segunda-feira, janeiro 14, 2013

DIÁRIO DE UMA NOVA VIDA


Morar no campo! Fugir da cidade!

Os cupins atacaram o madeiramento da casa dos nossos caseiros. O pedreiro me deu a relação e as medidas da madeira necessária. Obviamente, ficou faltando e eu precisei encomendar mais. Eles não conseguem pedir tudo de uma vez. Com a retirada do telhado, foi visto que a parte elétrica está deficiente. Vou providenciar toda a fiação nova.

O motor da bomba da piscina queimou! Antes do dia 31. Está até agora no conserto e nem ao menos me ligaram para dar o orçamento. Quando ficará pronto? Sabe-se, lá!

As chuvas muito fortes estão acabando com a estradinha de acesso...

Gentes, revendo umas postagens antigas, encontrei a abaixo, publicada no blog aos 20/12/07, mas bem a propósito, apesar dos cinco anos já passados.

Vejam (melhor dizendo: leiam):

               -               -               -               -               -

Oi, pessoal.

Finalmente o sonho se realiza. A Nina e eu, depois de 38 anos de casados, saímos de São Paulo e nos mudamos para o sítio, em Itatiba/SP.

Dentro de minhas veleidades literárias, resolvi que, de agora para a frente, escreverei um livro Diário desta nova vida.

DIÁRIO DE UMA NOVA VIDA

1º dia – Hoje, ao acordar, não ouvi as freadas dos ônibus junto ao ponto de parada, em frente de casa. Também não senti, durante o dia todo, as buzinadas malucas do trânsito congestionado. Nada daquele ar mau-cheiroso de São Paulo. Somente o ar puro de Itatiba. Logo cedo, fui acordado com um barulho bem diferente: a gritaria de um bando de macacos-prego passeando pelas árvores da beira do lago bem próximo. Fiquei ouvindo, com imensa felicidade, aquele som diferente. Música! Está certo que eu os ouvia quando passava os finais de semana no sítio, mas hoje foi diferente. Hoje, foi a certeza de que poderei ouvi-los todos os dias. Como pude viver tanto tempo longe disto?

2º dia – Hoje, fui acordado por um bando de saracuras. Vocês conhecem saracuras? São uma aves de perninhas compridas, andam em bandos e possuem um canto bem estridente, mas muito engraçado e alegre. Muito bom acordar desse jeito. Mais tarde, a caseira veio prevenir-me de que acabara o milho para os patos. Ué! E como os patos eram abastecidos antes? O caseiro do sítio vizinho fazia o favor de comprar e era reembolsado, com uma pequena gorjeta. Morando no sítio, devo assumir todas essas responsabilidades. E, afinal, qual é o trabalho de ir buscar milho para os patos? Peguei o carro e fui à cidade comprar milho. Descobri que o preço do milho caiu pela metade, desde a última vez que o vizinho o comprou. Sem falar na gorjeta. Mas, e o prazer de ver aquele bando de patos vindo ao meu encontro em busca do milho? Gentes, que coisa maravilhosa viver em um sítio.

3º dia – Hoje, não passaram nem os macacos-prego e nem as saracuras para me acordar. Fiquei na cama esperando por eles até depois das nove horas. Não dá para confiar nos animais para acordarem a gente. A Nina entra no quarto reclamando que a casa está sem água. Minha nossa! Ontem, com a história dos patos, esqueci-me de ligar a bomba que joga a água na caixa. É lógico que não é um simples incidente desses que vai me aborrecer. Dou um beijo na bochecha dela, que continua de cara amarrada, e vou ligar a bomba. São pequeninas coisas que não chegam a tirar o prazer da gente. Amanhã começarei a trabalhar no jardim da casa. Estou com excelentes idéias para a remodelação. Viva a vida no campo!

4º dia – Hoje, o barulho para acordar foi o barulho da chuva. Levantei-me e fui olhar. Algumas telhas quebradas, no alpendre, deixam passar água. Muita água! Anoto mentalmente: mandar revisar todo o telhado da casa e mandar trocar as telhas quebradas. Adeus início de trabalhos de remodelação do jardim. Com essa chuvarada, não dá. Vida no campo tem dessas coisas. Quando se quer chuva, ela não vem. Em compensação, quando não se quer... Lembro do provérbio inventado pela Vanessa, minha neta de oito anos (vide blog da Lu: http://eeepa.blogspot.com/ ): "Quando a gente não quer, tudo ganha." Sábia Vanessa!

5º dia – Hoje, acordei com o barulho de um bando de sagüis. É um tipo de macaco bem menor que os macacos-prego, mas também muito barulhentos. Dessa vez não foi engraçado. Ainda estou me lembrando dos gastos com o conserto do telhado e não há coisa alguma que me alegre. A caseira veio me dizer que as duas capivaras que apareceram no lago estão fazendo estragos na horta. Conseguiram rebentar o alambrado muito velho e enferrujado. Fui lá verificar o estrago e as possibilidades de conserto. Realmente, o estrago foi feio. O alambrado está imprestável e precisa ser totalmente trocado. Fiz um cálculo rápido do custo: pelo menos uns sessenta metros de alambrado, bem reforçado. Fora a mão-de-obra. Pessoal, é bom morar no campo, mas não é tão barato quanto estavam me dizendo.

6º dia – Hoje, tornei a ouvir o barulho dos macacos-prego. Lembrei-me, então, que há muito tempo não como bananas das bananeiras do sítio. E olhem que eu tenho sete variedades diferentes de bananas. Aquilo deixou-me perplexo pelo resto da manhã. Após o almoço, fui ver as diversas plantações de bananas. Diversos cachos em formação lá estavam. Mas, cachos de bananas prestes a amadurecer, no ponto de colher, nada! Mas encontrei muitos indícios de colheita de bananas: diversas bananeiras derrubadas para a retirada dos respectivos cachos de bananas. Fiquei uma fera e fui tirar satisfações com a caseira:

"Quem está colhendo as bananas, que eu não vejo nenhuma por aqui?"

"Eu também não vejo", respondeu-me ela. "É o pessoal aí das Nações (um bairro popular da cidade) que entra e leva tudo."

De tanta raiva, fui dormir sem jantar.

7º dia – Hoje, domingo, acordei tarde e com dor de cabeça. Fiquei louco de raiva com um bando de maritacas barulhentas que por ali passou, nessa hora. A família toda vem para o almoço. Fui até à cozinha e encontrei a Nina ocupada com uma grande quantidade de coisas.

"Cadê o cafezinho que o meu amorzinho fez para o maridinho queridinho dela?"

"Na garrafa térmica! Onde mais poderia estar? Abra a geladeira, pegue frios e prepare um sanduíche você mesmo. Estou muito ocupada fazendo o almoço. Esqueceu que hoje é folga da caseira?"

Com esse "alegre" bom dia, silenciosamente, preparei e comi meu sanduíche, acompanhado de um café morno e a explicação: "Já falei quinhentas vezes pra você que essa garrafa térmica está com defeito!"

Como não chove há alguns dias, fui molhar meus vasos de orquídeas. "Cadê a mangueira que estava aqui?" A caseira, que hoje está de folga e desaparecida, sumiu com ela.

O pessoal está demorando para chegar. Vou à geladeira pegar uma cervejinha.

"Não tem cerveja na geladeira."

"Como? Sabendo que vinha tanta gente e você não cuidou das bebidas? Será que eu sempre tenho que lembrar de tudo?"

Saí correndo para providenciar.

Quase três da tarde. O pessoal chega para o almoço. Eu estou "varado" de fome e doido por uma cerveja gelada.

Termino de almoçar e me preparo para ir tirar uma soneca.

"Pai, não vá se esconder que daqui a pouco vamos embora."

"Mas vocês acabaram de chegar!"

8º dia – Hoje, acordei com um sabiá cantando bem junto à janela do quarto. Levantei-me correndo e abri a janela.

"Sabiá f.d.p! Ta gozando da minha cara? O que é que tem aqui no campo para ficar alegre? Estou estressado com essa droga de mato. Quero voltar para São Paulo!"

Atirei meus chinelos nele. O bicho é muito vivo e conseguiu fugir.

9º dia – Hoje, eu estou pondo fogo nesta porcaria de Diário.

               -               -               -               -               -

OS BICHOS, NO SÍTIO

Este é o Raul, me espiando pela janela do escritório.

Também tem a Mimi. E quando se juntam um gato e uma gata, vocês sabem o que acontece, não é mesmo? É isso daí: a cantoria noturna. E, como resultado da cantoria, agora também temos o Romeu, a Julieta, o Ranulfo. Alguém aí está querendo um gatinho de presente?

Bom, a vantagem de ter gatos, em sítio, é que desaparecem os ratos. E, desaparecendo os ratos, as cobras vão embora. Cobra adora comer rato, mas não gosta de comer gato.

               -               -               -               -               -

Bom, pessoal. É isso aí. Um abração a todos e até à próxima.

JF

14 comentários:

Ana Carla disse...

Puxa, JF! Acho que os cupins (e mais toda a bicharada) acabaram com seu humor! Cadê o lado bom do sonho realizado? Boa semana! Boa reforma!

Nina Maria disse...

Até parece que você quer voltar para São Paulo!Eh,marido mais exagerado!!!
Beijos

Claudinha ੴ disse...

Rauuuuullll!!! O gato chama Raul! Esta mania de por nome de gente em bicho é uma mania mineira sabia? Mas estou rolando de rir porque esta é uma brincadeira minha com os meninos. Quando os gatos começavam a a'namorar', meu mais velho começava a maliciar e era uma idade danada. Então eu dizia que a gata falava: Rauuuuulll, o gato respondia: vem cáááá, ela: não voooooooou, ele: eu te dou um vestido de sedaaaaaaa! Ela: eu raaaaasssgoooo! Hahahahaha
Mas os cupins, a rede elétrica, a bomba do aquário (porque piscina é tanque de peixes e aquário é tanque de água) te tiraram do sério e eu achei ótimo porque nos trouxe suas pérolas...
Eu sei bem o que é morar perto destes seres... hahahah.
Adorei amigo!
Um beijão procês todos! E muita hora nessa calma!

maray disse...

durante anos eu e o maridão acarinhamos a idéia de um sítio quando a gente se aposentasse. Há uns 3 anos eu me aposentei e ele também. De comum acordo ( em pensamento, porque ninguém falou nada) a gente nunca mais falou de sítio. Demos de viajar bastante e gostar cada vez mais de tecnologia. E só pra vc não dizer que estou com inveja, a porta do meu quarto está com cupins e as maritacas me acordam todo santo dia. Não moro em sítio, mas moro em periferia...

abração

Luma Rosa disse...

Nossa!! Eu ficaria estressada no sítio :D Mas tanto trabalho é para distrair a cabeça, J.F.!!
Sou de Minas e lá cada um tem o seu terreninho na roça, mas eu não quis. Preferi assim que pude sair da cidade grande, vir para beira-mar.
Boa sorte com os cupins!

*Tem um sistema de descupinização através de iscas colocadas em volta da casa que não permite os cupins chegarem perto.

Tina disse...

Oi JF !

Eu gosto do sítio para um fim de semana ou outro, mas não para morar definitivamente: acho que morreria de tédio ! rs

Espero que já tenha resolvido o assunto dos cupins - são realmente uma praga!

beijos e bom feriado !

J.F. disse...

Oi, Ana. Estamos trabalhando no telhado comido pelos cupins. Só que, agora, uma palmeira caiu sobre o quiosque da churrasqueira. O estrago foi enorme. Bem dizem que sítio proporciona duas alegrias: uma na hora da compra e outra na hora da venda.
Abração.

J.F. disse...

Benzinho, voltar para Sampa não quero, mesmo! Mas que podia ser um pouco mais tranquilo, podia!

J.F. disse...

Oi, Claudinha.
O nome Raul é uma homenagem ao seu miado onomatopaico: rauuuuuuuulll! Quanto aos cupins e o resto, já são desgraças do passado, pois já surgiram outras. Mas, deixa prá lá!
Abração.

J.F. disse...

Maray,
Apesar de tudo, gosto muito do sítio. Sempre têm novidades. Boas e ruins. Nestes últimos dias, por exemplo, lotei um freezer de sucos concentrados de manga e de figo da índia. Terei sucos por muitos meses. Além dos licores. E das geleias feitas pela Nina. Dá para gente se divertir.
Abração

J.F. disse...

Oi, Luma.
Nesta região, os cupins são uma praga. Mas a coisa toda não fica apenas no madeiramento. A gente aproveita para refazer o sistema elétrico que já é velho; aproveita para reformar a cozinha e o banheiro; para trocar portas e janelas; e etc... O custo já está três vezes maior que o inicialmente previsto. A Nina e eu gostamos do mar. Mas, damos preferência ao campo.
Abração.

J.F. disse...

Oi, Luma.
Nesta região, os cupins são uma praga. Mas a coisa toda não fica apenas no madeiramento. A gente aproveita para refazer o sistema elétrico que já é velho; aproveita para reformar a cozinha e o banheiro; para trocar portas e janelas; e etc... O custo já está três vezes maior que o inicialmente previsto. A Nina e eu gostamos do mar. Mas, damos preferência ao campo.
Abração.

J.F. disse...

Oi, Tina.
Até que é divertido, apesar dos pesares. Itatiba é uma cidade muito boa e estamos a meia hora de Campinas e Jundiai. E uma hora de São Paulo. Não dá para entediar.
Abração.

Luciana Vannucchi de Farias disse...

O engraçado é que na época desse diário, você ainda vinha pra SP. Agora...

Mas aqui eu acordo todo dia com uma calopsita que depois de quatro anos descobriu que sabe assobiar e resolve ensaiar quando está amanhecendo. Ou com o periquito que imita todos os pássaros que ouve por perto (mas por enquanto ainda não assobia...)

Havia me esquecido do provérbio da Vanessa.

Beijão!!!