segunda-feira, setembro 24, 2007

O primeiro "virus" a gente nunca esquece!

Gentes,

Vocês lembram daquela propaganda do “primeiro soutien”, o inesquecível? Pois é. Como o soutien, também o primeiro vírus de computador a gente nunca esquece.

Isso foi em 88, quase vinte anos atrás. Nosso – meu e da Nina - computador era novinho em folha... na nossa mão, marinheiros de primeira viagem. Na verdade, era um computador de terceira ou quarta mão, sei lá. Mas, isto é história para outro dia. Sim, existe a história do primeiro computador. E que história!

Na escola onde eu dava aulas, ganhei dos alunos alguns joguinhos, num daqueles disquetões antigos.

Instalados os jogos, a Nina e eu passamos a nos divertir com eles.

Certa noite, no meio de um trabalho, surgiu uma bolinha que ficava pulando na tela. Batia numa lateral, vinha para a parte inferior, ia para o outro lado, voltava para baixo... Uma movimentação ininterrupta. Eu, que não imaginava o que era aquilo, fiquei ali apreciando. E a bolinha pulando, pulando, cada vez mais forte, sobre o texto digitado..

De repente... puffffff!!! Apagou todo o texto. Horrorizado, desliguei o microcomputador e fui dormir, todo preocupado. O que teria acontecido?

No dia seguinte, logo cedo, liguei para um amigo que tinha um microcomputador em seu escritório e lhe contei o fato.

“É o ping-pong! É vírus! Isso acaba com o computador. Você deve ter contaminado todos os disquetes...”

Um escândalo.

Dois ou três dias depois, era dia de eu dar aulas. Na escola, procurei pelo professor de informática e lhe contei o que havia acontecido.

“É o vírus ping-pong! Os alunos conseguiram contaminar todos os microcomputadores da sala de informática. Estamos aguardando a chegada de um anti-virus.”

Gente, que horror. O ping-pong! E eu que sempre imaginei que pingue-pongue era apenas aquele jogo com uma bolinha branca e uma rede sobre uma mesa!!!

Os microcomputadores da escola ficaram um bom tempo desligados, até que chegasse o tal de anti-virus. Obviamente, o meu também ficou desligado, à espera. Resolvido o problema na escola, o professor de informática esteve em casa e acabou com o “ping-pong” do meu micro e dos disquetes. Que sufoco! E, de quebra, ganhei uma cópia do anti-virus.

Depois disso, fiquei calejado. Cada vez que trazia algum disquete de fora, de forma preventiva, aplicava-lhe uma carga de anti-virus.

Passado algum tempo, em uma noite em que eu preparava umas petições, deu um xabu qualquer e no texto apareceram, no lugar de algumas letras, umas carinhas risonhas, outras tristes... VIRUUUSSSSSSSSSSSSSSS!!!!!

Peguei o disquete anti-virus e dá-lhe uma carga no velho CCE. Não acusou nada. Quando volto ao arquivo em que estava trabalhando, lá estavam as carinhas rindo da minha cara apalermada! O VIRUS CONTINUA INSTALADOOOOO!!!!! Desliguei a máquina e fui dormir.

No dia seguinte, procurei pelo meu amigo.

“O anti-virus não resolveu? Então é grave! É algum vírus novo e o seu anti-virus está desatualizado. Vou mandar para você um anti-virus novo.”

E assim fez. Passei o anti-virus, que não encontrou nada, mas as carinhas lá continuavam.

Minha nossa... O que poderia ser? O pior é que a escola já estava em período de férias e o professor de informática, meu amigo, só poderia ser contatado na volta às aulas, em um mês. Assim, durante um mês, ninguém mexeu no microcomputador, para evitar-se que o vírus se espalhasse pelos demais arquivos.

Finalmente, as intermináveis férias chegaram ao fim. E lá vem o professor de informática – como é bom ter amigos! – ver o meu equipamento.

Ligou e já colocou um disco com anti-virus no drive. Nada! Olhou o arquivo em que eu estava trabalhando. Lá continuavam as mesmas carinhas risonhas e as carinhas tristes. Não haviam aumentado. Mas, também, não haviam diminuído. Olhou outros arquivos e nada de carinhas. Nem alegres e nem tristes.

Gente, que loucura! Já estávamos para procurar o endereço da Agatha Christie quando me lembrei de um detalhe.

Na noite em que eu estava trabalhando, pouco antes de aparecerem as risonhas tristes, houve uma brusca queda de voltagem. É lógico que, na minha improvisada entrada para o mundo da informática eu não providenciara um regulador de voltagem. Foi o erro fatal. Fora a queda de voltagem que dera uma ligeira pane no computador e no arquivo em que eu trabalhava. Ufaaa... Nada sério. Apenas um arquivo que precisou ser re-digitado.

Tempos heróicos e saudosos! Quantas aventuras provocadas pela inexperiência. Quando eu vejo minhas netas, nos dias de hoje, mexendo nos micros e lembro dos sustos que nós levamos, a Nina e eu, no começo!...

Mas, a experiência se ganha com o dia a dia. E nós viramos veteranos. Todo o cuidado com vírus eram poucos.

Um dia, no meio da papelada, a Nina achou um disquete. E agora? Seria de antes ou de depois do ping-pong? Na dúvida... anti-virus nele.

Positivo! Ping-pong.

Gente, vocês não imaginam a cena. Eu me lembro como se tivesse ocorrido ontem.

A Nina ficou branca de susto. Com as pontas das unhas retirou o disquete contaminado por vírus do drive e o atirou no lixo. Em seguida, foi lavar as mãos muito bem lavadinhas. Para não correr risco de contágio. Juro!

JF

3 comentários:

Anônimo disse...

Morro de rir e me lembro que eu, na primeira vez que tive um disquetão contaminado por virus risos o peguei nas pontas dos dedos para não me contaminar, risos, sério mesmo, e meus filhos gargalhando
Rita

luizcarlos disse...

Grande JF. Belo relato. Vcs começaram mais cedo que eu, a apenas 4 anos que mexo nesse bichinho danado, de vez em quando levo uma suro dele, mas as vezes me saio bem. he he he he
LC

Luciana Farias disse...

Rita... o pior é que foi exatamente o que a mamãe fez.

Mas... sabe???? Conheço alguém que, apesar de escolado há quase 20 anos em virus, sempre pega aqueles que ainda nem foram criados. Mas não vou contar quem é....

Beijocas!!!