sexta-feira, maio 17, 2013

DE PATO A PERU, QUÁ-QUÁ E GLU-GLU



Sempre ganhei muitas garrafas de bebidas. Até hoje, clientes, amigos, parentes, me presenteiam com garrafas de whisky, conhaque, saquê, vodka, vinhos os mais diversos. Gosto muito de bebericar uma boa bebida, embora não seja propriamente um alcoólatra, apesar de já ter pego um ou outro "fogo homérico", o primeiro com menos de dez anos (mas, isto é história para outra hora). No domingo, na hora do almoço, acompanhando a macarronada, sempre vai bem um copo de um bom vinho tinto e seco.  O único problema é que eu não gosto de beber se não tiver companhia. E a Nina, em matéria de bebidas, só acompanha se for Guaraná “Zero”.

Nada como uma boa dose de whisky, em final de tarde, sendo bebido aos golinhos, ao longo de um bom bate papo. O problema é que, em dias de “Lei Seca”, ninguém quer arriscar-se a enfrentar um bafômetro, mesmo que só com um golinho de bebida. Incrível! Meus amigos aderiram à Coca Cola. Nem ao menos uma cervejinha. Vão de Coca Cola. E “Light”, ainda por cima! Vai daí que, aqui em casa, entra muito mais bebida do que sai. E o estoque ficou grande. Para o vinho, tudo bem. Todos os dias, no almoço, meu pai toma vinho tinto. Apenas 3/4 de copo, mas o suficiente para consumir as garrafas que ganho e manter o equilíbrio do estoque. E ele consome sem nenhum medo do bafômetro, já que, com 97 anos de idade, nenhum guarda de trânsito irá pará-lo. Mesmo porque já não dirige mais.

Uma saída para as demais bebidas é ir dando de presente a amigos, em seus aniversários. Só que, assim como eu consigo me desfazer de algumas garrafas de bebidas dessa forma, estou desconfiado que alguns amigos fazem a mesma coisa. Ganham e dão de presente. É possível até que alguma garrafa, depois de ser presenteada várias vezes, tenha retornado à minha casa. Inclusive, estou pensando em inovar, estatisticamente, nesses presentes com bebidas. Na próxima vez em que presentear alguém dessa forma, vou colar um papel na parte traseira da garrafa, com os dizeres: “Ao presentear alguém com esta garrafa, anote a data e o nome do presenteado”. Assim, poderei ver todo o caminho que a garrafa seguiu, por quais mãos passou, e quanto tempo levou até retornar a mim sob a forma de um presente de amigo.

Antigamente, lá pelos anos cinqüenta do século passado, até que as pessoas davam bebidas de presente. Não para mim, lógico, mas para o meu pai. Eram aquelas garrafas de bases ovaladas e revestidas de palhinha, do italianíssimo Chianti Ruffino. Só fui entender que era um vinho muito bom muitos anos mais tarde. Mas, os presentes sob a forma de bebidas não eram tão comuns como hoje. Lembro que meu pai, contador, ganhava presentes de seus clientes agradecidos, em cada final de ano. Perus! Isso mesmo! Perus!!! Aquele bicho que, com complexo de pavão, abre o rabo em forma de leque e canta “glu-glu-glu-glu-glu”. Pelo menos não eram cacarejantes. Eram legítimos perus glugluglusantes. Todos vivos. E como glugluglusavam! Em 1952, apesar de pequeno lembro bem do ano, pois foi quando nos mudamos do Brás para a Aclimação, meu pai ganhou, de seus clientes, nada menos que oito perus. Todos cantores e vivinhos da silva! Todos soltos no quintal, pois ainda não havia dado tempo de meu pai fazer um galinheiro. Ou um peruzeiro, sei lá! Não sei como a vizinhança não expulsou do bairro aqueles recém chegados folgados, donos de um coral barulhento e formado só de perus. No Natal daquele ano, meu pai deu peru vivo e glugluglulejante para a família toda. Que cada um o ajudasse a resolver seu problema.

Mas, teve o pato. Pois é! Ainda morávamos no Brás quando, num final de ano, meu pai ganhou um pato. Vivo, lógico, que pato morto e limpo, no supermercado, só existe agora. O pato, enquanto aguardava o momento de ser devidamente defenestrado e deglutido, foi solto no quintal. Quem, parece, não gostou muito da história foram as galinhas. Pudera! Todas presas no galinheiro enquanto aquele bicho passeava pelo quintal (perdoem-me as más palavras, senhoras) rebolando sua bunda de um lado para o outro.

Pato nada? Diziam que sim. Como não tínhamos uma lagoa, no quintal, a Meméia (se minha irmã Maria Amélia descobre que eu revelei, aqui, o seu apelido de infância, é capaz de me esganar) e eu resolvemos colaborar com o pato e construir um lago inteirinho só para ele. Cavamos um enorme buraco, de uns 50 centímetros de diâmetro e, no máximo, dez centímetros de profundidade (não esqueçam que éramos pequenos e não tínhamos condições físicas de fazer um lago maior) e o enchemos de água. Só que a terra absorvia a água. E nós jogávamos mais água. Até que tudo aquilo virou uma enorme poça de lama. Mas, já estava muito bom. Lama ainda era melhor que nada, para nadar. Só que o pato não apreciou nosso trabalho e não quis entrar no lago. E tratava de fugir. E nós o pegávamos e o jogávamos na lama.

“Nada, pato!”, ordenávamos. 

E o pato, nada de nadar. E fugia novamente. Ora, se não queria nadar por bem, nadaria por mal. Meméia e eu nos munimos de vassouras para impedir que o pato fugisse do lago. Ele teria que nadar, nem que fosse na base da pancada. Foi nessa hora que minha mãe veio ao quintal ver o que fazíamos. Pois não é que ela ficou do lado do pato? Apoio total ao palmípede, confiscando-nos as vassouras e nos pondo para dentro de casa.

E foi assim que o pato, que não gostou da lagoa, não precisou nadar. E surgiu o provérbio: “Pato, em lagoa estranha, estranha!”
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Ontem, 16 de maio, no final da tarde, Nina comentou:

"Há 44 anos, neste horário, eu estava esperando por você, na porta da igreja. Você não fica envergonhado, não? Ainda bem que eu já estava acostumada com seus atrasos, né?" 

Pois é! Completamos 44 anos de casados e até hoje rimos do fato de eu ter chegado à igreja meia hora depois dela. O importante é que continuamos nos amando como se sempre fosse o primeiro dia.
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Ah, sim! Na foto, Meméia e Zezinho na charrete puxada a bode, em São Lourenço/MG, em 1947.

Abração e até à próxima.
JF

quarta-feira, maio 08, 2013

ZEZINHO E OS FRANGOS E OS OVOS E AS GALINHAS


Houve um tempo, acreditem, em que não se compravam frangos em supermercados. Supermercados, minha senhora, mal estavam começando a existir. Isso lá pelos anos cinqüenta e sessenta do século passado. Naquela época, as coisas eram compradas nos armazéns de secos e molhados. Menos os frangos. Esses, nem nos armazéns.

Quem quisesse um franguinho assado, no almoço, tinha três opções: ganhava um frango vivo de presente, criava frangos, no galinheiro do fundo do quintal, ou comprava um frango vivo no frangueiro, o comerciante especializado, que tinha sua loja ou, então, que ia batendo de porta em porta e oferecendo os frangos que trazia nas costas, em um enorme jacá. 

Havia, ainda, a forma um tanto menos ortodoxa que consistia em furtar os frangos em algum galinheiro de quintal, à noite. Mas, o espertinho que fizesse isso arriscava-se a tomar um tiro de garrucha. E foi dessa modalidade que surgiram os famosos “ladrões de galinhas”. Mas, esta forma não consideraremos como válida.

Sempre que se adquiria um frango, ele vinha inteiro e, pasmem, vivo. E o interessado que o matasse. Lá em casa, o matador  oficial de frangos era meu pai. Pegava o bichinho com uma das mãos, pelas pernas, e, com a outra mão, torcia-lhe o pescoço. Depois, dava-lhe um banho de água fervendo e arrancava todas as penas, guardadas para encher travesseiros.

Frango normal era aquele que tinha duas pernas, com duas coxas, duas asas, um peito, uma cabeça, um... Enfim... Todas essas coisas de que a natureza dota um frango normal. Nada do que essas modas atuais apresentam à venda no supermercado: uma bandejinha com meia dúzia de coxas, outra com meia dúzia de sobrecoxas, dois peitos, etc. Alguém aí, por acaso, já viu alguma penosa de seis pernas e nada mais? E de dois peitos, sem pernas, sem asas, sem cabeça?

Enfim, era tudo assim. Bem diferente dos dias de hoje em que a grande maioria das crianças nunca viu um galo ou uma galinha. Ao contrário, as crianças de antes, todas, sabiam o que era uma galinha. Era difícil a casa que não tivesse um galinheiro no fundo do quintal. Verdade que, hoje em dia, as crianças nem ao menos sabem o que é quintal.

Em casa, como não poderia deixar de ser, também havia o galinheiro no fundo do quintal. E recolhiam-se ovos nos ninhos. Mas, isso faz muito tempo! Tanto tempo que minha memória mal consegue vislumbrar algum fato da época. Entretanto, alguma coisa ainda lembro.

Certo dia, sei lá o que eu havia aprontado, minha mãe sentenciou:

“Hoje, você vai dormir com as galinhas!”

O dia passou, meu pai chegou do escritório, jantamos, e eu sumi. Procuraram por mim pela casa toda, que era pequena, e nada. Os vizinhos entraram em polvorosa. Vocês não fazem idéia do que era a vizinhança, no italianíssimo bairro paulistano do Brás, ainda no final dos anos quarenta, quando não existia televisão. Todos gesticulando e falando alto, ao mesmo tempo, querendo chamar a polícia. Foi quando minha mãe lembrou-se: “Não é possível!”

Era possível, sim. Tanto que, quando ela chegou no fundo do quintal, no galinheiro, lá estava o Zezinho empoleirado, no meio de um bando de galinhas também empoleiradas à sua volta, todos prontos para dormir.

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Na foto de 29-08-44, no galinheiro do fundo do quintal, papai Amélio ensina Zezinho a dar milho para as galinhas.

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Pessoal, a 14ª Exposição de Orquídeas de Vinhedo/SP foi um sucesso absoluto. 1.300 plantas de colecionadores de 33 cidades de SP e MG expostas. Público visitante estimado em 10.000 pessoas. Na próxima postagem colocarei algumas fotos.

Abração a todos e até à próxima.
JF

domingo, abril 14, 2013

14ª EXPOSIÇÃSO NACIONAL DE ORQUÍDEAS DE VINHEDO/SP



Oi, pessoal.

Hoje é para falar da14ª Exposição Nacional de Orquídeas que nós, do Clube Amigos da Orquídea de Vinhedo - CAO-Viva, com o apoio da Prefeitura Municipal de Vinhedo e da CAOB-Coordenadoria das Associações Orquidófilas do Brasil, estaremos realizando no final de semana de 19 a 21 de abril próximos.

O local da exposição é o Parque Municipal Jayme Ferragut (Parque da Festa da Uva), na entrada da cidade de Vinhedo/SP, e esperam-se cerca de 1.300 plantas expostas, de colecionadores amadores de várias cidades e estados. A entrada é gratuita e o estacionamento estará liberado dentro do próprio parque.

Vinhedo/SP situa-se no Km 75 da Rodovia Anhanguera, entre Campinas e Jundiaí.

Na 6ª feira, pela manhã, haverá o recebimento das plantas. A partir das 13 horas, julgamento das melhores plantas por juízes credenciados pela CAOB. Inauguração às 20 horas.

A exposição estará aberta ao público no sábado (20), das 9 às 20 horas, e domingo (21), das 9 às 17 horas. No sábado e no domingo, aulas gratuitas sobre cultivo de orquídeas.

Estarão presentes, vendendo uma enorme variedade de orquídeas, seis orquidários profissionais. Apenas poderão ser comercializadas plantas produzidas em laboratório. A CAO-Viva, como forma de preservação do meio ambiente, não admite vendedores de plantas retiradas das matas. Também foram convidados vendedores de insumos para cultivo de orquídeas, de livros e revistas especializados, e até de camisetas com o motivo "orquídeas".

Será um prazer muito grande receber os amigos leitores do blogue. Todos estão convidados. Estarei lá nos três dias de exposição e sou facilmente reconhecível pelo meu boné preto bordado com minhas iniciais JF (só não me chamem de Zé do Boné).

Abração a todos,
JF

segunda-feira, março 04, 2013

QUE LOUCURA!!!...


Dizem que colecionar é um hábito saudável. Vocês colecionam alguma coisa? Tem gente que coleciona selos. Tem quem colecione moedas. Há os que colecionam orquídeas. E cactos. E vários tipos de plantas.

Quando eu era criança, existiam as coleções de figurinhas. Em geral, eram pequenas estampas com a foto de jogadores de futebol e vinham envolvendo balas que comprávamos no armazém. Depois, as figurinhas passaram a vir em envelopes que eram comprados nos jornaleiros. Muito antes disso, existiram as famosas estampas Eucalol, que acompanhavam os sabonetes dessa marca e que, até hoje, ainda são objeto de trocas entre colecionadores.

Porém, selos, moedas, plantas, figurinhas, tudo isso sempre esteve dentro das coleções normais e previsíveis. Assim como, em certa época, eram previsíveis as coleções de carteirinhas de fósforos, de lápis de propaganda, de chaveiros, de discos 78 ou 33 rpm, de bonecas Barbie. Hoje, existem até, imaginem, os que colecionam ferraris. 

Mas, tem gente com umas coleções esquisitas. Conheço duas pessoas que colecionam as latinhas de alumínio de refrigerantes e cervejas. Um deles tem mais de 1.500 latinhas nacionais e estrangeiras dispostas em vários armários envidraçados. E, pasmem, todas elas cheias com seus respectivos conteúdos. Nunca foram abertas e latinha vazia é desprezada. Juro! Porém, uma coleção que entendo ainda mais estranha é uma que se deriva desta coleção de latinhas de refrigerantes e cervejas. É a coleção de garrafas PET do meu filho. Qualquer garrafa PET? Não! A coleção dele é especializada em PETs de 2 litros, de refrigerantes! Umas trezentas PETs. É óbvio que essa coleção não cabe no apartamento dele, já completamente atulhado com coleções de revistas, gibis, mangás, e congêneres. Sem falar que, felizmente, ele se convenceu que nunca mais iria conseguir reler sua coleção de recortes de jornal e jogou fora esse paciente trabalho de tesoura, de muitos anos.

Voltando às PETs. Quando ele se convenceu que elas não cabiam em seu apartamento (eram elas ou a namorada), apelou para a solução mais simples: a casa do pai. Só que o pai, em determinado momento, resolveu mudar de São Paulo para o sítio, em Itatiba. Vocês precisavam ver a cara de incredulidade do pessoal da Granero colocando aquele monte de garrafas plásticas dentro daquelas caixas enormes de papelão e, depois, colocando essas caixas enormes dentro do caminhão. Devem ter pensado que eu era louco. Afinal, eu não expliquei a eles que a coleção era do meu filho, que teve sua imagem preservada, e não minha. No sítio, minha primeira providência foi esvaziar uma porção de garrafas que ainda continham seus devidos produtos.

E passaram-se cinco anos, desde nossa mudança. E foram cinco anos reclamando com ele para que desse um fim a tudo aquilo. Ou que, ao menos, me permitisse construir uma jangada com elas, para que eu brincasse de Simbad, o marujo, no lago do sítio. Uma amiga até se prontificou a me dar a cola que uniria as trezentas garrafas, já pensando em uma publicidade gratuita para sua empresa. Só não fiz a jangada por considerar essa amiga uma cientista louca e por não saber nadar. Sei lá se a cola não era solúvel em água? E foi nessa altura dos cinco anos que vieram os cupins e se encarregaram de apressar as coisas. Atacaram as PETs? Antes fosse isso! Atacaram o madeiramento do telhado do depósito onde elas estavam guardadas juntamente com uma enorme quantidade de tranqueiras, daquelas que a gente vai guardando para utilizar na ocasião propícia, sendo que essa ocasião propícia não chegará nunca, nem na terceira geração de nossos pósteros. E eu precisei esvaziar o depósito. Meu filho foi compreensível e permitiu, finalmente, que eu me desfizesse das PETs, para alegria de algum reciclador daqui de Itatiba. Porém, com uma condição. Ou duas! Primeiramente, eu deverei fotografar as PETs. Todas elas. Segundamente, como diria o Coronel Odorico Paraguaçu, deverei remover os rótulos, de cada PET, para entregar a ele como "memórias" de sua coleção.

E foi dessa forma que, de uma hora para outra, transformei-me em fotógrafo de PETs. O que um pai não faz por seu filho? É nessas horas que lembro do poema de Coelho Neto: “Ser pai é padecer num paraíso”. Ou algo mais ou menos assim.
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OS BICHOS, NO SÍTIO

E aí vai mais um dos animaizinhos quem andam por aqui: o caxinguelê. Também conhecido, por aí, como serelepe, esquilo, caxixê, etc.

Muito ágeis, muito rápidos. É lindo ver um caxinguelê carregando um filhote. O filho se enrola feito uma bola e o caxinguelê (não sei se a mãe ou o pai) o pega com a boca e o leva embora.

Entre outras coisas que comem, gostam muito dos coquinhos das palmeiras. Conseguem, roendo, fazer um pequeno orifício na casca dura para comer a polpa.
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EXPOSIÇÃO NACIONAL DE ORQUÍDEAS

Nos dias 19 a 21 de abril, na cidade de Vinhedo/SP, no Parque Municipal Jaime Ferragutti, bem na entrada da cidade, nós do Clube Amigos da Orquídea-Viva, de Vinhedo, com o apoio da Prefeitura Municipal, estaremos realizando nossa 14ª Exposição Nacional de Orquídeas. Aberta ao público nos dias 20 e 21, com entrada franca, estacionamento dentro do Parque, cursos gratuitos de cultivo, vendas de plantas, insumos, livros e revistas, e até camisetas. A exposição vem crescendo a cada ano. Em 2012, foram expostas 1.205 plantas floridas. Para este ano, esperamos uma quantidade ainda maior.

Na foto, uma parcial de minha Vanda tricolor 'suavis' instalada em árvore a quase 40 anos. Na floração de 2012 foram mais de 600 flores abertas ao mesmo tempo (setembro/outubro).
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Abração a todos e até à próxima postagem.

JF





segunda-feira, janeiro 14, 2013

DIÁRIO DE UMA NOVA VIDA


Morar no campo! Fugir da cidade!

Os cupins atacaram o madeiramento da casa dos nossos caseiros. O pedreiro me deu a relação e as medidas da madeira necessária. Obviamente, ficou faltando e eu precisei encomendar mais. Eles não conseguem pedir tudo de uma vez. Com a retirada do telhado, foi visto que a parte elétrica está deficiente. Vou providenciar toda a fiação nova.

O motor da bomba da piscina queimou! Antes do dia 31. Está até agora no conserto e nem ao menos me ligaram para dar o orçamento. Quando ficará pronto? Sabe-se, lá!

As chuvas muito fortes estão acabando com a estradinha de acesso...

Gentes, revendo umas postagens antigas, encontrei a abaixo, publicada no blog aos 20/12/07, mas bem a propósito, apesar dos cinco anos já passados.

Vejam (melhor dizendo: leiam):

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Oi, pessoal.

Finalmente o sonho se realiza. A Nina e eu, depois de 38 anos de casados, saímos de São Paulo e nos mudamos para o sítio, em Itatiba/SP.

Dentro de minhas veleidades literárias, resolvi que, de agora para a frente, escreverei um livro Diário desta nova vida.

DIÁRIO DE UMA NOVA VIDA

1º dia – Hoje, ao acordar, não ouvi as freadas dos ônibus junto ao ponto de parada, em frente de casa. Também não senti, durante o dia todo, as buzinadas malucas do trânsito congestionado. Nada daquele ar mau-cheiroso de São Paulo. Somente o ar puro de Itatiba. Logo cedo, fui acordado com um barulho bem diferente: a gritaria de um bando de macacos-prego passeando pelas árvores da beira do lago bem próximo. Fiquei ouvindo, com imensa felicidade, aquele som diferente. Música! Está certo que eu os ouvia quando passava os finais de semana no sítio, mas hoje foi diferente. Hoje, foi a certeza de que poderei ouvi-los todos os dias. Como pude viver tanto tempo longe disto?

2º dia – Hoje, fui acordado por um bando de saracuras. Vocês conhecem saracuras? São uma aves de perninhas compridas, andam em bandos e possuem um canto bem estridente, mas muito engraçado e alegre. Muito bom acordar desse jeito. Mais tarde, a caseira veio prevenir-me de que acabara o milho para os patos. Ué! E como os patos eram abastecidos antes? O caseiro do sítio vizinho fazia o favor de comprar e era reembolsado, com uma pequena gorjeta. Morando no sítio, devo assumir todas essas responsabilidades. E, afinal, qual é o trabalho de ir buscar milho para os patos? Peguei o carro e fui à cidade comprar milho. Descobri que o preço do milho caiu pela metade, desde a última vez que o vizinho o comprou. Sem falar na gorjeta. Mas, e o prazer de ver aquele bando de patos vindo ao meu encontro em busca do milho? Gentes, que coisa maravilhosa viver em um sítio.

3º dia – Hoje, não passaram nem os macacos-prego e nem as saracuras para me acordar. Fiquei na cama esperando por eles até depois das nove horas. Não dá para confiar nos animais para acordarem a gente. A Nina entra no quarto reclamando que a casa está sem água. Minha nossa! Ontem, com a história dos patos, esqueci-me de ligar a bomba que joga a água na caixa. É lógico que não é um simples incidente desses que vai me aborrecer. Dou um beijo na bochecha dela, que continua de cara amarrada, e vou ligar a bomba. São pequeninas coisas que não chegam a tirar o prazer da gente. Amanhã começarei a trabalhar no jardim da casa. Estou com excelentes idéias para a remodelação. Viva a vida no campo!

4º dia – Hoje, o barulho para acordar foi o barulho da chuva. Levantei-me e fui olhar. Algumas telhas quebradas, no alpendre, deixam passar água. Muita água! Anoto mentalmente: mandar revisar todo o telhado da casa e mandar trocar as telhas quebradas. Adeus início de trabalhos de remodelação do jardim. Com essa chuvarada, não dá. Vida no campo tem dessas coisas. Quando se quer chuva, ela não vem. Em compensação, quando não se quer... Lembro do provérbio inventado pela Vanessa, minha neta de oito anos (vide blog da Lu: http://eeepa.blogspot.com/ ): "Quando a gente não quer, tudo ganha." Sábia Vanessa!

5º dia – Hoje, acordei com o barulho de um bando de sagüis. É um tipo de macaco bem menor que os macacos-prego, mas também muito barulhentos. Dessa vez não foi engraçado. Ainda estou me lembrando dos gastos com o conserto do telhado e não há coisa alguma que me alegre. A caseira veio me dizer que as duas capivaras que apareceram no lago estão fazendo estragos na horta. Conseguiram rebentar o alambrado muito velho e enferrujado. Fui lá verificar o estrago e as possibilidades de conserto. Realmente, o estrago foi feio. O alambrado está imprestável e precisa ser totalmente trocado. Fiz um cálculo rápido do custo: pelo menos uns sessenta metros de alambrado, bem reforçado. Fora a mão-de-obra. Pessoal, é bom morar no campo, mas não é tão barato quanto estavam me dizendo.

6º dia – Hoje, tornei a ouvir o barulho dos macacos-prego. Lembrei-me, então, que há muito tempo não como bananas das bananeiras do sítio. E olhem que eu tenho sete variedades diferentes de bananas. Aquilo deixou-me perplexo pelo resto da manhã. Após o almoço, fui ver as diversas plantações de bananas. Diversos cachos em formação lá estavam. Mas, cachos de bananas prestes a amadurecer, no ponto de colher, nada! Mas encontrei muitos indícios de colheita de bananas: diversas bananeiras derrubadas para a retirada dos respectivos cachos de bananas. Fiquei uma fera e fui tirar satisfações com a caseira:

"Quem está colhendo as bananas, que eu não vejo nenhuma por aqui?"

"Eu também não vejo", respondeu-me ela. "É o pessoal aí das Nações (um bairro popular da cidade) que entra e leva tudo."

De tanta raiva, fui dormir sem jantar.

7º dia – Hoje, domingo, acordei tarde e com dor de cabeça. Fiquei louco de raiva com um bando de maritacas barulhentas que por ali passou, nessa hora. A família toda vem para o almoço. Fui até à cozinha e encontrei a Nina ocupada com uma grande quantidade de coisas.

"Cadê o cafezinho que o meu amorzinho fez para o maridinho queridinho dela?"

"Na garrafa térmica! Onde mais poderia estar? Abra a geladeira, pegue frios e prepare um sanduíche você mesmo. Estou muito ocupada fazendo o almoço. Esqueceu que hoje é folga da caseira?"

Com esse "alegre" bom dia, silenciosamente, preparei e comi meu sanduíche, acompanhado de um café morno e a explicação: "Já falei quinhentas vezes pra você que essa garrafa térmica está com defeito!"

Como não chove há alguns dias, fui molhar meus vasos de orquídeas. "Cadê a mangueira que estava aqui?" A caseira, que hoje está de folga e desaparecida, sumiu com ela.

O pessoal está demorando para chegar. Vou à geladeira pegar uma cervejinha.

"Não tem cerveja na geladeira."

"Como? Sabendo que vinha tanta gente e você não cuidou das bebidas? Será que eu sempre tenho que lembrar de tudo?"

Saí correndo para providenciar.

Quase três da tarde. O pessoal chega para o almoço. Eu estou "varado" de fome e doido por uma cerveja gelada.

Termino de almoçar e me preparo para ir tirar uma soneca.

"Pai, não vá se esconder que daqui a pouco vamos embora."

"Mas vocês acabaram de chegar!"

8º dia – Hoje, acordei com um sabiá cantando bem junto à janela do quarto. Levantei-me correndo e abri a janela.

"Sabiá f.d.p! Ta gozando da minha cara? O que é que tem aqui no campo para ficar alegre? Estou estressado com essa droga de mato. Quero voltar para São Paulo!"

Atirei meus chinelos nele. O bicho é muito vivo e conseguiu fugir.

9º dia – Hoje, eu estou pondo fogo nesta porcaria de Diário.

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OS BICHOS, NO SÍTIO

Este é o Raul, me espiando pela janela do escritório.

Também tem a Mimi. E quando se juntam um gato e uma gata, vocês sabem o que acontece, não é mesmo? É isso daí: a cantoria noturna. E, como resultado da cantoria, agora também temos o Romeu, a Julieta, o Ranulfo. Alguém aí está querendo um gatinho de presente?

Bom, a vantagem de ter gatos, em sítio, é que desaparecem os ratos. E, desaparecendo os ratos, as cobras vão embora. Cobra adora comer rato, mas não gosta de comer gato.

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Bom, pessoal. É isso aí. Um abração a todos e até à próxima.

JF

segunda-feira, dezembro 31, 2012

UM CONTO DE FIM DE ANO

OS AMELIOS

De tardezinha, a Amelia, mocinha ainda muito novinha, ia depositar o dinheiro da féria do armazém de meu avô lá no Banco de São Paulo S/A, na Avenida São Carlos. Se o italiano soubesse o que se passava no banco... Mamma mia!!!...


No banco, tinha um caixa, novinho, mas bem jeitosinho, que logo botou os olhos na Amélia. E a Amélia, lógico, bem que gostou da história. E a paquera muda continuou por muito tempo. Naquela época não era como hoje. Hoje, na hora, o rapaz chega na garota, nem pergunta o nome, e já vai dizendo: "E aí, mina! Van'ficá?" Isso, se "mina" já não for gíria de passado muito remoto, pois eu não consigo mais acompanhar o desenvolvimento da juventude. Agora, logo ao primeiro olhar, se o rapaz não fala nada, é a própria garota que o convida para "ficar". E ela, também, se esquece de perguntar o nome dele. Hoje em dia, entretanto, esse detalhe parece não ser muito importante.

Mas, naquela época diferente, a troca de olhares lânguidos durava meses! Um dia, ele se encheu de coragem e foi falar com ela. Mas a coragem só dava para isso: falar com ela! Para começar a namorar precisava de muita, muita coragem a mais! Mas a coisa toda estava bem encaminhada. E eu sou uma das provas de que, no final, deu tudo deu certo! Eu nasci, não é mesmo?

Porém, quando os dois se apresentaram, ela entendeu o nome dele errado: Américo. A partir disso, era Amélia e Américo. Até o dia em que ele se armou de coragem, mais uma vez, e disse a ela que não era Américo. O nome dele era Amélio! Aí, ela se espantou: "Mas eu achava que eu era a única pessoa com esse nome!" Não deu outra: casaram-se, em 1939, depois de vários anos de namoro e noivado, também costume, na época.

O primeiro filho, eu, demorou um pouco. Eu nasci na virada do ano, em 1º de janeiro de 1942. Existem algumas tentativas de explicação para essa data. Alguns dizem que minha mãe tomou um susto com o estouro de fogos de artifício que comemoravam o novo ano, e... eu nasci. Às seis e cinco do dia primeiro.

Outros já tem uma versão diferente, minha preferida. Naquela época, começando às 23,45 horas, nós tínhamos, aqui em São Paulo, a famosa Corrida Internacional de São Silvestre. Vinham atletas do mundo todo disputar a prova, que se prolongava até os primeiros minutos do novo ano. Era uma coisa tradicional (que a Rede Globo sepultou, transferindo a corrida para o dia 31, à tarde, em benefício de seus programas de finais de ano, com suas Xuxas e Faustões da vida!). Todos comemoravam a entrada do ano novo, acompanhando, pelo rádio, a corrida de São Silvestre. Lógico que todos torciam pelos atletas brasileiros, mas estes... só foram ganhar, pela primeira vez, já nos anos setenta. E, na virada de ano 1941/1942, mais uma vez, o Brasil perdeu a prova. Aí, para compensar, dando uma imensa alegria a todo o povo brasileiro, eu nasci. Modéstia à parte!

Naquela época (quanta diferença!), só se sabia se era menino ou menina quando a criança nascia. Quando muito, faziam a tal simpatia da agulha para tentar saber o sexo. Mas, a agulha também não entendia muito do assunto. E eu nasci menino! Não tenho nada contra as mulheres! Muito pelo contrário! Mas, não me arrependo de ter nascido menino. A Nina também é favorável ao fato de eu ter nascido menino.

Depois do nascimento, começavam os palpites: "Vai chamar-se Antonio", "Eu prefiro Alfredo!", "Vocês estão doidos? O nome é AMÉLIO! AMÉLIO Junior!". Eu, lá no meu bercinho, vendo toda aquela discussão entre tios, tias, avós, comadres... E já imaginando horrorizado: "Vou ficar conhecido como Amelinho!!! Essa não!" Me dava tal desespero que logo começava a chorar. Aí, minha mãe terminava com a discussão: "Todo mundo prá fora! Ele está com fome e precisa mamar!" E, para sorte minha, meus pais decidiram que eu teria um nome diferente.

Eu escapei do Amélio. Minha irmã, não! Ela pegou o nome Amélia. Só que, como era costume na época, acrescido de um Maria: Maria Amélia! Até que ficou bonito. Eu acho!

Mas, a história nada tem a ver com minha irmã. Voltemos, pois, a dois anos e alguns meses antes de ela nascer. O meu nome! E meus pais resolveram, para o primeiro filho, homenagear meus avós paternos: Francesco e Giuseppina Catharina. Porém, de forma aportuguesada, lógico: Francisco e Catarina.

Novamente, fiquei apavorado com aquela conversa de nomes: "Como irão me chamar?" E, na minha imaginação muito nova, pós-parto, pensei em uma combinação de nomes que me apavorou. Só não fiquei de cabelos em pé, porque nasci careca (acho!). No meu raciocínio, eu não percebia como iriam homenagear minha avó, que só tinha nomes femininos: Josefina Catarina. Eles não seriam tão doidos de darem a mim, um legítimo homenzinho, o nome de Catarina! Ou Josefina! Pensando bem, meu nome nem poderia terminar com a letra "a". O que meus coleguinhas iriam comentar de mim, na escola, embora isso ainda fosse um problema longínquo? E continuei matutando: Francisco Josefina? Nem pensar! Francisco Catarina? Nem sei qual o pior! Aí, no meu raciocínio de recém nascido, pensei: e se eles pegam uma parte do nome do meu avo e outra parte do nome de minha avó e formam um nome novo? Poderia dar certo, desde que a parte do nome de minha avó viesse primeiro, para evitar a terminação em "a" do nome novo. E eu pensei: pega-se uma parte do nome de minha avó: Cata, de Catarina. E, uma parte do nome de meu avô: Cisco, de Francisco. Juntando-se as duas partes, deve ficar original e bonito: Catacisco! Catacisco??? Não!!! Pode esquecer.

Nessa altura, virei para o outro lado e adormeci. Enquanto dormia, sem minha participação, meus pais resolveram meu nome: masculinizaram o nome de minha avó e acrescentaram o nome de meu avô. E foi assim que eu fiquei José Francisco. Muito prazer!

(publicado na lista NESO, de discussão pelo Yahoo, aos 04/06/2005 e, neste blogue aos 08/07/2007)

Na foto de 1935,  os Amélios namorando na praça, em São Carlos/SP.

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A BICHARADA, NO SÍTIO

Como vocês já devem ter notado, gosto muito orquídeas. Além delas, também gosto de cultivar bromélias, cactos, árvores... plantas em geral. Lógico que também gosto muito de animais. Tenho o maior respeito por eles. Desde que não sejam ratos! E nem carrapatos! E nem pernilongos! E nem... esses insetos todos que perturbam a gente. Admiro os urubus, os morcegos, as corujas, e todos esses animais que, injustamente, por falta de maior conhecimento, algumas pessoas lhes atribuem qualidades negativas, agourentas. E respeito as cobras. Só que fico longe delas.  Na foto de hoje, apresento para vocês uma jararaca toda enrolada, em um vaso de uma cactácea, à espera de algum passarinho que ali fosse atrás de insetos. É por isso que tomo muito cuidado quando mexo em meus vasos. 

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É isso, pessoal.

A todos vocês e às suas famílias, desejo um 2013 muito feliz.

Até o próximo ano e um abração.
JF

segunda-feira, dezembro 24, 2012

O PRIMEIRO NATAL DO PAPAI PAULO NOEL


Não. Não é o Papai Noel que vocês pensam. Esta é a história do Papai Paulo Noel.

Tudo se iniciou ainda no início dos anos setenta, quando as crianças eram bem pequenas. Naquela época, ainda na casa velha, Paulo, meu cunhado, resolveu vestir-se de Papai Noel e fazer a distribuição dos presentes, na passagem do dia 24 para o dia 25 de dezembro. Não esqueço a expressão das crianças ao verem chegar o bom velhinho. Foi uma emoção tão grande, para todos, que acabou virando uma tradição, aqui no sítio. Todos os anos o Paulo veste-se de Papai Noel, para alegria das crianças, agora os netos, dos adultos que eram as crianças da época, e dos adultos que já o eram então. 

Neste ano, pela primeira vez, minha mãe não mais estará fisicamente se divertindo com a brincadeira. Mas, lá do céu, com muita ternura, certamente ela estará acompanhando e abençoando tudo e todos.

No início, o Paulo precisava de travesseiros dentro da roupa, imitando a barriga do Papai Noel. Mas, nem sempre foi assim, Anos houve em que o travesseiro tornou-se dispensável. Com ou sem travesseiro, entretanto, é o mais perfeito e alegre Papai Noel que se possa imaginar.

Mas, vamos ao primeiro Natal do Papai Paulo Noel.

Como eu disse, ainda era nos tempos da casa velha. Hoje, está tudo muito diferente, tudo calçado em volta dessa e das outras casas que se construíram no sítio. Mas, naquele tempo, era tudo terra. Não tínhamos os caminhos calçados, como hoje. E como chovia, naquele tempo! E, com a chuva, ao redor da casa, formava-se um lamaçal.

Lá pelas onze da noite, família toda reunida na sala à espera do Papai Noel, o nosso Noel tupiniquim sai pela porta dos fundos, às escondidas, para dar a volta e chegar de forma triunfal e inesperada, ao menos para as crianças, pela porta da frente da casa.

Mas, chovia. E como chovia! Papai Paulo Noel precisou sair de casa segurando um guarda-chuva com uma mão, enquanto a outra mão segurava o saco de presentes pousado em suas costas.

Além da chuva, ainda havia o problema de precisar andar no meio da lama. Nada que um bom par de botas não resolvesse, embora elas ficassem imundas.

E lá se foi Papai Paulo Noel, intrépida e garbosamente, sob chuva e em meio à lama, a caminho da porta da frente da casa.

Porém, um perigo esperava o bom velhinho, do lado de fora da casa. Os cães ladradores: o Toy e o Perigo. Nomes bem sugestivos para dois autênticos "vira-latas", não é mesmo? O Paulo bem que havia lembrado deles, mas eram dois cães mansos e não iriam representar qualquer problema. Assim deveria ser se os cachorros soubessem que não deveriam representar nenhum problema! Mas, não sabiam. E que reação vocês imaginam que podem ter dois cachorros, numa noite de chuva, escura, ao se depararem com um estranho balão vermelho amassando barro e avançando em meio à chuva? Lógico! É isso aí. Apesar de não serem touros, avançaram latindo para cima do atônito Papai Noel carmesim que, nessas alturas, não sabia se saia correndo largando o saco de presentes no meio da lama, se voltava para dentro de casa pela porta dos fundos, se chamava a polícia... Por sorte, o pavor infundido aos cães foi maior que a coragem deles. Chegaram perto mas não avançaram o sinal. Com isso, Papai Paulo Noel, todo molhado e enlameado, pode fazer sua triunfal entrada na sala, para alegria geral.

Depois da entrega dos presentes, tempo suficiente para que a chuva praticamente parasse de cair, e presos os cachorros "devoradores" de papais noeis, Papai Paulo Noel foi até à casa dos caseiros entregar seus presentes. Logicamente, eles não estavam sabendo daquela inesperada visita, à meia noite da noite de Natal.

A casa estava fechada, mas havia luzes na sala. O Paulo bateu. Depois de alguns instantes, uma voz vinda do lado de dentro perguntou:

"Quem é?"

Ora, quem poderia ser? O Paulo respondeu:

"É o Papai Noel!"

O caseiro, ao que parece, duvidou. Mas abriu para conferir.

Gente do céu! O caseiro já havia, digamos assim, tomado todas as que tinha direito e mais as que não tinha direito, também. Melhor explicando: estava completamente "de fogo". E vocês sabem que pessoas nesse estado demoram muito a compreender o que está acontecendo. Muitas vezes, não chegam a compreender nunca. O espanto dele ao abrir a porta e dar de cara com Papai Noel foi uma coisa inenarrável. Com certeza, se não acreditava, a partir daquele momento passou a acreditar na existência do bom velhinho.

Algum tempo depois, ele saiu do sítio e nunca mais tivemos notícias dele. Mesmo assim, estou para dizer que ele acredita em Papai Noel até hoje. E, nas rodas de botequim, entre uma pinga e outra, ele deve dizer aos amigos:

"Papai Noel existe. Eu juro! Meninos, eu vi com estes olhos que a terra há de comer."

(republicação de texto original de 26/12/2007, neste blogue)

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A bicharada que aparece aqui no sítio, como se diria antigamente,  "não está no gibi". Seguindo o conselho de minha amiga Apolônia, lá de Alta Floresta/MT, a máquina fotográfica está sempre a postos.  E, assim como ela, vou fotografando o que aparece. Verdade que não tenho, como ela, jacarés na porta da cozinha. E nem  jiboias soltas fazendo o papel de cães de guarda.  Mas, me contento com o que temos por aqui e, algumas vezes, acontecem supresas. Como esse sagui albino que consegui fotografar em uma árvore bem aqui na frente da janela do meu escritório. O bichinho tem dificuldade de visão. Assim, às vezes, ao pular de um galho para outro acaba caindo no chão. E foi essa dificuldade que fez com que eu conseguisse me aproximar bem e fotografá-lo.

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Feliz Natal a todos os amigos e seus familiares. E um 2013 com muita paz, saúde, realizações. E que vocês consigam ganhar a megasena acumulada. São os nossos votos.

Nina e JF. E mais a Lu, o Vagner, a Juliana e a Vanessa, o Adriano e a Fabi. E o Eddie Wood (Ed para os íntimos), lógico.

Atá à próxima.


segunda-feira, dezembro 17, 2012

PIRRALHINHA



Ele tornou-se amigo de seu irmão e freqüentavam as mesmas festinhas. O irmão a levava, mas ele, até agora, não lembra exatamente de quando se conheceram. Pudera, ele já tinha 20 anos e ela era uma pirralhinha de 14 anos, falante, barulhenta, mal saída de sua infância.

Ele estava de olho na gata de olhos verdes, pouca coisa mais nova, mas da mesma idade. E saiu o namoro. Brigas e mais brigas que levaram ao rompimento definitivo, depois de quatro meses. Foi sorte! Se tivessem continuado, hoje um estaria na prisão e o outro coberto por sete palmos de terra, no cemitério. Sem que se saiba exatamente quem estaria onde.

Por sua vez, ela começou um namoro com outro amigo do mesmo grupo, namoro esse logo interrompido.

E o tempo foi passando, eles se vendo nas reuniões da turminha, todos os finais de semana. E batendo papo. Na verdade, ela, a extrovertida, falando e ele, o tímido introspectivo, escutando.  À medida em que iam se conhecendo melhor, já não viam a hora da chegada dos finais de semana para se  verem e conversarem.

Aí, aconteceu. 1964, 14 de dezembro. Ele telefonou:

“Você quer namorar comigo?”

“Se quero!!!”

Na última 6ª feira (14), eles completaram 48 anos de namoro. Lógico que, durante esse tempo, casaram, tiveram dois filhos, têm duas netas, sem esquecer os quatro cachorros: Chinita, Belle, Rakam (O Terrivel) e o atual Eddie Wood (Ed, para os íntimos) . Brigas? Lógico! Porém, nunca levantaram a voz um para o outro. Nunca se chamaram de bobo (a) ou qualquer coisa um pouco mais séria. Sempre muito respeito e carinho. É por isso que Franjinha e Cebolinha seguem namorando ainda por muito tempo. 

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MAMÃE SABIÁ


Maria Rita é uma amiga muito querida que mora no Rio de Janeiro e tem sua casa de campo em Paty do Alferes/RJ. É em Paty que cultiva suas orquídeas e todas as outras plantas. Além das plantas, Maria Rita gosta de fotografar: viagens, momentos, tudo! E está tudo lá no seu cantinho
     http://www.flickr.com/photos/29270995@N05/

Na foto ao lado, feita pela Maria Rita lá em Paty, Mamãe Sabiá posa, enquanto choca seus ovinhos.


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Nesses próximos dias, família toda começa a chegar ao sítio para Natal e Ano Novo. Mais uma vez, reunião com muita alegria, muita paz e muita música. Se alguém quiser ver o "Família Jacaré" cantando, é só aparecer.

Um feliz Natal e um ótimo 2013 para todos.

Abração,
JF    



domingo, novembro 25, 2012

A VEZ DA GATA BORRALHEIRA


Gata Borralheira é uma menina pobre, nascida em São Paulo, que resolveu ir lá pras bandas da Bahia. Dizem que o sol de Amaralina é mais sol que o sol de Santos. Pode ser! Afinal, nos finais de semana, é tanto paulistano que desce para a Baixada que as areias santistas ficam congestionadas e, para cada um, sobra apenas uma pequenina parcela do sol e um pouquinho de areia para sentar. Fora o cheiro de xixi da água do mar..

Mas, para viver na Bahia, passar o dia na praia de micro biquini, comer acarajé, ir às baladas, seguir o trio elétrico, são necessários reais. Bastante reais!

Bem, a vida está dando certo para a amiga Branca de Neve, que, por um bom dinheiro, vendeu sua virgindade para um velho japonês. Verdade que não conseguiu iniciar a carreira de modelo na Fashion Rio.  As demais modelos, além de a acusarem de prostituta, coisa que elas não são, ameaçaram não à ir à passarela se ela também desfilasse. Teve que sair às escondidas, por uma porta dos fundos, pois o público, em solidariedade às modelos, lhe dirigiu uma grande vaia. Que chato! Mas, isso foi apenas um pequeno contratempo, já que a negociação com a Playboy, para aparecer na edição de janeiro próximo, e com direito a ser a capa da revista, está bem encaminhada.

E foi assim que Gata Borralheira se decidiu. Já lançou, também, na internet, o leilão de sua virgindade. A moda pegou! Agora, é só aguardar a aparição de algum outro velho japonês disposto a pagar. Depois, é só seguir carreira como a amiga Branca e aguardar o passo seguinte: aparecer na Playboy. Verdade que, depois desse, o passo seguinte precisa ser muito bem pensado. Essa história de casar, por um ano, com jogador de futebol anda um tanto complicada. Eles não são assim tão confiáveis. Ou eles passam a andar com travestis, ou eles dão sumiço no corpo das eleitas descartadas. Muito chato!

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Abração e até à próxima
JF
      

terça-feira, novembro 06, 2012

MULHERES!!!...


Quando comecei a namorar a Nina, ela tinha dezesseis e eu tinha vinte e dois anos. É óbvio que terminei de criá-la, não é mesmo? Pois é! Só que, agora, qualquer coisinha e ela já diz:

“Não reclame! É defeito de criação!!!”

Como é que pode? Lógico que eu a criei direitinho. O problema é que ela sempre foi rebelde.

Bom, dia desses, estávamos vendo TV e passou o comercial do Voyage, da VW. Sabem qual é? Aquele em que os dois carinhas estão na porta do restaurante esperando os manobristas trazerem os carros, enquanto aguardam as esposas voltarem do... do... da “toilette”, ora.

Um pergunta para o outro:

“Vem cá! Você não sente saudades dos tempos de solteiro?”

“Ôôôôhhhh!”, responde o outro.

Gentes, eu lá distraído e ela me vem com a mesma pergunta:

“Você sente saudades dos tempos de solteiro?”

Eu juro prá vocês que entendi “dos tempos de romeiro”, da vez em que fui a Aparecida do Norte. É verdade! Podem crer!

“Ôôôôhhhh!”

Bom, depois de uma longa passagem pelo Pronto Socorro, estou quase recuperado. Só que o comercial do VW Voyage rendeu assunto. Ela achou que estava na hora de trocarmos nosso carro. Fui lá fora e lavei nosso Voyage. Agora, com a aparência de carro novo, ela está mais calma. Mas, como sei que ela está pensando no assunto (ela não se deixa enganar por uma simples maquiagem), resolvi  tomar uma atitude. Fui ao banco falar com o gerente:

“Quero entrar num plano de consórcio que não seja muito caro e que não me pese muito.”

Ele me olhou, coçou a cabeça, pensou um pouco (gerentes não deviam conhecer a situação da C/C dos clientes), e, finalmente, puxou uma tabela da gaveta e me disse:

“Acho que tenho alguma coisa prá você. Treze reais e setenta e nove centavos, em 60 meses.”

Fechei! O tipo do consórcio que cabe direitinho no meu bolso de aposentado. Mas a Nina duvidou e quis ver a papelada.

“Espera aí. Isto é um consórcio de bicicletas!”

“Sim! Mas não é de qualquer bicicleta. É uma Caloi! Você ficará confortavelmente sentada no quadro da bicicleta, enquanto eu pedalo.”

Pessoal, a turma da Santa Casa é sensacional. A enfermeira até me emprestou este notebook pelo qual estou encaminhando esta postagem.

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“LIBERTE” AQUELE LIVRO

Sabe aquele livro que você tem parado na estante e que nunca mais irá lê-lo? Faça a “libertação” dele.
5º Bookcrossing Blogueiro, de 08 a 16 de novembro de 2012. Saiba mais no endereço  http://bit.ly/bookcrossingblogueiro. Ou, então, através do blogue da Luma  http://luzdeluma.blogspot.com.br/ .
Como funciona? Você coloca, dentro de um livro, um recado do tipo: “Este livro foi deixado aqui para que você tenha oportunidade de o ler. Pode levá-lo e aproveite o seu conteúdo. Divirta-se com ele.”

Em seguida, você o deixa em algum local público: um banco em uma praça, um banco de um ônibus...  Até no interior de uma igreja.  Não importa o local. O importante é que ela esteja visível e seja facilmente encontrado por alguém que poderá levá-lo, sem culpa, e que terá a oportunidade de o ler. Pode acreditar.

O livro ficará grato a você. E alguém que poderá lê-lo, também.

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Abração a todos e até à próxima postagem.

JF

segunda-feira, outubro 01, 2012

BRANCA DE NEVE E OS SETE PICARETAS


Gentes,

Hoje, eu irei narrar uma versão mais moderna da história da Branca de Neve e os sete anões. É óbvio que é tudo ficção. Nada a ver com a realidade. Qualquer coincidência é mera coincidência não intencional, mesmo. E vamos lá.

Era uma vez sete anõezinhos que exploravam algum tipo de negócio escuso, bem lá no meio da floresta. Os negócios não iam lá muito bem, pois o IBAMA entendeu que eles estavam derrubando árvores de “mata atlântica” e lascou-lhes uma tremenda de uma multa. Mas esse não era o seu principal problema. Seu drama era Branca, a feitora, que vivia com eles em regime de “Dona Flor e seus sete maridos”. Branca gostava de gastar dinheiro em Shoppings. Vai  daí que, quando um bando de “sem terras”, aliados ao PCC e a alguns políticos, apossou-se da mina de diamantes dos anões, secando-lhes a fonte de dinheiro, Branca mandou a gurizada às favas e tratou de procurar fonte segura de copioso dinheiro.

Mas, o que fazer nestes tempos de crise em que o dinheiro anda curto? Entrar para a política? Não! Muito perigoso! Que o digam os políticos que estão respondendo pelo “mensalão”.

E foi assim que Branca teve a mais original idéia de sua vida: vender sua virgindade! E colocou seu hímen à venda, num site de internet. Desses que vendem de tudo: de CDs a automóveis, de anzóis de pesca a hímens. Levaria seu hímen aquele que mais pagasse. E não é que deu certo? A TV e os jornais, na falta de algo importante a noticiar, encarregaram-se da publicidade volumosa e gratuita. Hordas de trouxas tarados, encantados pela donzela de cabelos negros e pele alvíssima, foram fazendo seus lances. Lógico que Branca pediu pagamento antecipado. E lá ela seria suficientemente besta de entregar seu hímen e ficar a ver navios? Principalmente porque os que fizeram lances eram políticos e vocês sabem como políticos costumam cumprir com o que prometem, não é mesmo?

Dessa forma, com o dinheiro do adiantamento, Branca pode pagar seu cirurgião plástico pela cirurgia de recomposição de hímen, pois os anões de há muito tempo já haviam rompido tudo o que havia para ser rompido, se é que vocês me entendem. O dinheiro serviu, também, para comprar o silêncio dos anões que, a estas alturas, já andavam “arrastando asas” para os lados da Rapunzel. Deu, também, para comprar uma casa para o pai e para a madrasta (que era uma bruxa muito malvada), maravilhados com o desprendimento da donzela.

E Branca tornou-se, oficialmente, uma “não virgem”, endinheirada e com uma promissora carreira pela frente. Nada de príncipe encantado, pois este, a essas alturas,estava indisponível, amasiado com o motorista de um deputado, mas oficialmente livre de seu hímen graças à intervenção e ao dinheiro de “caixa dois”, sobra de campanha, de um político de primeiro escalão, daqueles que habitam Brasília.

E a carreira começou.

A revista Playboy já tem garantida sua participação, com doze páginas e a capa, para dentro de dois meses.

Duas redes de TV começaram uma disputa acirrada para contratá-la. A participação de Branca é garantia de sucesso para qualquer “reality show”. Mas isso deixou-a com um grande problema. E agora? Como decidir? Participar do “A Fazenda” ou do “BBB”?

Mas, como isso é coisa para o ano que vem, Branca já está de malas prontas para mudar-se para a Europa, onde já está de casamento marcado com um famoso jogador de futebol brasileiro que atua por lá. E os planos para esse casamento já estão prontos. Depois de um ano, pedirá o divórcio e receberá dois milhões de indenização por ter entregue um ano inteiro de sua maravilhosa existência a um desmiolado cafajeste que a deixava sozinha, à noite, enquanto perambulava pelas baladas em companhia de umas modelos e de travestis.

E depois da fase européia de sua carreira? Bom, irá casar com um diretor de alguma emissora de TV, talvez dessas de segunda linha, e, dessa forma, terá seu próprio programa de entrevistas. Afinal, um dia, todos precisarão ter uma profissão definida e um trabalho fixo.

Oh, vida!!!
                    -               -               -               -                -
Abração e até à próxima.

JF

terça-feira, setembro 18, 2012

IN GOD WE TRUST


Quando compro alguma coisa, gosto de me livrar das moedas que ficam pesando nos meus bolsos.  São moedas que vou recebendo de troco e que, sempre que posso, livro-me delas repassando-as no comércio.
Dia desses, surpreendi-me ao encontrar, no meio das outras, uma moeda estampando o perfil de algum antigo, de rabo de cavalo, no valor de “Five cents”, com, entre outros escritos, a frase “IN GOD WE TRUST”. Simplesmente, uma moeda dos Estados Unidos. Ora, não estive por lá recentemente. Aliás, nunca estive. Como é que uma moeda americana apareceu no meu bolso?

Acredito que algum operador de caixa, em algum supermercado ou outro lugar, deve ter recebido a moeda de algum “espertinho” e tratou de livrar-se dela repassando-a a algum cliente que não costuma verificar o troco recebido em moedas. Eu, por exemplo. E foi assim que fiquei “no prejuízo”. Preju? Bom, considerando o câmbio atual, até que acabei ficando “no lucro”, desde que, algum dia, eu possa repassar essa moeda lá nos Estados Unidos.

Mas, não estou aqui para falar de meus sucessos econômicos e sim para contar mais uma aventura do Ferdinando, aquele que não gosta de lavar o carro, da postagem anterior.

“TUDO POR R$1,99 CADA”

Ferdinando gosta de morangos. Como já disse na postagem anterior, não sou o Ferdinando, apesar de também gostar de morangos. Mas,vai daí que, dia desses,  ele passa, na rua, por um vendedor que vendia... sabem o quê? Morangos! Um real e noventa e nove centavos a caixinha.

Hummm!!! Morangos com creme de leite... Ferdinando parou o carro e foi comprar uma caixinha de morangos. Deu ao vendedor uma nota de R$2,00 e recebeu sua caixinha de morangos. E ficou lá olhando para a cara do vendedor. Este, sem entender nada, perguntou se Ferdinando precisava de mais alguma coisa.

“Meu troco! Eu lhe dei uma cédula de dois reais e estou esperando meu um centavo de troco.”

“Mas... Não existem mais moedas de um centavo.”

“Então, por que o senhor vende os morangos por um real e noventa e nove se não consegue as moedas necessárias para dar de troco?”

O vendedor, já vendo que tinha um criador de casos pela frente, respondeu:

“Isso é só um recurso de marketing, para parecer que a mercadoria é mais barata. É melhor que anunciar que custa dois reais.”

“Não quero saber. Quero meu troco!”

O vendedor, já nervoso, retirou a caixinha de morangos das mãos de Ferdinando e lhe devolveu a nota de dois reais. Mas, esperto, já foi dizendo:

“Pronto! Estou devolvendo dois reais pela sua mercadoria de um real e noventa e nove centavos. O senhor me deve um centavo, que sei que o senhor não tem e por isso eu abrirei mão dele.”

Ferdinando, sem entender direito o que estava acontecendo, e sem saber se ganhara ou perdera um centavo, foi embora.

Dia seguinte, Ferdinando passa pelo mesmo vendedor e lá estava anunciado: “Morangos – 1,99 a caixa”. É hoje, pensou Ferdinando. É a minha hora da desforra.

“Quero cinco caixinhas de morangos.” Deu ao vendedor uma cédula de dez reais e ficou olhando, com um sorriso maroto nos lábios.

O vendedor pegou uma nota de dois reais e entregou-a a Ferdinando.

“Opa, o senhor está me devolvendo troco a mais.”

“Não! A promoção é cinco caixinhas de morango por oito reais.”

“Que oito reais? Não me venha com enrolação. Se o preço de uma caixinha é R$1,99, cinco caixinhas custam R$9,95. Quero minha moeda de cinco centavos de troco e tome de volta sua nota de dois reais.” 
Pois não é que o vendedor tinha uma moeda de R$0,05? Pegou a nota de R$2,00 e entregou os cinco centavos ao Ferdinando.

E lá se foi o nosso amigo, todo feliz, para sua casa. Fizera valer seus direitos e obtivera o troco certinho.

O vendedor também ficou feliz, depois de vender as cinco caixinhas de morango por um preço maior do que estava programado.

Mas a Nina, a mulher do Ferdinando (não confundam com a minha Nina, pois é apenas coincidência de nomes), é que não ficou nada feliz. Cinco caixinhas de morangos a serem lavados convenientemente para eliminar os agrotóxicos;  a serem escolhidos convenientemente, pois sempre vem um ou outro estragado;  a serem limpos convenientemente  –  vocês sabem que devem ser extraídas, uma a uma, aquelas partes verdes que vem agregadas à fruta. Além desse trabalhão, precisará ir até o supermercado buscar as caixinhas de creme de leite; precisará preparar o creme de leite. Tudo isso para quê, se o Ferdinando é o único na casa que gosta de frutas? Para ele comer um pouquinho e esquecer a maior parte dentro da geladeira. Parte essa que, depois de algum tempo, será jogada fora porque estragou.

Oh, vida!!!

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Abração a todos, até à próxima.


terça-feira, agosto 21, 2012

DIVERSÃO DE PAULISTANO?


DIVERSÃO DE PAULISTANO?

Pessoal, sei que alguns dirão “é você!”. Não sou! As semelhanças são meras coincidências e a crônica é pura ficção. Juro!

Dizem que distração de paulistano, aos domingos, é lavar o automóvel. Isso é injúria de carioca que tem praia à vontade. Na verdade, nem é tanto assim. Também nos divertimos indo às pizzarias.

Ferdinando, por exemplo. Não gosta de lavar carro. Mas sempre teve uma boa desculpa para isso. Pensem bem (coloquem-se no papel dos ladrões!): se tivessem de roubar um carro, escolheriam um limpo ou um sujo? O limpo, não é mesmo? É por isso que ele não gosta de lavar automóvel. Uma questão de segurança do seu patrimônio.

Só que a Nina (Nina, neste caso, é mera coincidência de nomes relativamente à minha Nina) não pensa dessa forma:

“Trate de lavar esse carro ou eu não saio mais com você!”

Depois dessa, que é que Ferdinando poderia fazer? Em sua casa, sempre foi sua a última palavra. Vai daí que:

“Sim, senhora!” E lá foi fazer a lavagem.

Nada fácil. Uma grossa camada de terra encobria o veículo. Um passarinho havia acabado de fazer suas necessidades, o que adubou aquela terra toda. Estava tudo pronto para fazer uma horta no teto do carro. Ideal para plantar alface, couve, cebolinha, tomate, jiló... Ele só teve medo, mesmo, de que aparecesse um fiscal do CREA querendo saber quem era o agrônomo responsável.

Realmente, estava na hora de lavar o carro. É que, do jeito que estava a sujeira, se ele não fizesse a horta, logo começaria a nascer mato. E, nascendo mato, ele poderia ter problemas se cortasse. Já imaginaram um fiscal do IBAMA multando-o por derrubar “mata atlântica” em regeneração? Essa, não!

Enfim, lavou o carro.

E foi só assim que a Nina (a do Ferdinando, não a minha) concordou em sair com ele no dito cujo veículo recém asseado. E lá foram eles para o supermercado.

Na saída, eis que surge um novo problema: nenhum dos dois lembrava-se da cor original do veículo. E agora, qual é o nosso carro, no meio desse mundo de carros limpos, perguntavam um ao outro.

Voltaram para casa de taxi.

Oh, vida!!!

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Domingo passado fomos a São Paulo. Nossa filha, a Lu Farias ( http://eeepa.blogspot.com.br/ e http://lucianadesenhista.blogspot.com.br/ ), estava autografando mais um livro na 22ª Bienal do Livro de São Paulo. Que orgulho!!! Na ida, Nina e eu paramos em um “Frango Assado” para tomar um lanche. Na saída, a menina do caixa informou o total: R$ 19,20. Entreguei uma nota de R$ 20,00 e uma moeda de vinte centavos. Vocês acreditam que ela ficou atônita (eita palavrinha antiga), como se não soubesse o que fazer e acionou uma calculadora, na tela do computador. Depois de digitar, de certificar-se do quanto havia recebido, devolveu-me uma moeda de R$ 1,00.

Gentes. Sabe-se que a orientação é de que os funcionários calculem o troco em uma calculadora. Mas... Essa conta? Além do que, a menina pareceu estar totalmente em dúvida quanto ao troco. O que está acontecendo? As pessoas estão tão bitoladas que já não são capazes de fazer uma simples conta de subtração?

Aliás, temo pelas bibliotecas. Acredito que em pouco tempo todas serão transformadas em museus. Museus de Livros! Não é incrível? Quem ainda vai a uma biblioteca pesquisar, hoje em dia, se tudo já está devidamente pronto na Internet?

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Abração a todos e até à próxima.
JF



terça-feira, julho 03, 2012

SOBRE GALOS E GALINHAS


Talarico entrou no elevador. Dentro, já se encontrava a boazuda do 907. Aquela que, depois que pegou o marido no flagra, não propriamente com outra, mas...  

Foi assim: ela havia saído para fazer as compras no supermercado. Quando chegou à garagem do prédio, percebeu que havia esquecido as chaves do carro e voltou para trás. O marido não havia perdido tempo e já estava na cama, como já disse, não com outra. Era com outro! E justamente o faxineiro do prédio. Foi um escândalo. O faxineiro foi mandado embora, assim como o marido. O zelador, fofoqueiro por vocação, contou para todas as domésticas, deixando bem claro que era segredo. Mas, as patroas todas acabaram sabendo o segredo e, daí, a notícia ganhou o mundo, passando, antes pelos ouvidos de todos os maridos existentes no prédio. E acontece que a boazuda do 907 era realmente boazuda e a homarada toda ficou solidária a ela, na esperança de, digamos assim, poder consolá-la. Vocês me entenderam! Pois não é que a boazuda, que antes tinha cara de brava, passou a sorrir para todos os vizinhos homens? Verdade que não passava disso. Mas, como a esperança é a última que morre, e longe de suas respectivas (lógico!), a homarada toda se desmanchava em sorrisos derretidos quando ela aparecia. Só que, em relação ao Talarico, ela, antes tão simpática, passou a fazer uma carranca que desestimulava qualquer pensamento, principalmente os pensamentos anti éticos. Ele, coitado, ficou imaginando o que teria dado errado. Teria uma casquinha de feijão ficado presa bem na frente dos dentes da frente? Será que o desodorante havia vencido?

Pois não era nada disso. O motivo era o galo. O Talarico tinha um galo no apartamento. Verdade! E o maldito galo era mais respeitador de horário que o próprio despertador. Todos os dias, inclusive domingos e feriados, o maldito galo se punha a cantar às quatro da madrugada. Fizesse chuva ou fizesse sol. 

E como é que o Talarico adquirira aquele mico? Fácil! Os filhos, numa festinha de aniversário de crianças, ganharam um pintinho cada um e levaram para casa. A mulher do Talarico ficou em polvorosa. Como é que iriam cuidar de dois pintinhos dentro de um apartamento? Felizmente, o Repolho, o cãozinho da casa, resolveu metade do problema, caçando um dos pintinhos. Mas, o outro se salvou e virou um baita galo, de fortes pulmões, que, às quatro da madrugada, se põe a cantar e a infernizar a vida do prédio inteiro, com aqueles cocoricóóóós intermináveis.
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Gente, o que é que está acontecendo com as mães? Minha sobrinha fez uma festa de aniversário, aqui no sítio, para comemorar os seis anos de idade da filha. Veio uma “van”, de São Paulo, com três monitoras e a criançadinha da escolinha. Foi tudo muito bonito e alegre. As monitoras montaram três barracas bem no meio da sala da casa de minha irmã. Uma barraca para as meninas, outra para os meninos, a terceira para as monitoras. E, assim, as crianças acamparam dentro de casa, longe do perigo de grilos, formigas, pernilongos. Um final de semana inesquecível para muitas das crianças que nunca haviam visto um porquinho, um pônei, coelhos, cabras, vacas. Tudo muito bonito. 

Na saída, cada criança ganhou e levou para casa dois pintinhos. Vocês sabem, não é? Daqueles amarelinhos, bonitinhos, que costumam fazer suas caquinhas em qualquer lugar e, principalmente, com o hábito muito ruim de crescerem e se transformarem em galinhas cacarejantes. Ou em galos cantadores das madrugadas. Minha outra sobrinha, que não viera mas mandara os dois filhos, ligou para a irmã, furiosa:

“Trate de vir pegar esses pintinhos! Como é que eu vou cuidar de quatro pintinhos dentro de um apartamento?”

Gentes, lembro que meus filhos, quando eram pequenos, várias vezes chegavam de festinhas com um peixinho vermelho cada um. Mas, pintinho? Essa não!
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Rosenildo estava meio desconfiado da mulher. A Clotildinha andava um tanto estranha, de uns tempos para cá. “Aí tem coisa e da grossa”, pensava Rosenildo, com seus botões. E foi então que aconteceu.

Rosenildo ouviu um barulho estranho dentro do guarda roupa. Aproximou-se bem devagar, pé ante pé, e abriu a porta de repente. Uma galinha assustada, berrando feito um demônio, saiu esvoaçando de dentro do armário. O coitado tomou o maior susto da vida dele. Fosse um homem e o susto não teria sido tão grande.

“Mulher! Que diabos essa galinha tá fazendo dentro do armário?”

Clotildinha veio lá da cozinha, alarmada.

“Eu sabia que você não iria gostar. De dia ela fica solta pelo apartamento. Mas, à noite, antes de você chegar, eu a tranco aí dentro para você não ver”.

“E que idéia louca é essa de criar galinha dentro do apartamento?”

“Foi a Mariazinha que ganhou de presente em uma festinha de aniversário de amiguinho da escola!”

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Gentes, torço para que nenhum de seus filhos ou netos traga para dentro de suas casas um pintinho. Ou dois! Ou três!

Abração a todos e até à próxima.

JF