sexta-feira, novembro 23, 2007

O "Forró de Bodocó" e o chapéu infernal.

Gentes,

Lá no mercado de artesanatos de Fortaleza, entre outras coisas, comprei um chapéu para mim. Aliás, dois. Um para mim e outro pro Vagner, para usarmos nas apresentações do Família Jacaré, quando cantamos a música "Forró de Bodocó".

Os chapéus são simples. Daqueles usados pelos vaqueiros da caatinga, feitos de couro cru.

Pessoal, como eles fedem! Até parece cheiro de suvaco de carregador do porto, de antes de inventarem o desodorante! Minha nossa!

Não deu para guardar nas malas, pois não queríamos que amassassem. Além de não ter mais espaço nas malas... além de não querermos que as roupas ficassem impregnadas com aquele cheiro incrível. Assim, vieram dentro de uma sacola plástica.

No "checkin" do aeroporto, depois que eu disse à atendente da Gol o conteúdo da sacola, ela até colocou uma etiqueta da companhia. Devia ser para que todos soubessem que a sacola havia sido revisada mas se constituía em um grande perigo.

Quando a Nina e eu entramos no avião, tive a nítida impressão que as duas aeromoças me olharam com desconfiança. Chegando às nossas poltronas, tratei de colocar a sacola no bagageiro e fechar, para que os demais passageiros não soubessem de onde vinha o cheiro e nem imaginassem que aquilo me pertencia. Meu medo era que o cheiro provocasse uma rebelião entre os passageiros e eu não queria ser acusado como o causador do tumulto. Mas, não deu outra. O cheiro tomou conta do avião.

Depois de levantarmos vôo, o comandante, desconfiado, abandonou o comando nas mãos do piloto automático, saiu da cabine, e veio revisar as solas dos sapatos de todos os passageiros, para ver se algum havia pisado na... Não tenho muita certeza, mas me pareceu que um passageiro comentava com outro sobre a necessidade de evacuação da aeronave. Inclusive, parece que o comandante já havia autorizado a abertura da porta para que os mais desesperados saltassem de paraquedas. Cheguei mesmo a ver uma velhinha bem velhinha brandindo sua bengala e berrando "os idosos têm preferência!".

O comandante, nordestino, diante da situação inusitada, quis voltar para Fortaleza. Vejam o diálogo dele com a torre de controle.

“Alô, torre. Alô, torre... “Airbus” da Gol arrétornando! Tem algum cabra safado a bordo qui tá cum xulé arrétado. O pessoal tá todo apérreado, bichinho! Peço autorização prá descê e deixá o cabra puraí! Ele qui vá pra Sumpaulo di jegue.”

E o controlador:

“Autorizo, não, meu rei! Se desce aqui eu risco ele tudinho com minha péxeira! Arre, égua! Coitado du jégue!”

Num determinado momento, o avião estremeceu e ficou dando uns pinotes. O comandante avisou que estávamos passando por uma zona de turbulência e mandou todo mundo colocar os cintos de segurança. Para mim, eram os chapéus de couro fermentando e provocando "pressão interna" na aeronave. Uma outra velhinha berrava, lá no fundo: "Rezem que o mundo vai explodir! Já estou sentindo o cheiro de enxofre do inferno!" Felizmente, um outro passageiro, mais calmo e que já tinha puxado e respirava através de uma máscara de oxigênio, pegou a velhinha e jogou-a pela janela. Isso fez com que todos se acalmassem e ficassem bem quietos em seus lugares, obviamente após todos puxarem suas máscaras e passarem a respirar o oxigênio puro.

Gentes, a situação era tão dramática que, de repente, começamos a ouvir um barulho estranho. Imaginem que o piloto automático estava tão incomodado com o cheiro que resolveu pisar fundo no acelerador. O avião ultrapassou a velocidade do som! Verdade! O bom é que, com isso, acabamos chegando mais rapidamente ao destino.

Com esses probleminhas, descemos em Cumbica. Foi dada prioridade absoluta de aterrisagem ao nosso avião, com direito a recepção pelos bombeiros e ambulâncias, que nos esperavam no início da pista, juntamente com a Defesa Civil, o Esquadrão Anti-Bombas, a imprensa, etc.

Quando a porta do avião se abriu, disfarçadamente, peguei a sacola fatídica e tratei de cair fora. Ao descer do avião, as aeromoças, que normalmente nos desejam um bom dia e um até breve, para mim disseram "Adeus! Até nunca mais!".

Eu sai correndo e consegui trazer os chapéus até aqui em casa. Espero que consigamos, o Família Jacaré, obter um estrondoso sucesso com a música "Forró do Bodocó", do compositor, nosso amigo, Tim Max.

"Eu sou do norte, eu sou lá de Bodocó.
Eu sou do norte, eu sou lá de Bodocó.
Eu sou do norte, vim aqui tentar a sorte,
Quem sabe um dia eu vorte
Quando a vida miorá."

JF

9 comentários:

Lunna Montez'zinny disse...

Isso quer dizer que vcs estão de volta e com tanto tumulto aéreo no Brasil, vocês quase provocam mais um...
Beijos

Anônimo disse...

Estou aqui mais uma vez para visitar meu novo amigo que alias já conhecia bem através dos comentarios da minha mas antiga amiga, Lu.
Eu estou morta de vontade de assistir a uma apresentação de vocês; Devem ser barbaros, a julgar pelas coisas que escrevem;
Um bom fim de semana para todos aí!
Maith

Luciana Farias disse...

hmmmm... por isso que estava um cheirinho estranho lá na casa docês ontem???? E por isso que havia caminhão de bombeiro parado na porta do prédio???

beijocas...

Anônimo disse...

Vim desejar-lhe um ótimo fim de semana Visite mes blogs http://www.cuidadoestaoteespiando.blogger.com.br http://www.bisavo.blogger.com.br

Maith

Jack disse...

Ai ai ai...
Quanta confusão por conta de um chapéu de couro fedido!!!
Já tentou deixar no sol pra ver se melhora o 'aroma'?
Bom domingo JF, boa semana tbm
Bjocks

Anônimo disse...

Voltei para convidá-lo para ver o novo capítulo de minha história "No tempo dos coronéis"
http://www.cuidadoestaoteespiando.blogger.com.br
Maith

Anônimo disse...

JF e Nina, meus amigos,

Fico feliz em saber que esta viagem à Fortaleza foi mais uma lua de mel.
Acompanhei de perto esta compra do chapéu de couro. Gente, era bota chapéu, tira chapéu.... este, não, aquele e eu estava vendo o Mercado fechar e nada de chapéu. Bom, foi escolhido este aí, foi testado na cabeça, não no nariz. Bem que senti um cheirinho estranho, mas fiquei na minha, nunca pensei que fosse fazer tamanho aué.
Adorei sua narrativa, ao mesmo tempo que me diverti.
Abraços,
Vera Coelho
Fortaleza-Ce.

Anônimo disse...

Primeiro.... No Ceará não se fala 'Meu Rei' isso é na Bahia... Segundo... Bodocó fica no NE ( Nordeste ) e não no N ( Norte )... se vc estava em Fortaleza, então estava no NE, é bom aprender um pouco de geografia...
Por fim, terceiro.... melhor você ficar calado ao invés de falar Merda, se for para falar tanta Merda que seja de seus conterraneos do S/SE...

J.F. disse...

Alô, último Anônimo.
Inicialmente, quero lhe dizer que são os covardes que se escondem no anonimato. Depois, não fui eu que disse que Bodocó é no Norte e sim o autor da música. E foi apenas uma figuração poética porque ele, certamente, também sabe que Bodocó fica no NE. Parece que você é que tem a m... na cabeça, pois não entendeu que trata-se apenas de uma crônica com pretensão de alguma comicidade, sem nenhuma intenção de ofender quem quer que seja, inclusive os irmãos brasileiros do NE. Somos um país perfeitamente integrado e quem está tentando ofender uma parte dos brasileiros é você.