podiam “apagar” o bicheiro Arquimedes e ela, filha única, herdaria toda a sua fortuna.


Os irmãos de Gerobaldo, como todos na metrópole, se entusiasmaram. Mamãe Petúnia lhes comprou das mais lindas roupas expostas nas lojas do Bom Retiro, sapatos novos, etc. Para o Gerobaldo, coitado, nada! Mas, que esperança de casamento poderia ter aquele enjeitado que só entendia de vassouras e detergentes de lavar pratos? E, assim, o pobre coitado, lá no seu canto, apenas sonhava em ser o escolhido, pois não tinha roupas e nem imaginava onde ficava o Morumbi.


Vocês já viram uma estória parecida, não é mesmo? E até já adivinharam o andamento, não é mesmo? Pois foi assim. O Gerobaldo também tinha um fado madrinho, melhor dizendo: um fado padrinho, um camundongo chamado Perlamordogod, que, vendo o raparigo tão triste, se comoveu e lhe perguntou o que estava acontecendo. Sabendo do caso, o fado disse ao Gerobaldo que se acalmasse, pois iria à festa.


E foi assim. No dia da festa, Perlamordogod e sua varinha mágica (na verdade, um canudinho de refrigerante) fizeram milagres. Gerobaldo foi banhado, perfumado, teve o cabelo aparado, a barba ajeitada para que parecesse um presidente da república, vestido com esmero em um belíssimo “smoking”, e calçado num lindo par de sapatos “carrapeta” preto e branco. Também, não se podia esperar mais, não é? Perlamordogod não era, assim, bem informado em relação a modas masculinas. Mas, o Gerobaldo ficou, por assim dizer, “uma graça!”

Foi nessa hora que se depararam com o problema: como é que o Gerobaldo iria à festa naqueles trajes? Seria assaltado antes de chegar à primeira esquina, coitado. Porém, mago que é mesmo bom sempre tem uma solução.


No canto do quarto de Gerobaldo jazia um coco vazio (Gerobaldo o havia comprado com uma moeda de R$1,00 que encontrara, numa dessas lojas de saldos de lojas de R$1,99). Tomando do coco vazio, Perlamordogod o transformou em uma Ferrari vermelha, novinha, equipada com piloto automático (Gerobaldo não sabia dirigir). E, assim, lá se foi Gerobaldo, todo elegante, com sua Ferrari vermelha, para a festa na casa da Anamaria. Antes de sair, entretanto, Gerobaldo foi advertido pelo mago: “Antes da meia noite, saia da festa porque estou com minha carteira de habilitação vencida e a Ferrari pode voltar a ser coco.”


Nem preciso dizer que foi um sucesso, não é mesmo? Imaginem, aquele cara vestido de pingüim elegante, chegando naquela Ferrari... Todas as moças botaram seus cúpidos olhos em Gerobaldo. Anamaria, que até aquele momento não se interessara por nenhum rapaz, tremeu nas bases. De tanta emoção, até fez xixi na... Bem, vocês sabem! E foi lá falar com ele, depois de trocar a... vocês sabem:


“E aí, cara! Ta se divertindo? Vam ficá?” E ficaram! Lá, num canto escuro, Anamaria começou a iniciar Gerobaldo nos segredos do amor. E olha que ele era bom aluno!


Porém, tudo que começa bem, chega uma hora que tem que acabar. O relógio-carrilhão, lá da sala, começou a soar as badaladas da meia noite. Gerobaldo, assustado, levantou-se da cama da moça, agarrou suas coisas (roupas, sapatos), desceu as escadas do mesmo jeito em que Adão viera, sem nada, correndo em direção à Ferrari. Porém, na sua desenfreada correria e sem que percebesse, um sapato caiu no chão e lá ficou.


Anamaria, depois de recompor suas vestes, saiu atrás do rapaz, do qual ela nem sabia o nome, mas, só encontrou um coco vazio estacionado bem na frente de sua casa. Ao entrar em casa, porém, que maravilha, avistou o pé de sapato do Gerobaldo.


“Nem que eu tenha de correr São Paulo inteira, hei de encontrar esse cara!”


A mãe estava desesperada:


“Verifiquem as pratarias e cristais. Vejam se não falta nada!”


O senhor Arquimedes Ourosilva, mais prático, dizia:


“Eu não devia servir uísque vindo do Paraguai. Dá cada ressaca!”


E foi assim que, no dia seguinte, Anamaria e seu sapato... seu, não, o sapato do fugitivo, saiu pela cidade toda testando-o em tudo que era cara que lhe passasse pela frente. E chegou à casa de Gerobaldo. Nessas alturas, todas as TVs já haviam anunciado o que acontecera e todas as mães torciam para que o sapato servisse em seu filhinho. Mas, não havia jeito de encontrar. É que Gerobaldo tinha uma particularidade. Seu pé esquerdo estava no lugar do pé direito, e vice-versa. Assim, aquele pé esquerdo de sapato que deveria ser usado por alguém que tinha o seu pé esquerdo do lado direito, não servia para quem tivesse o pé esquerdo normalmente do lado esquerdo, vocês me entenderam? Não faz mal! O importante é que o sapato não servia em ninguém.


E, de rua em rua e de casa em casa, Anamaria chegou à casa da viúva Petúnia, que, imediatamente, chamou seus filhos, Caio e Levanto, para virem experimentar o famoso sapato. Diga-se, de passagem, nessas alturas o tal sapato já fedia depois de tanta gente o haver experimentado. É óbvio que não serviu em nenhum dos dois. Afinal, ambos tinham seus pés esquerdos fixados nas respectivas pernas esquerdas, e não seus pés esquerdos fixados em suas respectivas pernas direitas.


Anamaria já ia saindo quando, de repente, avistou Gerobaldo passando aspirador de pó na sala. Imediatamente, chamou-o para que experimentasse o sapato.


Madrasta Petúnia protestou:


“Não! Nesse imprestável, não! Certamente o sapato não servirá nele.” Porém, Anamaria era uma menina muito determinada e, sob protestos de Petúnia, de Caio e de Levanto, experimentou o sapato em Gerobaldo.


“Oh, serviu!”, disse ela com sua vozinha de piranha domesticada.


“Oh, serviu!”, disseram viúva Petúnia e seus filhos Caio e Levanto, já pensando em como tirariam proveito da situação.


“Vamos, querido”, disse Anamaria a Gerobaldo, “Vamos para minha casa, para nos casarmos e vivermos felizes, enquanto papai não for preso e não interromper a mesada.”


“Sim!”, disseram em coro, melosamente, Petúnia, Caio e Levanto. “Vamos para sua casa assistir ao casamento. Quem sabe lá tem uma edícula jeitosa, no fundo, e possamos morar lá, felizes, enquanto seu pai não for preso e não interromper a mesada.”


E foram todos saindo. Nessa altura, começara a chover. Anamaria parou, olhou bem para a sogra, olhou bem para os dois cunhados, olhou bem para o Gerobaldo, coçou um pouquinho a cabeça... E tomou sua decisão.


“Eu, hein!”


Jogou o sapato na sarjeta, justo no momento em que a enxurrada começava, entrou em seu carro e se mandou.


E largou todo mundo ali na chuva, se molhando: megera Petúnia, Caio, Levanto e Gerobaldo.


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Essa foi a mais lógica explicação que encontrei para aquele pé de sapato solteiro sendo carregado pela enxurrada.


Será que vocês encontram explicação melhor?

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NOVO BLOG NA BLOGOSFERA

Meu amigo Toninho Melchiori, interiorano com muitos "causos" para contar, montou seu blog. São crônicas muito interessantes. Merece ser visto. É o blog "Causos e Poesias", que já consta na minha relação de links. Vale a pena dar uma conferida. http://causosepoesias.blogspot.com/

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Abração a todos,
JF

Quinta-feira, Dezembro 31, 2009

Por que sou José Francisco?



E por falar em nomes...

O texto abaixo foi publicado em uma lista de discussão da Internet. Eu havia perdido esse texto. Mas, graças a uma amiga muito querida, a Vera Coelho, de Fortaleza-CE, que o salvou e guardou, eis o texto. Obrigado, Vera.

Também foi publicado, aqui no Blog, em 2007. Pelo significado da data, ao menos para mim (hehehehehehe), torno a postá-lo.

A diferença para a postagem de 2007 foi a falta da foto de meus pais, namorando na praça. Naquela época (2007), por um desentendimento com o Bill Gates, não consegui colocar a foto. Hoje, melhor instruído e mais acostumado com os mistérios da internet, aí vai a foto de 1935, de meus pais namorando em uma das praças de São Carlos-SP.

Só a comentar que, em 2005, por ocasião dessa publicação, minha mãe ainda era viva. O falecimento ocorreu neste ano de 2007, na madrugada da terça-feira de carnaval para a quarta-feira de cinzas. Minha mãe simplesmente “apagou”, sem nenhum sofrimento físico, um mês antes de completar 90 anos de idade. Se ela fosse viva, no último dia 21 de dezembro, os dois comemorariam 70 anos de casados.

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Isto eu já contei, aqui. Mas, como tenho um amor muito grande pelos meus pais (graças a Deus), vou contar de novo, agora para os que chegaram há pouco na lista. Os velhos de lista, se acharem que estou muito repetitivo, estão autorizados a pular esta mensagem e ir para a seguinte.

OS AMELIOS

De tardezinha, a Amelia, mocinha ainda muito novinha, ia depositar o dinheiro da féria do armazém de meu avô lá no Banco de São Paulo S/A, na Avenida São Carlos. Se o italiano soubesse o que se passava no banco... Mamma mia!!!...

No banco, tinha um caixa, novinho, mas bem jeitosinho, que logo botou os olhos na Amélia. E a Amélia, lógico, bem que gostou da história. E a paquera muda continuou por muito tempo. Naquela época não era como hoje. Hoje, na hora, o rapaz chega na garota, nem pergunta o nome, e já vai dizendo: "E aí, mina! Van'ficá?" Isso, se "mina" já não for gíria de passado muito remoto. Eu não consigo mais acompanhar o desenvolvimento da juventude. Agora, logo ao primeiro olhar, se o rapaz não fala nada, é a própria garota que o convida para "ficar". E, ela, também, se esquece de perguntar o nome dele. Mas, parece, esse detalhe, hoje em dia, não é muito importante.

Mas, naquela época diferente, a troca de olhares lânguidos durava meses! Um dia, ele se encheu de coragem e foi falar com ela. Mas a coragem só dava para isso: falar com ela! Para começar a namorar precisava de muita, muita coragem a mais! Mas a coisa toda estava bem encaminhada. E eu sou uma das provas de que tudo deu certo! Mas, quando os dois se apresentaram, ela entendeu o nome dele errado: Américo. A partir disso, era Amélia e Américo. Até o dia em que ele se armou de coragem, mais uma vez, e disse a ela que não era Américo. O nome dele era Amélio! Aí, ela se espantou: "Mas eu achava que eu era a única pessoa com esse nome!" Não deu outra: casaram-se, em 1939, depois de vários anos de namoro e noivado, também costume, na época.

O primeiro filho, eu, demorou um pouco. Eu nasci na virada do ano, em 1º de janeiro de 1942. Existem algumas tentativas de explicação para essa data. Alguns dizem que minha mãe tomou um susto com o estouro de fogos de artifício que comemoravam o novo ano, e... eu nasci.

Outros já tem uma versão diferente, minha preferida. Naquela época, começando às 23,45 horas, nós tínhamos, aqui em São Paulo, a famosa Corrida Internacional de São Silvestre. Vinham atletas do mundo todo disputar a prova, que se prolongava até os primeiros minutos do novo ano. Era uma coisa tradicional (que a Rede Globo sepultou, transferindo a corrida para o dia 31, à tarde, em benefício de seus programas de finais de ano, com suas Xuxas e Faustões da vida!). Todos comemoravam a entrada do ano novo, acompanhando, pelo rádio, a corrida de São Silvestre. Lógico que todos torciam pelos atletas brasileiros, mas estes... só foram ganhar, pela primeira vez, já nos anos setenta. E, na virada de ano 1941/1942, mais uma vez, o Brasil perdeu a prova. Aí, para compensar, dando uma imensa alegria a todo o povo brasileiro, depois da corrida, eu nasci!

Naquela época (quanta diferença!), só se sabia se era menino ou menina quando a criança nascia. Quando muito, faziam a tal simpatia da agulha para tentar saber o sexo. Mas, a agulha também não entendia muito do assunto. E eu nasci menino! Não tenho nada contra as mulheres! Muito pelo contrário! Mas, não me arrependo de ter nascido menino. A Nina também é favorável ao fato de eu ter nascido menino.

Depois do nascimento, começavam os palpites: "Vai chamar-se Antonio", "Eu prefiro Artaxerxes!", "Vocês estão doidos? O nome é AMÉLIO! AMÉLIO Junior!". Eu, lá no meu bercinho, vendo toda aquela discussão entre tios, tias, avós, comadres... E já imaginando horrorizado: "Vou ficar conhecido como Amelinho!!! Essa não!" Me dava um desespero, que logo começava a chorar. Aí, minha mãe terminava com a discussão: "Todo mundo prá fora! Ele está com fome e precisa mamar!" E, para sorte minha, meus pais decidiram que eu teria um nome diferente.

Eu escapei. Minha irmã, não! Ela pegou o nome Amélia. Só que, como era costume na época, acrescido de um Maria: Maria Amélia! Até que ficou bonito. Eu acho!

Mas, a história nada tem a ver com minha irmã. Voltemos, pois, a dois anos e alguns meses antes. O meu nome! E meus pais resolveram, para o primeiro filho, homenagear meus avós paternos: Francesco e Giuseppina Catharina. Porém, de forma aportuguesada: Francisco, Catarina. Novamente, fiquei apavorado com aquela conversa de nomes: "Como irão me chamar?" E, na minha imaginação muito nova, pós-parto, pensei em uma combinação de nomes que me apavorou. Só não fiquei de cabelos em pé, porque nasci careca (acho!). No meu raciocínio, eu não percebia como iriam homenagear minha avó, que só tinha nomes femininos: Josefina Catarina. Eles não seriam tão doidos de darem a mim, um legítimo homenzinho, o nome de Catarina! Ou Josefina! Pensando bem, meu nome nem poderia terminar com a letra "a". O que meus coleguinhas iriam comentar de mim, na escola, embora isso ainda fosse um problema longínquo? E continuei matutando: Francisco Josefina? Nem pensar! Francisco Catarina? Nem sei qual o pior! Aí, no meu raciocínio, pensei: e se eles pegam uma parte do nome do meu avo e outra parte do nome de minha avó e formam um nome novo? Poderia dar certo. Mas, para
isso, seria necessário que a parte do nome de minha avó viesse primeiro, para evitar a terminação em "a" do nome novo. E eu pensei: pega-se uma parte do nome de minha avó: Cata, de Catarina. E, uma parte do nome de meu avô: Cisco, de Francisco. Juntando-se as duas partes, deve ficar original e bonito: Catacisco!

Catacisco??? Não!!! Pode esquecer. Nessa altura, virei para o outro lado e adormeci. Enquanto dormia, sem minha participação, meus pais resolveram meu nome: masculinizaram o nome de minha avó e acrescentaram o nome de meu avô. E foi assim que eu fiquei José Francisco. Muito prazer!

JF

(publicado na lista NESO de discussão pelo Yahoo, aos 04/06/2005)

Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

CRIANÇA TEM CADA UMA!

Diálogo de minha sobrinha com a filha (Marcela) de três anos. A diferença, entre nós e eles, é que já nasceram na "era da informática".

(M/sobrinha): “Filha, por que você está pegando mais brinquedos se já tem muitos espalhados? Guarde os espalhados, antes de pegar outros.”

Marcelinha reflete e faz um balanço da situação.

(Marcelinha): “Mãe, vamos brincar de mamãe e filhinha?”

(M/sobrinha, curiosa): “Vamos! Quem vai ser a mamãe e quem vai ser a filhinha?”

(Marcelinha): “Eu sou a mamãe e você é a filhinha!”

(M/sobrinha, querendo ver onde aquilo iria parar): “E como é que a gente brinca?”

(Marcelinha, imperativa): “Filhinha, não quero brinquedos espalhados! Guarde já esses brinquedos!”

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Pessoal, na quarta feira passada, um temporal aqui em Itatiba e cidades da região deixou-me isolado, sem internet e sem telefone. Ao contrário do ano passado, quando fiquei 20 dias sem internet e um mês sem telefone, desta vez o conserto foi mais rápido e já está tudo restabelecido. E, assim, feliz, volto à net!

Prosseguindo com a série “O primeiro, ninguém esquece”, já tenho a história da primeira impressora (e os respectivos dissabores) pronta. Entretanto, preferi trazer o diálogo de minha sobrinha e a filha. A impressora fica para a semana que vem, após o Natal.

As fotos desta postagem são de orquídeas espalhadas pelas árvores do sítio, da espécie Oncidium flexuosum, o popular “pingo de ouro”. São plantas que instalei em árvores há mais de trinta anos e que, nos meses de outubro e novembro, produzem um efeito bastante colorido e alegre.

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FELIZ NATAL! FELIZ 2010!


Na 4ª feira, Luciana (Eeepaaa...) e Vagner, com nossas netas Juliana e Vanessa, já estarão por aqui, para o Natal e Ano Novo. Também virão o Adriano e a Paçoca ("cãzinha"). Na noite de Natal, estaremos reunidos na casa da Maria Amélia, minha irmã, com todos os seus filhos, maridos, nora, netos, além de familiares de seus genros e nora. Como acontece desde os nossos primórdios no sítio, lá pelas tantas aparecerá o Papai Noel. Dizem, alguns, que é meu cunhado disfarçado. Mas, como ainda credito em Papai Noel, acho que não é o Paulo, embora a voz seja extremamente parecida.

Na virada do ano, os familiares de minha irmã, como de costume, irão para o litoral. Nós, como de costume, ficaremos por aqui e estaremos recebendo parentes e amigos.

Desde já, desejo a todos os bloqueiros e não blogueiros que costumam passar aqui pelo "blogdojf", costumeiros ou não, e também para aqueles que não passam por aqui (embora não sei como saberão, mas a intenção é que vale!), um feliz Natal e um 2010 pleno de muita paz, muita alegria, muita saúde, muita realização, felicidades, enfim, e também com um bom dinheiro (que isso ajuda! hehehehehehe).

Abração,
JF

Quinta-feira, Dezembro 10, 2009

O PRIMEIRO... A GENTE NUNCA ESQUECE!

O primeiro que? Depende de cada um. Para uns, a primeira bicicleta. Para outros, o primeiro amor. Tinha até a mocinha, na TV, que não esquecia seu primeiro sutiã. Lembram? Um comercial de TV muito marcante, recebeu prêmios no exterior, pela criatividade.


Bom, vou iniciar aqui uma série de postagens sobre alguns dos meus primeiros: meu primeiro computador, minha primeira impressora, meu primeiro “vírus de computador”.


Meu primeiro computador foi adquirido ali por 1986 ou 1987. Na época, eram caríssimos. Assim, o primeiro foi um CCE, de 2ª mão, comprado lá na Rua Santa Efigênia. Eu não queria comprar, pois achava que essas coisas eram para os jovens e eu já era velho demais. Foi a Nina que insistiu.

Na verdade, não é do primeiro e sim do meu segundo computador que quero falar.

A Nina já vinha mexendo em um micro-computador, no escritório de um cliente, e estava animadíssima. E foi ela que me ensinou os primeiros passos no nosso novo micro velhinho. Também fiquei animado e resolvi que precisávamos, para nossos trabalhos, de dois micro-computadores. Máquina de escrever já era! Mas, e o preço? Não podíamos comprar um novinho, à vista. Consórcio! Consórcio de um micro-computador novíssimo Itautec, uma máquina XT que rodava com o DOS 3.0 (bisavô do Windows!), pagável em 24 parcelas. Evidentemente, contávamos em sermos sorteados logo nos primeiros meses.


Sorte rima com forte, porém, sorte nunca foi o meu forte! Os meses foram passando, o primeiro ano, e nada de ser sorteado. Finalmente! Saiu o número, de acordo com o sorteio da Loteria Federal. Saiu? Saiu! Mas não levei! Os postalistas (pessoal que trabalha nos Correios) haviam entrado em greve. Não recebi o boleto bancário e não paguei. Estava inadimplente! Fui um dos últimos a receber o micro-computador, naquele grupo.

Hoje em dia, os computadores já vem equipados com HDs de 300 GB e até mais. Naquela época, os computadores podiam funcionar sem HD. Mas, era bem mais cômodo instalarmos esse periférico, cujo nome era “winchester”. Pois o tal de “winchester”, um equipamento pesadíssimo, quase do tamanho e parecido, menos na cor, com um presunto Sadia (sem fatiar), adequado para aquele Itautec, tinha a capacidade de 20 MB. Um assombro!


Só que, passados quase dois anos que eu havia adquirido o equipamento, esse tipo de “winchester” já era superado e não era mais encontrado no comércio. Porém, sempre temos um amigo disposto a ajudar, não é mesmo? O filho de um cliente morava nos Estados Unidos e trabalhava, lá, com informática. Depois de alguns meses procurando, conseguiu encontrar uma peça usada, em muito bom estado, e a trouxe para o Brasil, para minha alegria. Nessa ocasião, já estavam completando dois anos e meio que eu me encantara e resolvera comprar o tal Itautec. Evidentemente, nessas alturas, 1990, o Itatutec era o meu segundo computador, na ordem de compra, mas, na ordem de uso, já era o meu terceiro ou quarto. Afinal, como dizia o filósofo Adoniran Barbosa, “esperar mais de vinte minutos, quem é que agüenta!”


Pois bem, esse meu cliente pediu a uma funcionária que levasse o tal “winchester” ao meu apartamento. Quando ela chegou, o Adriano, meu filho, abriu a porta. A menina deve ter ficado extasiada com o que viu (verdade que sou coruja, mas, sinceramente, meu filho é um “gatão”) e esqueceu que estava segurando meu tão esperado “winchester”. Ficou olhando, de boca aberta, para a cara do Adriano e largou o pacote. O barulho dele, caindo no chão, ecoou pelo prédio inteiro.


Nem preciso contar, não é mesmo? O “winchester” não funcionou. Tentei ver se tinha conserto. Não tinha! Obviamente, meu cliente não soube o que aconteceu. Quanto ao Adriano, recomendei que quando fosse abrir portas, novamente, que se despenteasse e fizesse caretas.


Quanto ao meu micro-computador Itautec, já estava tão ultrapassado, passado esse tempo todo, que virou sucata mesmo sem ter sido usado. Nem lembro mais como foi que me desfiz dele. O certo é que nunca o usei.


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Aí ao lado, duas fotos de um Dendro-
bium calciolarium (sinônimo: Dendrobium Moschatum) florido, há poucos dias, em uma árvore, aqui no sítio.

Coloquei essa planta na árvore uns vinte e poucos anos atrás.

Muitas mudas já foram feitas e instaladas em outras árvores.

Para aqueles que gostam de orquídeas, recomendo uma excelente lista de discussão desse assunto, a lista "Orquídeas-Mundo Orquidófilo". Pouco mais de 2.300 associados, de quase todos os estados brasileiros, do continente americano (da Argentina aos Estados Unidos), e até alguns da Europa e África. A maior lista de discussão de orquídeas em língua portuguesa e com um moderador muito competente (eu acho!!!).


Daqui para frente, pretendo, em todas as postagens, colocar algumas fotos e noticiar eventos ligados à orquidofilia.

Os curiosos devem estar se perguntando: e quem é o competente moderador da lista "Orquídeas-Mundo Orquidófilos"?

A modéstia me impede de dizer! Hehehehehehe!



Para ingressar nessa lista, basta acessar


orquideas-subscribe@yahoogrupos.com.br
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Abração e até à próxima.
JF

Terça-feira, Novembro 10, 2009

A vida prega cada peça!!...

Gentes,

E como a vida prega peças!

Aqui no escritório, existem algumas lagartixas bastante arredias. Sempre se escondem, se aparece alguém. Uma delas, entretanto, a maior e mais gorda, parece que já se acostumou comigo e fica rodando por aqui, enquanto eu permaneço no computador. Deve ter percebido que sou um protetor delas!

Esta noite passada, ela estava perto da janela, bem na minha frente. Pois não é que aparece uma borboletinha, na janela? Sou sincero com vocês! Acho que era uma borboletinha bem apetitosa, pelo menos para os padrões lagartixais. Se eu fosse uma lagartixa, com certeza gostaria de comer aquela mariposinha.

Não deu outra! A lagartixa percebeu a borboleta e iniciou as manobras de aproximação. Dava umas corridinhas de uns vinte centímetros e parava, estática. E a borboleta, no mesmo lugar. A lagartixa dava outra corridinha e parava. E a borboleta, lá, firmona, como se a coisa toda não fosse com ela. Até que a lagartixa chegou bem perto.

Depois de avaliar bem a situação, a lagartixa deu um bote. Falhou! Deu ums segundo bote. E a borboleta no mesmo lugar.

Falhar duas vezes e, ainda, perceber que a borboletinha não estava nem aí? Era demais! A lagartixa reviu toda a situação. Percebeu que seria impossível pegar a borboleta que estava do lado de fora, do outro lado do vidro, e foi-se embora procurar outro inseto.

Uma pena! Era uma caça tão fácil e apetitosa, apesar de ser suficientemente viva para saber que estava inatingível, atrás do vidro protetor.

Abração,
JF

Terça-feira, Julho 28, 2009


Exposição de Orquídeas de Vinhedo/SP e o "Família Jacaré"



Oi, pessoal!

Ando sumido, não é mesmo? Mas, vou retornar em breve.

Hoje, é apenas para convidá-los para a 10ª Exposição Nacional de Orquídeas de Vinhedo/SP, realização do Clube Amigos da Orquídea-CAO ViVa, com o apôio da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura de Vinhedo.

Local: Memorial Brasil-Itália, Vinhedo/SP.
Datas: 08 e 09 de agosto próximos, das 8 às 18 horas, entrada franca.

Durante o evento, serão ministradas aulas de cultivo de orquídeas.

No sábado (8), às 16 horas, haverá a apresentação do grupo musical "Família Jacaré", em "150 anos de música brasileira". Para quem não sabe, o "Família Jacaré" somos nossa filha Lu Farias (Eepaaa...) e o marido Vagner, nossas netas Juliana e Vanessa, a Nina e eu.


Para terminar a blogagem, e para que ninguém reclame que eu não contei uma historinha, aí vai:

O "CORAL DO JACARÉ"


Abril/2007. Esse era o nome de nosso grupo, na época e desde quando surgimos, sob a direção do Tato Fischer (ex-pianista do grupo Secos e Molhados).

Era um sábado e deveríamos nos apresentar em um coreto, no Parque Municipal de Vinhedo, às 9,30 da manhã, durante a realização da 8ª Exposição Nacional de Orquídeas de Vinhedo. A apresentação duraria uma hora, pois às 11 horas haveria uma palestra especial para os orquidófilos. Antes da apresentação, deveríamos fazer os testes de som.

A Secretaria de Turismo, como já ocorrera em evento anterior, ficou de providenciar todo o equipamento de som necessário.

Às nove horas, como o combinado, lá estávamos para os testes. Porém, não apenas o equipamento sonoro não havia sido instalado, como acabava de chegar. Do caminhão-baú foram tirando caixas e mais caixas de som, caixas de retorno, enorme quantidade de cabos, uma imensa mesa de controle de som, e inúmeros microfones e pedestais. Nós, sem saber o que estava acontecendo, ficamos assistindo a tudo aquilo. Terminaram de montar às 10,30 horas e, em seguida, iniciamos os testes de som. Só não entendíamos a enorme quantidade de microfones. Optamos por cantar com apenas oito microfones. Os técnicos, atônitos, perguntaram:

"Mas, não é um coral? Nos pediram equipamentos para UM coral!"

Foi a partir disso que resolvemos mudar o nome do grupo (seis) de "Coral do Jacaré" para "Família Jacaré".

Como foi a audição?

Ah, sim! Só cantamos três músicas e precisamos interromper para dar lugar à palestra.

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Todos os leitores estão convidados para a exposição de orquídeas, no Memorial Brasil Itália, e para a apresentação do "Família Jacaré", no teatro de arena instalado nos jardins do mesmo Memorial. Para quem não conhece, Vinhedo/SP está na altura do Km 75 da Via Anhanguera, entre Jundiai e Campinas. Ou, mais precisamente, entre Louveira e Valinhos.

Abração,
JF

Sexta-feira, Abril 24, 2009

Receita para um casamento perfeito e duradouro

Pessoal,

As duas mensagens abaixo foram publicados na lista de discussão NESO (do Yahoo).


RECEITA PARA UM CASAMENTO PERFEITO E DURADOURO

Candido,

Obrigado pelo elogio. Mas o nosso casamento não podia dar errado. Existem três premissas que nós seguimos direitinho:

1-Certesa do par perfeito

Antes de namorar a Nina, namorei uma amiga dela por quatro meses. Ou melhor: um período de uns 30 dias, dois meses e meio sem um olhar na cara do outro, 15 dias de "volta". A Nina fazia o papel da "intermediária confidente", que tentava arrumar a situação entre os dois (será que a malandrona tentava mesmo?). Até que poderia dar certo, pois nós éramos iguais: os dois capricornianos! Mas, era a única coisa que combinava. Se tivéssemos prosseguido, hoje, um estaria na cadeia e o outro no cemitério.

Com a Nina, não! Somos totalmente diferentes um do outro. Eu, como todos sabem, sou introspectivo, caladão. Já, a Nina é totalmente expansiva, muito falante. E isso é uma certesa de que o casamento dará certo. Veja bem: a característica do introspectivo (eu) é não falar, só ouvir. Já o extrovertido (ela): não ouve, só fala. É isso! Fica impossível uma briga, quando um só fala e o outro só ouve!

2-Casamento na Hora Certa

As pessoas devem perceber o exato momento de se casarem. Se o casamento acontecer em momento errado, estará fadado ao insucesso.

Na primeira vez que eu fui à casa da Nina, convidaram-me para lanchar. Eu, lá, afundado em uma cadeira, sendo atentamente observado e devidamente avaliado pelo avo dela, pelos pais dela, pelos 37 primos dela, pelos 28 tios dela. Meu cunhado, como era meu amigo e não queria cair na gargalhada, sumiu e não lanchou em casa. Bom, com toda aquela gente olhando para a minha cara e sorrindo, querendo mostrar benevolência, a mãe dela me pergunta:

"Gosta de chá?"

Suspense! Eu, lá em baixo, afundado na cadeira. A platéia sem respirar, esperando que eu, afinal, falasse alguma coisa e eles pudessem perceber minha vóz. A sogrona, lá no alto, com um baita bule fumegante na mão, uns 30 cm acima da minha cabeça. Já pensaou? Eu vou falar que não gosto? Qualquer descuido meu e ela vira aquele bule de chá fervente prá cima de mim. Não na cabeça, mas um pouco na frente, para que caia exatamente "lá", deixando-me "desprovido" para sempre.

"Com bastante açucar, por favor!"

Toda a assistência sorriu satisfeita. Eu fora aprovado! Resignado, tomei três chícaras cheinhas de chá. Com bastante açucar, diga-se de passagem!

Foi minha condenação! Durante todo tempo de namoro e noivado, todo sábado, domingo e feriado, e às vezes quando eu ia lá durante a semana, invariavelmente, lá vinha o indefectível chá! Namorado (e noivo) sofre!

Depois de quatro anos e meio, um dia o pai dela me aparece na frente com um calhamaço de folhas de papel.

"Sabe o que é isso?"

"A folha corrida criminal do Fernandinho Beira-Mar?" Tentei fazer uma piada, mas ele não riu.

"Não! É a conta dos lanches que você já tomou aqui em casa. Casa ou paga."

Nem olhei os detalhes. "Casa ou paga"? Fui direto ao total. Barbaridade! Só não fiquei certo foi quanto à quantidade de lanches. Bem que ele poderia ter lançado alguns a mais. De qualquer forma, lembrei de minha velha e sábia avó italiana e seus "ditados". Coitada, ela não sabia falar corretamente o português e eu não conseguia entender direito o que ela dizia. Até hoje não entendi o sentido dessa frase. Talvez por ser italiano arcaico. Vou escrever exatamente o que eu ouvia. Talvez vocês entendam e possam esclarecer-me. Mas, numa situação dessas, ela costumava, sempre, dizer o seguinte "ditado"

"Dé lus mális, u minori!"

Entenderam? Eu também não! Porém, precisava decidir-me. Ou seja era o momento exato para o casamento. Casei-me! Era o que tinha que fazer, diante de conta tão alta (e isso porque ele, generosamente, não lançou os 10% do garçom).

3-Garantia de continuidade

Dizem que alguns casamentos são para toda a vida. O meu é! Isso porque, quando casei, pedi ao sogrão um documento de quitação da dívida. Muito vivo, ele respondeu:

"Nada disso! É minha garantia de que você não irá devolvê-la." E guardou o calhamaço. Compreendi direitinho o recado: "se não quiser pagar a conta, terá que ficar casado com ela a vida toda. É sem direito de devolução!"

Entendeu? É isso! A receita corretinha para um casamento perfeito, até que a morte os separe.

Abração,
JF

(NESO - 22/12/2008)

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CONTANDO UMA HISTORINHA

Meus queridos.

Andei sumida por causa do movimento de final de ano, pois quero ver se consigo ficar duas semanas sem trabalhar, somente curtindo a família.

Gostaria de contar uma historinha, aproveitando para matar a curiosidade da Sonalli:

Duas crianças que não se conheciam.

Através de amigos do irmão da menina, eles se conheceram e, durante dois anos, formaram um grupo de amigos, onde o rapaz tímido (na época um "mancebo" de 20 anos) só podia sentir amizade, por uma "menininha" falante e barulhenta de 14 anos.

Final do ano de 1964. Muitos bailes de formatura, "obrigatórios" naquela época. Os amigos, como sempre, não perdiam nenhum deles. Dançavam bastante, em geral, com pessoas conhecidas, mas não da mesma turma, embora estivessem todos sempre perto uns dos outros. Nesta turma de amigos já havia dois casais de namorados e, um novo par se formou.

Naquele fim-de-semana de 12 e 13 de dezembro (sábado e domingo) haviam sido convidados para dois bailes. Piores do que "arroz-de-festa", nenhum deles faltou aos dois.

Segunda-feira, 14 de dezembro de 1968. À noitinha toca o telefone, uma "moleca" de 16 anos, disputa uma corrida com o irmão para poder chegar primeiro. Ao atender, o coração dispara ao ouvir uma voz tímida, mas já tão querida perguntar:

- Você quer namorar comigo ?

A resposta foi rápida e direta : - SE QUERO !!!

E, assim, começou o namoro, que hoje completa 44 anos.

O noivado foi em 06 de janeiro de 1968 e o casamento em 16 de maio de 1969. Foram datas inesquecíveis e emocionantes , que só se tornaram possíveis, porque apesar de ter pouca idade, tive a felicidade de perceber que o Zeca seria o amor da minha vida.

Nestes 44 anos juntos, o namoro continua cada vez mais firme, agora, com a cumplicidade dos filhos, genro, nora e netas.

É maravilhoso podermos envelhecer juntos, mantendo nossos corações sempre jovens e apaixonados. Até hoje, a minha resposta é sempre : SE QUERO!

Beijos

Nina

(NESO - 14/12/2008)

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Esses são os dois lados da história. Eu ainda completaria minha receita dizendo que é a "receita do casamento eterno". Por que?

Já pensaram no dia em que eu passar "para o lado de lá"?

Vou chegar ao balcão da Recepção:

"Bom dia, São Pedro. Posso ficar por aqui?"

"Claro, meu filho. Sua reserva está feita, mas tem alguém querendo falar com você."

Olho para o fundo da sala e vejo ele lá. De camisolão branco, um par de asas nas costas, uma auréola de luz iluminando sua calva, e um calhamaço de papéis já amarelados pelo tempo nas mãos. Isso mesmo! O sogrão! Ele nem precisa falar, pois o sorrisinho maroto já o diz:

"Continua casado ou paga a conta!"

E, assim, o casamento permanecerá eterno.

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Gentes, no próximo dia 16 de maio, a Nina e eu estaremos completando 40 anos de um casamento muito feliz. Ela só mudou a cor dos cabelos: assumiu os cabelos brancos. No mais, continua igualzinha. Sempre falante, sempre alegre, sempre carinhosa, sempre companheira.

Se um dia, lá na frente, me for dada a oportunidade de voltar à Terra para uma segunda vida, a primeira coisa que eu farei será correr lá para a Vila Mariana para pedi-la em namoro, antes que algum espertinho a encontre primeiro. E, assim, mais uma vez viver tudo de novo, mas inteiramente igual, sem tirar nem por, o nosso amor.

Abração,

JF




Quinta-feira, Abril 09, 2009

M.S.T. e I. ou: salve a dupla Bell e Bill!

Pessoal,

No momento, estou inscrito do M.S.T. e I.

O que é isso?

É o Movimento dos Sem Telefone e Sem Internet. Poderia acrescentar, também, Sem Celular. Afinal, lá no sítio, o Vivo é mudo. Não pega nenhum sinal.

Há tempos eu vinha pedindo uma boa chuva. Porém, acho que insisti demais e o que veio, domingo passado, foi uma tremenda tempestade. É no que dá ser ganancioso!

Pois bem, caiu uma faisca em um poste por onde passavam o fio telefônico e o fio que transmitia o sinal de internet da antena de rádio para minha casa. Não deu outra! Fiquei sem o aparelho do Grahan Bell e sem poder utilizar o serviço que é a alegria do Bill Gates.

Viva a sociedade Bell & Bill!

E A BICHARADA LÁ DO SÍTIO?

Como vocês já estão carecas de saber, o que tem aumentado de animais silvestres, lá na minha região, "não está no gibi" (para usar uma expressão da época em que meu amigo Marco, lá do Antigas Ternuras, manobrava a arca com o Noé, lá no rio Tietê)!

Segundo uma bióloga, só de saguis e macacos são seis espécies diferentes. Além dos caxinguelês, lebres e aves mil. Além dos ouriços!

Muito legal, não fosse o aparecimento cada vez mais frequente de cobras. Há anos não víamos tanta cobra. De vez em quando aparecia uma ou outra inofensiva "limpa campo", mas não passava disso. Entretanto, nos últimos tempos, as "limpa campo" se escafederam (outra expressão para o Marco nos explicar) e as jararacas começaram a aparecer no pedaço. Quando falo em jararacas, não estou fazendo alusão a nenhuma parente obtida legalmente e sim às cobras, mesmo! Daquelas mais venenosas que sog... Enfim, mais venenosas que sei lá quê! Só ontem foram duas!

Antigamente, no começo do sítio, lá pelos anos 70, eram comuns. Depois, praticamente desapareceram. Naquela época eu tinha o costume de capturar as cobras e levá-las de presente para o Instituto Butantã. Estou precisando, novamente, deixar uma caixas em estoque para refazer este tipo de "distração". Lógico que capturar cobras e levá-las ao Instituto rendeu algumas histórias. Já contei para vocês a história da cobra que fugiu da caixa e se escondeu dentro do meu carro? Não? Numa próxima vez eu conto. Prometo!

Uma boa Páscoa para todos!

Abração,
JF

Domingo, Março 22, 2009

FEIJÃO, FEIJÃO! ERA SÓ FEIJÃO, FEIJÃO...


Dia desses, recebi um arquivo com a música “Comida de Pensão”, de Francisco Balbi e Miguel Miranda, numa interpretação inesquecível de Ivon Curi.


O Ivon, para aqueles que só o conheceram como um dos personagens das mil e uma escolinhas malucas apresentadas como programas cômicos da televisão, foi um grande cantor de rádio, ainda na época em que o Chateaubriand não havia dado à luz a TV brasileira. E, depois da luz, também um grande cantor na TV.


Mas, a música conta a história de um rapaz que morava em uma pensão, onde eram servidos apenas pratos à base de feijão. O próprio aperitivo não fugia à regra: batida de feijão. Sobremesa? Doce de feijão! O coitado já não agüentava mais tanto feijão.


Isso me fez voltar aos tempos de juventude, lá pelos anos de... nem lembro mais!


Meus pais, embora morando em São Paulo, eram originários do interior do estado, de uma época em que as estradas eram precárias, não existiam linhas regulares de ônibus, e assim por diante. Estou até para dizer que a força das locomotivas não era avaliada em “cavalos-vapor” mas em “burros-que-puxam”. Mas, não vem ao caso. Foi apenas para situar os dois no tempo, no espaço, nos gostos e nos costumes. Ou seja: de uma época em que as casas tinham quintais com muitas plantas, árvores, verduras, e até galinhas e perus. E, os dois vindo para a capital, com o correr dos anos, à medida em que as condições permitiam, mudavam sempre para casas com quintais cada vez maiores e, assim, cada vez com mais plantas e bichos.


A casa do Itaim, num terreno de 1.200 m2, tinha um quintal imenso. Nesse quintal, além das outras frutíferas que eles plantaram, já existiam três jabuticabeiras e uma enorme ameixeira.


É lógico que eu herdei a parte genética dos dois no que diz respeito a gostar muito de plantas. E foi assim que, em certa ocasião, plantei um chuchu que estava brotando.


Gente! Vocês precisam ver como um chuchuzeiro cresce rápido. Não demorou muito e a planta tomou conta da copa da ameixeira. A quantidade de chuchus, tenho a impressão, seria suficiente para abastecer toda a rede Pão de Açúcar, se meus pais resolvessem vender a safra. Mas, os chuchus não eram vendidos. Os chuchus eram consumidos em casa mesmo! Vocês não imaginam como minha mãe era criativa, quando se tratava de utilizar os chuchus para o almoço e para o jantar. Era chuchu de todas as formas possíveis. Como na música “Comida de Pensão”.


No começo, fiquei muito orgulhoso por ter tido a idéia de plantar aquele maravilhoso pé de chuchu que, se totalmente estendido e colocado em uma posição vertical, certamente chegaria às nuvens e à casa do gigante. Poderíamos então, se isso tivesse sido feito, ter a historia “JF e o pé de chuchu”.


Mas, os dias foram passando, minha mãe sempre preparando os pratos à base de chuchu, e nada do chuchuzeiro maluco parar de produzir chuchus. Meus pais adoravam comer chuchus. Minhas irmãs e eu já não agüentávamos mais. Como na música, se ficássemos intoxicados com os chuchus, possivelmente minha mãe nos curasse com boas doses de chá de chuchu.


Lembro-me até que, nós três, parodiando o Ivon Curi, cantávamos:


“Chuchu, chuchu, chuchu.

Era só chuchu, chuchu...”


Chegou num ponto que eu precisava tomar uma atitude. Não era mais possível. A casa já não comportava os dois juntos. Um tinha de ir embora. Como eu ainda não estava no ponto para me casar, sobrou para o pé de chuchu.


Um dia, meus pais estando em viagem, cortei o chuchuzeiro bem rente à terra. Em seguida, enterrei a ponta da planta cortada de tal forma que ninguém percebesse nada.


Quando meus pais voltaram, minha mãe estranhou muito que uma planta tão viçosa murchasse em tão pouco tempo. Possivelmente, tentava explicar, a produção excessiva tinha matado a planta. Totalmente pesaroso com o “desastre”, concordei com ela. Só podia ser isso. Produziu tanto chuchu que consumiu todas as forças da planta. Uma judiação!


Em poucos dias a planta estava morta, seca, os chuchus acabados, assim como acabados estavam os pratos preparados à base de chuchu. Retirei toda a ramagem seca que cobria a ameixeira e, em pouco tempo, a história do pé de chuchu que dava chuchu “prá chuchu” acabou quase que esquecida.


Quase porque, uns trinta anos depois, meus pais já morando no sítio, minha mãe, não sei por que cargas d’água, lembrou-se do chuchuzeiro e de sua morte repentina. Foi nessa hora que contei a ela a forma como havia morrido a planta. Felizmente ela estava de bom humor e a história rendeu muita risada.


Não sei a razão, mas, hoje em dia, aqui no sítio, não tenho nenhum sucesso no plantio de chuchus, ao contrário do que acontece com outras plantas, principalmente as ameixeiras. Na última tentativa, por exemplo, o chuchuzeiro até que se desenvolveu, mas os macacos acabaram comendo todos os chuchus, ainda antes de chegarem ao ponto de serem colhidos (colhidos os chuchus e não os macacos!).


Por outro lado, as ameixeiras produzem muito. E, se algum caroço cai na terra, logo está brotando nova ameixeira.


Coincidência? Acho que não. Sei que é um tanto difícil de acreditar, pois eu mesmo fico em dúvida. Mas, no dia em que cortei o pé de chuchu, tenho quase que certeza de ter ouvido a ameixeira dizer:


“Obrigada, amigão! Não agüentava mais esse chato me deixando sem ar e sem sol!”


- A FOTO: de 1935, em uma praça de São Carlos-SP, início do namoro entre a Amélia e o Amélio. Parece nome de dupla caipira mista, não é mesmo? Mas... são meus pais.


FAMILIA JACARÉ EM AÇÃO

No próximo sábado (28), o grupo "Família Jacaré" (nós, modéstia à parte) estará em São Paulo cantando em um Sarau entre amigos.


E, no dia 31, estaremos participando do evento "Foco Femina - em performances e Som" que terá como tema principal o universo feminino. O evento acontecerá no "Espaço 1", no Alto da Lapa, em Sampa, e está sendo coordenado pela poetisa Lunna Guedes. O "Família Jacaré" estará apresentando uma seleção de músicas voltadas às mulheres.


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Abração a todos,

JF


Sábado, Março 07, 2009

OLHO NO OLHO, COM UMA FERA


Gentes,

Essa minha mudança para o sítio está me trazendo momentos de aventuras com animais que eu nunca havia sonhado. Difícil o dia em que não haja alguma historinha interessante.

Outro dia, estava fotografando um urubu pousado sobre um poste de uns cinco metro de altura. Portanto, uma distância curta que faria com que qualquer outra ave fugisse espavorida. Pois o urubu, não! Calmamente, me observava, enquanto a máquina ia dando seus “clicks”. Até que acionei o “zoon”, para fotografá-lo em ponto maior. Pois bastou o leve zumbido do mecanismo para que ele abrisse totalmente as asas, voltado para mim e sem sair do lugar, mostrando toda sua magnífica envergadura de asas, numa pose de fazer inveja a qualquer modelo fotográfico profissional. Porém, para seu azar, o fotógrafo não é tão bom e não levou muito em conta a luminosidade que não era favorável. Uma pena!

Ontem, sai para ver umas plantas. Ao aproximar-me de uma jabuticabeira, comecei a ouvir uns guinchos, sinal de caxinguelê bem próximo.

Vocês sabem o que é caxinguelê? É também conhecido por serelepe, ou por esquilo. Quem já viu os desenhos animados ou as revistinhas do Disney, deve lembrar-se dos esquilos Tico e Teco. Pois é! É um Tico. Ou um Teco, como queiram.

Normalmente, quando alguém se aproxima, eles fogem rapidamente. Pois esse Teco do qual quero falar, não. Ficou lá guinchando, olhando para mim, muito bravo com minha presença. Era óbvio que alguma coisa estava acontecendo por ali. Caxinguelê nenhum fica a três metros de uma pessoa, sem um motivo muito especial.

Enquanto Teco ficava esbravejando, pulando para o chão, subindo na outra jabuticabeira, voltando ao chão e retornando à primeira jabuticabeira, e repetindo toda essa movimentação, como se quisesse me assustar, procurei ver o que acontecia. Um segundo caxinguelê, na primeira jabuticabeira, procurava manter sua presença oculta, por trás da galharia da arvore. Vez ou outra mostrava sua cabeça, tentando ver se eu ainda estava por ali.

Tentei entender. Haveria, por ali, algum esconderijo de sementes, que eles costumam ter? Ou seria a toca do casalzinho? Não me pareceu.

Seriam dois prestimosos pais levando seus filhotes para passear? Neste caso, enquanto mamãe procurava manter a ninhada escondida, papai tratava de defender sua família? Era uma hipótese, já que o segundo esquilo, ao invés de fugir, visivelmente procurava se ocultar e, talvez, à filharada.

Ou então, o Teco ainda estava “cantando” a Tica e, enciumado, me viu como um possível rival e quisesse disputá-la no braço?

A situação exigia pensamento e ação rápidos. Passar por eles ou voltar para trás? Não tive dúvidas. Vagarosamente, sempre olhos nos olhos com o Teco, fui recuando, recuando, até virar-me e sair correndo.

Correndo para ir buscar a máquina fotográfica! Afinal, não é todo dia que temos o espetáculo imperdível de um esquilo de uns 20 centímetros de altura, com uns 30 centímetros da ponta do focinho à ponta da cauda, com o pelo do rabo todo eriçado, nervoso, pulando na nossa frente como se dissesse:

“Não vem, não! Não vem que eu sou grande e acabo com você!!!”

Voltei bem rápido com a máquina, mas eles já haviam sumido.

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Obs: foto de Ruy Salaverry, no endereço:

http://www.faunacps.cnpm.embrapa.br/mamifero/images/caxing.jpg


HUMORACIDO

Minha amiga Ethel Scliar, do blog HUMORACIDO, está de volta. Seu endereço?

http://womarket1.blogspot.com/

A Scliar costuma comentar aquelas notícias de jornais que costumam ficar entaladas nas nossas gargantas. Vejam seus comentários sobre os 3.000 professores que tiveram nota ZERO nos exames de avalição.

OLHA QUE BLOG MANEIRO!

Minha amiga Maria Helena, do blog CAMINHO SUAVE, que não conheço pessoalmente mas imagino ser uma pessoa com muita sensibilidade, muito delicada, presenteou-me com o selo "OLHA QUE BLOG MANEIRO!". Muito obrigado pela lembrança, Maria Helena.

Não deixem de conhecer este blog: http://caminhosuavedamaria.blogspot.com/

Aliás, prometo a todos que vou atualizar minha galeria de selos. Já são diversos que ainda não foram colocados. Mas, eu chego lá! Por agora, o importante é que estou voltando às atividades bloguísticas. Tanto neste (já tenho alguns textos prontos) como, nos próximos dias, no Blog do Eddie Wood - http://www.edbeagle.blogspot.com/ Para quem não sabe, neste último, exerço o papel de digitador para as histórias que me são ditadas pelo Eddie Wood, um legítimo malandro/comilão/ desobediente/bagunceiro/destruidor/dorminhoco cão da raça beagle. Nestas alturas, já não sei mais se sou o seu dono ou se é ele que manda em mim.

EXPOSIÇÃO DE ORQUÍDEAS EM VINHEDO/SP

Nos próximos dias 17 a 19 de abril, nós, do Clube Amigos da Orquídea-ViVa, CAO-ViVa, de Vinhedo/SP, estaremos realizando nossa exposição anual. Na próxima postagem, trarei maiores detalhes.

Abração,

JF


Sábado, Dezembro 27, 2008

BOAS FESTAS!

Alô, amigos.

No momento, estou em uma Lan-House, aqui no Centro de Itatiba. No sítio, estou sem comunicação via Internet. Um raio queimou o aparelho rádio-receptor e a operadora só o irá trocar em janeiro, quando este Blog do JF e o Blog do Eddie Wood voltarão às atividades normais.

Minha intenção era a de deixar uma mensagem de Boas Festas em cada Blog anigo, mas o raio foi mais rápido.

Assim, embora com atraso, em meu nome e em nome da Nina, desejo a todos um feliz Natal, Boas Festas, e um 2009 repleto de saúde, felicidades, realizações.

Abração e até breve.
JF

Domingo, Novembro 09, 2008

EXPOSIÇÃO, SACI, SABIÁ

O RACIOCÍNIO DO IRRACIONAL

Pessoal,

Dizem que o raciocínio é próprio do ser animal racional - nós, humanos. Por outro lado, dizem que os seres animais irracionais não possuem raciocínio. Será mesmo?

Hoje, ocorreu um caso curioso, aqui no sítio.

Na minha última postagem, lhes contei dos macacos de duas espécies diferentes que se uniram para atacar um ninho de sabiás, com o fito de roubarem-lhes os ovos. Eu já havia presenciado tentativas de cada um dos dois grupos isoladamente. O sabiá macho é uma fera! Ele mergulha sobre os símios e, se estes não são “de circo”, levam uma tremenda bicada. E, quando é preciso, a fêmea também parte para o ataque. Assim, como nenhum dos dois grupos conseguia passar pela linha de defesa dos sabiás, uniram-se. Incrível! Espécies diferentes trabalhando juntas por um objetivo comum. Ai, já era demais! Era muito macaco para pouco sabiá! Só que os macacos não contavam com a entrada em cena de um super-herói que, casualmente, assistia a toda a cena. E, assim, brandindo uma vassoura, o Super-JF botou toda a macacada para correr e salvou o ninho dos sabiás.

Depois disso, a movimentação do ninho diminuiu, fazendo com que o Super-JF até imaginasse que os macacos, em alguma hora em que ele estivesse em socorro de outros oprimidos da justiça, tivessem finalmente, conseguido tirar os ovos do ninho. Entretanto, o ninho lá continuava, meio disfarçado entre as folhas, no alto da nolina.

Nos dias seguintes, de seu privilegiado observatório, pela janela de seu escritório, ao fundo do monitor de seu computador, por mais duas vezes o Super-JF percebeu a aproximação dos macacos e já saiu para fora. Os macacos preparavam-se para o bote, enquanto os sabiás voavam em volta, alvoroçados. Porém, nessas outras duas vezes, o Super-JF chegou a tempo de socorrer seus amiguinhos, botando a macacada para correr e refazendo a paz local. Mas, com isso, ficou provado que a movimentação no ninho continuava.

Hoje, pela manhã, lá estava o Super-JF em seu observatório, à frente da tela de seu computador, quando tocou o telefone e ele levantou-se para atender, saindo da frente da janela. Assim como o Coringa tenta distrair o Batman (colega do Super-JF na Liga da Justiça) com alguma coisa, atacando em outro local, também alguém distraia o Super-JF para que os macacos atacassem o ninho. Provavelmente, até fosse algum dos macacos que havia ligado através de seu celular, o sem vergonha!

Mas, a Liga da Justiça não falha. Se um super-herói se afasta, outro toma o seu lugar. E lá estava a Super-Nina, também atenta ao chamado de fracos e oprimidos!

Naquele exato momento ela saiu para o terraço sem saber o que estava ocorrendo. No gramado, bem próxima à entrada da casa, a sabiá caminhou quase um metro, chegando perto dela, e lá ficou fitando a super-heroina. Naturalmente, esta compreendeu, de imediato, que alguma coisa errada estava acontecendo e olhou em direção à Nolina, para o ninho. Um macaco já estava pronto para saltar dos fios para a árvore. Não havia tempo de ir buscar uma vassoura (se bem que ela poderia voltar voando nela! hehehehehe). Super-Nina berrou “Shazan!” e “voou” em direção à planta, espantando o primeiro macaco e outro que já vinha se aproximando. Enquanto isso, o sabiá-macho atacava macacos um pouco mais distantes. Mas, o grito “Shazan” e outros mais, embora nenhum grito impublicável (Super-Nina é muito educada), foram suficientes para espantar a macacada toda.

Agora, à tarde, em vôos constantes, parece que o sabiá-macho está trazendo alimentos para o ninho. Teriam nascido os filhotes?

Mas, o interessante da história foi o seguinte: será que a sabiá-fêmea, vendo-se impotente para repelir sozinha ao ataque, veio em busca de socorro? Por que não, se, em verdade, ela já havia presenciado por três vezes a chegada, a tempo, do socorro protetor? Será que foi mero instinto animal ou ela “raciocinou” que era necessária a ajuda de um super herói e “lembrou” de onde ele saia?

Não sei! Mas, a Super-Nina garante que recebeu uma mensagem telepática, no momento em que ela e a sabiá ficaram, como direi, olho-no olho:

“Me ajuda, que não dou conta sozinha!”

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CRENDICES POPULARES – FOLCLORE

Dia desses, aqui no sítio, nosso cachorro beagle, o Eddie Wood, conseguiu perder sua coleira. Nessa coleira está presa uma chapinha metálica com diversos números telefônicos. Se ele perder-se, esperamos que aquele que o encontrar nos avise. Assim, a perda de uma simples coleira nos deixou preocupados. E se ele se desaparece?

Nosso caseiro, gaúcho, trabalhador, leal, adepto do chimarrão e do cigarrinho de “paia”, aqueles cigarrinhos de palha de milho enrolada e fumo de corda picado com canivete especial, disse que iria encontrá-la. Bastava fazer uma “simpatia para o Saci Pererê”.

Dito e feito. Cortou um pedacinho do fumo de corda e o deixou num canto “para o moleque Saci ter fumo para o seu pito”.

Segundo o Ilmo, se o Saci viesse pegar o fumo, ele devolveria a coleira, pois só podia ser brincadeira dele.

Depois de certo tempo, o fumo desapareceu. Pois não é que, pouco depois, a coleira foi encontrada?

Gentes, agora fiquei confuso. Será que existe, mesmo, o tal de Saci Pererê?


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II FEST-ORQUÍDEAS DE FORTALEZA

Amigos, nos próximos 14 a 16 de novembro estará sendo realizado, em Fortaleza/CE, o II FestOrquídeas, organizado pelos meus amigos da ACEO-Associação Cearense de Orquidófilos, entre eles a Vera Coelho http://orquidarioterradaluz.blogspot.com , a Juliana Coelho, o Ítalo Gurgel, e todos os demais amigos. Exposição de orquídeas, oficinas, palestras, tudo no belíssimo e moderno Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura..

No I FestOrquídeas, no ano passado, a Nina e eu lá estivemos. Fui convidado a participar do julgamento das orquídeas expostas e, também, fazer uma palestra sobre normas de julgamentos de orquídeas, com direito a ser noticiado na imprensa e aparecer na TV Verdes Mares! (vide *), abaixo.

Um evento imperdível! Além das orquídeas, a moderna e linda Fortaleza proporciona possibilidades de lindos passeios. Sem falar que o povo cearense é muito simpático e hospitaleiro.

Nas fotos (clique nas imagens para aumentá-las):

-Cartaz-convite da exposição;

-Troféu a ser entregue ao orquidófilo vencedor, obra de artesão local.

Abração a todos,

JF


(*) Foi pena que os olheiros da Globo não me viram. Eu poderia estar estrelando a novela das oito!


Quinta-feira, Outubro 30, 2008

SACI PERERÊ ATACA AS BRUXAS

No dia 31 de outubro, em São Paulo, e acredito que também em outras cidades, a criançada dos prédios já sai vestida de bruxas e bruxos, batendo de porta em porta e gritando "Doce ou travessura", uma imitação dos festejos do “Halloween”, uma data que faz parte do folclore dos Estados Unidos.

Não sou contra o fato de os norte-americanos festejarem essa data. Muito pelo contrário! Faz parte de suas tradições e essas manifestações folclóricas devem ser mantidas.

Também não sou contra o fato em si de crianças brasileiras fazerem esse tipo de brincadeira. Eu já fui visitado por um grupo desses, em São Paulo. Liderados por uma pequena e linda bruxinha, a criançada brincava na porta de cada apartamento em meio a uma tremenda algazarra. E ver criançada alegre é uma das boas coisas que existem.

Agora, o que acho absurdo é o seguinte. Nesse dia, 31 de outubro, por declaração em lei, nós temos a comemoração do Dia do Saci Pererê, que é, possivelmente, o maior e mais conhecido mito do folclore brasileiro. Só que ninguém comenta, ninguém explica às crianças, nem na escola e nem em casa. Com isso, deixamos de lado nossas próprias tradições, para festejar as tradições dos outros. Ou será que alguém imagina que os norte-americanos é que irão festejar o Saci-Pererê?

Sabem, eu, particularmente, gosto muito de manifestações culturais de povos, seja de que paises forem. Mas, cada um na sua! Nada de invasões! Mas, o pior é que não estamos vendo invasões. Estamos vendo IMPORTAÇÕES.

Nos Estados Unidos, dentre diversos gêneros musicais, um que gosto bastante é o chamado "country music". É um gênero já centenário e que, hoje, já modernizado com instrumentos eletrônicos, é muito difundido, vende muito, e tem excelentes cantores (e muito ricos). É o equivalente, nos Estados Unidos, à nossa música caipira (que também faz muitos cantores ficarem ricos, o que é sinal de sucesso desse gênero - nada contra!).

Uma das coisas que a "country music" preserva é a forma de dançar. Em grupos, cadenciada, alegre, recatada, bem ao estilo do que se imagina uma música rural no final do século 19 e início do século 20. Muito diferente de muita dança ridícula atual, principalmente brasileira, que está mais para manifestação de sexo quase-explícito do que dança propriamente dita.

Muito bem. Os norte-americanos cultuam e mantém vivo esse gênero musical tradicional e a correspondente dança. E isso é ótimo! Eles devem manter suas tradições populares, mesmo!

No Brasil, também temos nossa música rural. Alguns criticam a sua "modernização", mas isto não vem ao caso, agora. O fato é que ela também existe e é muito difundida. E eu também gosto.

Aliado às nossas tradições rurais, culturais e religiosas, em todo o Brasil, de há muito tempo, no mês de junho, a propósito de se comemorarem as datas de Santo Antonio, São João e São Pedro, são celebradas as "festas juninas". Talvez, até, herança recebida da colonização portuguesa. Quem, aí, nunca participou de uma festa dessas, com fogueira, pau-de-sebo, quentão, paçoca, pé-de-moleque, fogos, balões, "casamento caipira" seguido da dança da "quadrilha"? E tudo isso com muita música "junina". Eram festas que se realizavam tanto no meio rural como nas cidades. Na minha infância, na cidade de São Paulo, lembro-me que a vizinhança fechava ruas para organizar essas festas.

Mas, os tempos foram mudando, os balões foram proibidos (felizmente, embora proporcionassem belos espetáculos), os compositores deixaram de fazer e de gravar as músicas próprias da época, as festas quase que desapareceram das grandes cidades (exceto no NE e no Norte, onde ainda existe muita comemoração junina). Tudo bem! Os tempos mudam e novas manifestações culturais populares vão surgindo.

Entretanto, manifestações da cultura popular não devem morrer. Precisam ser mantidas. Assim, nas grandes cidades, muitas escolas continuaram com a tradição das festas juninas, ao menos entre os alunos pequenos. E, ao menos entre estes, continuou a tradição de representar-se o "casamento caipira", de dançar-se a quadrilha, com as crianças devidamente fantasiadas. Não é exatamente como eram as antigas festas juninas, mas as crianças tomam conhecimento da existência dessa antiga manifestação de cultura popular brasileira. E isso é o que vale, pois mantém viva a tradição.

Pois bem! Minha neta veio me perguntar se eu iria vê-la dançar, na festa junina da escola.

-Você vai dançar quadrilha?

-Quadrilhaaaaaaa?????

Pasmem! Existem professores (ao menos eles próprios se classificam como professores!) que estão ignorando a nossa tradicional dança da quadrilha e substituindo-a pela dança do "country music", com música e tudo! Aí, eu pergunto: Será que os norte-americanos estão substituindo a sua dança de "country music" pela nossa "quadrilha? Será que eles estão cantando:

"Eu pedi numa oração
Ao querido São João,
Que me desse um matrimônio!
São João disse que não!
São João disse que não!
Isso é lá com Santo Antonio!"

Os norte-americanos estão certíssimos ao comemorarem o Dias das Bruxas, de cantarem e dançarem a “contry music”, e ignorarem o Dia do Saci-Pererê e a Quadrilha. Fazem parte de suas tradições folclóricas e eles não trocam por nada.

Os brasileiros estão erradíssimos ao comemorarem o Dia das Bruxas, ignorando o Dia do Saci-Pererê, de dançarem a “country music”, substituindo a nossa Quadrilha. Não fazem parte de nossas tradições folclóricas. Que tal cada um ficar “na sua”?
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Agora à tarde, aqui em Itatiba/SP, passando em frente a uma escola (PÚBLICA), um garoto de uns 10 anos, à porta, ostentava um enorme chapéu de bruxo. E os professores? Qual a orientação que dão aos seus alunos? Se o comércio precisa vender, por que não os gorros vermelhos do Saci Pererê? Está tudo errado.

A continuar assim, logo veremos os produtores de perus reivindicarem a criação de um feriado, no Brasil, para que todas as famílias possas comemorar o "Dia de Ação de Graças". Comendo peru assado, lógico!
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É isso, pessoal. Eu já havia feito a postagem quando fiquei sabendo da postagem coletiva "Importando Folclore", organizada pelo Ronaldo, lá do Vida Blog, http://omesmo.blogspot.com. Eu não podia ficar de fora! Editei a postagem. Para a semana, a história dos "irracionais que raciocinam" volta.

Um abração para todos,
JF

Quarta-feira, Outubro 22, 2008

DESCULPEM-ME! EU INTERFERI NA NATUREZA!

Gentes,

Sei que o ser humano deve deixar a natureza seguir seu curso. Sei o que é “equilíbrio entre as espécies”, “cadeia alimentar”, “luta pela sobrevivência das espécies”, e etc. e tal. Mas, hoje não deu!

Eu estava aqui em meu computador, de frente para a janela, tendo à vista, em primeiro plano, do lado de fora, a nolina (também conhecida por pata de elefante) de mais de 60 anos, onde, agora, estão floridas diversas Vanda tricolor.

Pois bem, no alto dessa nolina, um casal de sabiás preparou seu ninho e lá estão cuidando dos ovinhos. Sei que verei, em breve, um lindo espetáculo de papai e mamãe se desdobrando para alimentar filhotes. Depois, os filhotes se desenvolvendo, fazendo suas primeiras e desengonçadas tentativas de voar, talvez um ou outro caindo do ninho (ANOTAR MEMO : não esquecer de conseguir uma escada alta para repor filhotes caídos do ninho em seu lugar) até, finalmente, despedirem-se de seus pais e saírem para o mundo.


Passada a época das jabuticabas, os macacos, ao que parece, estão partindo para outro de seus pratos prediletos. Na falta de frutas, ovos e filhotes de pássaros. (ANOTAR MEMO : não esquecer de preparar um local apropriado para por frutas para os macacos)

De repente, começo a ouvir um barulhão feito pelos sabiás. Levantei os olhos e os vi alvoroçados. Ao mesmo tempo, notei que os fios de eletricidade, que passam ao lado da nolina em direção à casa, estavam se mexendo, sinal evidente de que havia macacos “no pedaço”. Realmente, um macaco já vinha vindo pelo fio, do outro extremo. E, atrás dele, um sagüi. E os sabiás continuavam bravos. Lógico, afinal, não é nada agradável ver o bandido passar ao lado de casa!

Quando reparei melhor, já havia um macaco passeando pela nolina. Essa, não! Sai correndo em direção à cozinha e muni-me de uma vassoura. Quando cheguei junto à planta, ele ainda passeava por lá, não fazendo muito caso aos ataques do casal de sabiás. Ainda tentei fotografá-lo, mas a direção da luz não foi favorável. Aí, levantei e comecei a brandir a vassoura em direção à planta. Ele pulou para os fios e, num salto muito longo, alcançou um abacateiro e tratou de desaparecer. Imediatamente, os companheiros também fugiram para todos os lados. (ANOTAR MEMO : não esquecer de deixar a vassoura mais à mão para não haver perda de tempo)

Aparentemente, não chegou a pegar os ovos. Os sabiás, agora, parecem tranqüilos.

Aqui no sítio, existem bando de sagüis, bando de macacos-prego, um ou outro bugio. Ultimamente, entretanto, notamos dois indivíduos de uma espécie diferente de macacos que não soubemos identificar. Estão sempre juntos. E foram estes que se aventuraram a enfrentar a ira dos sabiás. Entretanto, o medo do insucesso, fez com que eles se aproximassem em conjunto com o bando de sagüis. Talvez pensassem que essa estratégia da superioridade numérica fosse vencer os sabiás. Mas, não contavam com a aliança dos sabiás com o Super-JF - o destemível defensor dos fracos e da justiça! (ANOTAR MEMO : não esquecer de mandar fazer uma fantasia de super-heroi com a sigla Super-JF bordada no peito)

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Nas fotos:

- macaco, seguido do sagüi, equilibrando-se nos fios de eletrecidade;

- Nolina (Beaucarnea recurvata), com mais de 60 anos de idade.

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NOTÍCIAS DOS BLOGS:

1) Minha querida amiga Vera - http://orquidarioterradaluz.blogspot.com/ - fez uma postagem reproduzindo meu texto “A natureza é linda demais”. Esse texto, publicado em diversas listas de discussão, na internet, pode-se dizer que é uma primeira parte da presente crônica. Podem dar uma chegadinha lá no “Orquidário Terra da Luz” para saberem como isso começou.

2) Vocês conhecem Adenium? É uma planta muito bonita e florífera, também conhecida por “Rosa do Deserto”, ainda um tanto desconhecida por aí, apesar de toda sua beleza e aspecto “diferente”. Pois minha amiga Vera tem um blog específico para ela, carregadinho de fotos excelentes e bem elucidativas. Vale a pena olhar! - http://amoadenium.blogspot.com/

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Abração,

JF

Quinta-feira, Outubro 16, 2008

O CULTIVADOR




Vocês já tentaram cultivar pêssegos?

Não? Pois eu, sim!

Cultivar não é propriamente o termo, pois os pessegueiros já estavam plantados quando meus pais compraram o sítio. Mais, propriamente, é cuidar da safra. E, mesmo assim, depois que a planta já floriu e as frutas começaram a se desenvolver. Foi nesse ponto que eu comecei a “cultura de pêssegos”.

É necessário ensacá-los, um a um, quando atingem a metade de seu tamanho. É a partir daí que a fruta fica muito vulnerável aos insetos. Sem ensacar, as chances de "bichar" são de 90% ou mais!


Numa casa de produtos agrícolas, comprei os saquinhos de papel. Escolhi uma planta que seria a "cobaia". Como me recomendaram que deveria tirar metade das frutas, para as outras crescerem mais, assim fiz. Aí, comecei a ensacar as frutas restantes. Ou seja: pegava o saquinho e, com ele, envolvia a fruta que, embora pequena, já tinha tamanho mais que suficiente para ficar "vestida", a sem-vergonha! Evidentemente, amassava a boca do saquinho em volta do talo do jovem pêssego, para que essa sua roupa improvisada não saísse. Foi um trabalho rápido e fácil. Tão fácil que resolvi fazer a mesma coisa com outro pessegueiro.

Pois bem, de manhã, quando levantei e fui admirar o trabalho do dia anterior, encontrei o chão branquinho, forrado de saquinhos de papel branco, Durante a noite, deu um ventinho e deixou todos os pêssegos mais nus que Adão e Eva antes de comerem a maçã! Pesquisa daqui, pesquisa dali, fiquei sabendo que deveria ter amarrado a boca de cada saquinho, exatamente para que não fossem derrubados pelo vento.

Munido de linha e de mais saquinhos, lá fui eu refazer o ensacamento dos, até aquele momento, mini-pêssegos. Acontece, entretanto, que a gente só tem duas mãos, não é mesmo? Aí, você precisa ver que beleza, só com duas mãos colocar e ficar segurando o saquinho na posição certa e, ao mesmo tempo, amarrar a boca do dito cujo com um fio de linha, sem deixar cair no chão o carretel e a tesoura! Além disso, ficou a dúvida: pêssego respira? Será que, se a gente amarrar muito forte, os coitadinhos não ficarão sem ar, o que poderia levá-los à morte por asfixia? Por via das dúvidas, a amarração ficou folgada. Depois de um trabalho insano, lá ficaram os dois pessegueiros com sua devida paramentação. De longe, até pareciam duas árvores de natal com bolas brancas. Muito lindo!

Na manhã seguinte, até parecia que a gente estava lá no RS, mais precisamente em Gramado: o chão branquinho como se tivesse nevado. A amarração não deu certo! Mas, como sou teimoso, lá fui para a terceira rodada do "ensacamento dos pêssegos". Evidentemente, nessa altura, já pensava que o ideal teria sido a "derrubada" de pelo menos 7/8 (sete oitavos) das frutas verdes, o que facilitaria em muito o meu trabalho. Dessa vez, como já estava sem paciência para amarrar "direitinho", optei por uma forma diferente e prática de prender as vestimentas: usando grampeador de papel! Isso me facilitou muito, se bem que, algumas vezes, grampeava o saquinho e o talo do pêssego-mirim.

As chuvas, evidentemente, estragaram alguns saquinhos. Mas isso não era problema. Refazia o ensacamento danificado. Afinal, o que é um saquinho de papel a menos ou a mais, não é mesmo? E, assim, com o correr dos dias, os pêssegos-mirins foram crescendo, crescendo, e transformaram-se em pêssegos-guaçu, ou pêssegos grandes. Os bichos de frutas? Sei lá como, entraram do mesmo jeito e estragaram todos os pêssegos!

Mas, como sou teimoso, ainda mais que os pessegueiros, resolvi que, todos os anos, dalí para a frente, haveria de ter pêssegos no sítio. Grandes, bonitos, suculentos! E consegui!

Todos os anos, nesta época, eu vou ao mercado municipal e compro pêssegos! Grandes, bonitos, suculentos!

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Nas fotos, a aparência da jabuticabeira, neste momento, minha plantação de "figo da índia", minha experiência com palmito-pupunha.

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NOVIDADES NOS BLOGS

Pessoal, não deixem de ler o diálogo entre neta e avô, no ...EEEPA!!!, blog da Lu :

http://eeepa.blogspot.com/

E leiam, ainda, o protesto do Ed Wood, meu cão beagle, contra a utilização, pelos humanos, de termos pejorativos aos distintos dogs:

http://edbeagle.blogspot.com/

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Abração,

JF