quinta-feira, dezembro 14, 2017

CASAMENTO OU PROCESSO JUDICIAL!

Logo no começo do namoro, Nina me disse que queria aprender datilografia.
Hoje em dia, a mocidade não sabe o que é datilografia. Não sabem nem o que é uma máquina de escrever. É o sinal dos tempos! Está tudo mudado. Minha filha colocou um LP (long playing) para tocar em uma velha vitrola. Minha neta nunca tinha visto aquilo. Quando meu genro chegou do trabalho, entusiasmadíssima ela já foi anunciando:

“Pai, que maravilha! Esse cedezão toca dos dois lados!”

Voltemos à datilografia. Levei para a Nina uma máquina de escrever e um método para aprender datilografia. Num instante ela pegou o jeitão da coisa. Logo mais, passei para ela uns trabalhos extras que eu tinha. Sei que alguns dos leitores irão dizer que meus planos eram a diminuição de custos com o aproveitamento de mão de obra barata. Ou gratuita. Vocês percebem logo as coisas, hein? E, assim, passaram-se meses, anos, e eu nunca repassei o dinheiro que eu ganhava para ela. Bom, eu não pagava nada a ela, mas eram economias para o nosso casamento.

Entenderam? Mas ela não! É que o casamento estava demorando demais. Aí ela apelou para a ignorância:

“Eu processo você! Quero meus direitos! Salários, 13º, FGTS, etc. Onde já se viu trabalhar em regime de escravidão? Quero registro em carteira!”

Mas ela ofereceu uma alternativa de acordo:

“Ou então, case comigo imediatamente!”

Gentes, já pensaram? Quase cinco anos de salários, horas extras, férias, 13º salário, registro em carteira, recolhimento de previdência social e FGTS desse período todo? E ela ameaçou até pedir adicional de periculosidade. Só porque as unhas, às vezes, enganchavam nas teclas e o esmalte ia para o brejo.

Não tive escolha. Vamos ao casamento! Mas não deixei barato.

No dia do casamento, ela chegou à igreja em um baita carrão. Mas, na hora de descer do carro, o aviso:

“Espere! O noivo ainda não chegou!” E lá ficou ela, dentro do carro. Diz que estava calma. Sei, não!

Depois de quase meia-hora, cheguei à igreja (hehehehehehehehe!!!). Me esgueirando rente às paredes entrei, não sem antes notar um grande ajuntamento de pessoas ao redor do carro, alvoroço total, quase todos tentando acalmá-la:

“Fique tranquila! Ele vai aparecer!”

Até percebi um advogado passando o cartão para ela e já sugerindo uma ação para conseguir indenização por danos morais.

Bom, como eu havia chegado, o casamento já poderia acontecer.

Não! Onde estão os pais do noivo? Ainda não haviam chegado. Foram mais dez minutos. O padre estava impaciente. A cada pouco olhava seu relógio. O Corinthians jogava às 21,30 horas e ele não queria perder o jogo.

Finalmente, chegaram meus pais. 

“Todo mundo pro altar!”

O padre, apressado, foi o primeiro. Aí em berrei:

“Para tudo! Onde estão meus padrinhos?” Ainda não haviam chegado. Mais dez minutos!

Finalmente, tendo surgido lá na porta da igreja, os padrinhos vieram correndo pelo corredor central até o altar, na maior briga do mundo, um acusando o outro pelo atraso.

E o casamento, enfim, pode realizar-se. Os noivos saíram da igreja felizes para sempre, os padrinhos se acalmaram e fizeram as pazes, os convidados foram para a festa. E o padre pode, tranquilamente, ir ver o seu jogo.

É isso aí.
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Gentes, brincadeiras à parte, hoje estamos comemorando 53 anos que iniciamos nosso namoro, lá no longínquo 14 de dezembro de 1964. Veio o casamento, vieram os filhos, genro, nora, vieram as netas. Nesse tempo todo, os cabelos embranqueceram, mas ela continuou a mesma: alegre, carinhosa, companheira... Minha eterna namorada. Logo mais, à noite, sairemos para jantar e, assim, iniciarmos mais um período de 53 anos muito felizes.

Só uma pena: aqui em Vinhedo não existe nenhum restaurante dançante à moda antiga, onde se podia dançar de rostos colados. Esses modernos não entendem de nada!

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12 ANOS DE BLOGUE

Gentes, no último dia cinco, este blogue completou 12 anos de existência. Com altos e baixos. Às vezes com várias postagens no mês, outras com poucas. Tivemos, até, um período de dois anos sem postagens. Mas estamos de volta. Mesmo que seja aos trancos e barrancos.

Abração a todos e até à próxima, 

JF





domingo, novembro 05, 2017

O GATO E O LOUVA-A-DEUS - Diálogo

Cliquem nas fotos para ampliá-las.


Pipoca (o meu gato):  "Oi, louva-a-deus bonitinho! Voce não quer vir aqui dentro brincar comigo?"

Louva-a-deus: "Cê pensa que eu sou besta? Prefiro ficar aqui na chuva."

Moral da história: cada um na sua.





É isso aí, pessoal.

Abração a todos e até à próxima.

JF

quarta-feira, outubro 18, 2017

OS SAGUIS

Pessoal. Hoje vou fazer uma postagem com fotos de animais, Todas feitas por mim, lá no sítio. Basicamente, sobre os saguis.


Não lembro de ter visto saguis no sítio, ali pelos anos iniciais de 1970. Depois, entretanto,  foram aparecendo, aparecendo, cada vez em maiores quantidades. Sempre em grupos. Correndo pelos fios de energia e telefone, Atravessando estrada, pulando de árvore em árvore.

Curiosos, vinham espiar, pela janela do escritório o que eu e Nina estávamos fazendo.

Quando nos mudamos para o sítio, em 2007, nosso cão beagle, o Eddie Wood (Ed, para os íntimos), ficou completamente louco ao ver aqueles bichos estranhos pulando de árvore em árvore. Não é para menos. Ele nem sabia que poderia haver tanto espaço no mundo e nem tanto extraterrestre, depois de viver seus primeiros
verdes anos confinado em um apartamento no Centro de São Paulo. Os saguis estavam no alto de algum abacateiro. O Ed latia para eles com a força máxima de seus pulmões. Parecia o Pavarotti ensaiando alguma ária. Como os saguis não gostavam da música, jogavam abacates no Ed. E se havia coisa que ele não recusava era. justamente, comida. E foi assim que começou a comer abacates. E não precisava de esforço de subir em árvore, Era só ver sagui em algum abacateiro e lá ia ele se esguelar... e comer abacates. Depois, ficava com um barrigão que só mesmo sendo carregado. Ou, pelo menos, isso era uma boa desculpa para passear no colo de minhas netas (foto de 2010).

Mas, continuemos com os saguis.

Certa vez, apareceu um sagui completamente branco: um albino. A primeira vez que o vimos, foi quando caiu no chão, na tentativa de pular de uma árvore para outra. Acredito que tivesse a visão muito fraca, talvez sem noção de profundidade. Outros saguis do bando desceram e ficaram olhando para nós, guinchando ameaçadores, até que o braquelo conseguiu subir em outra árvore e todos se foram.



Durante algum tempo ainda o vimos. Como nessa ocasião em que consegui fotografá-lo na tangerineira. Depois... sumiu. Só torço para que não tenha sido capturado por alguém, pois devia valer um bom dinheiro no mercado clandestino (absolutamente condenável!) de animais.

Uns quatro ou cinco anos depois, apareceu outro, não completamente branco mas esbranquiçado


e, também, notadamente com dificuldades de visão. Tanto que deixou que eu ficasse a um metro dele para poder fotografá-lo. Dessa vez, foi no pé de cabeludinha. Uma frutinha que os saguis, assim como os caxingueles, gostam muito. Cheguei a vê-lo umas três ou quatro vezes, por ali, até que desapareceu.

Gentes, a natureza é linda. Esses bichinhos precisam ser protegidos. Fazem parte de nosso planeta tanto quanto nós, seres humanos.

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NOVO BLOGUE NO AR

Pois é, gentes. Vocês lembram do "Blogue do Ed", meu cachorro beagle?    

          http://edbeagle.blogspot.com.br/

Era um blogue em que ele contava suas histórias. Ele ditava e eu digitava (vocês sabem que cachorros, apesar de espertos, não conseguem digitar). O blogue não foi apagado quando o Ed passou para o lado de lá (deve estar deixando São Pedro totalmente louco! Aguentar aquele cachorro não era nada fácil. rsrsrsrsrs). Bom, fui falar disso para os meus gatos e eles também quiseram ter seu próprio blogue. E, assim, já está no ar o blogue "Gataria do JF", onde a Mimi, o Pipoca e o Shin irão contar suas histórias. Mas, como gato também é incapaz de digitar, eles irão narrando e eu irei digitando (Sempre eu!!!). O endereço:

         https://gatariadojf.blogspot.com.br/

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É isso, turma! Abração para voces todos e até à próxima.

JF

quarta-feira, maio 17, 2017

RECEITA PARA UM CASAMENTO ETERNO

A propósito da mensagem postada por ela, ontem, no Facebook, comemorando nossos 48 anos de casamento, embora eu já tenha postado isto, e repetindo postagens antigas na lista de discussão NESO e no meu blogue, aí vai, de novo:
RECEITA PARA UM CASAMENTO ETERNO
Sugeriram-me que escrevesse um livro ensinando a receita para o sucesso no casamento. Disseram-me que ganharia muito dinheiro com isso. Como não sou mercantilista, mesquinho, e nem nada dessas coisas, vai aí a receita, gratuitamente, para meus "milhões" de seguidores.
1-Certesa do par perfeito
Antes de namorar a Nina, namorei uma amiga dela por quatro meses. Ou melhor: um período de uns 30 dias, dois meses e meio sem um olhar na cara do outro, 15 dias de "volta". A Nina fazia o papel da "intermediária confidente", que tentava arrumar a situação entre os dois (será que a malandrona tentava mesmo?). Até que poderia dar certo, pois nós éramos iguais: os dois capricornianos! Mas, era a única coisa que combinava. Se tivéssemos prosseguido, hoje, um estaria na cadeia e o outro no cemitério. Não sei bem quem estaria em um ou outro lugar.
Com a Nina, não! Somos totalmente diferentes um do outro. Eu, como todos sabem, sou introspectivo, caladão. Já, a Nina é totalmente expansiva, muito falante. E isso é uma certesa de que o casamento dará certo. Vejam bem: a característica do introspectivo (eu) é não falar, só ouvir. Já o extrovertido (ela): não ouve, só fala. É isso! Fica impossível uma briga, quando um só fala e o outro só ouve!
2-Casamento na Hora Certa
As pessoas devem perceber o exato momento de se casarem. Se o casamento acontecer em momento errado, estará fadado ao insucesso.
Na primeira vez que eu fui à casa da Nina, convidaram-me para lanchar. Eu, lá, afundado em uma cadeira, sendo atentamente observado e devidamente avaliado pelo avo dela, pelos pais dela, pelos 37 primos dela, pelos 28 tios dela. Meu cunhado, como era meu amigo e não queria morrer de rir, sumiu e não lanchou em casa. Bom, com toda aquela gente olhando para a minha cara e sorrindo, querendo mostrar benevolência, a mãe dela me pergunta:
"Gosta de chá?"
Suspense! Eu, lá em baixo, afundado na cadeira. A platéia sem respirar, esperava que eu, afinal, falasse alguma coisa e eles pudessem perceber minha vpz. A sogrona, lá no alto, com um baita bule fumegante na mão, uns 30 cm acima da minha cabeça. Já pensou? Eu vou falar que não gosto? Qualquer descuido meu e ela vira aquele bule de chá fervente prá cima de mim. Não na cabeça, mas um pouco na frente, para que caia exatamente "lá", deixando-me "desprovido" para sempre.
"Com bastante açucar, por favor!"
Toda a assistência sorriu satisfeita. “Ele fala!” Eu fora aprovado! Resignado, tomei três xícaras cheinhas de chá. Com bastante açucar, diga-se de passagem!
Foi minha condenação! Durante todo tempo de namoro e noivado, todo sábado, domingo e feriado, e às vezes quando eu ia lá durante a semana, invariavelmente, lá vinha o indefectível chá! Namorado (e noivo) sofre!
Depois de quatro anos e meio, um dia o pai dela me aparece na frente com um calhamaço de folhas de papel.
"Sabe o que é isso?"
"A folha corrida criminal do Fernandinho Beira-Mar?" Tentei fazer uma piada, mas ele não riu.
"Não! É a conta dos lanches que você já tomou aqui em casa. Casa ou paga."
Nem olhei os detalhes. "Casa ou paga"? Fui direto ao total. Barbaridade! Só não fiquei certo foi quanto à quantidade de lanches. Bem que ele poderia ter lançado alguns a mais. De qualquer forma, lembrei de minha velha e sábia avó italiana e seus "ditados". Numa situação dessas, ela costumava, sempre, dizer o seguinte
"Dé lus mális, u minori!"
Entenderam? Pois é! Fui para o mal menor. Ou seja era o momento exato para o casamento. Casei-me! Era o que tinha que fazer, diante de conta tão alta (e isso porque ele, generosamente, não lançou os 10% da garçonete, minha sogra).
3-Garantia de continuidade
Dizem que alguns casamentos são para toda a vida. O meu é! Isso porque, quando casei, pedi ao sogrão um documento de quitação da dívida. Muito vivo, ele respondeu:
"Nada disso! É minha garantia de que você não irá devolvê-la." E guardou o calhamaço. Compreendi direitinho o recado: "se não quiser pagar a conta, terá que ficar casado com ela a vida toda. É sem direito de devolução!"
Entenderam? É isso! A receita corretinha para um casamento perfeito, até que a morte os separe.
Abração,
JF
(NESO - 22/12/2008)
A continuação:
Eu ainda completaria minha receita dizendo que é a "receita do casamento eterno". Por que?
Já pensaram no dia em que eu passar "para o lado de lá"?
Vou chegar ao balcão da Recepção:
"Bom dia, São Pedro. Posso ficar por aqui?"
E ele:
“Você não é o Zeca, casado com a Nina?”
“Sou!”
“Ah, meu filho. Então você já tem um lugarzinho garantido. Só que tem alguém querendo falar com você."
Olho para o fundo da sala e vejo ele lá. De camisolão branco, um par de asas nas costas, uma auréola de luz iluminando sua calva, e, nas mãos, um calhamaço de papéis já bem amarelados pelo tempo. Isso mesmo! O sogrão! Ele nem precisa falar, pois o sorrisinho maroto já o diz:
"Continua casado ou paga a conta!"
E, assim, o casamento permanecerá eterno.
(www.blogdojf.blogspot.com - 24-04-2009)